A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES – Parte I 14

Segue a primeira parte da história do laudo do massacre, que hoje faz 20 anos.
É uma narrativa dos bastidores da perícia. Creio que será útil a todos os colegas.
É também uma espécie de desabafo pelo que passei há 20 anos…
Amanhã ou na quinta envio a segunda e última parte.

Abraço.

A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES

UMA SUCINTA APRESENTAÇÃO DO LAUDO DO MASSACRE DO CARANDIRU

1 – UMA BREVE DESCRIÇÃO DO P-9 E SEUS PRESOS

Muito se escreveu sobre o episódio do “Massacre da Detenção”. Muitas histórias foram baseadas em relatos de sobreviventes, de funcionários da Casa de Detenção do Carandiru, de jornalistas que tiveram acesso nos dias seguintes ao massacre ao P-9, policiais que fizeram a recolha dos presos, funcionários da enfermaria, etc.

Esta é uma história real, de quem esteve lá dentro, recebeu informações fidedignas e observou com detalhes o que se passou pelos vestígios deixados pela ação.

Aqui, uma curiosidade interessante: a denominação oficial do presídio era Casa de Detenção “Prof. Flamínio Fávero”, brilhante perito médico legista, discípulo de Oscar Freire, ex-diretor da Faculdade de Medicina da USP e Professor de Medicina Legal do Mackenzie, falecido em 1982. Sua inscrição no CRM era a de número 001.

Além das inúmeras histórias, muita fantasia se escreveu a respeito dos presos: que eram os mais perigosos do país, todos assassinos com vários homicídios nas costas, matadores de criancinhas, estupradores, etc. Esta versão ajudou a criar na sociedade uma repulsa pelos detentos e auras de heroísmo à ação realizada. Longe de querer fazer uma defesa de criminosos, garantimos que a verdade não é esta. O Pavilhão Nove (P-9) do Carandiru abrigava presos chamados “virgens”, ou seja, primários, que haviam cometido pela primeira vez qualquer tipo de crime: estelionato, furto, roubo, tráfico, homicídio, etc. Muitos deles não haviam sido sequer julgados, estavam apenas “detidos”.

Ainda hoje muitas pessoas condenam o laudo que “desnudou” a ação realizada e acham que 111 mortos foram poucos. Estes não estiveram lá dentro, não viram e, provavelmente, não têm qualquer religião. Satisfazer-se com o massacre de 111 presos indefesos, como uma vingança por ter sido vítima de algum crime revela a face mesquinha de muitas pessoas. Nós, como tantos outros, já fomos vítimas de assalto mais de uma vez, sentimos medo sim, principalmente se os bandidos descobrissem nossa identidade, não pudemos reagir porque estávamos acompanhados e nem por isso pudemos acobertar o que ocorreu lá dentro. Uma coisa é enfrentar bandidos na rua, dispostos a matar ou morrer, outra coisa, muito diferente, é matar presos desarmados, encurralados dentro de suas celas. Uma verdade é inegável, e as estatísticas criminais comprovam: se antes do laudo da detenção a PM matava mais de 200 por mês só na Capital, em média, apenas dois meses depois da divulgação do laudo este número caiu para cerca de 35. Hoje se mantém por volta de 60, com a população quase dobrada em relação a 1992.  Não há dúvida que houve uma mudança de paradigma. Hoje a PM respeita os direitos humanos, apesar de muita gente ainda combater os métodos utilizados.

Por outro lado, o que restava a um perito fazer ante aquela situação? Esconder o que viu e analisou, e assim falsear a verdade? Não foi para isso que criaram a perícia, mas sim para estabelecer a verdade dos fatos através da prova material.

O P-9 era composto por cinco pavimentos (o térreo é considerado o primeiro pavimento) e as celas se distribuíam do segundo ao quinto pavimento. A estrutura arquitetônica correspondia a um quadrado com um pátio central e as celas ficavam dispostas nos quatro lados do quadrado, frente a frente e separadas por um corredor perimetral. A numeração das celas obedecia a um código alfanumérico de cinco caracteres, sendo o primeiro o número do pavilhão, o segundo, o número do pavimento; os dois seguintes a ordem numérica a partir do acesso do pavimento, no sentido horário, e o último, uma letra “E” ou “I”, antecedidas por um hífen, indicava se a cela era voltada para a região externa do P-9 (“E”) ou para o pátio interno (“I”).

