Tem que acabar com a vitaliciedade para prevaricadores como esse cara de pau – O juiz que se diz endividado com fim do auxílio-moradia deveria aprender a ordenar as suas despesas ou procurar uma profissão melhor como DJ 5

Com salário de R$ 19 mil, juiz se diz endividado com fim do auxílio-moradia

O juiz Ralph Moraes Langanke - Divulgação/Câmara dos Vereadores de Ibirubá (RS)

O juiz Ralph Moraes Langanke Imagem: Divulgação/Câmara dos Vereadores de Ibirubá (RS)

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, de Curitiba

30/10/2019 04h03

Resumo da notícia

  • Juiz de Ibirubá (RS) disse estar endividado após corte de auxílio-moradia
  • Por dever a banco, se negou a julgar processo contra o Banrisul
  • Magistrado ganha mais de R$ 19 mil por mês
  • Ele diz querer abrir discussão sobre salário com sua decisão

O juiz Ralph Moraes Langanke, da comarca de Ibirubá (RS), disse ao UOL estar passando por uma situação financeira delicada. Apesar de ganhar mais de R$ 19 mil por mês, cerca de 19 salários mínimos, ele afirmou ter se endividado desde de que seu auxílio-moradia de quase R$ 2.000 mensais foi cortado, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

E essa dívida, agora, tem o impedido de realizar seu trabalho como magistrado. Por ser devedor do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul), Langanke já se declarou suspeito para julgar cerca de 20 ações em que a instituição financeira está envolvida.

“Em razão da redução real dos salários da magistratura gaúcha provocada pela cessação do pagamento do auxílio-moradia (no meu caso, a redução nominal do salário foi de quase R$ 2.000), tornei-me devedor do Banrisul, visto que, para recuperar o limite do cheque especial, tive que contrair dois empréstimos consignados, cujo pagamento será feito em 84 prestações mensais e sucessivas. Declaro-me suspeito para julgar a presente ação”, declarou ele, num processo.

“Salário injusto e defasado”

Langanke é juiz há 22 anos. Sempre trabalhou para a Justiça Estadual do Rio Grande do Sul. Reclamou, porém, que o estado paga baixos salários a seus juízes na comparação com outras unidades da federação.

“Não acho justo”, afirmou ele, em entrevista. “Pelo trabalho que exerço, pelo risco que corro todos os dias, acho que merecia ganhar mais.”

O juiz disse que tem duas filhas pequenas. Desde que elas nasceram, suas despesas triplicaram. E vêm subindo mês a mês, diferentemente do seu salário. “Meu salário é bom para uma pessoa solteira. Para quem é casado, tem duas filhas, é pouco.”

Langanke reconhece que o valor que recebe mensalmente como magistrado está bem acima do salário da grande maioria dos trabalhadores. Ele reclama, porém, que chefes de estatais gaúchas ganham mais que um juiz. “Um DJ que vai tocar na minha cidade por uma hora vai ganhar R$ 10 mil”, complementou, citando Ibirubá, onde mora.

Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um trabalhador brasileiro, com mais de 14 anos, recebe em média R$ 2.234 por mês. A metade mais pobre da população recebe em média R$ 820 por mês, ou seja, menos que um salário mínimo (R$ 998)

  1. Os proventos dos magistrados estaduais ou federais são atrelados aos dos deputados, os quais, por sua vez, são atrelados aos dos ministros do Supremo, isto sem contar o elenco de vantagens que variam de Estado para Estado etc.
    Dessa forma, não conheço – e não me parece existir no Brasil – nenhum magistrado, ainda que em início de carreira, que ganhe “tão somente” 19 mil reais por mês, como afirma o referido juiz, já com 22 anos de carreira.
    Além disso, convenhamos, proventos dessa envergadura (merecidos, diga-se de passagem, pela grande maioria dos magistrados brasileiros) não permitem, a nenhum juiz, se endividar com Bancos e outras Instituições, salvo evidentemente alguma rara exceção (como de saúde, por exemplo).
    Não chego a tanto de dizer que esse magistrado deveria “perder” sua vitaliciedade (garantia do cidadão, mais do que dos magistrados), mas a mim me parece que ele deveria ser administrativamente processado e severamente punido, porque assim está indo muito mal…

