Pesquisa demostra que PMs são culturalmente inferiores em relação aos policiais Civis e Federais; disso – pior formação intelectual – resulta tanto ódio pelos diferentes e esse amor apaixonado por Bolsonaro…Diga-se, “amor de corno manso”! 12

PMs amam Bolsonaro e sertanejo tanto quanto odeiam LGBTs, mostra pesquisa

07/08/20 por Caê Vasconcelos – Ponte Jornalismo

Para Dennis Pacheco, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dados demonstram a “subcultura das ruas e do cotidiano policial”

PMs posam para foto com bolsonarista em manifestação pró-Bolsonaro, em 1 de outubro em 2018 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Fãs de sertanejo, apoiadores de Bolsonaro e odiadores da população LGBT+. Esse é o perfil de parte dos policiais militares brasileiros. Quem mostra isso é o estudo “Política e fé entre os policiais militares, civis e federais“, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a empresa de inteligência de dados Decode Pulse, que analisou interações públicas de perfis de policiais militares, policiais civis e policiais federais no Facebook.

Confira os primeiros resultados da pesquisa

Os pesquisadores usaram informações dos portais de transparência dos estados e da União para chegar em 885.730 policiais da ativa ou aposentados. A partir daí, localizaram 141.717 perfis de policiais no Facebook, dos quais sortearam 879 contas. Ao todo, foram analisadas 2.893.101 menções relacionadas à segurança pública no Facebook entre janeiro e junho de 2020.

Dennis Pacheco, pesquisador do FBSP, explica que o ponto central das mensagens é a pauta anti-LGBT, seguida pelos elogios ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ambos os discursos são mais presentes entre policiais militares do que entre policiais civis ou federais.

Leia também: Violência contra protesto antifascista mostra de que lado a PM está

No total dos cargos mapeados, 69,2% eram de praças (soldados, cabos e sargentos). Dentro da corporação da Polícia Militar também há diferenças: o ódio aos LGBTs e o apoio ao presidente estão mais presentes nos praças: 92% do total de comentários contrários às pautas LGBTI foram feitos eles. Cerca de 41% desses PMs interagem com grupos bolsonaristas.

O apoio maciço da PM ao presidente Jair Bolsonaro não se reflete da mesma foram em outras grupos policiais. A maior ausência nesses grupos está entre os delegados da Polícia Civil: 93%. Cerca de 90% dos policiais civis de outras carreiras também não estão presentes em grupos bolsonaristas.

Entre os oficiais da PM, 65% não interagem em ambientes bolsonaristas. Entre membros da Polícia Federal, 88% dos delegados não estão em grupos bolsonaristas e 87% dos demais cargos também estão fora desses ambientes.

O ódio contra LGBTs também é menor entre policiais civis e policiais federais. Entre os policiais civis, apenas 5% deles está em ambientes bolsonaristas radicais contrários às pautas LGBTs. Entre os policiais federais não há qualquer tipo de interação contrária a esses grupos.

Nos ambientes bolsonaristas, a análise foi feita de duas formas: bolsonaristas, grupo com participação expressiva de seguidores de páginas relacionadas a políticos de direita, e bolsonaristas radicais, grupo com participação expressiva de páginas declaradas de fãs e militantes do presidente Bolsonaro.

“A baixa aceitação da institucionalidade democrática é o que mais preocupa, porque acarreta posicionamentos dos policiais mais alinhados a uma ideologia conservadora e tradicionalista do que a cadeia de comando. E isso é o que mais assusta, já que estamos falando em uma força de 700 mil pessoas armadas no país”, explica Pacheco.

Leia também: PMs do Rio fazem postagens com apologia à violência

Diante disso, o estudo aponta que um em cada quatro praças da Polícia Militar demonstrou adesão nas redes sociais a pautas da extrema direita, identificadas com a agenda radicalizada do governo Jair Bolsonaro.

Ponte já mostrou diversas vezes o aparelhamento da PM pela extrema direita. No período eleitoral de 2018, ficou evidente a conduta partidária da PM paulista, em que os policiais tiraram fotos com apoiadores de Bolsonaro e expulsaram jovens negros das periferias que faziam um “rolezinho” no Masp.

No mesmo ano, a Ponte contou que o coronel Marcelino Fernandes, ex-corregedor da PM, que era responsável por investigar os crimes cometidos por policiais militares até o começo de 2020, apesar de se dizer “um defensor dos direitos humanos”, era apoiador de Bolsonaro, afirmava que Brilhante Ustra não era torturador e que Brasil não teve ditadura.

Em 2020, o posicionamento político voltou com força, quando um ato antifascista foi reprimido com violência enquanto uma bolsonarista, que carregava um taco de beisebol, foi retirada com delicadeza do ato.