Nunca ficou claro como eram distribuídas as celas para os presos, mas houve a informação que eles mesmos decidiam quem iria habitar qual cela (para eles chamadas de “casa”). Havia dentro de cada Pavilhão uma espécie de “Comissão” que negociava com as autoridades do presídio sobre as questões a serem resolvidas e eram responsáveis pela distribuição das celas. Foi esta “Comissão” que, com um surpreendente espírito de colaboração (coisa rara, criminosos colaborando com policiais) prestou a maior parte das informações aqui relatadas. Muitos destes informes, por não serem relevantes à perícia ou confiáveis, na época, não foram para o laudo, mas serviram de embasamento para deduzir o que de fato provocou a situação.

Naquela época, não havia ainda uma “organização criminosa” propriamente dita, mas existiam certos grupos que dominavam o P-9, impondo horários, distribuição de cigarros (que era a principal “moeda” deles), impunham castigos aos que saíam da linha, decidiam sobre os “jurados de morte”, etc. Entenda-se: os “jurados de morte”, que não eram poucos, não estavam numa espécie de “corredor da morte” aguardando seu destino, mas eram aqueles que haviam cometido falta grave contra a organização do grupo e poderiam até morrer se não se desculpassem e pagassem pelos seus “crimes”. Estes ficavam em celas especiais, sozinhos (solitárias), até terminarem sua “condenação”. Morreriam somente se fossem considerados “criminosos rebeldes”, o que raramente acontecia. Era o início dos Tribunais do Crime. E de uma organização criminosa, cujo embrião foi desenvolvido após o massacre. Ali dentro, havia uma facção mais dominadora, recém-formada, chamada “Serpentes Negras”, que correspondia a uma associação de líderes de grupos, mas não havia então uma verdadeira organização e não agiam fora do presídio. Dominavam pela força. Os grupos menores se organizavam pelas mais diversas afinidades: os homicidas e os matadores de policiais formavam um grupo de poucos, mas barulhentos presos porque se diziam os mais “corajosos” – portavam uma tatuagem com um punhal encravado numa caveira (depois ficamos sabendo que muitos casos que eles contavam eram fantasiosos, apenas queriam se sobressair), os traficantes formavam outro grupo, assim como os religiosos, os torcedores de determinado time, os estelionatários (que eram considerados os intelectuais dos presos e redigiam petições, pedidos, solicitações, reivindicações, etc.), e outros. Calcula-se que os quase 1.800 presos eram distribuídos por cerca de 30 grupos. Enfim, era uma sociedade à parte do mundo externo, com suas próprias leis, advogados e juízes.

Esses grupos, embora precisassem uns dos outros, eram muitas vezes rivais e brigavam pelos mais diversos motivos: pela posse de pontos de distribuição de cigarros, pela produção e distribuição de bebidas artesanais, de sabonetes, de TVs, de perfumes, de mulheres, de drogas – somente maconha, pois os presos não permitiam a entrada de qualquer outra droga na época, segundo eles disseram – e muitas outras coisas. Mas conviviam sem grandes traumas graças ao entendimento entre os líderes.

E foi justamente um desentendimento entre dois destes líderes que, por um motivo fútil, levou à morte os 111: uma briga por causa de uma arbitragem duvidosa do jogo de futebol numa final de campeonato interno. Pelo menos, foi esta a versão contada para a perícia e confirmada pela Comissão de Presos e de Disciplina. Um membro de um grupo foi ferido gravemente com estiletes pelo membro de outro grupo e começou a gritaria e perseguições, que não pôde ser evitada pelos carcereiros, pois se estendeu por todo o P-9.

Chamaram, então, a PM. E tudo começou.

