As BETs são indutoras de doenças mentais e da miséria financeira…Pobre família do viciado 3

O vício em apostas, também conhecido como ludopatia, é um problema reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1980. No Brasil, é um problema significativo, com estimativas mostrando que 12% da população já apostou pelo menos uma vez na vida, sendo o vício em apostas o terceiro mais comum, atrás apenas do álcool e do cigarro.

Características do Vício em Apostas

O vício em apostas é muitas vezes comparado à dependência química, como drogas e álcool, devido aos efeitos semelhantes que gera no cérebro. Quando uma pessoa aposta, especialmente em jogos de azar de alta velocidade, o cérebro libera neurotransmissores como a dopamina, que estão associados ao prazer e à recompensa. Essa sensação de prazer reforça o comportamento de jogo, levando a um ciclo vicioso de busca por mais apostas para alcançar a mesma sensação de euforia.

Sintomas Comuns

Os sintomas do vício em apostas incluem:

  • Compulsão: Incapacidade de resistir ao impulso de jogar, mesmo quando consciente das consequências negativas.
  • Preocupação Excessiva: Pensamentos constantes sobre jogos de azar e planejamento da próxima aposta.
  • Aumento nas Apostas: Necessidade de apostar quantidades cada vez maiores de dinheiro para alcançar a mesma emoção.
  • Falta de Controle: Incapacidade de interromper ou controlar o comportamento de jogo, mesmo diante de perdas significativas.
  • Mentiras e Enganos: Mentir para familiares e amigos sobre o envolvimento com o jogo.
  • Consequências Pessoais e Profissionais: Problemas financeiros e prejuízos nas relações familiares e no trabalho.

Tratamento do Vício em Apostas

O tratamento do vício em apostas é multidisciplinar e pode incluir:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Ajuda os indivíduos a identificar e modificar padrões de pensamentos e comportamentos disfuncionais associados ao jogo compulsivo.
  • Grupos de Apoio: Como os Jogadores Anônimos, que oferecem apoio terapêutico coletivo e seguem um programa de 12 passos similar ao dos Alcoólicos Anônimos.
  • Intervenções Médicas: Em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos para estabilizar o humor e diminuir a ansiedade e a depressão associadas ao vício.

O reconhecimento do problema é o primeiro passo crucial para o tratamento, e a busca por ajuda profissional é essencial para a recuperação. Além disso, o apoio da família e amigos é fundamental para o sucesso do tratamento.

Impactos Econômicos e Sociais

As apostas, especialmente as online, têm se tornado um problema significativo no Brasil, impactando negativamente a economia e o orçamento familiar, principalmente entre as classes socioeconômicas mais baixas. O vício em apostas, ou ludopatia, é um problema crescente que afeta a saúde mental e financeira dos indivíduos.

  • Comprometimento do Orçamento Familiar: As apostas esportivas online têm levado a um desvio significativo de recursos financeiros, superando despesas com lazer, cultura e produtos pessoais. Entre 2018 e 2023, a proporção do orçamento familiar das classes D e E destinada a apostas aumentou de 0,27% para 1,98%, quase quatro vezes mais ( fonte pública ) . Esse desvio de recursos exerce pressão sobre a demanda por produtos essenciais, afetando a dinâmica econômica geral.
  • Endividamento e Saúde Mental: O aumento do endividamento entre a população de baixa renda é uma consequência direta do crescimento das apostas. Além disso, o vício em apostas pode levar a problemas de saúde mental, incluindo depressão e, em casos extremos, suicídio.
  • Impacto no Consumo e Economia: As apostas online impactam os padrões de consumo, com muitos apostadores reduzindo gastos em vestuário e alimentação para financiar suas apostas. Cerca de 64% dos apostadores usam sua principal fonte de renda para apostar, comprometendo suas finanças pessoais.

Regulamentação e Desafios

A demora na regulamentação das apostas online no Brasil permitiu um crescimento desordenado do setor, o que tem contribuído para os problemas econômicos e sociais associados às apostas. Embora o governo esteja avançando na regulamentação, muitos dos impactos já se manifestaram e a efetivação das regras pode estar defasada.

Em resumo, as apostas, especialmente as online, têm se mostrado indutoras de miséria para muitos brasileiros, afetando não apenas suas finanças pessoais, mas também a saúde mental e o bem-estar social. A regulamentação adequada e o apoio ao tratamento do vício são essenciais para mitigar esses impactos.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-08/apostas-esportivas-comprometem-orcamento-familiar-das-classes-d-e-e

Publicado – Flit Paralisante

27 de agosto de 2024, 14:03

 

Bangue-bangue no Palácio da Polícia? 3

O FLIT PARALISANTE recebeu relato de uma grave discussão entre dois investigadores em funções de chefia no Palácio da Polícia de Santos, conhecidos como “Nota de 3” e “Blue-Eyes”. O episódio teria origem em divergências sobre supostos pagamentos da jogatina clandestina, incluindo valores recebidos a menor e quantias não repassadas.

As denúncias também apontam possível seletividade na repressão: determinados pontos de jogo seriam alvo de operações, enquanto outros receberiam proteção. Os relatos ainda dependem de confirmação documental e não comprovam responsabilidades individuais, mas exigem esclarecimentos sobre o confronto, os alegados pagamentos e os critérios das ações policiais.

[oregionalpg.com](https://oregionalpg.com.br/blog/jogatina-contravencao-e-a-sombra-da-protecao-quem-e-o-nota-de-3)

Bangue-bangue no Palácio da Polícia?

Relato de confronto entre chefias em Santos exige esclarecimentos  e dá nova dimensão às perguntas sobre a jogatina na Baixada

O Regional PG , semanas atrás , colocou uma pergunta em circulação: quem é o “Nota de 3”?

O título da reportagem associa o apelido às suspeitas de proteção à jogatina clandestina na Baixada Santista.

No texto o combativo jornal praiagrandense ressalva que as acusações dependem de investigação e não constituem responsabilidades comprovadas.

Agora, um relato trazido ao FLIT PARALISANTE acrescenta outro episódio que precisa ser esclarecido: uma recente discussão entre dois investigadores que exerceriam funções de chefia no Palácio da Polícia de Santos.

Segundo o relato, os envolvidos seriam conhecidos pelos apelidos de “Nota de 3” e “Blue-Eyes”.

O desentendimento teria ocorrido nesta semana e alcançado tamanha gravidade que, ainda conforme essa versão, houve risco de confronto armado e necessidade de acionar o Corpo de Bombeiros, a Corregedoria e o próprio Ministério Público.

São afirmações graves.

A ocorrência, os supostos acionamentos e a atuação do órgão que efetivamente foi chamado precisam de confirmação documental.

“Por pouco não terminou em tiroteio” não pode ser empregado como simples tempero de manchete: é necessário esclarecer se houve ameaça, exibição de arma, tentativa de saque ou outra circunstância concreta que sustente a descrição.

Uma repartição policial não pode depender da sorte para que seus conflitos terminem apenas em discussão.

Se confirmada a alegada disputa por pagamentos ilícitos, o episódio deixará de ser apenas um conflito funcional: exigirá apuração sobre a possível atuação articulada de servidores em benefício da jogatina clandestina.

A pergunta que não cabe debaixo do tapete

O relato recebido pelo FLIT atribui ao episódio uma origem ainda mais grave: uma disputa de poder e de supostos pagamentos ilícitos relacionados à exploração de jogos clandestinos.

Segundo a fonte, os pagamentos estariam relacionados especificamente à exploração de máquinas de jogos de azar.

Essa é a acusação central ; e aquela que exige maior rigor.

A existência de uma discussão, mesmo que confirmada, não comprova por si só recebimento de propina.

Tampouco a coincidência de um apelido basta para demonstrar que os diferentes relatos dizem respeito à mesma pessoa ou aos mesmos acontecimentos.

É justamente por isso que a resposta não pode ser uma nota genérica sobre “divergências administrativas”.

Se houve discussão, que se esclareça o motivo. Se houve ameaça, que se apure sua materialidade. Se existem informações sobre pagamentos, que sejam confrontadas com documentos, depoimentos e demais elementos de prova.

Indicação não é salvo-conduto

Há outro ponto no relato encaminhado ao FLIT: um dos investigadores teria sido diretamente indicado pelo atual secretário da Segurança Pública para a função que ocupa.

Se prevalecendo do fato para se colocar como intocável!

Ora, nem o secretário é imune à prestação de contas. Muito menos quem eventualmente use seu nome como escudo.

