Será que o estilo miliciano de viver já se instalou na PM do Litoral Norte de São Paulo ? 1

Por G1 Vale do Paraíba e Região

 

A Polícia Militar abriu sindicância para apurar a conduta de quatro policiais que trocaram tiros com um morador no bairro Ubatumirim, em Ubatuba (SP), no último fim de semana. Segundo a queixa do morador à Polícia Civil, PMs tentaram tomar posse de uma área que é ocupada por um grupo de caiçaras.

De acordo com a Polícia Civil, a área é ocupada há mais de 30 anos por um grupo de caiçaras que tem a permissão de uso da área e mantém um camping para turistas no local. A área pertence à União e os moradores tentam a posse definitiva por usucapião na Justiça.

Antes da troca de tiros, um dos líderes dos moradores já havia ido até a delegacia para registrar uma ocorrência de ameaça. Segundo ele, os policiais à paisana acompanhavam um grupo que tentava, com uso de violência, expulsar os moradores e invadir o local.

No sábado (31), os policiais militares registraram ocorrência alegando que foram ao local para visitar um terreno que estaria à venda, mas foram recebidos a tiros por um homem. Os policiais de folga acionaram a PM, que abordaram e prenderam o morador. Com ele, a polícia apreendeu, segundo a nota divulgada pela PM, três armas e munições, além de R$ 750 e um aparelho celular.

Na delegacia, o homem detido apresentou duas testemunhas que estavam no camping e teriam visto a ação. Em depoimento, elas contaram que os policiais chegaram atirando e que o homem tentou fugir e, perseguido, fez um disparo para o alto. Em seguida, ele foi abordado pela polícia e preso.

O homem foi indiciado por posse de arma de uso restrito, receptação e disparo de arma de fogo. Ele foi liberado em audiência de custódia no domingo (1°) após pagamento de fiança de R$ 5 mil.

O advogado Igor Rangel, que defende o morador detido, diz que os policiais tentam invadir a área com o apoio de um grupo. Segundo ele, há alguns meses o morador vem sendo ameaçado por essas pessoas. Segundo ele, os policiais alegariam ter uma escritura da região, mas não apresentaram o documento ou tentaram vias judiciais para pleitear o terreno.

Os moradores estão no local há 30 anos, com concessão de posse ininterrupta. Eles ainda têm na Justiça uma ação tramitando desde 2001 para a posse definitiva.

“Vamos procurar as medidas judiciais cabíveis e apurar os atos ilícitos praticados pelos agentes contra ele”, informou o advogado de defesa, Igor Rangel.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que os policiais militares prestaram esclarecimentos e tiveram suas armas encaminhadas à perícia. Informou ainda que a PM acompanha as investigações e instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos agentes envolvidos no caso.

Um Comentário

  1. Para quem defende ciclo completo, vamos lembrar dos kits flagrante, do rapaz do ABC que foi preso com maconha num flagrante forjado, que foi solto graças a filmagem de um câmera de segurança e a cereja do Bolo, o emblemático caso Rota 66, com as bênçãos do secretário Erasmo Dias

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