Osvaldo Negrini Neto

Perito Criminal aposentado, autor do laudo do Massacre da Detenção.

  1. “”” sic . . . Foi esta “Comissão” que, com um surpreendente espírito de colaboração (coisa rara, criminosos colaborando com policiais) prestou a maior parte das informações aqui relatadas. Muitos destes informes, por não serem relevantes à perícia ou confiáveis, na época, não foram para o laudo, mas serviram de embasamento para deduzir o que de fato provocou a situação. “””

    ACREDITO QUE NÃO É PRECISO FALAR MAIS NADA

    TALVEZ

    VENHA UM LIVRO POR AI ???!!!

    REPITO

    O SILÊNCIO VALE OURO . . .

    QUEM FALA DEMAIS DA BOM DIA A CAVALO . . .

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  2. Essa tipo de arquitetura prisional deve ser abolida! Isso dificulta a educação do preso. O preso tem que olhar para o horizonte…perdido e não…para outros presos!
    Feliz hora que derrubaram aquela nojeira! Parabéns.
    Vamos orar…..

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  3. virgem é aquele que nunca cometeu qualquer crime, se estava no Carandiru, preso, em cana , era porque havia cometido algum crime, então, virgem não era.

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  4. As pedras do tabuleiro começaram a se movimentar…

