Dirigentes muito preocupados com os baixos salários dos policiais. 17

Dirigentes muito preocupados com os baixos salários dos policiais. Por isso somos a Polícia Civil mais mal paga do Brasil. Porque nossos dirigentes são os mais bem pagos do mundo. Recebem por subsídios e e determinam o quanto é em cada mês. Quer melhor cargo do que esse?
E esse esquema de roubalheira se repete em relação aos bingos, máquinas caça níqueis, puteiros, desmanches, etc.

Depois de aposentados xingam o governo, né?

O retrato da corrupção institucionalizada na Polícia Civil de São Paulo 7

Saiu da Diretoria do Decap direto para ser o Corregedor Geral. Em outras palavras, saiu de onde as falcatruas eram praticadas e foi para onde poderiam ser investigadas. Foi para lá arredondar, suavizar, arquivar, neutralizar qualquer possibilidade da roubalheira ser investigada e punida.

Na Corregedoria, durante sua gestão, era comum você se deparar com conhecidos “recolhas” do Decap que ele levou para lá e que assumiram as principais funções de investigação do órgão, principalmente na DOP.

Ao sair, deixou seu afilhado institucional como Corregedor Geral, para continuar amaciando o que porventura tenha sobrado e retornou à diretoria do DHPP, onde já havia sido Diretor e numa medida inédita chegou a liberar que no Departamento também fossem apurados crimes patrimoniais.

Ao ser removido do DHPP, de maneira inédita, a atual gestão da ADPESP, fez uma monção de desagravo pelo ato, absolutamente normal na Administração Pública decorrente do exercício do Poder Hierárquico. Incontinente, seu afilhado Corregedor Geral, pediu exoneração em “solidariedade”. Coisa linda hein! Outro afilhado seu, na Direção do Deic. não pensou da mesma forma. Vai abrir mão de uma teta Nelore daquelas.

Nossa polícia é isso ai, e não é de hoje. Esse esquema, que se repete com outros núcleos de poder que se instalam nas diretorias da instituição e passam a sugar(coletar, arrecadar) como carrapatos numa vaca, só foi investigado porque o fio do novelo foi sendo desenrolado pela Polícia Federal que possui know how e recursos para investigar organizações criminosas e lavagem de dinheiro em firmas de fachada, tipo consultorias de segurança, né pós sábado? Se dependesse da Corregedoria Geral da Polícia Civil a investigação já estaria no arquivo morto do Estado.

Felizmente, esses canalhas nunca me lideraram e jamais fiz parte desses esquemas mafiosos de poder na instituição. Entrei de cabeça erguida na Polícia Civil, fiz a travessia por trinta anos, sem macular meu nome, o dos meus filhos, o da minha família, dos amigos e o da instituição. Não dei o desgosto aos meus familiares de ver a minha imagem e meu nome divulgados nas maiores redes de radiodifusão do Brasil, como envolvido em esquemas de corrupção que, segundo o Ministério Público, fundamentam um pedido de estorno para o patrimônio público da ordem de R$ 22 milhões de reais achacados pelo grupo. Se bem que esse pessoal é como político corrupto, parece redundância, mas ainda existem raros exemplares de honestos, não estão nem ai com imagem ou nome, o que interessa mesmo é numerário. O brasileiro tem memória curta e o negócio é usufruir bem toda a grana que foi achacada.

São esses monumentos de moralidade institucional que, ao se sentirem incomodados, detêm o poder na instituição para baixarem uma portaria e deflagrarem um processo administrativo que pode culminar com sua demissão da instituição, como aconteceu com o amigo Guerra. Simples assim!

Escrito por: amigo da Consolação

MATÉRIA VINCULADA AO DR ALDO GALIANO JUNIOR 4

Nota à imprensa.pdfComo será demonstrado nos autos, referida Ação não contempla minimamente requisitos
fáticos que possam envolver o Dr. Aldo Galiano Júnior nos fatos ali narrados.
Lamenta-se a tentativa de macular a imagem e vida pública do Dr. Aldo Galiano Júnior
que, em quase 48 anos atua como Delegado de Polícia, sem que tenha seu nome vinculado
a qualquer fato que desabone sua conduta, tanto na esfera civil, administrativa ou penal,
o que por si só demostra sua ilibada conduta nos anos de serviço público prestado.
Por fim esclarece que medidas cabíveis pelo uso indevido de seu nome serão
oportunamente objeto de demandas próprias nas respectivas esferas Judiciais.