Essa informação também precisa ser confirmada.

Se confirmada, a indicação não provaria participação ou conhecimento do secretário acerca de qualquer irregularidade.

Imporia, porém, uma pergunta administrativa objetiva: como a chefia da pasta acompanha a atuação das pessoas que escolhe ou prestigia?

Não adianta fazer o que se fez no caso recente envolvendo a apadrinhada Mogi das Cruzes.

Padrinho não substitui controle. Confiança não dispensa fiscalização.

E cargo de chefia não pode funcionar como certificado de inocência, assim como uma acusação não pode funcionar como condenação.

Muito menos alvará para deslealdades e improbidades.

A jogatina continua sendo o assunto

A divergência seria no acerto e no repasse

Segundo o relato encaminhado ao FLIT, os investigadores conhecidos como “Nota de 3” e “Blue-Eyes” representariam grupos que supostamente divergem sobre valores provenientes da jogatina clandestina.

Mais precisamente, a controvérsia envolveria pagamentos considerados inferiores ao combinado e quantias que teriam sido recebidas, mas não repassadas.

Essa é a versão apresentada. Sua gravidade exige que se identifiquem os alegados pagadores, os destinatários, os valores, as datas e os elementos que sustentariam a existência dos repasses.

Se comprovado esse motivo, não estaríamos diante de simples incompatibilidade entre chefias. Estaríamos diante de uma disputa na qual o interesse público teria sido substituído pela conferência de um caixa clandestino.

A diferença entre as duas situações não cabe na expressão “divergência administrativa”.

Repressão para uns, tolerância para outros?

O mesmo relato atribui a uma delegacia do DEIC, na estrutura do Deinter-6, ações truculentas contra pontos de jogo em Santos, São Vicente e Guarujá.

A denominação exata da unidade, sua vinculação administrativa e sua participação em cada diligência precisam ser verificadas nos respectivos registros.

A acusação não é apenas de rigor nas operações.

É de seletividade: determinados estabelecimentos teriam sido reprimidos porque seus responsáveis não conseguiriam atender às supostas exigências financeiras, enquanto outros receberiam tratamento diferente.

Também se relatam entradas forçadas em imóveis. É necessário esclarecer em quais diligências isso teria ocorrido, sob qual fundamento e em que circunstâncias.

A descrição de uma porta arrombada, isoladamente, não demonstra ilegalidade; a alegação de que a escolha do alvo dependeria de pagamento, porém, exige apuração própria e rigorosa.

O ponto central é este: a hipótese apresentada ao FLIT é a de que a repressão estaria sendo utilizada como instrumento de cobrança ou de favorecimento.

Essa hipótese não se comprova apenas pela existência de operações.

Precisa ser confrontada com os critérios de escolha dos alvos, as ordens de serviço, os registros das diligências e os demais elementos disponíveis.

O Clube dos Oito e o Clube dos Pobres

Na narrativa recebida, os grupos ganham denominações que parecem saídas de uma crônica, embora as acusações nada tenham de leves.

De um lado, o chamado “Clube dos Oito”, que supostamente permaneceria fora do alcance dessas investidas.

Do outro lado da baía, o “Clube dos Pobres”, cujos integrantes reivindicariam tratamento equivalente.

O argumento atribuído ao segundo grupo é revelador da lógica denunciada: embora pagassem menos, teriam mantido em dia os alegados pagamentos ao “Nota de 3”.

Não se trataria, nessa versão, de uma reclamação contra a cobrança.

Seria uma reclamação contra a retaliação e a desigualdade de tratamento entre os que supostamente pagam.

Até no submundo imaginado por essa denúncia haveria quem exigisse recibo moral de pontualidade.

Como diz um Ministro : “ até a Máfia tem ética!”

É preciso verificar se esses grupos existem, quem os integra e quais fatos sustentariam a alegada diferença de tratamento.

“O Diretor mandou” — mandou mesmo?

O relato menciona que o Diretor quer ir para outro departamento , não está muito entusiasmado e teria , de fato , determinado as diligências que foram justificadas pelo encarregado da seguinte forma: “O Diretor mandou arrebentar”.

É indispensável separar três questões: se a frase foi pronunciada; se correspondia a alguma determinação efetiva; e qual seria o conteúdo dessa determinação.

Invocar o nome de um superior não comprova que ele tenha dado uma ordem.

Pode revelar uma orientação real, uma interpretação abusiva ou o uso indevido de autoridade alheia.

Cada possibilidade exige demonstração própria.

Na crônica policial, a reputação chega antes do personagem e fica depois que ele sai, conferindo os bolsos.

Na apuração, entretanto, reputação — boa ou má — não serve como prova .

O que precisa ser esclarecido não é quem fala mais alto no corredor.

É quem determinou cada operação, por quais motivos e com quais resultados.

O palácio e a prestação de contas

O Palácio da Polícia abriga a sede do Deinter- 6; não estamos falando, portanto, de um endereço sem relevância na estrutura regional de segurança.

A instituição merece mais do que o espanto e desaprovação de fachada.

Merece que se esclareça o que aconteceu dentro dela.

Se o relato estiver errado, que seja corrigido com elementos verificáveis.

E, se houver indícios de corrupção, que a investigação alcance quem tiver de alcançar, sem respeito especial por apelidos, amizades ou indicações.

Ki Rolla, Glock de deputado  dispara sozinha na pista de danças 4




O deputado Marcelo Aguiar (PL) disse que passou mal por causa de medicamentos, caiu e ouviu um estampido.

Segundo sua versão, o disparo foi acidental.

A PM socorreu o pobre surtado que sifu  na eleição como o Da Cunha ! 

Já o gentil delegado Caio Giusti Rolla não fez flagrante , não buscou vítimas e testemunhas; muito menos   requisitou exame para fazer prova provada  da  embriaguez…

Provada ficou a desfaçatez…

Ki Rolla!

A Glock foi à balada e resolveu participar da percussão.

O deputado entrou com a presença; a pistola, com o efeito sonoro.

Na parte do exame, porém, não rolou.

Com Rolla, o teste não rola.

Não houve recusa noticiada: o exame nem foi requisitado.

É importante distinguir “não quero fazer” de “ninguém pediu”. 

Na coreografia da ocorrência, essa etapa ficou sentada.

Ao delegado Rolla, uma pergunta sem duplo sentido: por que não desenrolar a dúvida com uma avaliação técnica?

Porque, nessa história, sobrou movimento para todo lado: o deputado caiu, a arma disparou e a dúvida continua embriagada.

O exame foi o único que não saiu do lugar.

Nada disso prova embriaguez ou favorecimento.

Mas a falta de esclarecimento deixa a ocorrência com  excesso de embalo e  escassez de explicação.

Doutor Rolla, a pista é de dança.

A apuração não precisa acompanhar o rebolado.

– Sacomé, foram tantos os pedidos que não deu pra dizer não dá…

Delegado de boca-rica que fala não,  rola pra outra freguesia !

Bem para  lá  da do “Ó” …

Vai prá Freguesia do CU!

Caso Milton Leite – Política, Polícia e Corrupção em Mogi das Cruzes 5

Três delegados, um investigador e um carcereiro de Mogi das Cruzes foram afastados das funções neste sábado, 17 de outubro, em meio à investigação sobre supostas regalias na cadeia pública onde está preso o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a medida busca impedir interferências nas apurações e foi adotada depois que os servidores prestaram depoimento à Corregedoria.

O caso coloca sob exame uma questão direta: as regras da cadeia eram as mesmas para todos ou havia tratamento diferenciado para um preso politicamente influente?

É essa suspeita — ainda não uma conclusão — que precisa ser esclarecida.

Visitas fora de hora e acesso sem autorização

Os afastamentos vieram após a Operação Custódia (In)Fiel, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo na sexta-feira, 16 de outubro.

A investigação apura visitas fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e aos fins de semana, além da entrada de políticos e amigos de Milton Leite sem autorização formal.

Os Promotores procuram esclarecer se servidores facilitaram esses acessos em desacordo com as regras da unidade.

Não se trata de questionar o direito de um preso a receber visitas.

O ponto é outro: saber se houve concessão de privilégios e quem, eventualmente, os autorizou ou viabilizou.

Dinheiro apreendido exige esclarecimento

Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro investigado por suspeita de facilitar favorecimentos.

A quantia chama a atenção, mas exige rigor no tratamento da informação: os dados divulgados não esclarecem sua origem nem demonstram que os valores tenham sido recebidos em troca de regalias.