A Ponte também contou que, no Rio de Janeiro, policiais que atuam em uma Unidade de Polícia Pacificadora nas favelas fazem apologia à violência nas redes sociais, ostentando armas e zombando do luto de moradores nas periferias.

Entre os assuntos mais compartilhados por policiais militares, 49% são comentários sobre política institucional, 24% tratam de comentários contrários à pauta LGBT+, 14% são de temas relacionados à sociedade civil, como a pandemia e a segurança pública, e 12% são direcionados a instituições democráticas, em que aparecem majoritariamente menções ao fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).

Leia também: PM de Doria espionou policial por pedir namorado em casamento

Para Pacheco, o fato de a diversidade ter avançado ao longo do tempo, com as lutas por direitos humanos, sociais e civis dos movimentos LGBTs, negros e de mulheres “mexe muito no quanto essa visão tradicionalista era sólida, mas hoje não é mais, por isso existe esse apego muito grande a visão patriarcal de mundo”.

Um exemplo disso são os ataques sofridos pelo PM Leandro Prior, que, em 2018, foi ameaçado de morte ao ser fotografado dando um selinho no namorado. Um ano depois, em 2019, Prior foi impedido de pedir o noivo em casamento com a farda da Polícia Militar. Este ano, foi perseguido por criticar Bolsonaro nas redes sociais.

Por isso, argumenta Pacheco, não dá para dizer que a ideologia representa a militarização das polícias. “É algo muito mais da subcultura das ruas do que da estrutura da PM, do fazer polícia e do cotidiano policial. Embora estejamos falando de um número baixo, de 25%, mas é quem lida com a população”.

Uma parte da pesquisa mapeou preferências musicais e elas também apresentaram uma tendência: 34% dos PMs têm predileção por sertanejo. Na sequência, aparece o rock com 20% e o gospel com 16%. Entre os policiais civis, o sertanejo também é o estilo musical mais ouvido, cerca de 30%, seguido pelo gospel, 16%, e pela MPB, 14%. Já os policiais federais ouvem mais rock, 44%, e o sertanejo fica em segundo lugar, com 28%.

As principais bandeiras defendidas pelos policiais militares são o conservadorismo nos costumes e valores (42%), patriotismo ou nacionalismo (32%), pacifismo (11%), bandeiras religiosas (9%) e apoio a causas sociais e em defesa dos direitos humanos (6%).

Para Pacheco, esse resultado em relação ao ódio aos LGBTs, é pior em relação à população trans, que é mais criminalizada e vulnerável. “Eu como LGBT e negro não me sinto à vontade para contar com a polícia em um caso de necessidade”, confessa.

O pesquisador avalia como um “choque” a mensuração dos discursos, já que “uma coisa é você saber que as polícias têm ideologia conservadora e outra coisa é ter a mensuração nos dados”. “Muito mais importante do que combater essa visão de mundo é regulamentar a atividade policial, já que sem isso o policial acha que pode fazer o que bem entender”.

“Se você não tem uma regulamentação, o Judiciário pode dizer que foi legítima defesa, resistência ou desacato em todos os casos, o policial se torna mais potente do que qualquer direito humano ou civil na medida em que a atividade dele não requer o respeito institucional”, completa.

Apoie a Ponte!

O fato de o racismo não aparecer diretamente nessa pesquisa, avalia Pacheco, também é um indicador: dentro dessa visão de mundo, o racismo é tão naturalizado que não é necessário falar.

“Você não falar sobre o racismo é a maior arma para que o racismo continue consolidado, para que as ações policiais que se voltam especialmente contra populações negras continuem assim”, aponta.

“As ações nunca foram ditas como racismo, supostamente, sempre foram amenizadas como atitude suspeita, tráfico de drogas, estar no lugar errado, andar de certa forma. Sempre foi a criminalização da pobreza e da negritude”, finaliza.

  1. O militarismo é um sistema que não privilegia o mérito nem a capacidade de pensar. Privilegia o “sim senhor, não senhor, os regulamentos, os POPs que engessam a capacidade de pensar e ou raciocinar. Pior, isso na tropa acaba virando regra, o não pensar. Leva ao desinteresse total às atividades culturais e intelectuais.
    Resta aos PMs apenas absorvem o pensamento pronto e mandado, nada mais.
    O “sim, senhor, não senhor”, a padronização, às centenas de POPs, o ensino decoreba, ensino desatualizado, mestrado e doutorado feitos em 6 meses, marchar, etc.
    Salvo algumas e raras exceções (ficam pouco tempo na PM e saem para outros concursos), a grande maioria dos PMs, até para sobreviver dentro do sistema, entregam-se ao “sim senhor, não senhor”.
    O “militarismo” deixa ignorante mesmo.
    É fato!