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  2. Quando eu afirmo que juízes e promotores estão a viver fora da realidade, não se trata de figura de linguagem. De hiperbolismo. Trata-se isso sim de constatar uma platitude, facilmente verificável em manifestações recorrentes desses altos servidores.
    Para além da evidente patranha, sem querer ser desrespeitoso, mas na esteira do que disso o doutor Tovani (pois o salário não se cinge ao valor aventado), estarrece-me a falta de pejo, a falta de prurido desse tipo de reclamo. Pelos brasis afora, somente um percentual de 2% aufere quantia dessa monta. A expressiva maioria dos brasileiros não ganha tal valor no transcorrer de todo o ano.
    Em relação ao partitivo “ grande maioria dos juízes” a exemplo do doutor Tovani, sempre os achei merecedores do respectivo e, reconhecemos, vultoso “subsídio”. Hoje, já não estou tão certo. E assim o digo, pois vejo em decisões erros gramaticais crassos; pois, afiro de casos concretos que muitos magistrados não se dignam a ser legentes dos autos; porque muitos deles são enfatuados, etc.
    Claro que há uma porção de abnegados, mas já não sei de formam um maioria.

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    • Meu Caro João,
      Ao cumprimentá-lo por seus comentários ao Post, ouso aderir às suas colocações, em especial na parte em que ressalta o percentual de apenas 2% da população brasileira com salários dessa magnitude.
      Além disso, a qualidade dos serviços prestados pelos magistrados vem caindo a cada dia, sem contar o “afastamento” significativo hoje existente entre os juízes e seus jurisdicionados.
      Algo, porém, me parece palpável e muito bom. O povo está se atentando ao que vem acontecendo na “caixa preta” do Judiciário.
      Acautelem-se, pois!!!

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  3. Obrigado, doutor.
    O senhor, decerto, bem o sabe.
    Não se trata de recalque ou outro qualquer sentimento subalterno. Não se trata, aclarando, de se pegar no pé dessa turma gratuitamente. Meu pai foi promotor. Meu tio também – ambos em São Paulo.
    Entraram em saíram noutra época. Numa época na qual não existia essa coruscância toda. As pessoas em geral, e especialmente o altos funcionários da justiça, eram mais decorosas. Não se esgrimiam pleitos desse jaez com esteio em motivos assim risíveis.
    Algo do tipo “embananei-me nas contas”.
    Demais disso, como o senhor bem salientou, o serviço como um todo degenerou a olhos vistos. Dia desses, vi-me premido a ler uma sentença. A miscelânea de vírgulas a separar os elementos postos em ordem direta no período inaugural fez-me corar. Note, doutor: não é preciosismo. A douta juíza urdiu um período ininteligível. E isso, no alto de uma jactância, de uma afetação sem qualquer lastro.
    Claro, não se trata da generalidade dos casos. Mas, ainda assim, é bastante sintomático.
    Sem embargo, mais uma vez na esteira do que o senhor disse, essa turma tem que se conscientizar de que os tempos são outros. Ninguém mais aceita passagens como a ocorrida recentemente no, salvo engano, Ceará. Na qual um juiz, à guisa de tiranete, disse à advogada que ela se havia “queimado com ele”. Hoje, tudo se grava. E a capacidade computacional é imensa.
    Com efeito, precatem-se, pois.
    Grande abraço, doutor.

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  4. Sou a favor do Juiz ganhar bem pelos serviços prestados, vez que cada juiz tem em torno de 40 processos por dia pra ler sozinho, bem como os promotores, porém não acho justo ter cargo vitalício.

    Muitas operações do Gaeco são forçados para não dizer forjado. Se acabasse com o cargo vitalício do promotor aposto que 50% das operações cairia ao solo.

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