    Exclusivo – O Exército escalou seus mais confiáveis e melhores
    oficiais de inteligência, lotados na Abin, para dar proteção ao
    ministro Joaquim Barbosa – relator do processo do Mensalão no Supremo
    Tribunal Federal. Ao montar esquema especial para dar segurança a
    Barbosa – que sempre foi avesso a isto -, empregando seus homens
    lotados na Agência Brasileira de Inteligência, o EB atropelou o
    Palácio do Planalto e a cúpula da Polícia Federal ligada aos esquemas
    petralhas de poder.
    Apenas como contraponto: os ministros Ricardo Lewandowski e José Dias
    Toffoli também contam com proteção intensa. Só que de agentes da
    Polícia Federal – e não da turma verde-oliva lotada na Abin. A
    proteção a Barbosa não é só física. Tudo que se fala dele e sobre ele,
    nos ambientes de poder, também é monitorado. Além disso, todo o
    sistema telefônico da residência e de seu gabinete no STF foi alterado
    e passa por uma constante ação de pente fino.
    A iniciativa de proteger Barbosa tão intensamente gera uma crise. A
    Presidenta Dilma Rousseff, como Comandante-em-chefe das Forças
    Armadas, sequer foi consultada sobre a medida. A blindagem ao Barbosa
    foi decidida entre alguns integrantes do Alto Comando do Exército e o
    General José Elito, do Gabinete de Segurança Institucional da
    Presidência. Aumentará em muito a guerra não-declarada e a
    insatisfação pessoal mútua entre Dilma e seu ministro Elito.
    No fundo, a proteção especial a Barbosa é mais uma operação montada
    pela chamada “Comunidade de Informações” que sempre tenta agir de
    forma invisível – embora quase sempre não consiga em uma Brasília
    cercada de ouvidos eletrônicos em todos os buracos do poder. Em tempos
    passados, tal comunidade era famosa por vigiar e detonar a esquerda
    explicitamente. A turma do SNI botava medo. A turma da Abin ligada ao
    EB – onde a petralhada ainda não conseguiu se infiltrar explicitamente
    – tenta ser mais “light”.
    Agora, pelo menos no reservado discurso da comunidade de informações,
    a ordem é não contribuir para ampliar um vácuo institucional que se
    desenha com o resultado do julgamento do Mensalão – que deve atingir
    em cheio a cúpula petralha, ainda com consequências imprevisíveis de
    um respingo escatológico no mito Luiz Inácio Lula da Silva (que ainda
    alimenta o sonho de voltar à Presidência da República).
    A tensão entre Dilma e a caserna pode aumentar ainda mais com o
    Mensalão. Já era enorme por causa da Comissão da Verdade que tomou a
    decisão fora da lei de perseguir os agentes do Estado acusados de
    cometer crimes apenas na Era pós-1964. Apoiada por Dilma, a CV quebrou
    um acordo firmado com os militares, costurado quando Nelson Jobim era
    ministro da Defesa, de que os crimes de sequestro, terrorismo e
    assassinato cometidos pelos militantes de esquerda também seriam
    investigados.
    Alguns Generais já se sentem traídos por Dilma. Mas se a traição vai
    gerar consequências institucionais é um desdobramento imprevisível. A
    cúpula militar na ativa é publicamente contrária a qualquer virada de
    mesa. Se os Generais pensam, sinceramente, da mesma forma, na
    intimidade, são outros quinhentos batalhões. Dilma e seus radicalóides
    estão provocando a onça com varinha curta.
    Além disso, com o próprio Ministério da Defesa, a cúpula militar nunca
    se sentiu satisfeita por ficar simbolicamente subordinada ao ministro
    Celso Amorim que tem como assessor-especial José Genoíno –
    ex-guerrilheiro da luta armada pós-64 e com grandes chances de ser
    condenado no processo do Mensalão em que o agora protegido Joaquim
    Barbosa brilha como “grande herói” da República. Na ironia, os
    militares sõ não têm mais bronca de Genoíno porque alegam que ele
    entregou, sem qualquer tortura, todos os seus companheiros na
    Guerrilha do Araguaia…
    Indo de uma cachorrice a outra cachorrada, a inteligência militar teme
    que a petralhada arme ilegalidades para obstruir o julgamento do
    Mensalão. A mais previsível já se tornou pública e, se acontecer, pode
    ser a senha para a abertura da portinha do vácuo institucional: que o
    novo ministro do STF, Teori Zavascki, indicado pelo ex-marido de Dilma
    Rousseff, tome posse e cometa a imprudência de pedir vistas do
    processo de mais de 50 mil páginas do Mensalão. Se tal manobra
    embromatória for adotada, para atrasar o resultado final do julgamento
    em até seis meses, nem Deus sabe o que poderá acontecer…
    A leitura de nossa conjuntura atual é bem simples e roceira. A vaca já
    está no brejo. Se o Boi vai também… Aí são outros R$ 350 milhões de
    reais desviados e divididos pelos bandidos no esquema do Mensalão. Na
    avaliação mais tímida da comunidade de informações – que protege
    Barbosa e também vigia, cuidadosamente, todos os prováveis condenados
    na Ação Penal 470 -, o ex-presidente Lula da Silva teria pelo menos 35
    milhões de motivos concretos para se preocupar – e muito – com as
    consequências de ter tantos companheiros e parceiros vendo o sol
    nascer quadrado…
    Enquanto o mito Lula pode se desmantelar entre os segmentos
    esclarecidos (ou entre os menos ignorantes), o mito de Joaquim Barbosa
    começa a ser construído e lapidado. Resta aguardar para saber quem
    será beneficiado com a demolição de um e a edificação de outro.
    Enquanto isto, os militares ficam iguaizinhos àquele papagaio
    verde-oliva da piada do português. Nada falam… Mas prestam uma
    atenção…
    “E sabem de absolutamente tudo que acontece no Brasil” – como fez
    questão de ressaltar um quatro estrelas numa certa noite estrelada de
    um jantar fechadíssimo na caserna, com todo mundo vestindo a
    pós-moderna farda de civil sem gravata – exceto o coronel da
    inteligência e das Forças Especiais, trajado feito um Rambo, para
    garantir a proteção na porta do salão…
    O perigo é que aqueles que fingem não saber de nada continuam agindo
    no submundo do Governo do Crime Organizado… Até quando? Nem Deus
    deve saber mais… Ou será o Barbosa (um dos Deuses do Supremo e agora
    um togado blindado pelas fardas da inteligência) sabe?
    Se souber, conta que a gente divulga por aqui… Até porque, neste
    mundo pontocom, nem a identidade do pobre do Batman é mais secreta…
    O verdadeiro endereço da Batcaverna, talvez…

    Att,
    Ipsa scientia potestas est.

    http://mariscoventania.blogspot.com.br/2012/09/as-pedras-do-tabuleiro-comecaram-se.html

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  5. Boa Noite!