Nota do Flit Paralisante  – Por uso indevido do nome do Dr. Aldo , certamente, o advogado se refere a quem pode ter solicitado ou obtido vantagens explorando o nome da digna autoridade ou , quem sabe, o próprio membro do Ministério Público que ingressou com a referida ação.

Esperamos que não seja uma “sugesta” ao mensageiro, né?

Observando que não fizemos juízo de valor, tampouco transcrevemos quaisquer condutas do Dr. Aldo!

O fiasco de Marcio França e o fortalecimento do PSDB de João Doria – São Vicente é 45 , com Solange Freitas 2

Rivais em 2018, Doria e França se atacam nas redes sociais

 

Pois é, para tristeza de muitos policiais e alegria de milhões de paulistanos , Marcio França não chegou ao segundo turno na Capital e o seu cunhado, Pedro Gouveia, perdeu a prefeitura de São Vicente; com isso levando ao desespero e a depressão centenas de gafanhotos locais , uma boa parte deles se locupletando às custas da pobre população vicentina desde 1997, primeiro mandato de França como prefeito.

Diga-se de passagem, França até que foi um excelente prefeito durante dois mandatos. Por justiça, enquanto contou com o apoio de Mario Covas e do PSDB!

Depois insistiu em eleger marionetes como sucessores e a prefeitura de São Vicente acabou assemelhada a uma organização criminosa.

Enquanto governador cometeu uma série de irregularidades por interesses pessoais, chegando a ser indulgente com policiais bandidos em troca de apoio.

Sem esquecer de um membro da camarilha que exigia dinheiro em Departamentos policiais , na cara dura , sem conhecimento do chefe , diga-se!

Além de uma assessoria de campanha especializada em divulgar pesquisas fraudulentas e causar prejuízos aos simpatizantes. Acrescente-se aqui as notícias de que não pagou dívidas de campanha junto a fornecedores e prestadores de serviço.

Certamente, a capital não estaria em boas mãos se governada por França; especialmente sem o apoio direto do PSDB.

De quem se tornou desafeto!

Em São Vicente foi assim, França liderava , mas quem executava eram Secretários membros do PSDB e com o dinheiro disponibilizado pelo governo estadual: PSDB.

Por gratidão , Márcio França deveria apoiar abertamente Bruno Covas na Capital e Solange Freitas em São Vicente.

Até porque ficou muito ruim para a imagem da cidade o atentado sofrido pela candidata do PSDB, certamente executado por traficantes que, hoje, estão imiscuídos na Administração da cidade.

URGENTE – Ministério Público imputando corrupção e associação criminosa requer o afastamento funcional de dezenas de policiais civis ( 34 policiais operacionais ), além dos delegados dirigentes de Unidades Domingos Paulo Neto ( ex- Delegado Geral ) , Aldo Galeano Junior (ex- Diretor de Departamentos ) , André Bressan, José Eduardo Zappi e Wilson Roberto Zampieri ( Titulares de Distritos ) ; com o suposto envolvimento do desembargador aposentado Régis Fernandes de Oliveira, ex-deputado federal e advogado muito prestigiado pela ADPESP – Associação dos Delegados de Polícia…A indenização exigida é na ordem de 22 milhões de reais 129

Esperança! Essa foi a mensagem deixada... - Associação dos Delegados de  Polícia do Estado de São Paulo

 

Trata-se de ação civil pública proposta pelo Ministério Público de defesa do património público e social , decorrente de atos de improbidade administrativa por agentes públicos que, na condição de policiais civis do Estado de São Paulo, em comunhão de esforços e unidade de desígnios com terceiros, perceberam vantagem econômica indevida que importaram enriquecimento ilícito, prejuízo ao erário e violação aos princípios da Administração Pública.

Resumidamente: MENSALÃO DO PARI , a nova 25 DE MARÇO!

As apurações foram iniciadas pelo setor de inteligência da Polícia Federal , realizando-se diligências de campo e escutas ambientais e telefônicas.

Os policiais civis se articulavam e se revezavam na consecução de atos descritos como crimes graves, como extorsão, corrupção passiva, concussão, condescendência criminosa, além de achaques a empresários criminosos e uso de viaturas para carregamento de malotes de propinas.


