PM ameaça até padre idoso 8

Por Glauco Araújo, G1 SP — São Paulo

 


Padre Júlio Lancelotti é ameaçado por PMs e corregedoria da corporação apura o caso. Nas redes sociais ele recebeu apoio — Foto: Reprodução/Rede socialPadre Júlio Lancelotti é ameaçado por PMs e corregedoria da corporação apura o caso. Nas redes sociais ele recebeu apoio — Foto: Reprodução/Rede social

Padre Júlio Lancelotti é ameaçado por PMs e corregedoria da corporação apura o caso. Nas redes sociais ele recebeu apoio — Foto: Reprodução/Rede social

A Corregedoria da Polícia Militar apura uma denúncia de ameaça contra o Padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo e defensor dos direitos humanos. A Defensoria Pública da União afirmou, em nota, estar preocupada com a integridade pessoal e a liberdade de manifestação do padre (leia mais abaixo).

O caso aconteceu no dia 27 de janeiro, na Praça Barão de Tietê, no Belenzinho, Zona Leste de São Paulo. “A hora do Padre Julio Lancelotti vai chegar”, teriam dito os policiais a três jovens moradores de rua.

Padre Júlio Lancelotti disse ao G1 que a ameaça foi feita durante uma ação da polícia para tentar encontrar os suspeitos de terem roubado ou furtado o celular de uma moça na região. Os PMs disseram que três dos jovens de rua teriam pegado o celular de uma moça. Um deles foi levado para a delegacia, mas não foi reconhecido. Eles foram liberados, mas antes de serem liberados os PMs mandaram um recado.”

Ainda segundo o padre, os policiais “bateram neles” e disseram aos jovens, “entre outras ofensas” que “vocês são aqueles que o padre protege, aqueles vagabundos, estão sempre na igreja. Diz pro padre que a hora dele vai chegar.”

Em uma missa comandada pelo padre no domingo (2), ele já havia desabafado dizendo estar cansado das ameaças. “Como todo ser humano, há momentos em que o cansaço é grande. Seria muito fácil falar em defender os pobres e estar longe deles na hora em que eles sofrem. Eu agradeço a Deus e peço forças pra não falar uma coisa e fazer outra. A gente luta mesmo sabendo que vai ter incompreensão, que vai ser criticado, xingado e enfrentar até o desprezo.”

A denúncia

Juliana Hashimoto, advogada da Pastoral do Povo da Rua, disse que levou o caso à Corregedoria nesta segunda-feira (3). “Fomos direto para a Corregedoria. Lá, cada um dos rapazes passou por um processo de reconhecimento fotográfico dos policiais militares. Um dos rapazes reconheceu três PMs, outro reconheceu dois PMs. O terceiro não conseguiu fazer o reconhecimento, pois ficou o tempo todo de cabeça baixa.”

Segundo ela, a história começou com o registro de roubo/furto de celular feito por uma mulher no 8º Distrito Policial. “Ela foi acompanhada do pai, que é policial, não sabemos se militar ou civil. Os PMs fizeram uma ronda na região do DP, que fica perto da Praça Barão de Tietê, onde estavam os rapazes. Durante a abordagem, foram humilhados, diminuídos por serem catadores de reciclados e agredidos fisicamente.”

Juliana afirmou ainda que, na tentativa de acabar com as agressões, eles disseram que ajudam o Padre Julio Lancelotti. “Um deles foi levado para o 8º DP, esse rapaz foi levado algemado para a delegacia. Lá foi xingado e humilhado e agredido verbalmente pelos policiais e pelo pai da moça assaltada.”

Em nota, a Corregedoria da Polícia Militar disse que recebeu a denúncia na segunda-feira e que a instituição analisa quais as providências que serão adotadas.

Atuante que é na defesa dos direitos da população em situação de rua, o padre Júlio Lancellotti representa uma causa a que a Defensoria Pública da União dedica especial cuidado. Por isso mesmo, em um momento em que se noticia que, na cidade de São Paulo, nos últimos quatro anos aumentou em cinquenta por cento o número de pessoas que, por falta ou deficiência da política pública, dormem ao relento por conta de alguma circunstância pessoal que levou à desestruturação de suas vidas, torna-se ainda mais importante chamar a atenção para a violência a que estão submetidos, violência que, vê-se, alcança também quem milita e insiste em não os deixar permanecer invisíveis.

