Após reportagem da Ponte, Corregedoria investiga vazamento de dados de PMs 11

PONTE JORNALISMO

18/10/19 por Arthur Stabile

Reportagem revelou acesso de traficantes a informações pessoais de policiais e localização em tempo real das viaturas

Corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes define o caso como uma ‘porta aberta’ e não hackeamento do sistema da PM | Foto: Mariana Ferrari/Ponte Jornalismo

A Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo abriu investigação para apurar o vazamento de informações do Copom Online, sistema de dados em tempo real da corporação. Reportagem da Ponte denunciou nesta sexta-feira (18/10) que traficantes teriam tido acesso ao sistema, conforme denúncia de PMs que mostram em vídeo o celular de um suspeito com login para a ferramenta.

Em vídeo, um PM mostra o celular de um homem com as informações pessoas de outros policiais e o posicionamento exato em que estão no patrulhamento. “Só para complementar aí, você, polícia, que acha que tá seguro, os ‘malas’ [gíria policial para se referir a suspeitos] tá vendo aí todas as nossas informações online, mostrando polícia, viatura e equipe”, fala o policial que identificou o vazamento das informações.

De acordo com o coronel Marcelino Fernandes, corregedor da PM paulista, um cabo foi identificado como dono do acesso utilizado pelo rapaz cujo celular foi vistoriado, sem autorização judicial, pelos policiais. Até o momento, ele figura como averiguado no inquérito aberto por garantir não ter repassado o acesso para outras pessoas. A apuração durará 40 dias.

O rapaz detido com o celular explicou à Polícia Civil que obteve o acesso em uma conversa com um policial pelo chat do videogame PlayStation 4. Nela, ele explica que o PM ofereceu o login e senha por R$ 4 mil e era para o jovem conseguir um comprador, conforme informado por Fernandes.

Na Corregedoria, constatou-se que o policial identificado como dono do login ocupa a patente de cabo, cujo acesso possível no sistema Copom Online é de grau 2 em uma escala que vai até a 5. O último estágio é acessado pela mais alta patente, como o próprio corregedor da PM, para averiguar irregularidades que podem ser cometidas pelos policiais. Apesar de ter acesso grau 2 pelo seu cargo, o acesso do PM encontrado no celular do suspeito era de nível 4, disponível apenas para oficiais superiores.

“Existem três possibilidades: o policial pode ser vítima de um aplicativo malicioso que a pessoa manda para o seu celular e rouba a sua senha; a segunda é que outro PM pode ter pego senha desse policial identificado na máquina dele e vendido, e a terceira, desse policial estar, de fato, envolvido”, explica Marcelino em conversa com a Ponte.

O caso está sendo investigado tanto pela Corregedoria da PM quanto pela 4ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Fraudes Patrimoniais por Meios Eletrônicos, do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). Haverá perícia do vídeo-game PS4 e celular do rapaz.

Marcelino explica que o sistema Copom Online serve para o policial militar de São Paulo acessar sua escala de serviço, o holerite e e-mail, além de fazer serviços conectado ao tablet da viatura, como consultar placa de veículos suspeitos. Para superiores, os dados servem para localizar onde as viaturas devem ir e se os policiais estão, ou não, no local definido para trabalho, seja patrulhamento rotineiro ou dentro de um atendimento de ocorrência.

“A senha foi cancelada imediatamente. Consegue saber com a perícia quantas vezes foi logado, quem logou, quando logou, em qual máquina. Temos uma investigação cibernética para fazer, além da extração de dados dos aparelhos”, aponta. “É uma fiscalização se os PMs estão cumprindo o itinerário de policiamento. Imagina isso do outro lado: diante de informações, o marginal pode ver que área está com menos policiamento. Onde o policial trabalha, qual dia do seu turno… É importante para segurança do policiamento. Por isso se tornou um ilícito preocupante de sigilo profissional”, descreve.

O corregedor cita que há um caso anterior a esse de acesso irregular ao Copom Online constatado pela PM: em 2017, quando um policial participava de roubo a carga e era o encarregado na quadrilha de informar a posição exata da polícia. “Não existe sistema inviolável, mas mostra que não foi violado: a porta que foi aberta. É que nem se você passar a senha do banco para outra pessoa”, exemplifica o coronel.

Print de um dos vídeos feitos pelos PMs que mostra dados confidenciais da PM no celular de um suspeito | Foto: Reprodução

O exemplo dado pelo corregedor é o mesmo do secretário adjunto Coronel Camilo, que faz o intermédio do comando da PM, cargo ocupado pelo coronel Marcelo Vieira Salles, com o secretario da segurança pública, coronel João Camilo Pires de Campos. “Foi a utilização indevida de uma senha, um rapaz apresentou um celular com uma senha. Todos os policiais podem acessar, o policial já foi identificado, levado à Corregedoria e está sendo aberto inquérito para ver porque houve vazamento da senha”, diz Camilo, em entrevista para a Rádio CBN.