Cabe à investigação estabelecer se existe relação entre o dinheiro apreendido e os fatos apurados.

Antecipar essa conclusão seria transformar suspeita em prova.

Afastar não é condenar — nem encerrar o assunto

A SSP informou a instauração de inquérito policial e de procedimento correicional disciplinar, além da realização de correições na Cadeia Pública e no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. Segundo a pasta, o objetivo é “individualizar eventuais responsabilidades”.

O afastamento não equivale a uma declaração de culpa.

É uma providência apresentada como necessária para preservar a apuração.

Isso também significa que a retirada dos servidores de suas funções não encerra o caso.

O esclarecimento depende de identificar o que aconteceu, quem participou e quais elementos sustentam — ou afastam — as suspeitas.

Defesa nega tratamento privilegiado

A defesa de Milton Leite nega a existência de regalias e afirma que o ex-vereador está submetido às mesmas regras dos demais .

Carta de Despedida e Manifesto de Carreira 12

Ao encerrar uma jornada de 42 anos de dedicação integral à segurança pública, olho para trás com a certeza do dever cumprido, embora este desfecho tenha ocorrido de forma compulsória e contra a minha vontade.

Por décadas, atuei na linha de frente, dividindo com colegas de extrema competência o peso e a honra de proteger a sociedade. O reflexo desse empenho materializou-se em inúmeros elogios e reconhecimentos por ocorrências de destaque, que orgulhosamente carregamos em nossas ações de serviço.


A reta final desta trajetória, no entanto, trouxe um forte contraste entre o idealismo que sempre me moveu e a realidade imposta por um modelo de gestão recente.

Logo que a nova chefia assumiu a Delegacia de Polícia de São Bernardo do Campo, por exemplo, um setor que antes funcionava com plena eficiência passou a sofrer um esvaziamento inexplicável.

Dos 04 funcionários originais, o quadro foi reduzido para 03, depois para 02 e, no momento em que deixei o serviço, restava apenas 01 profissional.

Essa desestruturação foi agravada pela conduta da administração face àqueles que resistiram a esse novo sistema: colegas que eram excelentes profissionais, admirados por todos, foram sumariamente removidos e transferidos para outros locais.

Afastar quem de fato sabia trabalhar demonstra o impacto negativo dessa gestão, resultando em uma equipe profundamente desmotivada e infeliz diante de um desafio gerencial mal conduzido.


A mudança para a nova sede da instituição evidenciou de forma ainda mais severa essas lacunas de planejamento e a falta de empatia.

Profissionais veteranos, muitos deles já enfrentando restrições médicas e problemas de saúde preexistentes, foram submetidos ao esforço físico de carregar mobiliários, arquivos pesados e divisórias, sem qualquer suporte ou condições saudáveis de trabalho, durante a mudança para uma nova sede.

Tudo isso em uma estrutura predial precária, com elevador inoperante, exigindo deslocamentos constantes por escadas.


Como desfecho desse cenário de precariedade, fomos surpreendidos com uma escala de revezamento para exercer funções de portaria.

Esse desvio de função técnica e operacional acabou distribuído de maneira desigual, poupando círculos de proximidade da chefia — protegidos ao redor do “rei” — e sobrecarregando aqueles que mantiveram o foco estritamente profissional deslocando para esta função.


Sempre acreditei na cooperação mútua para o bom andamento do serviço. Por essa razão, cheguei a arcar com recursos do próprio bolso para viabilizar o transporte de materiais e içamento de um cofre para o setor e garantir um armário forte adequado para a guarda segura de equipamentos institucionais.

Fiz isso de forma voluntária, visando o bem coletivo e a salvaguarda do patrimônio, sem qualquer contrapartida do Estado. Infelizmente, diante do tratamento recebido na despedida da carreira, esse esforço individual hoje se traduz em arrependimento.


O preço físico dessa jornada também cobrou seu tributo. Deixo o serviço ativo com o agravamento severo de dores na coluna lombar e o diagnóstico de fascite plantar, marcas físicas de um período de transição desgastante e mal gerido.


Encerro este ciclo com a cabeça erguida pela história construída ao lado de heróis na linha de frente, mas com o firme desabafo de quem esperava que a lealdade de uma vida inteira à instituição fosse devolvida com o mínimo de dignidade, respeito e consideração institucional.

Bet e Brasil : o mesmo direito da família do viciado – CHORAR ! 11

Bet e Brasil: o mesmo direito do apostador perdedor em relação às bets — nenhum


Jornal Flit Paralisante


I. A tese


Há uma simetria jurídica incômoda, e por isso mesmo reveladora, entre duas figuras que a Medida Provisória de proibição das apostas colocou frente a frente nesta semana: o apostador que perdeu dinheiro numa plataforma e a própria plataforma que perdeu, da noite para o dia, o direito de operar no Brasil.

Nenhum dos dois tem o que reclamar.

E a razão é a mesma nos dois casos: ambos apostaram sabendo — ou devendo saber — que o resultado não lhes pertencia.


Não se trata de retórica fácil.

A afirmação resiste ao exame técnico da própria lei que criou o setor.


II. O apostador: perda sem direito


No contrato de aposta de quota fixa, a álea é da essência do negócio jurídico. O apostador deposita R$ 100 na expectativa de multiplicá-los por uma quota anunciada; se erra, não há devolução, não há indenização, não há dever de prestação de contas por parte da casa além do que a Lei 14.790/2023 já exige em matéria de transparência de odds ( cotação )  e pagamento de prêmios em caso de acerto.

A perda é o preço do próprio jogo. Ninguém duvida disso ;  é o consenso mais elementar do direito civil sobre contratos aleatórios (art. 814 do Código Civil, aplicável por analogia às modalidades lotéricas autorizadas).
O que poucos notaram é que a mesma lógica, com sofisticação diferente, foi desenhada pelo legislador para a relação entre o Estado e a bet.


III. A bet perante o Estado: a mesma álea, travestida de outorga


O art. 5º da Lei nº 14.790/2023 não deixa margem para dúvida quanto à natureza da autorização concedida às operadoras:


“A autorização para exploração das apostas de quota fixa terá natureza de ato administrativo discricionário, praticado segundo a conveniência e oportunidade do Ministério da Fazenda, à vista do interesse nacional e da proteção dos interesses da coletividade.”


Note-se a escolha lexical do legislador: não se fala em “concessão”, não se fala em “contrato administrativo” com prazo assegurado, não se fala em direito adquirido de exploração.

Fala-se em ato discricionário — categoria que, por definição doutrinária pacífica desde o saudoso  Hely Lopes Meirelles, admite revisão, modificação ou revogação pelo próprio Poder Público sempre que o juízo de conveniência e oportunidade se alterar, sem que isso configure, por si só, quebra contratual indenizável.

Aliás , nenhuma delas – tamanha a lucratividade –  poderá alegar perda de investimentos !


A empresa pagou R$ 30 milhões de outorga.

Pagou por uma autorização – de seu exclusivo interesse; não de interesse público – “de até 5 anos”, nunca por 5 anos garantidos.

A diferença entre esses dois enunciados é o coração desta coluna: quem lê a lei com atenção percebe que a bet nunca teve, tecnicamente, uma promessa estatal de estabilidade — teve uma expectativa, o mesmo material de que são feitas as apostas que ela vende ao consumidor todos os dias.


IV. A recusa de devolução como espelho da casa que nunca perde


O governo já sinalizou publicamente que não devolverá os R$ 30 milhões pagos por outorga a cada uma das cerca de 85 empresas autorizadas.

Do ponto de vista estritamente jurídico-positivo, essa posição encontra amparo no próprio caráter discricionário e precário da autorização que acabamos de examinar: se o ato nunca gerou direito subjetivo a um prazo integral de exploração, não há, em tese, dano emergente certo a indenizar pela simples cessação antecipada da autorização — por mais que a interrupção, a nove dias de uma eleição, desperte (com razão) suspeita de motivação política e abra, como já registrou a imprensa jurídica, uma “chuva de ações” perante o Judiciário e até o TSE.


Aqui está a ironia que dá título a este texto: a mesma assimetria contratual que as bets sempre aplicaram ao consumidor — “a casa pode mudar as regras, o cliente arca com a perda” — é agora aplicada pelo Estado às bets.

A ” suposta outorga” não devolvida é, estruturalmente, uma aposta perdida: dinheiro que entrou na Conta Única do Tesouro e não retorna, exatamente como a ficha do apostador que não voltou para o seu bolso.


