SINDPESP só sabe fazer média e mídia; efetivamente nunca fez nada para melhorar as condições de trabalho dos Delegados, muito menos pelas demais carreiras policiais 19

Afinal, quem cuida de quem cuida?

Raquel Kobashi Gallinati*

13 de setembro de 2019 | 18h00

Raquel Kobashi Gallinati. Foto: Arquivo Pessoal

A Polícia Civil do Estado de São Paulo está adoecendo e morrendo aos poucos. Para oferecer um trabalho minimamente digno à população, os profissionais estão acumulando funções e trabalhando em longas e, muitas vezes, ininterruptas jornadas. E essa situação se agravou nos últimos anos, quando o deficit chegou a alarmantes 34% do efetivo. Prova maior desse processo que está matando nossos policiais é o aumento significativo do número de suicídios, que mais do que dobrou nos últimos quatro anos.

Os dados revelados pela Academia de Polícia Civil de São Paulo, durante a Palestra de Prevenção ao Suicídio proferida pelo professor Roberto Santos da Silva, são tristes e mostram que, enquanto em 2014 foram registrados 4 suicídios, em 2018 esse número saltou para 10. Durante esse período, 33 policiais tiraram a própria vida.

Nós, do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP), estamos denunciando essa situação há anos. E pouco, ou nada, foi feito para mudar essa realidade. Nossa classe continua arriscando a vida diariamente sem nenhum respaldo por parte do governo. Durante minhas visitas aos delegados de todo interior do Estado, colhemos relatos de policiais que sofrem doenças como depressão e síndrome de burnout. E, pior, há muitos casos de companheiros que, por não terem acesso a atendimento de saúde adequado, atentaram contra a própria vida.

A situação é tão grave que o suicídio está matando mais os policiais que os confrontos com criminosos, conforme revelam dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública ao SINDPESP. Em São Paulo, o número de policiais civis que tirou a própria vida é 150% maior que o índice dos que foram mortos por bandidos durante o trabalho.

Nas condições ideais, a rotina policial já é estafante. Estudos científicos feitos por institutos de pesquisa de vários países mostram que nossa profissão é a mais propensa ao suicídio. Mas quando o profissional tem que atuar sob forte pressão, com os salários mais baixos do Brasil, com uma completa falta de condições de trabalho e estrutura, muitas vezes sem equipamentos de segurança, o resultado é um aumento nos números de suicídios e afastamentos decorrentes de doenças relacionadas ao estresse.

E o pior de tudo é que o atendimento psicológico e psiquiátrico oferecido para as carreiras policiais é muito tímido. O policial está sozinho na difícil luta contra a depressão.

As péssimas condições de trabalho já levaram o Sindicato a recorrer à Organização Internacional do Trabalho (OIT) para denunciar a situação da Polícia Civil. Agora, nossa luta é para que o governo amplie o serviço de atendimento psicológico voltado para os policiais que atuam em todo o Estado. É preciso desenvolver campanhas específicas para a classe e é preciso democratizar o acesso a serviços de saúde.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos suicídios poderiam ser evitados. A palavra-chave é a prevenção. E disso a Polícia Civil está carente. É urgente que o Estado cuide daqueles que estão trabalhando à exaustão e colocando suas vidas em risco diariamente para cuidar de toda a população.

*Raquel Kobashi Gallinati é presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo

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Operacional é muito bom para fazer estatísticas, né? 

Quem é o responsável pela fadiga  dos subordinados?

Quantos delegados se mataram ?

  1. Pôxa…
    No ano passado compareci duas vezes (uma em nome próprio, outra acompanhando) em um DP de bairro, mas não de periferia. Aliás, duas foram as oportunidades de efetivamente concretizar a providência pretendida, porque cheguei a ir nestes DPs duas ou três vezes antes (para cada situação) e não esperei por causa do chá-de-banco médio de duas horas e meia. Mas o curioso era que, apesar da espera, tinha gente (uns quatro) disponível e que poderia contribuir no atendimento… Todavia, à medida que chegavam mais usuários, o pessoal do DP ia desaparecendo e só ficava um no balcão do Plantão. E repentinamente reapareciam quando o balcão estava vazio.
    Mas curioso mesmo foi esta semana, quando compareci a uma especializada…
    Nunca vi, juntos, tantos Agentes e Investigadores tão solícitos… Passava um, dava bom dia e perguntava se podia ajudar. Passava outro, com outro distintivo, e também se prontificava. Vinha outro, distintivo diverso dos demais e idem: também queria ajudar…
    Veja: até mais de um Escrivão se oferecendo para auxiliar….
    Fiquei sem entender…

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    • Eduardo

      “Mas o curioso era que, apesar da espera, tinha gente (uns quatro) disponível e que poderia contribuir no atendimento… Todavia, à medida que chegavam mais usuários, o pessoal do DP ia desaparecendo e só ficava um no balcão do Plantão. E repentinamente reapareciam quando o balcão estava vazio.”