    Senhoras e Senhores.

    Quando penso nas almas dos macambúzios que morreram, seja por qual motivo fosse, dentro daquela Instituição Penal, durante todo o tempo de sua existência, somente tenho a lamentar, pois se lá estavam, não estavam de graça ou por injustiça, mas sim porque alguma atrocidade havia cometido contra o que preceitua a legislação e, conforme se verifica suas sombras, acreditem ou não, ainda vagam pelo espaço que hoje carinhosamente chamamos de “Parque da Juventude” e, apesar de encontrarem-se cheias de vida e com bonitos espaços, sequer conseguimos usufruir no período tarde/noite, pois, estes espíritos remanescentes e incautos continuam agindo através de seus discípulos menos afortunados (Viciados/Infratores Mirins/Psicopatas/Moradores de Rua, etc…), que empunhando uma garrafa de pinga, uma arma/simulacro, um pedaço de pau ou um enorme baseado, orquestram inúmeros assaltos contra mulheres e crianças indefesas e, sem um mínimo de respeito, ainda assim, como se já não bastasse, ficam por ali perambulando, dando o maior ar de desprezo para com os membros honestos da sociedade e principalmente para àqueles que lá estão para exercer a devida segurança.

    Concordo com alguns especialistas quando dizem que “cada caso é um caso” e não podemos também é tampar o sol com uma peneira e simplesmente dizer que:

    “O que aconteceu ali naquele fatídico dia, deu-se exclusivamente por uma pequena desinteligência resultante de uma disputa de jogo de futebol”.

    Acreditando sinceramente no assunto e, crendo também, por já ter exercido algumas vezes minhas funções no 9º DP/Carandiru e, esporadicamente comparecer naquele espaço somente para registrar fatos ocorridos entre os presos (brigas/mortes/suicídios/cobranças de dividas e desavenças/Tráfico de Drogas, etc), nitidamente podia-se perceber que ali, apesar de se perceber a existência de muitos membros de algumas seitas ou religiões, dificilmente entre os demais se pregavam bons costumes e boas maneiras, mas sim, podia-se notar nitidamente que, viviam sob constante revolução e briga pelo poder e controle entre eles e, era uma verdadeira guerra de nervos, podendo-se até em afirmar que se tratava de um verdadeiro “Mundo do Cão” onde somente iria sobreviver o mais fortes entre eles.

    Se houve um dia “pesadelos”, estes devem ficar no passado, pois, a quem interessa estes sofrimentos:

    Às famílias dos respectivos presos?

    Às famílias das vítimas destes nefastos bandidos, traficantes e estupradores que ali estavam trancafiados?

    Aos urubus de plantão que se apresentam como legítimos defensores dos direitos humanos e de Ongs do “Bem”, que todos sabem que estes somente se apresentam smj, com suas línguas felinas e se aquilatam com os erros e acertos do passado dos outros, mas que de certa forma, nunca saíram de cima do muro, tampouco contribuíram para nada com soluções plausíveis, positivas ou honestas?

    Aos incautos que se julgam pertencerem a um pretenso tribunal paralelo e subjugam o mundo dos justos, trabalhadores e inocentes, por uma causa ou vida sem lógica, para apenas satisfação do bolso de algumas minorias sempre em prejuízo de um todo?

    A quem realmente pertence este mundo? E,

    E quem realmente merece viver condignamente neste mundo: Os justos ou aos injustos?

    No final algum esperto ainda vai se atrever em dizer que:

    “Os verdadeiros culpados disto tudo”, talvez sejam de fato os pais destes coitados que: ou nunca conheceram seus filhos de verdade ou, nunca tiveram um mínimo de carinho ou quem sabe ainda assim insistem em pensar que realmente foram os Policiais Militares que ali entraram e ceifaram de vez com as esperanças de um dia, àqueles fossem de fato reconhecidos pela sociedade como legítimos “recuperados”.

