Mudamos nome do Departamento, mudamos os ternos e mudamos Diretor , só não mudamos a antiga maracutaia: DOPE continua vendendo segurança VIP!…Por que a viatura não fica em Paraisópolis cuidando do povão? 26

Policiais de SP usam viatura oficial para fazer segurança privada do Villa Country

Prática é considerada irregular e pode provocar punições; Segurança Pública diz que investigará caso

SÃO PAULO

A viatura do grupo de operações especiais da Polícia Civil de São Paulo estaciona na avenida Francisco Matarazzo, na Água Branca, zona oeste da capital, na altura do número 774. Curiosos param para acompanhar a movimentação, atraídos pelo luminoso ligado, mas, como o tempo passa e nada acontece, desistem e voltam a cuidar da própria vida. O carro policial continua parado por lá, noite adentro.

Aquilo que poderia parecer, em um primeiro momento, uma ação de combate ao crime organizado ou estouro de cativeiro de algum sequestro revela-se, porém, uma prática comum —e possivelmente irregular— naquele endereço: policiais civis supostamente prestando segurança privada, com veículos oficiais, à casa de shows Villa Country.

viaturas no Villa Country
Viatura de polícia parada em frente à casa de shows Villa Country, na zona oeste de São Paulo – Rogério Pagnan/Folhapress

A cena descrita acima é do último dia 12 de dezembro, mas ocorreu também ao menos nos dias 30 de novembro, 1º e 8 de dezembro, conforme registros fotográficos feitos pela reportagem. Todos os veículos flagrados pertenciam ao Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas), grupo recém-criado pela gestão Doria, e estavam estacionados sobre a calçada.

Segundo comerciantes da região, taxistas do entorno e funcionários do Villa Country ouvidos pela reportagem, a presença de policiais naquele local é antiga e rotineira. Sempre com viaturas, eles permanecem estacionados do lado externo, geralmente de quinta a domingo, das 22h às 5h –no horário de funcionamento tradicional.

Uma funcionária da casa disse à Folha que a presença de policiais civis do lado externo ajuda a inibir brigas de pessoas embriagadas no encerramento dos shows. Ela disse ainda que a parceria entre Villa Country e os policiais civis não deveria ser um jabá, “como o povo de padaria faz”, mas algo muito maior.

Comerciantes e taxistas afirmam que a presença de policiais civis no Villa Country se deve à suposta ligação dos donos da casa com delegados de polícia, que participariam inclusive da organização da segurança, mas não citaram nenhum nome específico.

Integrantes do Ministério Público de São Paulo ouvidos pela reportagem afirmaram que, se for confirmada a segurança privada por agentes públicos, com equipamentos oficiais do Estado, os responsáveis podem ser processados por improbidade administrativa e responderem também a processo administrativo disciplinar, que pode levar até a demissão.

Diz, também, se houver omissão em relação a eventuais crimes cometidos na casa, também poderão responder por isso. Em agosto, uma frequentadora alegou ter sido agredida dentro da casa. O Procon-SP acionou os responsáveis para pedir explicações.

O advogado José Jerônimo Nogueira de Lima, especialista em direito administrativo, disse que a prática pode, de fato, configurar uma irregularidade. “Se você está destinando um carro [de polícia] para um empresário, obviamente você está tirando de um lugar que precisa mais. Você mexe com todo um esquema de interesse público, de estratégia que eventualmente a polícia tenha, para beneficiar um particular que pagou por aquilo”, disse ele.

“Você vai excluir da segurança pública uma série de pessoas vulneráveis que não têm condições de pagar por ela, se você transformar isso em serviço. Isso é uma política pública, que você não pode vender, terceirizar, privatizar, porque você vai excluir uma massa que não pode pagar por isso”, disse.

O advogado afirma, ainda, que até mesmo os sócios da casa noturna podem ser responsabilizados em ação cível pública e obrigados a ressarcirem os cofres públicos.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública informou que o Dope, da Polícia Civil, “apura o ocorrido para tomar as providências cabíveis”.

“Eventuais denúncias sobre irregularidades ou condutas inapropriadas envolvendo agentes de segurança do estado podem ser registradas nas respectivas corregedorias, a fim de que sejam investigadas e os envolvidos, se necessário, devidamente responsabilizados.”