V. O contraponto que a doutrina exigirá


É preciso reconhecer, com honestidade jurídica , o contra-argumento que qualquer banca de operadoras levantará em juízo: discricionariedade administrativa não é sinônimo de arbitrariedade, e o princípio da proteção da confiança na lei  impõe ao Poder Público o dever de motivação robusta e, em tese, de mitigação de dano quando revoga atos que induziram investimento de boa-fé.

A discussão que os tribunais terão de enfrentar não é “pode o Estado revogar?” — a resposta é sim, e a lei é clara — mas “pode o Estado revogar sem qualquer recomposição patrimonial,  meses após conceder a autorização e nove dias antes de uma eleição, em benefício político evidente?”.

Esse é o verdadeiro campo de batalha jurídico que se abre.


VI. Conclusão: duas apostas, um só desfecho


Ao apostador que perdeu, resta a lição amarga de que o jogo nunca foi seu aliado.

À bet que perdeu a autorização, resta a mesma lição, em linguagem jurídica: quem explora uma atividade cuja própria lei de origem a classifica como discricionária e precária não pode se surpreender quando o Estado, no exercício dessa mesma discricionariedade, decide encerrar a mesa. 

Muito bem feito para essas diabólicas maquinações!

O Lula agora até pode perder as eleições…

Fez algo de bom !

A diferença entre as duas perdas é apenas de escala — o apostador deixará de perder  de um lado, a Bet deixou de ganhar milhões do outro — mas o fundamento é rigorosamente o mesmo: nem o apostador, nem a bet, tinham o direito de vencer sempre.

Ademais , as grandes Bets ou são empresas estrangeiras ou propriedade de grandes criminosos .

E não agregam nada de bom e de valor para o Brasil .

São um flagelo tanto quanto a cocaína e crack…

E a maior parte do valor das apostas é drenado para a Europa e para os Americanos!

E não se enganem com a mentira de que o apostador comum  seguirá para as plataformas clandestinas.

Não é possível para a imensa maioria .

Mas ainda poderá fazer uma fezinha no botequim ou  na Mega Sena da Caixa.  

Dark Horse – O filme de quem “bate carteira e grita pega ladrão”…A ilegal recusa dos Peritos do IC , um caso para a Corregedoria esclarecer se a culpa é do Chupe-Chupe , teve grana ou promessa de promoção 15

Ao negar examinar aparelhos por defeito no invólucro sem acionar a Corregedoria Geral da Polícia Civil , o IC-SP pode ter destruído provas em vez de preservá-las ; e agora precisa explicar por quê

A recusa de peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo (IC-SP), em 3 de junho, de receber mais de uma dezena de aparelhos apreendidos em endereços ligados a Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment, é um dos episódios mais graves da investigação sobre “Dark Horse”.

A imprensa tratou o caso como falha da Polícia Civil.

Não é.

É, a nosso ver, erro do órgão pericial — se não houve dolo — que pode ter comprometido de forma irreversível a utilidade probatória do material.

No termo de recusa, uma perita afirma que os invólucros apresentavam abertura suficiente para cabo de alimentação e transferência de dados, permitindo manipulação.

Também aponta “defeito formal no invólucro plástico” ( “sic” ).

O número de dispositivos varia: 13, segundo O Globo; entre 15 e 18, segundo UOL, R7 e Jovem Pan. O fato é o mesmo: celulares, notebooks e pen drives com lacre numerado aparentemente íntegro, mas com abertura para acesso ao conector.

Os peritos devolveram o material à Polícia Civil, que determinou novo lacre e reenvio posterior.

Aqui está o problema.

Diante de falha que poderia permitir manipulação, o correto não era recusar o exame.

Era receber, documentar, fotografar, preservar o invólucro original e acionar imediatamente a Corregedoria Geral da Polícia Civil ou , se nela não confiam , o Ministério Público.

Havia vestígios de infração disciplinar e possível fraude processual; o dever de apurar não é discricionário.

O perito deve realizar a perícia, descrever no laudo a irregularidade e examinar o material como recebido. Nada disso teria sido feito.

Pior: ao devolver para novo lacre, eliminou-se a chance de examinar a própria falha.

Vestígios no plástico original, posição da abertura, marcas de acesso, resíduos — tudo se perde no reacondicionamento.

A perícia poderia ter analisado logs, conexões USB e metadados para confirmar ou afastar manipulação. Ao não fazer, o IC-SP impediu que se soubesse, com rigor técnico, se houve ou não fraude.

Saquinho de Chupe-Chupe

Também foi ignorada a hipótese acidental.

O invólucro é um saco plástico comum, com lacre numerado — mais apropriado para uso doméstico ou para fabricar “chupe-chupe” do que para transportar notebooks e celulares.

A abertura pode ter resultado da fragilidade do material, não de manipulação intencional.

Mas essa hipótese só se confirma com exame do invólucro original, descartado na reembalagem.

De qualquer forma , o procedimento legal deveria ter sido : receber e registrar conforme determina o Código de Processo Penal ; comunicar a Corregedoria e MP; periciar os dispositivos conforme a requisição ; só depois o Judiciário , sob o contraditório , valorar a prova.

O que houve foi o inverso: descarte da oportunidade de investigar o próprio defeito, ausência de controle externo e novo lacre pela mesma delegacia .

Se a intenção era proteger a investigação, o efeito prático foi o oposto: criou-se uma lacuna que beneficia qualquer defesa que alegue quebra da cadeia de custódia.

Aqui está o cerne da crítica que sustentamos neste artigo

O dever de apurar imediatamente irregularidade no serviço público não é uma faculdade discricionária; é norma obrigatória reproduzida em todos os estatutos disciplinares de corporações policiais no país, no mesmo sentido do Art. 63 , IV , da Lei Orgânica da Polícia Civil de São Paulo : não tomar as providências necessárias ou deixar de comunicar, imediatamente, à autoridade competente, faltas ou irregularidades de que tenha conhecimento.

Com efeito , a narrativa jornalística trata de hipótese de eventual fraude processual; crime que , no caso , certamente só poderia ter sido praticado por policial que recebeu vantagem material ( grana ) ou tem interesse pessoal no resultado da investigação ( de ser promovido blindando políticos corruptos ligados a ORCRIM ) .

Perito não pode recusar receber e examinar objetos de prova

A interpretação superficial do Código de Processo Penal , em matéria da prova e cadeia de custódia, Capítulo II – artigos 158 a 184 , reforça que:

O perito criminal tem o dever de realizar a perícia sempre que for acionado pela autoridade (como o delegado ou o juiz).

Se ele perceber que o material chegou com sinais de adulteração, violação ou sem o lacre correto, ele não pode se recusar a trabalhar.

Especialmente a pretexto de supor eventual possibilidade de manipulação do invólucro da prova e pretensa quebra da cadeia de custódia.

O correto é materializar descrevendo , no respectivo laudo , o vício e se a irregularidade foi culposa, dolosa ou acidental; e que prejudicou ou impossibilitou a análise.

O perito deveria ter realizado o exame dos aparelhos na situação em que o material se encontrava.

Descrevendo detalhadamente em laudo pericial todas as irregularidades visíveis (como lacre rompido ou embalagem rasgada).

Nada disso foi feito, ao que indicam as informações públicas disponíveis até aqui.

A irregularidade permaneceu oculta , mantendo o incidente dentro da Polícia Civil, sem qualquer controle externo e sem a efetiva realização do exame pericial.

Em prejuízo da sociedade e benefício dos criminosos !

Obviamente , diante das falhas , os bolsonaristas empregarão a tática de quem bate a carteira e sai correndo gritando “pega o ladrão, pega o ladrão”

Se, como sustentamos, o correto era receber os aparelhos, documentar a falha, preservar o invólucro original e acionar imediatamente a Corregedoria e o Ministério Público, a recusa seguida da devolução para novo lacre assume contornos muito mais graves: o que se vê, então, pode ser exatamente aquela tática de quem bate a carteira e sai correndo gritando “pega o ladrão, pega o ladrão” !

Aponta-se o defeito da embalagem, possivelmente causado pelo próprio material ordinário fornecido pela administração, para não se examinar o conteúdo, devolve-se a prova, destrói-se a chance de periciar a falha e ainda se posa de guardião da cadeia de custódia.

Como não agiram como deveriam, os peritos do IC-SP devem agora ser investigados em sede criminal e administrativa, não para condenação antecipada, mas para que se apure se houve mera negligência, erro técnico ou dolo, e se a conduta se enquadra em fraude processual, prevaricação, omissão de comunicação de irregularidade ou outro ilícito funcional.