    Afinal! Que mundo é este que estamos realmente vivendo e a quem ele realmente pertence por direito?

    Caronte.

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  6. QUE INVEJA, AQUI NO ESTADO DE SÃO PAULO OS PRESOS TEM O PODER PARALELO, MANDAM EXECUTAR POLICIAIS .

    02/10/2012 – 18h54
    Cartas de presos de NY revelam detalhes da vida na cela solitária
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    MOSI SECRET
    DO “NEW YORK TIMES”

    As cartas manuscritas chegaram às dezenas, vindas de homens que, em linguagem cheia de erros mas dolorosa, descreveram como era enlouquecer.

    “Sinto que estou começando a ter uns comportamentos de isquitzofrenia”, escreveu um homem. “Ouço vozes ecoando quando tento dormir.” Outro disse que sua mente “apodrece” com “pensamentos que são incomuns ou antinaturais, e você se pergunta de onde diabos eles vieram?”.

    Eles são detentos do sistema carcerário do Estado de Nova York, condenados por uma gama grande de crimes, incluindo tráfico de drogas e homicídio. Foram tirados da população carcerária geral e colocados em prisão solitária –ou, no jargão deles, na “caixa”–, onde viveram em celas minúsculas, do tamanho de um elevador, isolados de praticamente qualquer contato humano. Os motivos foram diversos: participação em brigas, fumar, usar drogas. Em muitos casos, porém, detentos são isolados por crimes mais graves, como apunhalar outros detentos, atacar carcereiros ou fazer tentativas de fuga.

    Tendo ficado prisioneiros de sua própria imaginação por semanas, meses ou, em alguns casos, anos a fio, os homens –muitos dos quais já sofriam de doenças mentais– colocaram sua paranoia, raiva, ansiedade e esperanças no papel, com descrições em alguns casos literárias e em outros, quase indecifráveis. Mais que qualquer outra coisa, os textos transmitem uma consciência tenebrosa de que suas identidades estavam se fragmentando –um sentimento tão desconcertante para alguns que os levou a tentar pôr fim a suas próprias vidas.

    O cabedal de cartas escritas por mais de cem detentos à União de Liberdades Civis de Nova York (NYCLU), que se correspondia com os homens para reforçar suas tentativas de combater a prática da detenção solitária, traz novos insights sobre um mundo fechado e que geralmente só é visto por uma pessoa de cada vez.

    As cartas podem acrescentar novos elementos no debate nacional sobre se manter detentos em isolamento extremo é ou não castigo cruel e incomum. Recentemente muitos Estados americanos vêm abandonando a prática, que foi tema de audiências federais no verão deste ano mas ainda é largamente aplicada no Estado de Nova York.

    Em qualquer dia dado, quase 4.500 detentos no Estado estão em detenção segregada, cerca de metade deles em detenção solitária e metade em celas com outro detento. A informação é da NYCLU, que planejava publicar na terça-feira um relatório de 72 páginas sobre suas conclusões. Uma cópia do relatório foi entregue ao “New York Times” com antecedência.

    O grupo de defesa das liberdades civis descreveu os dois tipos de encarceramento como “arbitrários, inumanos e inseguros”, argumentando que as autoridades carcerárias têm poder discricionário excessivo para enviar detentos a celas segregadas por períodos longos, mesmo por infrações menores.

    O relatório não pede a abolição da detenção solitária, mas recomenda que o departamento correcional estadual adote normas mais restritivas que reservem o isolamento para castigar detentos pelos delitos mais violentos e que o Estado faça um censo de suas celas para averiguar quais detentos realmente merecem estar nelas.

    Um porta-voz do departamento correcional, Peter K. Cutler, limitou as declarações que deu numa entrevista na segunda-feira, porque o relatório ainda não tinha sido divulgado. “A segregação disciplinar é algo que levamos muito a sério no sistema carcerário”, disse Cutler. De acordo com ele, os fatores pelos quais o departamento pauta sua ação são o comportamento do detento e a segurança das prisões. “Há um processo. Isso não é feito de modo unilateral.”

