Não acabou, tem que acabar… Tem que acabar? 2

Artigo | Não acabou, tem que acabar… Tem que acabar?

13/10/19 por Alexandre Felix Campos, do Movimento dos Policiais Antifascismo

A frase afronta o soldado policial, sufocado e menosprezado por uma estrutura cruel, e não ataca aquilo que precisa ser mudado

A segurança pública no Brasil nunca foi tratada de forma prioritária, profissional e técnico-científica. O afastamento dos setores mais progressistas no debate sobre segurança pública permitiu que uma parcela conservadora e com interesses espúrios nas ações de Estado, realizadas pelas polícias, se apoderasse, integralmente, do debate e legitimasse seu discurso de ódio e intolerância às diferenças. Isso fica evidente nas ações de extermínio dos diferentes, como se tais ações fossem a realização da vontade popular.

As “esquerdas” vão às ruas e gritam suas palavras de ordem que pedem o fim da Polícia Militar, afrontando única e exclusivamente aquele “soldado policial”, que já está sufocado e menosprezado por uma estrutura cruel com os trabalhadores de suas bases. Estrutura imprópria, anacrônica e ineficaz para exercer o papel primordial da polícia, que é a participação efetiva na gestão da “polis”, na preservação da paz pública e a garantia dos direitos.

Enquanto isso, pesquisas apontam que no interior das instituições policiais é crescente o desejo pela desmilitarização e pela construção de um novo modelo de segurança pública.

Nas bases das instituições tem vida pensante que elabora, propõe e tem total capacidade de executar um projeto de uma polícia cidadã, garantidora de direitos. No entanto, o status quo despreza tais manifestações e as sufocam violentamente, a fim de manter o estado das coisas como são, privilegiando elites e atuando na defesa de interesses privados.

É bastante curioso ainda, que quando o campo progressista ascende ao poder, em quaisquer instâncias e representações, corre para se encontrar e continuar com mais do mesmo. Buscam para suas assessorias, secretarias e postos chaves, pessoas que sempre estiveram no comando daquilo que não se quer mais. Não cria.

Não acabou. Tem que acabar? O fim só ocorrerá com um novo começo.

Acredite: o novo começo está nas suas mãos e nas mãos daquele soldado que você despreza e grita pedindo o seu fim.

Sim, ele também quer o fim dessa estrutura. Ele não quer mais ser um mero soldado, ele quer ser reconhecido como trabalhador.

Ninguém solta a mão de ninguém. E aí? Vamos dar as mãos também aos amiguinhos de farda? De mãos dadas poderemos salvar o mundo.

Por uma polícia cidadã e garantidora de direitos, o Movimento dos Policiais Antifascismo vem atuando como uma ponte entre a sociedade civil e o interior das instituições policiais. E aí, vem com a gente?

(*) Alexandre Felix Campos, Investigador de polícia em São Paulo há 20 anos e membro-fundador do Movimento dos Policiais Antifascismo

Artigo | Não acabou, tem que acabar… Tem que acabar?

  1. O autor demonstra um incômodo desnecessário com a PM.
    Como um outro colega postou aqui, já que a desmilitarizacão é essencial, pq a nossa PCESP não é uma maravilha ?
    Não há assédio moral aqui ?
    Ngm nunca foi ameaçado com um bonde para depois do inferno ?
    E as escalas desumanas seja no Decap, Demacro ou nos confins dos Deinters?
    Eu quero é mais pra PM. Embora por pouco tempo, estive lá.
    No primeiro dia me toquei que não era pra mim. Tanto que no primeiro concurso pra cá, piquei a mula.
    Fui atrás de algo que achei que seria melhor.
    Agradeci o que aprendi de bom, esqueci os dias consagrados, o passo firme ecoando na terra e os cento e trinta de trinta e um…kkk
    Enquanto o coleguinha anti qualquer coisa se preocupa com a grama cinza, nós vamos definhando.
    Os que nos comandam tem culpa ? Sim.
    Mas a base tbm tem. E muita.
    Se está bom pra mim, pq vou pensar no colega que está se f…lá no 50 ? No 25 ?
    Só que a maioria não enxerga que amanhã pode estar em um lugar sofrendo assédio.
    Nos falta o pensar em todos.
    Infelizmente…E assim caminhamos a passos largos para virarmos uma lembrança.
    Menos política e mais polícia.

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  2. Aconteceu algo emblemático comigo: vim a SP com meu chefe para ele consertar o carregador de sua pistola. Fomos a uma loja de armas onde havia um culto ao armamento indiscriminado do povo, à caça e ao bolsonarismo, coisas de que não comungo. Em silêncio, fui tratado regiamente, com um respeito que nunca devo ter recebido em uma loja.
    Em março, estive na FFLCH-USP, onde me formei, para fazer um curso de extensão. É um lugar de que gosto muito. Quando, no primeiro dia em que a profa. perguntou sobre os alunos, o que fazem etc, disse que era policial, pude perceber ou o desprezo ou a desconfiança de todos – só ao longo do curso viram que eu não iria “oprimir” ninguém e passaram a me tratar bem.
    O texto do Alexandre deveria fazer todos pensarem sobre nosso papel como polícia e como a população nos vê, como nós nos vemos na instituição, o que queremos dela e o que podemos fazer por ela.

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