ANÁLISE JURÍDICA DA DECISÃO PROFERIDA PELO MINISTRO FLÁVIO DINO NA PET 16.669/DF 11


I. SÍNTESE DA DECISÃO

Em 9 de setembro de 2026, o Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, deferiu tutela provisória de urgência requerida por ANDREI AUGUSTO PASSOS RODRIGUES, determinando:

(I) a imediata reintegração de Andrei Rodrigues aos cargos de Delegado e Diretor-Geral da Polícia Federal, e de Leandro Almada da Costa aos cargos de Delegado e Diretor de Inteligência Policial da PF;

(II) em caráter preventivo, que não sejam impostas aos requerentes novas medidas cautelares de natureza pessoal fundadas exclusivamente em atos praticados no regular exercício de suas atribuições funcionais;

(III) o restabelecimento do regular funcionamento da Diretoria de Inteligência Policial da PF.

A decisão foi fundamentada em quatro pilares principais:

(a) ilegitimidade do Partido Novo para requerer medidas cautelares penais;

(b) incompetência da Segunda Turma e do Ministro André Mendonça para decidir a matéria, diante da competência do Plenário;

(c) vedação ao julgamento em causa própria; e

(d) necessidade de preservação da continuidade das investigações em curso sob a relatoria de Flávio Dino.


II. DA ILEGALIDADE DA DECISÃO DE A. MENDONÇA

2.1. Da Ilegitimidade do Partido Novo para Requerer Medidas Cautelares Penais

O Ministro Flávio Dino fundamentou sua decisão, em primeiro lugar, na manifesta ilegitimidade ativa do Partido Novo para formular o pedido de afastamento cautelar que foi acolhido por André Mendonça na PET 16.662.

Fundamento legal: O art. 282, § 2º, do Código de Processo Penal estabelece que “as medidas cautelares serão decretadas pelo juiz a requerimento das partes ou, quando no curso da investigação criminal, por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do Ministério Público”. O rol é taxativo: partes (no processo penal, o Ministério Público e o acusado/defesa), autoridade policial e Ministério Público.

Os partidos políticos não figuram entre os legitimados, nem mesmo como “substitutos processuais”. Conforme destacou Dino, “os partidos são instrumentos de luta pelo poder político, necessariamente porta-vozes de projetos e sentimentos de parte da sociedade”. Podem atuar na esfera cível ou eleitoral, “mas jamais por partidos” em matéria penal.

Análise jurídica: A decisão de Dino está correta. O processo penal brasileiro, especialmente após a consolidação do sistema acusatório (art. 3º-A do CPP), exige a separação rigorosa entre as funções de investigar, acusar e julgar. Permitir que um partido político — com interesse direto na disputa eleitoral, como o Partido Novo, que possui candidato à Presidência da República (Romeu Zema) — atue como substituto processual para requerer medidas cautelares penais representa grave desvirtuamento do sistema.

Agravante: Dino ressaltou que a ilegitimidade é “ainda mais evidente quando se considera que o partido político em foco é direta e imediatamente interessado na suposta medida cautelar, pois possui candidato à Presidência da República que busca sobrepujar o atual mandatário, candidato à reeleição”. A decisão alinha-se ao precedente da ADPF 1.017, que estabeleceu a inconstitucionalidade de decisões judiciais que promovam desequilíbrio na disputa político-eleitoral.

Conclusão: A arguição de ilegitimidade do Partido Novo é juridicamente sólida e constitui vício que, “por atingir a própria origem da provocação jurisdicional, macula integralmente a ordem judicial determinada na PET 16.662”.

( Nota – Infere-se que a intervenção do Novo por providencial. Uma simulação para burlar o princípio do “ne procedat iudex ex officio“, pelo qual Mendonça estava proibido de agir de oficio , ou seja, sem provocação do MP ou Delegado, cf. 2.3. )


2.2. Da Competência do Plenário do STF

O segundo fundamento da decisão de Dino diz respeito à incompetência da Segunda Turma e do Ministro André Mendonça para apreciar a matéria, diante da competência do Plenário do STF.

Fundamento regimental: O art. 5º, IV, do Regimento Interno do STF estabelece que compete ao Plenário “julgar originariamente as ações diretas de inconstitucionalidade e as ações declaratórias de constitucionalidade”. Mais relevante, o art. 5º do RISTF prevê a competência do Plenário para “processar e julgar originariamente […] os membros do Congresso Nacional, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União” nos crimes comuns.

Contexto fático: O Presidente do STF, Ministro Edson Fachin, instaurou a PET 16.704, reconhecendo a competência do Plenário para análise da controvérsia envolvendo os relatórios de inteligência da PF. Fachin abriu prazo para que os Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes se manifestassem sobre os relatórios.

Análise jurídica: A decisão de Dino ressalta que “se o Presidente do STF instaurou procedimento que tem por objeto múltiplos relatórios da Polícia Federal, é claro que somente o Plenário pode apreciar eventuais controvérsias sobre esse mesmo objeto, já que o Exmo. Presidente não integra qualquer das Turmas e tem, como instância revisional, apenas o Plenário”.

A decisão de Mendonça, portanto, sobrepôs-se ao procedimento instaurado pela Presidência da Corte, no qual S. Exa. figura como parte. O Ministro Gilmar Mendes, ao pedir vista, já havia apontado que “a competência para exame dos atos imputados a integrante do Tribunal é do Plenário, e não da Segunda Turma”.

Conclusão: A decisão de Dino, ao reconhecer a competência do Plenário e a ilegitimidade da Segunda Turma para referendar medida que afeta Ministro do STF, está em conformidade com o RISTF e com a jurisprudência da Corte.


2.3. Da Vedação ao Julgamento em Causa Própria (Nemo Judex in Causa Sua)

O terceiro pilar da decisão de Dino é a afirmação de que o Ministro André Mendonça não poderia atuar como julgador em causa que lhe diz respeito diretamente.

Fundamento constitucional: O princípio do juiz natural (art. 5º, LIII, CF) e a garantia de imparcialidade (art. 95, CF) vedam que o magistrado atue em processo no qual tenha interesse pessoal. A vedação ao julgamento em causa própria é corolário do devido processo legal.

Contexto fático: Os relatórios de inteligência que fundamentaram o afastamento de Andrei Rodrigues continham referências expressas ao Ministro André Mendonça, apontando suposto “monitoramento e coleta dirigida” sobre sua pessoa.

Dino questionou de forma direta: “Indaga-se: uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?”.

Análise jurídica: A decisão de Dino está correta. O Ministro André Mendonça atuou, no mesmo processo, como vítima (alegadamente monitorado), relator (da PET 16.662) e julgador (da medida de afastamento). Essa tríplice condição compromete a imparcialidade exigida do julgador.

Dino ressaltou que “tais direitos — inerentes a qualquer parte que se sinta prejudicada — não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria, com o efeito de paralisar investigações e os trabalhos policiais”.

Conclusão: A decisão de Dino, ao reconhecer o impedimento do Ministro André Mendonça para julgar matéria em que é diretamente interessado, está em conformidade com os princípios constitucionais da imparcialidade e do juiz natural.


2.4. Da Necessidade de Preservação da Continuidade das Investigações

O quarto fundamento da decisão de Dino é a necessidade de preservar a regularidade das investigações em curso sob sua relatoria, que foram prejudicadas pelo afastamento da cúpula da PF.

Fundamento legal: O art. 300 do CPC autoriza a concessão de tutela provisória de urgência quando houver “probabilidade do direito” e “perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo”.

Contexto fático: Dino é relator da PET 16.669, que trata do acesso da PF à íntegra do material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo em investigações sobre emendas parlamentares federais destinadas a empresas supostamente responsáveis pelo filme “Dark Horse”.

Andrei Rodrigues informou que a decisão de Mendonça “interfere na organização da equipe responsável pelas investigações, retarda o acesso ao material disponibilizado e compromete a atuação célere da instituição”.

Análise jurídica: A decisão de Dino reconhece que “a interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados”. A suspensão da produção de relatórios de inteligência — determinada por Mendonça — impediu o andamento de “centenas de investigações, inclusive trabalhos e diligências em feitos da minha Relatoria, que envolvem diretamente a função constitucional de prestação jurisdicional”.

Dino ressaltou que “a Inteligência Policial é atividade essencial ao Sistema Único de Segurança Pública, insuscetível portanto de suspensão ao alvedrio de um único magistrado”.