    “Os detentos têm direitos e nunca devem ser sujeitados a violência”, falou em comunicado à imprensa Donn Rowe, presidente da Associação Benevolente de Carcereiros e Policiais do Estado de Nova York. “Mas suas queixas anônimas também devem ser recebidas com uma dose apropriada de ceticismo, e é preciso lembrar ao público que o sistema carcerário de Nova York abriga alguns dos indivíduos mais violentos e problemáticos do país.”

    Nas cartas, os detentos –cujos nomes reais não foram divulgados pela NYCLU porque, segundo a organização, eles poderiam ser alvos de represálias por parte das autoridades carcerárias– aceitaram a responsabilidade pelos crimes que cometeram fora da prisão, mas questionaram se seu comportamento dentro da prisão justificava o tratamento recebido. Eles criticaram autoridades de saúde mental, enfermeiros e carcereiros que, segundo eles, ignoram suas queixas.

    “Por favor, alguém me ajude”, escreveu um homem que, meses depois, tentaria o suicídio. “Preciso de AJUDA!”

    Os detentos começaram a cumprir suas penas entre a população carcerária geral em prisões espalhadas pelo Estado. Foram transferidos para celas segregadas depois de infringir as regras. Eles foram acusados de brigar, fumar cigarros e apresentar resultados positivos em exames de drogas, entre outros comportamentos. Um deles disse que foi autuado por “olhar inapropriadamente e perseguir”, depois de olhar para o traseiro de uma carcereira quando ela se abaixou para pegar suas chaves.

    A maioria dos homens acabou ficando em um dos dois presídios estaduais dedicados exclusivamente a celas de isolamento, o Upstate Correctional Facility, na cidade de Malone, perto da fronteira canadense, e a Southport Correctional Facility, em Pine City. A monotonia era a regra durante 23 horas por dia. Eles recebiam suas refeições através de fendas nas portas. Durante uma hora por dia podiam exercitar-se numa pequena jaula metálica conhecida como “o canil”.

    Os homens “pescavam”, ou seja, passavam bilhetes, livros e revistas um para o outro, usando folhas rasgadas com tubos de pasta de dente em cima para dar peso. Mas passavam a maior parte do tempo olhando as paredes.

    “A água da pia tem cor leitosa”, escreveu um detento. “Não é branca, mas não é transparente. Nosso chuveiro é muito quente e continua a pingar mesmo depois de o desligarmos –pinga sem parar. Devido à umidade do chuveiro e da pia, estamos começando a notar mosquitos, também conhecidos como ‘moscas-das-frutas’. As paredes são marcadas com símbolos de gangues, desenhos demoníacos, muco, fezes e ferrugem. Não somos autorizados a desinfetar nossas celas. Há pasta de dentes endurecida sobre minhas lâmpadas, paredes, cama, o teto, as portas e as aberturas para entrar ar. No meu chuveiro há vários adesivos, mofo, resíduo de sabonete e o que parecem ser gotinhas de sangue ressecado.”

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  7. PELA PRIMEIRA VEZ EU VEJO UMA SENSATEZ NAS PALAVRAS DE GERALDO ALCKIMIM !

    Ciclistas
    11.07.2012 12:22
    Governo de São Paulo recomenda: não ande de bicicleta na rua
    412

    Diário Oficial do Estado de São Paulo diz para ciclistas saírem das ruas. Fonte: Reprodução
    O Diário Oficial do Estado de São Paulo desta quarta-feira 11 traz a manchete “mais ciclistas, mais acidentes”. Dentro da reportagem, um especialista sugere: “para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo. É uma opção segura de lazer em cidades menores, parques públicos e em ciclovias instaladas na capital, aos domingos”.

    A reportagem, assinada pela assessoria de imprensa da secretaria de Saúde, deixa claro o tratamento dispensado à bicicleta em São Paulo. O governo do estado não a trata como um meio de transporte, mas como uma brincadeira de fim de semana. Ao invés de estimular o uso das duas rodas, o governo cria medo justamente em quem não é responsável pelos acidentes.