Folha encaminhou à Segurança Pública os números das placas das viaturas vistas pela reportagem em frente ao Villa Country e os dias específicos que isso ocorreu, para que fosse informada a situação dos veículos, se estavam em missão oficial ou clandestina. A resposta não foi, porém, fornecida. Também não foi respondido se a casa de shows tem, eventualmente, algum convênio com a Segurança Pública.

Para membros da Promotoria, um convênio assim seria ilegal.

A reportagem também encaminhou à assessoria do Dope imagens da viatura acima, incluindo um vídeo feito, para confirmar se tratar de veículo oficial ou, eventual dublê criminoso. A informação é de que não há indícios, por ora, de que seja uma viatura falsa.

Integrantes da Polícia Civil ouvidos pela reportagem afirmaram que a cúpula da instituição tem um projeto em andamento para colocar rastreadores em todas as viaturas, justamente para conseguir evitar o uso indevido de veículos. Atualmente, segundo eles, os chefes de departamento têm dificuldades para conseguir vigiar toda a frota e coibir de maneira eficaz eventuais desvios.

Por essa versão, integrantes da chefia do departamento não teriam conhecimento do que vinha ocorrendo no Villa Country.

Segundo a Folha apurou, o governo paulista deve receber uma doação de equipamentos com GPS, prontos para serem instalados nas viaturas da Polícia Civil. Os veículos da Polícia Militar já possuem o serviço.

A direção do Villa Country foi procurada para comentar o assunto. A assessoria de imprensa da casa foi contatada na última quarta-feira (18), quando o teor da matéria for informado.

A assessoria alegou que só poderia responder aos questionamentos no dia seguinte, nesta quinta (19). Ao final do prazo acordado, porém, ela foi procurada novamente, mas não quis se manifestar.


Obviamente , a viatura oficial fica por lá para dar suporte ao serviço de segurança privada prestado por delegados e policiais falso honestos!

E ainda estacionam a nave na calçada como se fossem os donos do mundo!

Quero ver a imparcial Corregedoria Geral  adotar efetivas providências para extirpar e punir os beneficiários desse esquema nefasto! 

Jabá de padaria ? 

Não! 

Neste caso a paga não é com coxinhas…

A gratificação –  material, funcional  ou moral  –  é muito boa; a exploração de prestígio mais gratificante ainda!

Visita de um profeta – O funesto avisou: ‘Sou o fantasma do Brasil futuro’ 6

Visita de um profeta

O funesto avisou: ‘Sou o fantasma do Brasil futuro’

Rogério Cezar de Cerqueira Leite

Era uma noite escura, sem lua, sem estrelas. Sem o canto dos grilos e sem o coaxar das rãs. Um silêncio absoluto, de som e de luz. Foi quando, subitamente, notei à porta uma silhueta sinistra, um vulto agourento. Sem rosto, sem ruído, sem forma. Lembrei-me de Edgar Allan Poe, de Machado de Assis e da visita perpétua do corvo profeta.

Ousei, vacilante, interpelar a lúgubre figura: “Quem sois?”. A resposta veio prontamente: “Sou o fantasma do Brasil futuro”. E depois de um momento de angústia e de perplexidade, que se aliavam à minha fragilidade, continuou: “Você já gastou uma das sete perguntas a que tem direito. Sete, pois sete foram as pragas do Egito”. E lá ficou o profeta, rígido, imóvel, até que tive a coragem de fazer-lhe a segunda pergunta: “A que viestes, qual é tua missão?”. Com o que, com voz rouca e soturna, me respondeu: “Aqui venho para dispor os lastros do retorno a tempos imemoriais, a volta ao passado primevo do homem, a redução do humanismo ao imperativo biológico”.

O físico e professor emérito da Unicamp Rogério Cezar de Cerqueira Leite, membro do Conselho Editorial da Folha – Keiny Andrade – 29.mar.17/Folhapress

Fiquei estarrecido. Mudo por minutos. Seria possível? Enfim, seria o anjo exterminador? Ou coisa pior ainda? Não obstante, criei coragem e continuei com a terceira pergunta: “Mas senhor, qual a sua estratégia? Como pode pensar em ganhar tão difícil batalha, derrotar a civilização?”. Responde o espectro funesto: “Avanço sorrateiro, ambivalente, com pele de cordeiro. Aos poucos substituo a razão pela religião, a liberdade pela disciplina, a ética pela censura, a universidade pela escola militar, o pensador e o filósofo pelo obtuso e oportunista, a decência pela conivência”.