Aponta, ainda, perigo de dano institucional, em razão dos efeitos do afastamento no funcionamento regular da Polícia Federal e nas investigações em curso, destacando o período eleitoral e o possível impacto sobre as instituições democráticas

Conclusão: A decisão de Dino, ao restabelecer a normalidade funcional da PF para garantir a continuidade das investigações em curso, está fundamentada no poder geral de cautela e na necessidade de preservar a efetividade da jurisdição.


III. DA CONFORMIDADE DA DECISÃO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF

A decisão de Dino alinha-se com precedentes relevantes do STF:

a) ADPF 1.017/AL: O Plenário assentou, “em razão da paridade de armas e do dever de neutralidade do Estado em relação aos partidos políticos e candidatos, a inconstitucionalidade de decisões jurisdicionais tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral”. A decisão de Dino, ao apontar a ilegitimidade do Partido Novo em período eleitoral, está em perfeita consonância com este precedente.

b) ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305: O STF reafirmou a estrutura acusatória do processo penal e a necessária separação entre as funções de investigação, acusação e julgamento. A decisão de Dino, ao vedar a iniciativa do juiz na fase investigativa (art. 3º-A do CPP), segue essa orientação.

c) Precedentes sobre afastamento cautelar: A jurisprudência do STF exige, para o afastamento de ocupantes de cargos públicos, “elementos concretos” e “risco efetivo” demonstrado. A decisão de Dino reconhece que tais elementos estavam ausentes no caso concreto.


IV. DAS CRÍTICAS POTENCIAIS À DECISÃO DE DINO

Apesar da solidez jurídica da decisão, é possível identificar pontos que podem ser objeto de questionamento:

4.1. Competência para decidir sobre ato de outro Ministro

A decisão de Dino, ao determinar a reintegração de Andrei Rodrigues, revogou medida cautelar concedida por outro Ministro do STF (André Mendonça) e referendada pela Segunda Turma.

Crítica potencial: A decisão de Dino poderia ser vista como uma interferência na competência de outro relator.

Contudo, Dino fundamentou sua decisão na própria competência para resguardar a plena efetividade das medidas urgentes determinadas em seus autos (PET 16.669) e na manifesta ilegalidade da decisão de Mendonça.

Há direitos , líquidos e certos , que foram manifestamente afrontados , plausibilidade de anulação da sentença de Mendonça em sede do Plenário e perigo pela demora .

Ainda mais pela delonga do Presidente do STF.

A decisão é, portanto, legítima e necessária ; ainda que seja considerada revisão do mérito da decisão de Mendonça.

4.2. Ausência de oitiva prévia do Ministério Público

A decisão de Dino, assim como a de Mendonça, foi proferida sem prévia manifestação da Procuradoria-Geral da República.

Crítica potencial: O art. 127 da CF confere ao MP a função de defesa da ordem jurídica. Nada obstante , a ausência de oitiva da PGR não pode ser apontada como vício procedimental diante da natureza da ordem em restabelecer o interesse público qualificado. E não se trata de determinar prisão ou medida restritiva de direitos ; pelo contrario tratou-se de restabelecer direitos que foram cassados sem requerimento do MP.

Contraponto: A decisão de Dino, em caráter de urgência , diversamente da de Mendonça, determinou que “após o cabal cumprimento das medidas, dê-se vista ao Procurador-Geral da República”.

Trata-se de contraditório diferido, admitido em sede de tutela provisória de urgência quando há risco de perecimento do direito .

4.3. Possível alegação de “blindagem” dos Delegados

A decisão de Dino determina, em caráter preventivo, “que não sejam impostas aos Delegados ANDREI AUGUSTO PASSOS RODRIGUES e LEANDRO ALMADA DA COSTA novas medidas cautelares de natureza pessoal fundadas exclusivamente em atos praticados no regular exercício de suas atribuições funcionais”.

Crítica potencial: Essa determinação poderia ser interpretada como uma blindagem que impede futuras medidas cautelares, ainda que fundadas em elementos concretos.

Contraponto: A decisão ressalva “eventuais apurações disciplinares, de competência dos respectivos superiores hierárquicos, se for o caso, observados, em qualquer hipótese, o devido processo legal, as regras de competência e a legitimidade para a formulação do correspondente requerimento”. A proteção é restrita a atos praticados no regular exercício de atribuições funcionais, não abrangendo atos ilícitos eventualmente praticados.


V. CONCLUSÃO

A decisão proferida pelo Ministro Flávio Dino na PET 16.669/DF, que determinou a reintegração de Andrei Augusto Passos Rodrigues e Leandro Almada da Costa aos cargos que ocupavam na Polícia Federal, é juridicamente sólida e está em conformidade com a legislação brasileira e com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

Fundamentos que confirmam a legalidade da decisão:

  1. Ilegitimidade do Partido Novo: O art. 282, § 2º, do CPP não inclui partidos políticos entre os sujeitos legitimados a requerer medidas cautelares penais. A decisão de Dino corrige vício que maculava a própria origem da provocação jurisdicional.
  2. Competência do Plenário: A controvérsia envolvendo relatórios que mencionam Ministro do STF é de competência do Plenário, nos termos do art. 5º, IV, do RISTF. A decisão de Mendonça, ao submeter a matéria à Segunda Turma, violou as regras regimentais.
  3. Vedação ao julgamento em causa própria: O Ministro André Mendonça não poderia atuar como julgador em causa que lhe diz respeito diretamente, violando o princípio da imparcialidade (art. 95, CF).
  4. Preservação da continuidade das investigações: A suspensão da atividade de inteligência da PF, determinada por Mendonça, comprometia investigações em curso sob a relatoria de Dino, justificando a tutela provisória de urgência.
  5. Conformidade com precedentes do STF: A decisão alinha-se com a ADPF 1.017 (neutralidade estatal em período eleitoral) e com as ADIs 6.298/6.299/6.300/6.305 (sistema acusatório).
  6. Paralelismo das formas: A decisão monocrática restabelece o interesse coletivo, os interesses da União e das autoridades prejudicadas que foram afrontados e lesados por decisão monocrática sem fundamento legal de autoridade incompetente.

A decisão de Dino, ao restabelecer a normalidade institucional da PF e corrigir vícios processuais graves, preserva a autonomia do Poder Executivo (competência presidencial para nomear o Diretor-Geral da PF), respeita a separação dos Poderes (ao vedar ingerência judicial na administração pública sem lastro probatório suficiente),  garante a continuidade das investigações em curso e restabelece os direitos das autoridades atingidos tanto na esfera funcional como na privada sem devido processo legal e por autoridade incompetente e suspeita .

Observação final: A decisão de Dino submete-se “exclusivamente à autoridade do Plenário do Supremo Tribunal Federal”, reconhecendo que a palavra final sobre a controvérsia caberá ao colegiado máximo da Corte, em observância ao devido processo legal e às regras regimentais.

Um gesto que honra a Instituição : a lição dos Delegados da Polícia Federal 6

Um ato de coragem institucional inspirador

Por Roberto Conde Guerra

Há gestos que valem mais do que mil relatórios, mais do que mil notas técnicas, mais do que qualquer nota de esclarecimento redigida sob pressão.

Nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, onze diretores da Polícia Federal ofereceram um desses gestos raros: colocaram seus cargos à disposição em sinal de solidariedade ao diretor-geral Andrei Rodrigues, afastado por força da abjeta, vil , covarde e mentirosa decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Merece ser dito, sem meias palavras: foi um ato de coragem institucional que deveria envergonhar, por comparação, boa parte da estrutura de comando das polícias civis espalhadas pelo país.

O fato e o contexto

A decisão de Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, sob a alegação de que a cúpula da PF teria participado, teve conhecimento ou foi omissa diante da produção de relatórios de inteligência que monitoravam a atuação do próprio ministro — seis documentos produzidos entre 3 e 31 de agosto, segundo a decisão.

Diga-se, cuja atuação tendenciosa é auto evidente!

A medida atendeu ao pedido do partido Novo, que chegou a requerer inclusive a prisão preventiva do diretor-geral.

A Segunda Turma do STF  – a toque de caixa – formou maioria para referendar o afastamento, com os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux acompanhando Mendonça.

O ministro Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento ;  contudo , provisoriamente ,   prevalecendo a decisão dos três  arrancando inconstitucional e criminosamente o Delegado Rodrigues da chefia da Instituição .

A inconstitucionalidade é evidente !