    Um quadro de recomendações feito pela CET (Companhia de Engenharia do Tráfego) endossa a reportagem, jogando a responsabilidade dos acidentes nos ciclistas. “O aumento da velocidade implica maior risco, portanto não é uma boa prática no trânsito”, recomenda o órgão responsável pela segurança no trânsito.

    O discurso do governo de São Paulo em dias normais contrasta com o do Diário Oficial de hoje. O governador Geraldo Alckmin propagandeia que integrou a bicicleta ao metrô, com a possibilidade de carregá-la dentro dos trens. Mas só é possível fazer isso em horários restritos do fim de semana. Ou seja, a bicicleta continua sendo tratada como diversão de crianças que vão ao parque no final de semana, e não um jeito de chegar ao trabalho.

    No município de São Paulo, as atitudes também são fracas. O prefeito Gilberto Kassab prometeu construir 100 quilômetros de ciclovias na cidade na sua gestão. Há seis meses do fim do seu mandato, só entregou 18 quilômetros.

    Seria ingênuo acreditar que a bicicleta sozinha solucionaria os problemas do trânsito paulistano e tonaria a cidade um lugar melhor. A cidade concentra os empregos em regiões distantes e milhões de pessoas a atravessam todos os dias. Não é possível pedir que alguém saia de cidades dormitórios na zona leste para trabalhar no centro de bicicleta, percorrendo mais de 30 quilômetros.

    De qualquer forma, o Estado deveria estimular o uso de um transporte que traz benefícios à cidade. Ao invés de criar uma cultura do medo e mandar o ciclista ficar em casa, deveria tornar a vida deles mais fácil.

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  8. SE COMPARARMOS 111 MORTOS A MUITO TEMPO ATRAS E COMPARARMOS COM AS MORTES DE PESSOAS VITIMAS DE ROUBOS NA CAPITAL DE JANEIRO ATE ESTE MES, DAREMOS CINCO VEZES MAIS MORTES QUE OS 111, ENTÃO EU DIGO, ESTAMOS PERDENDO DE MUITO ATE AGORA, MAS ESTES QUE FORAM VITIMAS NÃO DÃO IBOPE, NE
    GARANTO QUE NAQUELES PAVILHOES NÃO TINHA NENHUM INOCENTE, MAS JA AQUI FORA TEMOS MUITOS TRABALHADORES PAI DE FAMILIAS, E MULHERES QUE ESTAVAM TENTANDO TOCAR SUAS VIDAS, QUE FORRAM ARRANCADAS POR VAGABUNDOS QUE ALGUNS ESTÃO TENTANDO CHAMAR DE COITADINHOS, EU TENHO NOJO DESTE TIPO DE GENTE QUE PROTEGE VAGABUNDO.

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  9. Não vou ofender ninguem, mais corre nos corredores que o novo DGP assume na terça feira que vem é Carlos José Paschoal de Toledo

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  10. ‘NYT’ destaca mortes de policiais no Estado

    O aumento do número de mortes de policiais paulistas chamou a atenção até do New York Times. O jornal americano publicou ontem reportagem que cita o assassinato do soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) André Peres de Carvalho, de 40 anos, como um dos “mais de 70 policiais mortos neste ano em São Paulo”. Carvalho foi atingido com três tiros de fuzil ao sair de casa, no Butantã, na zona oeste de São Paulo.
    “A escala dos assassinatos deixou muitas pessoas assustadas. Para comparar, houve 56 mortes criminosas de agentes da lei em 2010 em todos os Estados Unidos”, ressalta a reportagem.
    O jornal afirma que o aumento repentino das mortes de policiais levantou temores de uma ressurgência do Primeiro Comando da Capital (PCC). “As autoridades tentaram reduzir o papel suspeito do grupo criminoso nos assassinatos”, mas “analistas de segurança e alguns integrantes da própria polícia caracterizaram as mortes como represálias da gangue”, explica o New York Times.

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