A Defensoria Pública da União espera que as ameaças sejam investigadas e debeladas, e que o padre Júlio Lancellotti, beneficiário de medida de proteção determinada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, possa prosseguir o trabalho que realiza há anos sem novas intercorrências.

Ameaças anteriores

Em março de 2018, advogados e entidades de direitos humanos entraram com representação no Ministério Público (MP) de São Paulo pedindo abertura de investigação sobre ameaças de morte contra o padre Júlio Lancelloti.

processo chegou a ser arquivado pela Justiça, mas foi reaberto para que o Facebook forneça os IP das pessoas que fizeram as ameaças ao padre pela rede social.

À época, ele reclamou que era vítima de ameaças de morte postadas em redes sociais, principalmente de moradores e comerciantes da região da Mooca, na Zona Leste de São Paulo, onde tem forte atuação.

Em posts publicados no Facebook, os agressores demonstram intolerância às ações de Lancelotti, que é defensor dos moradores de rua.

Padre Júlio Lancelotti durante celebração de missa  — Foto: Reprodução FacebookPadre Júlio Lancelotti durante celebração de missa  — Foto: Reprodução Facebook

Padre Júlio Lancelotti durante celebração de missa — Foto: Reprodução Facebook

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Ministério Público vai investigar ameaças contra o padre Júlio Lancellotti

Ministério Público vai investigar ameaças contra o padre Júlio Lancellotti

“Devido a situação da população de rua na cidade que cresce muito e está muito exposta, em vários bairros há um mal estar, uma hostilidade muito grande contra a população de rua”, afirmou o padre de 69 anos e que é pároco há quase 34 da Matriz Paroquial São Miguel Arcanjo.

O documento é assinado pelo Cardeal de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, pelo advogado Ariel de Castro Alves, coordenador da Comissão da Infância e Juventude do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo (Condepe), e por entidades como Ação dos Cristãos contra a Tortura, Grupo Tortura Nunca Mais, Comissão de Justiça e Paz, entre outras.

  1. Padre Júlio faz um trabalho com pessoas vulneráveis, moradores de rua, imigrantes recém chegados, etc, pessoas invisíveis que a sociedade despreza e prefere que fiquem escondidas na região do Bairro do Glicério. Tem muito policial que é valente com mendigo e subserviente com quem tem algum dinheiro.

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  2. Será que é assim, colega???? O referido sacerdote é inimigo de qualquer polícia, sempre foi, principalmente quando a imprensa escrachou os problemas pessoais dele, há alguns anos. Prá quem não conhece, é sempre vítima!! Faz seu trabalho social sim e não só para moradores de rua…….

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  3. Tenho certeza que irão concordar comigo. Desde quando foi autorizado ao policial militar fazer “diligência “ para apurar crime de autoria desconhecida?? O que diz o delegado de polícia de plantão ao ser-lhe apresentados indivíduos “suspeitos” de crimes por policiais militares que não têm essa atribuição? E o pior: sem mandado de prisão ou por portarem objetos do crime.
    Tudo errado. Depois reclamam do advento do crime de abuso de autoridade! Esses PMs, se forem reconhecidos, vão sentar num “nabo” do tamanho de um bonde para deixarem ser bestas. Quanto ao padre, conheço-o pois trabalhei na área do 8. DP e sei do seu trabalho com a população de rua mas sei também que detesta policiais como um todo. Não justifica fazer-lhe ameaças. A troco de quê? Quem é a vítima que mereceu todo esse empenho?

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  4. Engraçado. Eu passo o dia inteiro na pastelaria dizendo pro Zé Povinho que: Ameaça é a pessoa dizer: “Eu vou te bater, eu vou te matar, eu vou queimar sua casa… etc”, e que termos vagos não são considerados ameaças. Ameaça é o que a pessoa disse e não o que você entendeu. Agora com o padre anti polícia foi só o Mike dizer que: “A hora dele vai chegar” (Se não tivesse envolvido um padre defensor de direitos dos manos ninguém no mundo faria B.O de ameaça de algo tão vago especialmente por que não foi dito diretamente para ele e sim a terceiros que inclusive nem residência fixa têm) que já começa o vitimismo. Além do que, crime de ameaça depende de representação. O MP esta investigando ameaças anteriores POR QUÊ? O padre representou pro MP (isso é possível?) Ou o MP esta na jogada só por que tem policial envolvido?