Que bom seria se alguma coisa acontecesse e me tirasse desse embaraço, desse torpor. Um relâmpago, um latido de cão solitário seria suficiente. Mas não, o silêncio era absoluto. Então, sem saída, ensaio a quarta pergunta: “Mas com que forças o senhor conta para ter sucesso nessa guerra de extermínio?”.

“Ora”, diz o fantasmagórico profeta, “Napoleão já dizia: ‘Quanto pior o homem, melhor o soldado’. Pois bem, quanto mais ignorante o crente, mais útil o energúmeno. Temos um exército de fanáticos e de oportunistas. Além disso, temos vários psicopatas e fundamentalistas inseridos em posições essenciais de governança do país. Temos meios para cooptar membros vorazes de nossas forças guerreiras, e com isso garantir “mudanças pacíficas”.

Atrevi-me então a formular a quinta questão: “O senhor não estaria esquecendo a reação das instituições brasileiras, dos intelectuais, da elite empresarial?”. Pela primeira vez vi os olhos de meu interlocutor brilharem. Respondeu-me em tom irônico: “Ora, que intelectual arriscaria sua mesada, seu fim de semana na praia, pelo bem de seu país? Que instituição, que grupo empresarial abdicaria das benesses que premiam a conivência? Congressistas se vendem às pencas por “ementas”, ou melhor, por quireras de poder. Juízes são nada mais que vaidade e ostentação. Basta dar-lhes espelhos e tempo de televisão”.

Eu já me sentia derrotado. Arrisquei então a sexta e penúltima pergunta, um pouco ingênua, por certo: “Qual é a sua utopia, o seu sonho?”. Pela primeira vez senti uma nuvem de constrangimento no fantasma: “Quem precisa de utopia, de sonho e de consciência?”, disse ele. “Só os fracos, os artistas, os poetas, os inúteis. Para nós, os poderosos, basta o capital”, completou.

Chegou então o momento crucial. Criei coragem. Titubeando, a voz trêmula, insegura. Inquiri: “Profeta ou fantasma, ou o que quer que sejas, diga: quando voltarás para a noite que negrejas?”.

E a resposta veio aterradora: “Nunca, nunca mais!”

Rogério Cezar de Cerqueira Leite

Físico, professor emérito da Unicamp, membro do Conselho Editorial da Folha e presidente do Conselho de Administração do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais)

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/12/visita-de-um-profeta.shtml

Mais do que falta de decoro: Bolsonaro é boçal e covarde…O cagalhão vomita ofensas e provocações confiando nos seguranças armados 6

Falta de decoro

Bolsonaro transformou sua retórica inflamada e muitas vezes ofensiva em uma marca pessoal, vista por seus apoiadores como sinal de sua “autenticidade” como político 

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 03h00

O presidente Jair Bolsonaro faltou com o decoro necessário para o exercício do cargo ao reagir raivosamente ao noticiário sobre as suspeitas envolvendo seu filho Flávio.

Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro, sob aplausos dos simpatizantes que ali estavam, ofendeu jornalistas que o questionaram, acusou sem provas o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, de manipular o caso para prejudicá-lo e insinuou que o juiz do processo tem interesse em fazer as vontades do governador, já que uma filha do magistrado é funcionária do Estado.

A reação truculenta do presidente surpreendeu mesmo aqueles que acompanharam sua trajetória política até aqui e testemunharam seu destempero em diversas ocasiões.

É fato que Bolsonaro transformou sua retórica inflamada e muitas vezes ofensiva em uma marca pessoal, vista por seus apoiadores como sinal de sua “autenticidade” como político, destacando-se dos demais por ter a coragem de dizer em voz alta, em público, o que os demais não sussurram nem quando estão sozinhos. Foi dessa maneira que Bolsonaro construiu a imagem de um outsider político, a despeito do fato de estar na política há três décadas.

Também é fato que Bolsonaro, desde que assumiu a Presidência, costuma recorrer à agressividade sempre que precisa mobilizar a militância bolsonarista para intimidar adversários políticos. A esta altura está claro que Bolsonaro não conhece outras formas de fazer política.

No entanto, o que se testemunhou ontem à saída do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, foi muito além do tolerável até para o grosseiro padrão do bolsonarismo. Já seria indecoroso mesmo se Bolsonaro fosse apenas um deputado federal do baixo clero; como presidente da República, tal comportamento envergonha os cidadãos e enxovalha o País.