      Será que esse pessoal que ia desaparecendo não estava lá atrás auxiliando o Escrivão ou na carceragem?

      Muito difícil ter um quadro desses hoje em dia em um plantão, ou, praticamente impossível. Se for Central de Flagrantes onde responde por 4 ou 5 DPs, tem-se O Delegado, no máximo 2 Escrivães e 2 Investigadores, essa é a equipe.

      Então, acho que toda a equipe estava no balcão de atendimento e assim que as partes entravam os colegas tinham que ir atender lá dentro.

      Se vc é colega, deveria se informar primeiro antes de julgar os colegas.

      Agora, em especializada a situação de Recursos Humanos é outra, inclusive não tendo Plantões Noturnos, Sab. Dom. e feriados em casa,, salvo raríssimas operações.

      Desculpe colega, trabalhei em plantão e sei como toca a banda.

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      • Se a sua premissa estivesse correta, a espera pelo atendimento (assim como o volume no balcão) dimunuiriam. Mais gente auxiliando=menos gente na fila e menos espera. Era muita gente sem fazer nada, mas só um no balcão atendendo e uma escrivã tocando B.O. O restante sem trabalho aparente… Pelo contrário!
        Se a sua premissa fosse verdadeira, nem comentário eu faria porque seria injusto.
        Mas como não é possível e nem justo generalizar, se onde você trabalha(ou) ocorre(u) o que você descreve, está(ão) de PARABÉNS. Pena que muitos outros não fazem o mesmo.
        P.S: aos que lutam honestamente, merecem todo o RESPEITO.
        Aos que estão acometidos de doenças emocionais/males da alma, a minha gratidão pelo seu comprometimento e os meus sinceros votos de reestabelecimento integral e que a vida lhes proporcione enxergar uma alternativa.

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  2. Depois de vinte e cinco anos de serviços prestados a nossa querida PC, fui obrigado a me afastar para tratar de uma depressão grave e recorrente, com pensamentos suicidas. Estou lutando há vários meses, a base de psicotrópicos para não enlouquecer e me matar. Estou muito magro, não durmo mais e choro constantemente. Mas, vou sair dessa, se Deus quiser.

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  3. Eu estou há quase 20 anos na polícia Civil e não estou conseguindo sustentar meus filhos, dar uma vida digna. Faço empréstimos e empréstimos. Nunca tirei uma nota de ninguém, nunca me envolvi em esquemas. Não estou com ânimo para viver mais.

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  4. Lutando para viver, peça forças à Deus e reze, reze para afastar esses pensamentos da cabeça. Vc tem família, e ela precisa muito de voce. Tanto quanto vc sei da situação em que vivemos hoje, quando tudo aumentou e nosso salário não acompanhou. Hoje não consigo pagar tudo e o meu ” luxo” são dois mil reais que pago de convenio médico mensalmente ( quase metade do meu salário) e, se eu nao o tivesse, tinha morrido, pois precisei de duas cirurgias praticamente de emergencia, a qual seria negada de imediato pelo Servidor. Eu também ando aéreo sem saber o que fazer, vendo que reajuste virá em forma de bonus somente para quem está na ativa e de forma gradual. Vejo também que não poderei aposentar ( em Janeiro próximo já posso) pois perderei esse provavel bonus além de outros penduricalhos do nosso holerite . Faço bicos, alguns arriscados e que me tomam o tempo livre, ou seja, não tenho convívio com mais ninguém fora da polícia, principalmente minha família. Nossa instituição está desorganizada demais, são cobranças e cobranças, poucas condições de trabalho, poucos recursos de forma geral. Peço ao Exmo Sr Governador para que cumpra sua promessa de campanha e assim equilibre nossas vidas com o reajuste prometido, aos aposentados e pensionistas. Não existe funcionário de qualquer lugar que preste um serviço de qualidade vendo sua vida particular ficar arruinada .Tá difícil suportar, eu sei,mas como vc disse, Nosso Pai Maior vai tirar vc dessa sim, não cometa um ato desse que vc sabe que irá pagar bem caro por ele!!!! Fé irmão!!!!!

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  5. Quanto aos delegados, nada contra eles, mas recebem um benefício a mais, maior do que o salário de muitos, somente por acumular titularidade nas EPJs e CPJs da vida, SÓ ELES RECEBEM POR TRABALHAR POR 3 OU 4 DISTRITOS, o resto das carreiras não recebem absolutamente nada. Vamos ver se, quem sabe, algum deles consegue um benefício de forma geral. Vamos aguardar !!!