Segundo o secretário adjunto, “não houve vazamento em nenhum dos sistemas da Polícia Militar, o que houve foi a utilização indevida de uma senha de um policia”. “As senhas são fornecidas para os policiais acessarem os sistemas inteligentes da polícia, isso é natural. Em algum momento esse policial, agora está sendo apurado, como que deixou que a senha dele chegasse ao rapaz”, sustenta o secretário.

A reportagem procurou a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), mas até o momento não obteve um posicionamento oficial. A Ponte enviou as seguintes perguntas para a SSP:

Há alguma investigação interna ou externa sobre o ocorrido?
O PM que teria vendido essas informações sofrerá alguma sanção?
É possível garantir a segurança dos PMs?
Mesmo com a vulnerabilidade diante das informações expostas, como garantir a segurança das informações daqui para frente?

Após reportagem da Ponte, Corregedoria investiga vazamento de dados de PMs

João Doria inaugura em São Bernardo do Campo o primeiro Centro de Operações Integradas da Polícia Civil e Polícia Militar – COI 164

Governo inaugura Centro de Operações Integradas de São Bernardo do Campo

Espaço abrigará unidades das Polícias Civil e Militar, além da Guarda Civil Metropolitana

 Do Portal do Governo

resumo em 3 tópicos

  • Unidade é a primeira do Estado de SP a integrar serviços das Polícias Civil e Militar
  • Foram investidos R$ 2 milhões no projeto, que incluiu a reforma, aquisição de materiais e contratação de funcionários
  • Local funcionará 24 horas e proporcionará mais agilidade no atendimento ao cidadão

O Governador João Doria inaugurou na última  terça-feira (15) o Centro de Operações Integradas (COI) de São Bernardo do Campo. A unidade abrigará o 6° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), a primeira Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic), a Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso (DPPI) e a Guarda Civil Metropolitana (GCM).

“Esta é a primeira unidade completa do Estado de São Paulo. Polícia Civil e Polícia Militar juntas e atuando como deve ser. Poucos passos entre a inteligência das polícias. A ação integrada vai permitir uma ação mais eficiente e rápida da polícia”, disse Doria. O COI está localizado na Rua Redenção, 271, no Jardim do Mar.

Ao todo, foram investidos R$ 2 milhões para a viabilização do projeto, que incluiu a reforma do espaço, a aquisição de materiais e a contratação de funcionários. Parte dos recursos foi viabilizada pela iniciativa privada (R$ 1 milhão pela concessionária Ecovias) e o restante pelo município.

“Criamos um espaço excepcional para as operações integradas e racionalização esforços. É vamos proporcionar, cada vez mais e melhor, a proteção da população e do patrimônio, dos sonhos e das esperanças das pessoas”, afirmou o Secretário da Segurança Pública, General João Camilo Pires de Campos.

A estrutura, que tem 1,9 mil metros quadrados, funcionará 24 horas, integrando ações de segurança de todos os órgãos e proporcionando mais agilidade na proteção ao cidadão.

Baep

O prédio será a sede do 6º Baep, inaugurado em abril deste ano para combater o crime de maneira mais ostensiva em toda a região do ABC Paulista. Atuando de forma semelhante aos padrões do policiamento de Choque, a unidade conta com de 286 PMs com apoio de 38 viaturas. Atualmente, existem nove Baeps em funcionamento no Estado.

Além de São Bernardo, os Baeps estão instalados em Campinas, Santos, São José dos Campos, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Barueri e zonas leste e central da Capital. Os nove batalhões, de janeiro a agosto deste ano, detiveram 3,6 mil pessoas, além de apreender 421 armas e 4,3 toneladas de drogas.

Deic

A região do ABC Paulista será a primeira a receber uma sede regional da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic). A unidade vai integrar as ações da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do setor Homicídios e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) da cidade, que passará a se chamar Grupo de Operações Especiais (GOE).

A especializada será subordinada à Delegacia Seccional do município e contará com um efetivo de 75 policiais civis, sendo quatro delegados, quatro escrivães, 49 investigadores, 14 agentes policiais, três carcereiros e um agente de telecomunicações. A delegacia também terá uma frota de 44 viaturas para apoiar os trabalhos.

Com a criação da unidade, será possível otimizar o efetivo e realizar operações conjuntas, em especial com o Baep, beneficiando moradores de toda região.

Delegacia do Idoso

No COI também funcionará o DPPI de São Bernardo do Campo. Além da economia – a especializada funcionava em um prédio alugado -, a mudança traz maior comodidade aos idosos, pois o novo endereço é mais próximo de um Centro de Referência do Idoso (CRI) – projeto municipal de assistência que dispõe de serviço social e atividades recreativas voltadas a este público – e também de terminais de ônibus e Poupatempo.

Na unidade são atendidos, preferencialmente, crimes com vítimas com idades igual ou superior a 60 anos, de acordo com o previsto no Estatuto do Idoso e no Código Penal e Lei de Contravenções Penais – nos últimos dois casos, quando houver violência contra o idoso.

A criação de uma delegacia especializada voltada ao atendimento da pessoa idosa se deve pelo fato deste público necessitar de um acolhimento diferenciado e estruturado. As equipes policiais que atuam em DPPIs são especialmente selecionadas com base no perfil do público a ser atendido, com o objetivo de humanizar o atendimento.