Tal decisão que retirou o diretor-geral da Polícia Federal usurpa competência privativa do Presidente da República; invadindo o núcleo da separação de poderes e gerando instabilidade sobre toda a Instituição com consequências diretas e devastadoras para a continuidade de investigações em curso e para a segurança pública.

O caráter criminoso se revela diante do fato de que a autodeclarada vítima promove o afastamento de dois dos seus supostos algozes . 

E distorcendo os fatos …Falseando a verdade …Carregando nas tintas para se vitimizar!

Há um vício ainda mais grave, de natureza processual penal.

O afastamento de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada da Costa tem a natureza jurídica de medida cautelar diversa da prisão; a mesma previsão no artigo 319 do Código de Processo Penal, invocado, aliás, pelo próprio partido Novo em seu requerimento.

Ocorre que nenhum dos dois delegados figura como denunciado ou investigado em procedimento formalmente instaurado, tampouco tal medida foi requerida pelo Ministério Público Federal .

Decretar , de ofício , como vítima , uma medida cautelar de natureza penal contra quem não é sequer alvo de procedimento investigatório formalizado é decisão que carece do pressuposto mínimo de cabimento: a existência de persecução penal em curso.

Salvo melhor entendimento: é crime!

Foi nesse cenário de ignorância jurídica, arbítrio e crise institucional –  com uma corporação sob ataque público e seu dirigente maior afastado por ato de um homem reconhecidamente antidemocrático , dado a perseguir desafetos e empregar a Lei de Segurança Nacional enquanto ministro da justiça do golpista condenado ; a quem continua servindo como magistrado “ad hoc” do STF  – que os onze diretores decidiram não se calar.

Educadamente , na nota que compartilharam  classificaram o episódio como “ataques injustificados” à Polícia Federal e afirmaram  que “narrativas marcadamente influenciadas por interesses políticos-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a confiança e a trajetória profissional de quem quer que seja”.

E, para dar peso às palavras, fez o que poucas fazem: entregaram os respectivos cargos de direção .

Por que isso importa

Em um país onde cargos de direção e  postos de comando policial costumam ser tratados como moeda de barganha política, onde delegados-gerais são trocados ao sabor de convenções de governadores, secretários e grupos de interesse, o gesto dos diretores da PF é uma anomalia salutar.

Não se trata de corporativismo cego ou mafioso ;  se trata de respeito , orgulho e da  sensibilidade de que a espinha dorsal de qualquer instituição policial é a sua independência técnica e funcional diante de pressão externa, sejam elas políticas, eleitorais ou judiciais mal calibradas.

Quantas vezes já vimos, nos estados brasileiros, delegados de carreira serem afastados, transferidos ou constrangidos por terem investigado uma pessoa errada, no momento errado, com o resultado errado para quem detém o poder de nomeação?

Quantas corregedorias foram usadas como instrumento de vingança, e não de controle legítimo da atividade policial?

A resposta é: mais vezes do que qualquer nota ou estatística oficial jamais admitirá.

O exemplo que deveria se espalhar

Se há uma lição a se extrair do episódio, é esta: instituições policiais fortes se defendem coletivamente quando um dos seus é açoitado por razões que cheiram mais a disputa de poder do que a devido processo legal.

O gesto dos onze diretores da PF é um recado claro ;  e deveria ecoar em cada secretaria de segurança pública, em cada corregedoria de polícia civil, em cada corporação estadual que hoje se vê refém de governadores, deputados e interesses “político-eleitorais espúrios”, para usar a mesma expressão que os próprios diretores escolheram.

Que este episódio sirva de espelho.

Que delegados e diretores das polícias civis estaduais tantas vezes vilipendiados, transferidos compulsoriamente ou expostos publicamente para satisfazer interesses pessoais de ocupantes de cargos eletivas ou de comissão  encontrem nesta atitude da PF um modelo a seguir.

A autoridade policial, quando exercida com legalidade , técnica, e comprometimento com a sociedade, não pode ser tratada como parte do tabuleiro político.

Defendê-la coletivamente, como fizeram esses onze diretores, não é desafio à autoridade judicial legítima ;  é afirmação de que existe, sim, um limite ético abaixo do qual a instituição não se curva.

Fica o registro, e fica o aplauso.

Relinter da PF insinua que Jorge Messias escolheu ser vassalo do André Mendonça que atua contra os Ministros defensores da Democracia…  Resposta

 X.8. Percepção de risco quanto à indicação ao Supremo Tribunal Federal [A]

Avalia-se que a escolha do Advogado-Geral da União por priorizar seu relacionamento com o relator, em detrimento da redução dos riscos de exploração política do caso envolvendo o filho do Presidente da República, eleva substancialmente a percepção de risco associada a eventual renovação de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal neste momento, quando o relator se encontra aparentemente engajado em estratégia agressiva de alteração da correlação de forças no Tribunal, visando ao enfraquecimento do grupo de ministros que atuou firmemente em defesa da democracia.

Leiam abaixo o RELINTER da PF – Ou Mendonça apresenta delírios persecutórios ou falta com a verdade para fundamentar as suas decisões atentatórias a República…Ele nunca foi monitorado como se faz de vítima para afastar o Delegado Andrei Rodrigues – diretor-geral da PF Resposta

Sobre o Monitoramento dos Ministros

Da leitura do documento produzido por órgão de inteligência da PF , a conclusão é no sentido de que relatório não apresenta qualquer elemento que indique a realização de acompanhamento, supervisão , controles ,  monitoramento pessoal ou em campo, com vigilância física, escutas telefônicas, interceptações, rastreamento de localização ou qualquer outra forma de acompanhamento presencial ou técnico dos ministros André Mendonça ou do Advogado-Geral da União, Jorge Messias.

O que se extrai do relatório:

  • O documento faz referência a “monitoramento e coleta dirigida” no item X.8, mas trata-se de uma recomendação para acompanhamento futuro de informações, e não de uma atividade já executada. O texto diz: “O tópico não autoriza afirmação institucional, providência formal ou manifestação externa. Autoriza monitoramento e coleta dirigida.” – ou seja, é uma orientação para o futuro, não o registro de uma operação em curso.
  • Em diversos pontos, o relatório menciona a produção de relatórios de inteligência sobre a atuação do juízo relator (por exemplo, itens III.2, III.3, X.2), mas isso se refere à análise documental e à coleta de informações de fontes abertas e internas, não a monitoramento físico ou eletrônico de pessoas.
  • O próprio documento, ao descrever seu método, classifica os elementos como documentados [D] (constam de peças processuais), reportados [R] (relatos verbais) e avaliados [A] (juízos do analista). Não há qualquer menção a dados obtidos por vigilância, grampo ou qualquer outra técnica de monitoramento em campo.
  • O relatório aborda, no item Y.7, que há notícias de relacionamento entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, e entre familiares de Nunes Marques com o Banco Master, mas isso é classificado como fonte aberta (noticiário), não como resultado de monitoramento da PF.

Portanto, com base apenas no documento, não há evidência de que a PF tenha realizado monitoramento em campo de André Mendonça ou de Jorge Messias

Análise Superficial do Relatório de Inteligência da Polícia Federal – Ministro André Mendonça

 1. Metodologia do Documento

O relatório adota uma metodologia analítica de inteligência, com rígida separação entre fatos e juízos pessoais, e classificação tripartite dos elementos:

– [D] – Documentado: constante de peças, decisões ou registros escritos, verificável independentemente do analista.

– [R] – Reportado: relato de servidor presente ao ato, ainda sem redução a termo.

– [A] – Avaliado: juízo do analista, não sendo fato e não devendo ser citado como tal.

Atribui-se grau de confiança a cada juízo (ALTA, MODERADA, BAIXA), e explicita-se a cadeia inferencial quando há múltiplos elos, deixando claro que confiança baixa não significa descarte, mas hipótese em observação.

O documento ainda prevê indicadores de confirmação ou refutação para cada avaliação, e examina formalmente hipóteses alternativas – o que confere auditabilidade e transparência ao raciocínio, ainda que se trate de produto interno, sem caráter decisório ou probatório.

 2. Objeto do Documento

O objeto é amplo e compreende:

– Análise da atuação do Ministro André Mendonça como relator das operações “Sem Desconto” (PET 15.041) e “Compliance Zero” (PET 15.556 e conexos).

– Verificação de desvios funcionais do juízo relator: interferência na gestão administrativa da PF, acesso antecipado a acervo bruto, supressão da supervisão técnica do delegado sobre as IPJs, participação em tratativas de colaboração premiada, e proposição de benefícios extralegais.