    Curtir

    • Concordo em partes. Na hora de sua folga vossa nobreza fuma charutos e escuta Mozart?! O problema é que os PC se acham mais inteligentes devido a complexidade do concurso ser maior (FATO, realmente as provas da PC estão difíceis)…mas amigão dentro da PM tem muito Mike inteligente, pai de família, que até gostaria de ir para outro concurso e tem capacidade pra isso, porém os mesmos estão no famoso “ciclo do rato” …(aquela rodinha de gaiola)…. não tem tempo para estudar….pois tem que ir no bico para sustentar a família……Discussão entre tira e Mike aqui…tudo uns tonto brigando entre si ….e o governo oh, caga e anda pra todos!!!

      Curtir

  2. Pois é. Muito interessante. A começar pelo título deste “post”, apontando que pessoas de uma determinada área de atuação tem cultura inferior a de outros profissionais.
    A Sociologia nos diz que não existe cultura inferior ou superior, mas cultura diferente.

    Curtir

    • Meu caro, o termo cultura possui diversas acepções. No caso é educação formal, mesmo! O cara tem que ser um baita analfabeto funcional pra se incomodar com ” pauta LGBT”.

      Curtir

  3. O mais do mesmo.Mais sangue, mais despreparo, mais covardia e mais "assassinatos" completamente injustificáveis. Haja retreinamento. disse:

    Infelizmente, o mais do mesmo. Enquanto a “Defenda PM” se dedica a judicializar questiúnculas sobre atribuição institucional para apuração de determinadas infrações penais, os recorrentes “assassinatos” protagonizados por PM’s continuam. Como desgraça pouca é bobagem, num deles a vítima fazia aniversário no dia em que foi executada.

    Em apenas uma semana, em pleno “retreinamento” da PM para melhoria dos protocolos de “espancamento, de passamento, de fuzilamento, etc.”, dois motociclistas são covardemente “assassinado” com o mesmo “modus operandi”, ou seja, mata primeiro e depois mente no histórico do RDO. Só esqueceram que o monitoramento por câmeras não mente nunca.

    Por outro lado, uma inédita ocorrência de execução sumária de uma guarnição inteira da PM por um averiguado, numa simples abordagem de rotina. Fiquei 37 anos na polícia e nunca soube de algo semelhante. Com todo respeito à memória dos policiais, como toda a guarnição fica junta, checando informações de arma e identidade do averiguado e nenhum deles, para a própria segurança da guarnição, fica na contenção do averiguado, mormente quando outro indivíduo o acompanhava?
    Realmente, algo de muito errado acontece, e com certeza não é retreinamento que vai corrigir.
    Me ajuda aí “Defenda PM”!

    Curtir

  4. Boa Tarde!

    Senhoras e Senhores.

    Muitos criticam a Polícia, mas esquecem que tanto na Polícia quanto em qualquer setor da sociedade encontramos de tudo um pouco.

    Infeliz é aquele que desdenha seu próximo, pois este poderá ser seu próximo mais próximo.

    Estatísticas mostram o que interessa a quem efetivamente as contratou, mas se esquecem das entrelinhas, das nuânces, enfim, de tudo!

    Feliz é àquele que respeita e convive em harmonia com seus pares…

    Muitos têm medo de tocar na ferida… se esquivam… isolam quando esta bate à porta, mas no escuro entre quatro paredes, geme sem sentir dor!

    Alá, meu bom alá!

    Felizes são àqueles que aceitam seus desígnios e convivem com seus diferentes, estes definitivamente sabem que são mais valorosos e que merecem o reino dos céus!

    Hipocrisia existe e perdurará por séculos, mas ignorância é uma atribuição de poucos.

    Caronte

    Curtir

  5. Na Pc conheco cara com mestrado e cara que nao sabe diferenciar mais de mas.

    De forma geral, quem entrou na policia apos 2000 tem um pouco mais de instrucao que aqueles de 1900 e bolinha e pararam no tempo ( com poucas excecoes).

    Mas, na pm, existe hierarquia, organizacao e respeito.

    Enquanto aqui tem plantonista fazendo chefe baixar a cabeca…

    Curtir

  6. Aqui em São Paulo os policias ignorantes tanto da PM como da PC preferiram se ferrar com o Dória a votar em Márcio França, estão colhendo em seus holleriths a escolha que fizeram.

    Curtir

  7. O militarismo é tão incompetente e desprestigiado pela maioria dos brasileiros que temos um Capitão na Presidência da República, um General na vice-presidência e um Major Senador por SP.
    Ressalto que temos excelentes Policiais Civis tbm, mas esses, os bons e produtivos não têm tempo de alimentar preconceitos e generalizações burras.

    Curtir

  8. Tanto tempo gasta para uma pesquisa tão importante quanto. Quem fez essa pesquisa de suma importância, deve estar com tempo. Eu odeio sertanejo. E não apoio mais o Bolsonaro, que nada tem feito pelas classes militares.

    Curtir

Os comentários estão desativados.