Déficit na Polícia Civil: investigador e escrivão concentram 70% dos cargos vagos em Franca e região, diz sindicato 5

Por Rodolfo Tiengo, G1 RIbeirão Preto e Franca

Delegacia Seccional de Franca (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

Os postos que deveriam estar preenchidos por escrivães e investigadores correspondem a 70% do déficit de profissionais da Polícia Civil na área abrangida pela Delegacia Seccional de Franca (SP), segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp).

De acordo com o ‘defasômetro’, 83 dos 120 postos desocupados são de funções ligadas ao registro das ocorrências e às diligências para apuração dos crimes. O número ajuda a alavancar um déficit que hoje chega a 32% na região. Cenário semelhante é constatado em outras seccionais, como a de Ribeirão Preto (SP).

Delegado seccional de Franca desde o início do setembro, Wanir da Silveira Júnior afirma que a abertura de novos concursos não compensa as perdas de funcionários para outras carreiras e para as aposentadorias ocorridas nas últimas duas décadas.

“Este ano e o ano passado foram especificamente os anos em que as pessoas mais saíram da Polícia Civil e a reposição por concursos é bem menor que a saída. Estamos com um déficit muito grande de policiais civis no estado inteiro”, diz.

A ausência desses profissionais, de acordo com o delegado, afeta diretamente os servidores que continuam em atividade.

“Tenho só um escrivão em Pedregulho, que responde por Pedregulho e também por Rifaina. Em todo inquérito policial, em todo procedimento da Polícia Judiciária, ele tem que ir a Rifaina fazer os registros. Ele acaba ficando sobrecarregado”, exemplifica.

Wanir José da Silveira, delegado na Delegacia Seccional de Franca (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

Wanir José da Silveira, delegado na Delegacia Seccional de Franca (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

Déficit de policiais

A seccional de Franca abrange cinco distritos policiais, cadeia pública e delegacias especializadas da cidade, além de unidades em mais 16 municípios: Batatais (SP), Ituverava (SP), Igarapava (SP), Miguelópolis (SP), Guará (SP), Patrocínio Paulista (SP), Pedregulho (SP), Aramina (SP), Buritizal (SP), Cristais Paulista (SP), Itirapuã (SP), Jeriquara (SP), Restinga (SP), Ribeirão Corrente (SP), Rifaina (SP) e São José da Bela Vista (SP).

Nessa área, deveriam estar em atuação 375 profissionais, mas somente 255 são efetivos. Em termos absolutos, os investigadores correspondem à maior quantidade de postos vagos, com 48, seguidos pelos escrivães, com 35. Nessas duas funções, o déficit percentual supera o total da região, com taxas de 38,46% e 36,92%.

Na sequência aparecem os delegados, com 15 cargos em aberto e um déficit de 36,59%. Também estão em falta dez agentes policiais, sete auxiliares de papiloscopistas, quatro papiloscopistas e um agente de telecomunicações.

Silveira Júnior garante que, dentro dessas condições, nenhuma investigação deixa de ser realizada, mas é preciso priorizar os crimes de maior gravidade. “Os casos graves, complexos, de homicídio, roubo, latrocínio, estupro, crimes graves, são prioritários, tanto que esses crimes a gente desloca a investigação para a DIG, que tem condição maior de dar suporte investigativo”, explica.

https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/09/24/deficit-na-policia-civil-investigador-e-escrivao-concentram-70percent-dos-cargos-vagos-em-franca-e-regiao-diz-sindicato.ghtml

  1. Escrivão de Pedregulho acumula Rifaina. Provavelmente tem delegado acumulando. Quem ganha para responder por duas delegacias? As notícias sempre vem com meias verdades

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  2. Lamentável o mais completo abandono por parte do Estado em que chegou a Polícia Civil de Franca, de relevantes serviços prestados à municipalidade e cidades circunvizinhas. Município internacionalmente conhecido pela qualidade de suas indústrias de calçados e comercialização de café, berço de uma das maiores redes de magazines do Brasil, o Magazine Luíza e do melhor time de basquete do Estado, quiça do Brasil, largado as traças pelos sucessivos governos estaduais do PSDB.Município com mandatários populares na nossa Assembléia Legislativa, inclusive oriundo das fileiras da própria Polícia Civil, abandonado pela administração pública estadual.
    Não votaram no Dólar e no Bozonaro, agora aguenta.

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  3. Agente de Telecomunicações?
    Coloca qualquer um pra atender telefone e receber email.
    Cadeia pública passa para SAP e aproveita os funcionários nas delegacias.
    Delegacia especializada DIG repassa para o DHPP, Deic e o Denarc.
    Tira o Chefe dos tiras e sua equipe do departamento administrativo.
    Pronto, depois dessa chacoalhada vai dá uma amenizada de pelo menos 1 equipe.

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    • Esses dias eu estava analisando sobre isso.

      DEAS, DHPP, Delegacia do Idoso etc….não tem mais de 100 BO´s por ano em alguns departamentos, mas possuem entre 10 e 25 funcionários.

      Enquanto um distrito comum, há entre 2 mil e 12 mil BO´s/ano e tem o mesmo número de policiais.

      O poste mija no cachorro mesmo.

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  4. Não é problema pontual, mas sim, pulverizado por todo o Estado mais rico da Federação.A bem da verdade, quem se “phode” nessa estória é o “escrivão itinerante” que tem que ficar viajando o dia inteiro pra ficar fazendo BO ou ouvindo partes de IP nas cidades, ao passo que o Delegado de Polícia só vai lá para assinar e, lógico, ganhar pelo acúmulo de titularidade que nunca exerceu.

    São essas soluções “nas coxas” que o governo e nossos submi$$o$ dirigentes encontram para solucionar o grave problema do desmonte a que vem sendo submetida a nossa polícia no Estado.

    Do quase inexistente efetivo policial, 30% se encontra em condições de se aposentar. Por conta disso, se avizinha mais uma dessas soluções mágicas encontradas pela Administração, ou seja, dar uma recomposição salarial diferenciada entre ativos e inativos para desmotivar entre os que sobram, àqueles que pretendem se aposentar, mesmo que a medida administrativa seja ao arrepio da lei, alcançando os que estão aposentados pelo EC 47, que garante literalmente em seus dispositivos, integralidade e paridade aos inativos.

    Não há como negar que chegamos a esse descalabro, graças aos nossos subservientes dirigentes, tipo “churrasco”, “pós sábado”, “MAD” e outros que por trás do discurso do “tudo pela polícia”, a bem da verdade sempre exercitaram o “tudo para o meu bolso”. Por conta disso amealharam patrimônio completamente divorciado da realidade salarial de um delegado de polícia. Tudo debaixo do olho de vidro daquela instituição com atribuição constitucional do controle externo da atividade policial. Simples assim.

    Só a mais completa renovação da polícia, a começar por sua Lei Orgânica, bem como pelo afastamento dos cargos de direção de notórios condôminos da instituição é que poderemos alimentar alguma esperança de melhora.

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