– Cotejo de padrão probatório entre dois feitos (PET 15.041 e PET 15.674), demonstrando variação na exigência de prova conforme o investigado.

– Riscos de segurança da informação e de integridade da investigação, inclusive com apontamento de concentração de acesso a dados sensíveis sem auditabilidade, e possível vazamento de informações.

 3. Finalidade do Documento

A finalidade declarada é subsidiar decisões de gestão – internas à PF – em ambiente de informação incompleta. Não se destina a instruir procedimento judicial, a fundamentar representação, a subsidiar peça de defesa, nem a servir como prova. É um instrumento de monitoramento, de autocrítica e de mitigação de riscos, devendo orientar a atuação da unidade e a coleta de elementos para futuras apurações, se for o caso.

O documento é expresso ao afirmar que não imputa ilícito penal, disciplinar ou funcional a magistrado, membro do MP ou servidor, e que seus juízos avaliados não constituem afirmação institucional.

 4. Vigilância Pessoal sobre o Ministro André Mendonça “versus”* Análise de Atos Processuais e Manifestações Públicas

O relatório não revela qualquer vigilância pessoal ou espionagem sobre o Ministro no sentido de monitorar sua vida privada, deslocamentos, relações pessoais ou familiares. Todos os elementos referentes à sua conduta são extraídos de:

– Atos processuais (decisões, despachos, ofícios juntados aos autos) – documentados [D];

– Manifestações orais em reuniões institucionais com a equipe da PF – reportadas por servidores presentes [R];

– Declarações públicas veiculadas pela imprensa – tratadas como elementos de fonte aberta;

– Decisões judiciais e pareceres – analisados juridicamente.

Não há indicação de quebra de sigilo telefônico, acompanhamento físico, monitoramento de comunicações ou qualquer outra medida invasiva de privacidade. O que se verifica é o registro de interações formais e informais que ocorreram no âmbito do processo e de reuniões de trabalho, com a participação do magistrado, e a análise de sua atuação funcional à luz da legislação (CPP, Lei 12.830/2013, Lei 12.850/2013, RISTF, etc.).

Assim, a diferenciação é clara:

O relatório, portanto, não ultrapassa a linha da vigilância institucional legítima sobre a atuação do juízo, especialmente quando há indícios de interferência em competências da PF e de desvios de finalidade. A PF, como órgão de persecução penal, tem o dever de registrar e avaliar ordens judiciais que possam afetar a regularidade das investigações, a cadeia de custódia e a autonomia técnica, desde que isso não se converta em monitoramento pessoal – o que não ocorre no documento.

 5. Análise do Trecho com Conotação Religiosa (Item X.4, p. 10)

“Matriz religiosa comum e apoio obtido em meio às igrejas evangélicas para ambas as candidaturas ao Supremo Tribunal Federal, com articulação atribuída a parlamentar federal identificado [A] quanto à relevância.”

Interpretação objetiva:

– O trecho é classificado como [A] – Avaliado, ou seja, juízo do analista, não fato documentado.

– Ele se insere no tópico que examina as relações entre o Advogado-Geral da União e o Ministro André Mendonça, para compreender a recusa da AGU em recorrer de decisões do relator.

– A menção à “matriz religiosa comum” e ao “apoio obtido em meio às igrejas evangélicas” é um fato público e notório: ambos são evangélicos e tiveram suas indicações ao STF associadas a esse segmento religioso, com articulação política de parlamentares. Isso é amplamente noticiado e, portanto, não constitui uma ofensa à fé, nem preconceito.

– O documento não atribui juízo de valor negativo à religião, nem sugere que a fé dos envolvidos os torne suspeitos ou desabonados. Apenas registra um elemento de contexto político que pode influenciar a percepção de alinhamento entre as autoridades.

– Não há qualquer expressão depreciativa, estereotipada ou agressiva em relação às crenças religiosas. A referência é factual e isenta, embora, por ser [A], deva ser tratada com a ressalva de que se trata de avaliação do analista.

Conclusão sobre o ponto: Não há conotação preconceituosa ou ofensiva à fé. A menção é contextual e politicamente relevante, dentro dos limites de uma análise de inteligência que considera fatores relacionais entre autoridades.

 6. Valor Probatório e Autoria do Documento

O próprio documento estabelece que não possui valor probatório e não se presta a instruir procedimentos.  É uma advertência no sentido de que não é instrumento para , por si só , fundamentar medidas sancionatórias e/ou coercitivas.

Contudo, observamos  que o valor probatório de um documento decorre de seu conteúdo material, não da forma ou dos seus carimbos , e que o relatório pode servir como elemento de informação para instauração de apuração, desde que seus dados sejam verificados por outros meios.

– A ausência de identificação nominal do autor é justificada pela natureza da atividade de inteligência, que exige proteção do analista e de fontes.

Internamente, o documento é registrado e rastreável, e a inserção de informações falsas sujeitaria o responsável a sanções penais e administrativas.

– Os elementos [D] – documentados – têm lastro em peças dos autos e podem ser utilizados como prova, se produzidos por via regular. Os elementos [R] dependem de redução a termo para adquirir robustez. Os elementos [A] são meras avaliações, sem força probatória.

Destaco: testemunhas poderão ser ouvidas confirmando ou não os elementos classificados como [R].

Portanto, o documento pode ser utilizado como subsídio para a tomada de decisões internas (por exemplo, consultar a AGU, instaurar procedimento correcional, ajustar a metodologia de trabalho), mas não pode, por si só, embasar uma acusação criminal ou disciplinar contra o Ministro – exatamente o que o relatório ressalva.

 7. Conclusão Geral

Natureza jurídica: o RELINTER é ato administrativo típico da atividade de inteligência (Lei nº 9.883/1999), com autoria institucionalmente identificável, sujeito a controle pela corregedoria da PF, pela CCAI do Congresso e pelo Judiciário — seus autores respondem por falsidade ideológica (art. 299, CP) se inserirem informação falsa.

Notícia-crime x prova: o documento vale como notitia criminis idônea ( consagrada no art. 5º, §3º, CPP, e no entendimento do STJ de que até matéria jornalística pode deflagrar investigação ), mas não é prova de crime nem de autoria — não pode fundamentar isoladamente indiciamento ou condenação (art. 155, CPP).

Dever da autoridade: a advertência “sem valor probatório” não autoriza o simples descarte do relatório; gera dever de apurar por canal próprio, mas não legitima extrair dele conclusões de mérito definitivas — o excesso estaria em imputar tipos penais específicos direto a partir do documento.

Manipulação eleitoral: se comprovada finalidade dolosa ou culposa de influenciar as eleições de outubro de 2026, as condutas podem se enquadrar no Código Eleitoral (calúnia/difamação eleitoral, arts. 323-324) e na Lei de Abuso de Autoridade (art. 38, antecipação de culpa) — mas isso exige apuração própria, não presunção.

Competência e imparcialidade: a decisão de Fachin de retirar o caso do relator original é consistente com o princípio do juízo natural, dado o foro por prerrogativa de função de ministro do STF.

Assim , se pode defender que o relatório de inteligência analisado tem metodologia rigorosa e estruturação qualificada , com clara separação de fatos e juízos, gradação de confiança e exame de hipóteses alternativas.

Seu objeto é a atuação funcional do Ministro André Mendonça e os riscos institucionais dela decorrentes, especialmente no que tange à autonomia da PF e à regularidade das investigações. Sua finalidade é orientar a gestão e a coleta de informações, não produzir prova ou imputar ilícitos.

Quanto à vigilância pessoal, não há qualquer elemento que indique espionagem ou monitoramento da vida privada do magistrado. Todas as informações referem-se a atos processuais, reuniões institucionais ou manifestações públicas, o que se insere no âmbito da análise funcional legítima.

Sobre o trecho religioso, não se verifica preconceito ou ofensa à fé, mas sim a menção a um fato de conhecimento público – a afinidade religiosa e o apoio político de segmentos evangélicos – utilizado como contexto para compreensão de relações interinstitucionais.

Salvo melhores entendimentos , André Mendonça imputou falsamente graves condutas ao Delegado Diretor da Polícia Federal.

Para fins de reforço , reitera-se que as ressalvas quanto ao valor probatório e à autoria são adequadas à natureza do documento, que não substitui a via processual própria, mas pode servir como base para medidas administrativas ou para o direcionamento de apurações futuras, desde que seus elementos documentados sejam corroborados por outros meios de prova.