Mais do que falta de decoro: Bolsonaro é boçal e covarde…O cagalhão vomita ofensas e provocações confiando nos seguranças armados 6

Falta de decoro

Bolsonaro transformou sua retórica inflamada e muitas vezes ofensiva em uma marca pessoal, vista por seus apoiadores como sinal de sua “autenticidade” como político 

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 03h00

O presidente Jair Bolsonaro faltou com o decoro necessário para o exercício do cargo ao reagir raivosamente ao noticiário sobre as suspeitas envolvendo seu filho Flávio.

Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro, sob aplausos dos simpatizantes que ali estavam, ofendeu jornalistas que o questionaram, acusou sem provas o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, de manipular o caso para prejudicá-lo e insinuou que o juiz do processo tem interesse em fazer as vontades do governador, já que uma filha do magistrado é funcionária do Estado.

A reação truculenta do presidente surpreendeu mesmo aqueles que acompanharam sua trajetória política até aqui e testemunharam seu destempero em diversas ocasiões.

É fato que Bolsonaro transformou sua retórica inflamada e muitas vezes ofensiva em uma marca pessoal, vista por seus apoiadores como sinal de sua “autenticidade” como político, destacando-se dos demais por ter a coragem de dizer em voz alta, em público, o que os demais não sussurram nem quando estão sozinhos. Foi dessa maneira que Bolsonaro construiu a imagem de um outsider político, a despeito do fato de estar na política há três décadas.

Também é fato que Bolsonaro, desde que assumiu a Presidência, costuma recorrer à agressividade sempre que precisa mobilizar a militância bolsonarista para intimidar adversários políticos. A esta altura está claro que Bolsonaro não conhece outras formas de fazer política.

No entanto, o que se testemunhou ontem à saída do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, foi muito além do tolerável até para o grosseiro padrão do bolsonarismo. Já seria indecoroso mesmo se Bolsonaro fosse apenas um deputado federal do baixo clero; como presidente da República, tal comportamento envergonha os cidadãos e enxovalha o País.

Nada justifica que o presidente tenha se dirigido a jornalistas da forma como fez, com ofensas ginasianas a respeito da sexualidade de um repórter e do comportamento da mãe de outro. Que Bolsonaro tem dificuldades em lidar com a imprensa já está claro a esta altura – e não é o primeiro nem, provavelmente, será o último presidente a ter rusgas com jornalistas e veículos. Tampouco é segredo que Bolsonaro antagoniza a imprensa com o objetivo de desmoralizar o noticiário que lhe é desfavorável – e isso também não é novidade no mundo da política. Desta vez, porém, não há cálculo político que desculpe ou relativize o tom de Bolsonaro, próprio de arruaceiros que chamam desafetos para uma briga de rua.

Ao agir dessa maneira, Bolsonaro não apenas se apequena como presidente, como dá a entender que está acuado diante das suspeitas que recaem sobre seu filho Flávio – o senador teria se beneficiado de esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O caso todo ainda tem muitos pontos obscuros e é preciso aguardar que a polícia e o Ministério Público concluam seu trabalho e os tribunais punam quem deve ser punido, quando for a hora. No momento, o interesse no caso é basicamente político, com potencial para prejudicar o presidente – razão pela qual Bolsonaro faria bem se tratasse o noticiário com a maior discrição possível, pois é preciso preservar a Presidência, da qual depende a governabilidade do País.

Mas o presidente parece simplesmente incapaz de se comportar de acordo com o cargo que ocupa e de compreender que esses maus modos, ao criar atritos e cizânias, podem prejudicar a recuperação do País justamente no momento em que se verificam bons sinais na economia.

O decoro no exercício da Presidência não é um capricho; é, antes, a consciência da responsabilidade – e dos limites – de quem conduz os rumos da nação, como chefe de Estado e de governo. Não é qualquer um que pode ocupar a cadeira presidencial, por mais que o atual presidente queira apresentar-se como um homem comum. A deferência ao cargo de presidente da República é, antes de mais nada, deferência à própria noção de República, em que todos devem se submeter à lei – e mesmo a mais alta autoridade do País não pode fazer ou dizer o que lhe dá na cabeça. Honestidade e compostura devem emanar da cadeira presidencial.

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,falta-de-decoro,70003133136

  1. Jair Bolsonaro é destemperado. A Imprensa sabe perfeitamente disso; aliás, até as pedras sabem. Então, provocam ele com insinuações e perguntas idiotas (senão criminosas), e as respostas do presidente, por si só, viram notícias. Marielle foi assassinada? Sim. Por que? Ninguém sabe, afinal de contas, apesar de ativista em diversas causas, ela, quando ainda viva, não tinha essa importância toda. O presidente a matou? Ou de alguma forma participou efetivamente? A Polícia Civil “acha” que participou. Mas, com a credibilidade que tem – que é nenhuma – quem vai querer saber o que pensa a Polícia do Rio, além da Imprensa? E perguntado se participou, Bolsonaro responde: “Eu não; mas sua mãe sim”. Pronto! Ele afirmar que a mãe do repórter participou, já é prova de que ele sabe quem participou e, portanto, também está envolvido. Pobre Brasil, com essa Imprensa e esse Presidente!!!…

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    • Dr. TOVANI,

      Jair Bolsonaro não é destemperado – com todo o respeito que tenho pela sua exuberante experiência e cultura geral – é calculista; de tal sorete a beirar a psicopatia…Felizmente é um psicopata burro!

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  2. Meu Caro Dr. GUERRA,

    Este momento, para mim, não é de réplica ao seu comentário acima, ainda que eu tivesse argumentos para fazê-lo (e não tenho), e sim momento para agradecer-lhe o espaço diversas vezes concedido durantes esses muitos anos que venho participando, e oportunidade também – e principalmente – para desejar-lhe, E A TODOS OS DEMAIS FLITEIROS, INDISTINTAMENTE, os meus votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo, extensivos às Famílias.

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  3. Se não fosse trágico as falas do presidente seriam cômicas.
    Qual ser a próxima pérola do presidente?
    O cara é doido de pedra, fala o que dá na telha, pra mim isso é bom, falar sem pensar uma horas soltará algo que todos juristas, repórteres e opositores querem.

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  4. Primeiro, parece-me que a observação inicial está mais para uma ameaça! Segundo, vamos falar claro: por quê o impeachment de Bolsonaro ainda não foi encaminhado? Motivos não faltam!

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