    Na própria matéria foi dito que o tal padre coleciona desafetos em várias esferas, fora que ele lida com “Direitos dos manos” e moradores de rua logo, não deve estar cercado de pessoas boas e íntegras 100% do tempo, o que nos leva a crer que a hora dele (Como a de qualquer um) pode chegar os fatores que nada tem a ver com a Polícia. Se fosse qualquer outra pessoa a frase seria interpretada como um chute ou algo profético, afinal como ficou claro (inclusive indicado pelo próprio MP) o padre tem muitos desafetos na Zona Leste (Nem todos policiais). Mas como saiu da boca de um policial é a maior ameaça do mundo. Fala sério.

    E interessante o padre choramingar que: “Há uma grande hostilidade contra moradores de rua”. Ele tem alguma ideia do quando existe de hostilidade contra a polícia? Quem é mais útil para a sociedade? Um morador de rua ou um Policial? Não se trata de desmerecer quem mora na rua mas sim de mostrar que na escala de valor do MP e Direitos dos manos, Policiais estão abaixo não só de moradores de rua mas sim até mesmo dos ratos e das baratas. O morador de rua merece toda a proteção (Embora ninguém queria levá-lo para casa), e o policial só merece porrada no lombo. Esta na hora de abrir uma associação de defesa de Diretos Humanos de Policiais.

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  5. O referido Padre ajuda os descamisados? Sim, e muito! Mas que ele também adora defender vagabundo, isso ele adora.
    Agora, nada justifica ameaças. Mas esse Padre é muito defensor de vagabundo, e consequentemente não vai ser amado pela polícia, isso é fato!

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  6. Que se foda! o que mais tem é morador de rua noia e procurado pela justiça. Se passar o pente fino ali, verá que 90% é cadeiro. Outros 10% tem problemas psiquiátricos e estão nas ruas porque esses “jênios” dos direitos humanos defendem com unhas e dentes a lei antimanicômio, que colocou loucos a solta. Semana passada aqui em Santos um desses noias estuprou e decepou o dedo de uma moça. Detalhe: durante a temporária fugiu do DP.

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  7. Bom Dia!

    Senhoras e Senhores

    Por questões políticas discutíveis oriundas muitas vezes de uma equivocada administração onde o que mais se observa é o superficial e o vitimismo, fica muito difícil agradar a gregos e troianos.

    Essa cornubação conhecida como São Paulo por se tratar de megalópole onde de tudo acontece, acaba se transformando num palco dos horrores.

    É falta de saneamento e de logística pois se observarmos com bons olhos veremos que boa parte dos moradores que se instalam nas vias carroçais, são oriundos de outros CEPs do território nacional.

    E devido a isso, grande parte do problema social de um modo geral, acaba fluindo e se direcionando de pequenos povoados para os grandes centros e isso acaba deturpando a harmonia da sociedade.

    Ao invés de fazerem uma política social séria nos pequenos centros, muitos acabam preferindo optar pela exportação do problema.

    Chego a pensar que em certos casos e épocas podem estarem sendo orquestrados por mentes maquiavélica com propósitos duvidosos e bem negativos.

    É extremamente fácil conduzir rebanho dócil, basta apenasmente estender a mão e oferecer algumas migalhas. Sabemos que dentre os vivos deste rebanho, existem os “mais vivos” que são os fazedores de intrigas e até eventuais formadores de opiniões que adoram deturpar situações para proveito próprio encima de inúmeras almas miseráveis.

    Devemos nesta hora saber diferenciar o joio do trigo, pois se assim não for feito seguramente acabaremos expostos a situações constrangedoras e negativas.

    Muitas vezes o(s) orquestrante(s) destas nefastas sinfonias nunca aparecem para assumir a autoria, pois adoram segurar as rédeas do destino e dos envolvidos no completo anonimato.

    E a caravana vai passando defecando na cabeça dos desavisados e dos despreparados.

    O profissional antes de mais nada há de ser um excelente psicólogo e extrategista para poder discernir no momento certo de onde vem o tiro. É no clamor das emoções que surge as intempéries. O profissional há que ser tarimbado e ter bom jogo de cintura para se desvencilhar destas areias movediças.

    Caronte

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