Nada justifica que o presidente tenha se dirigido a jornalistas da forma como fez, com ofensas ginasianas a respeito da sexualidade de um repórter e do comportamento da mãe de outro. Que Bolsonaro tem dificuldades em lidar com a imprensa já está claro a esta altura – e não é o primeiro nem, provavelmente, será o último presidente a ter rusgas com jornalistas e veículos. Tampouco é segredo que Bolsonaro antagoniza a imprensa com o objetivo de desmoralizar o noticiário que lhe é desfavorável – e isso também não é novidade no mundo da política. Desta vez, porém, não há cálculo político que desculpe ou relativize o tom de Bolsonaro, próprio de arruaceiros que chamam desafetos para uma briga de rua.

Ao agir dessa maneira, Bolsonaro não apenas se apequena como presidente, como dá a entender que está acuado diante das suspeitas que recaem sobre seu filho Flávio – o senador teria se beneficiado de esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O caso todo ainda tem muitos pontos obscuros e é preciso aguardar que a polícia e o Ministério Público concluam seu trabalho e os tribunais punam quem deve ser punido, quando for a hora. No momento, o interesse no caso é basicamente político, com potencial para prejudicar o presidente – razão pela qual Bolsonaro faria bem se tratasse o noticiário com a maior discrição possível, pois é preciso preservar a Presidência, da qual depende a governabilidade do País.

Mas o presidente parece simplesmente incapaz de se comportar de acordo com o cargo que ocupa e de compreender que esses maus modos, ao criar atritos e cizânias, podem prejudicar a recuperação do País justamente no momento em que se verificam bons sinais na economia.

O decoro no exercício da Presidência não é um capricho; é, antes, a consciência da responsabilidade – e dos limites – de quem conduz os rumos da nação, como chefe de Estado e de governo. Não é qualquer um que pode ocupar a cadeira presidencial, por mais que o atual presidente queira apresentar-se como um homem comum. A deferência ao cargo de presidente da República é, antes de mais nada, deferência à própria noção de República, em que todos devem se submeter à lei – e mesmo a mais alta autoridade do País não pode fazer ou dizer o que lhe dá na cabeça. Honestidade e compostura devem emanar da cadeira presidencial.

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,falta-de-decoro,70003133136

Luis Nassif: Polícia já tem certeza do envolvimento de Bolsonaro no assassinato de Marielle 5

Luis Nassif: Polícia já tem certeza do envolvimento de Bolsonaro no assassinato de Marielle

Bastante irritado, Bolsonaro falou do caso nesta quinta-feira (19) quando indagado sobre o esquema de corrupção comandado pelo filho, Flávio. “Se alguém quisesse matar a Marielle… Vamos dizer, se o João quisesse matar a Marielle no Rio, ele ia estar em Roraima naquele dia, pra dizer que não estava lá, pô”

Marielle Franco (Reprodução)

O jornalista Luis Nassif, do Jornal GGN, divulgou um nota na noite desta quinta-feira (20) em seu site dizendo que a polícia do Rio de Janeiro já tem certeza que Jair Bolsonaro está envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

“Nas investigações sobre a morte de Marielle, a Polícia Civil do Rio de Janeiro firmou convicção sobre o profundo envolvimento de Jair Bolsonaro no episódio”, afirma Nassif.

Segundo o jornalista, no entanto, não há clareza do que teria motivado a participação do presidente no crime. “A hipótese levantada pelo GGN – de comprometer a intervenção federal – é uma das possibilidades de investigação. Mas especulam-se sobre outras”.

Bastante irritado, Bolsonaro usou as acusações ligando seu nome ao crime nesta quinta-feira (19) quando perguntado por jornalistas sobre o esquema de corrupção liderado pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (ex-PSL-RJ) quando foi deputado estadual no Rio.

“Apresentei que naquele dia e naquela hora eu estava aqui em Brasília, porque tinha no painel eletrônico, que foi justamente o caso Marielle. Querem achar que eu estou no caso Marielle, uma quarta-feira, onde 40 minutos depois da ligação do porteiro, que não foi pra minha casa, eu estava em Brasília”, afirmou, ficando ainda mais irritado.

“Se alguém quisesse matar a Marielle… Vamos dizer, se o João quisesse matar a Marielle no Rio, ele ia estar em Roraima naquele dia, pra dizer que não estava lá, pô”.

A Polícia do Rio já tem certeza do envolvimento de Bolsonaro com a morte de Marielle