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  6. ….polícia civil dirigida por delegado(cpp)……não é preciso procurar culpados……

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  7. Carreira única. Acaba logo com esses pelúcias!! Quanta cara de pau… Olha Seu Governador a culpa da penúria da PC é do senhor e não de nós administradores. Precisamos ganhar até 33 putos para subir no lombo dos policiais. Tá faltando peroba para esses Delegados. Até ONG faz mais que eles em qualquer situação.

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  8. E tive notícia que um ex GOE de sp se matou dias atrás…

    Sou do interior e digo que com a equipe pequena, sobra escala de sobreaviso para fazer durante sua folga. Nos dias que estou na escala, não há paz. Resultado: pouco animo pra investigar fora do horário, fazer uma campana a noite, etc. Família cobra e fica frustrada que vc não é presente. Não tá fácil.

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  9. Novato disse….isto acontece porque se tivesse um delegado nas mesmas situações que vc disse a banda iris tocar outra música….

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  10. Sergio disse…”só eles recebem por acumular 3 ou 4 dps…..só tem um jeito: de forçar : parando de praticar as atribuições deles….se está escalado vá mas espere a autoridade para que ela cumpra pessoalmente suas atribuições…..quem sabe, como vc disse, agindo assim, um dia talvez…..

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  11. Eduardo disse:

    esperei por causa do chá-de-banco médio de duas horas e meia. Mas o curioso era que, apesar da espera, tinha gente (uns quatro) disponível e que poderia contribuir no atendimento…

    algumas razoes que o nobre colega não considerou.
    a) o serviço interno as vezes requer muito mais atenção e perigo do que o atendimento ao publico. uma reclamação de demora em atendimento lhe rende no máximo uma repreensão, agora uma fuga, lhe rende cadeia e demissão!
    b)Policiais não são maquinas. não labutam com prazer e a carga de trabalho está no minimo em 4 vezes aquela que deveria existir. Quanto ao jargão de que o cidadão não pode pagar pela ma gestão, é justamente esse cidadão que vai na delegacia e espera 4 horas pra registrar o incomodo do latido do cachorro do vizinho que vem perpetuando a gestão durante anos no estado bandeirante.
    c) na policia, especialmente no plantão, quanto mais você se empenha mais te poem no rabo. não cobram do vagabundo. nas especializadas e diferente. lá se você não trabalha, é ripa. dai esse especializado acaba nesse plantão que você visitou e constata a lamuria que o serviço se encontra e se encaixa no padrão existente, que é se abster de ser escravizado e evitar responder piça.
    Então meu caro, respeito sua visão mas ouso discordar dela. quando entrei tinha esse mesmo pensamento que alias acredito que todos aqui tiveram. entramos pra ser policia. pra combatermos o mal e serem reconhecidos! que na policia existe o corpo de espirito coletivo. Que nossos dirigentes pisam na lama conosco e nos defendem das mazelas que tangeciam a instituição. mas depois de 28 anos de serviço, me vejo com um antigo tira que fui trabalhar quando entrei, que parecia um mendigo, com roupas rasgadas e antes do meio do plantão já estava com cu cheio de pinga, gritando com as partes e não querendo saber de nada. A conclusão é Que aqui se você não abre os olhos, é sugado pelo sistema sem perceber, e no fim acaba sem nada! nem família, nem saúde, nem conhecimento, nem amizade, filhos, NADA! EM prol de uma instituição que defendeu a vida toda e no fim lhe arranca quase tudo!

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  12. O estranho de tudo isto e que nao veio nos sindicato dos investigadores e escrivães em ligar nenhum. Em 33 anos de policia nunca vi uma visita desta turma.

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  13. SINDPESP está de parabéns!! Faz aquilo que pode e muito bem por sinal.
    Incomoda o governo escancarando a ingerência por parte dele para com a PCSP.
    O SINDPESP com muita pontualidade atualuza o defasometro que é uma ótima ferramenta!
    Enfim, SINDPESP está de parabéns! O único Sindicato que bate de frente com o governo.
    Ai vai a pergunta, o que fazem os Sindicatos e Associações dos Tiras além de promover torneio de truco e sinuca??
    Trouxa é quem paga mensalidade pra esses caras!!

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    • Nada a ver!!

      Entra no site da AIPESP e vê o que faz por nós, inclusive a ação ´por subsidio que o Sindpesp está indo na rabeira.
      Lembre-se ainda que se trata-se de uma Associação heim, e não teria obrigação nenhuma. Obrigação é dos Sindicatos.
      Pra mim, trouxa é quem paga o Sindpesp.

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  14. Ahhhh, ia me esquecendo, nosso HOSPITAL já vai começar a funcionar viu!
    E olha o valor que pagamos de mensalidade, não compra nem um sanduiche.
    Cuida do seu quintal que do nosso tem quem cuida e muito bem por sinal.

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