O mensalão da polícia era cobrado a fim de que não fossem apreendidas mercadorias de procedência duvidosa nos diversos estabelecimentos conluiados no esquema.

Em algumas oportunidades, diante do inadimplemento da negociata, os agentes públicos desviavam, em benefício próprio, produtos que deveriam ser apreendidos.

DOMINGOS PAULO NETO, delegado de polícia classe especial , então Chefe da Polícia Civil, segundo o MP , por intermédio do então deputado federal REGIS FERNANDES DE OLIVEIRA, manteve contato pessoal com o comerciante MAHER, representante dos comerciantes . Com esta conduta evidenciando ter total conhecimento das práticas ilícitas executadas por subordinados diretos e indiretos .

No curso das investigações , verificou-se que MAHER CHAER esteve envolvido em diversas e habituais práticas ilícitas, notadamente no que tange à abertura de contas bancárias e obtenção de empréstimos fraudulentos para empresas de fachada constituídas em nomes de “laranjas”.
Em troca de segurança e tranquilidade no exercício das atividades ilícitas, MAHER executava favores espúrios a servidores públicos da área da segurança pública do Estado de São Paulo.

 

 

Na outra margem, figura o comerciante chinês YE ZHOU YONG (conhecido como FÁBIO), proprietário e regente das bancas de vendas expostas no Shopping 25 de Março e no Shopping Brás (local, aliás, gênese das práticas de contrabando e descaminho).


FÁBIO, na qualidade de representante dos lojistas chineses, com vistas ao resguardo das atividades ilícitas, atuava na negociação com os servidores públicos, notadamente os integrantes da Polícia Civil, no pagamento da vantagem ilícita.


Além disso, intercedia junto aos policiais para que os lojistas não fossem presos ou interrogados, tampouco tivessem suas mercadorias apreendidas.

Segundo consta o então deputado Regis de Oliveira foi envolvido nos fatos por conta de um assessor, de se ver:

ANDRAOS GEORGE EL GHORAYEB, à época, assessor parlamentar do então deputado federal RÉGIS DE OLIVEIRA, mediante vantagem patrimonial indevida e troca de favores espúrios, auxilia MAHER na obtenção do processo de naturalização do empresário em troca do patrocínio deste na candidatura de RÉGIS DE OLIVEIRA (mídia de fls. 433 do IC 784/2011, volume II do PIC 5/14, fls. 316/317).

Nota do Blog: duvidamos que o Dr. Régis praticasse quaisquer atos espúrios para obter vantagens para clientes ou vantagens materiais , pessoais ou políticas para si. Provavelmente, teve o nome explorado /empregado por terceiros.

Por fim, Domingos Paulo Neto é idolatrado por incontáveis policiais civis, especialmente delegados.

Não se sabe se por ingenuidade ou por identificação ao “modus operandi” de lobo em pele de cordeiro!”

Coincidentemente, a chapa RUMO CERTO – do atual presidente da ADPESP – conta com o apoio do Tiranossauro da Polícia!

A petição inicial foi subscrita pelo promotor RICARDO MANUEL CASTRO, no dia 9 de novembro de 2020.

 

Posteriormente iremos elaborar novas postagens com base na documentação que foi encaminhada, por uma das nossas fontes, ao Flit Paralisante.

O comportamento criminoso de Jair Bolsonaro 26

Cesar Benjamin

t3n ieShponsoregd  · Tivemos boas notícias recentemente sobre as vacinas da Pfeizer e de Oxford contra o coronavírus, que já matou mais de 160 mil brasileiros. Torcemos por elas.Aqui no Brasil, o Instituto Butantan, uma joia da ciência brasileira, está testando 10 mil voluntários com uma terceira vacina, a Coronavac. Um deles cometeu suicídio.O presidente da República tuitou: “Mais uma vitória de Jair Bolsonaro contra João Doria.”Bolsonaro adentra, claramente, o terreno do comportamento criminoso, que, aliás, ele conhece tão bem.Impedimento é pouco.

Cesar Benjamin

Fujam que a PM vem assaltar…No meu tempo não existia Oficial da PM bandalho como esse Diego Reginaldo Pereira…O bandido fardado parece fazer brilhante carreira prendendo inocentes enquanto dá proteção para os reais traficantes…Aprendeu com a família, né? 10

Tenente Diego Reginaldo Pereira e Cabo Douglas de Oliveira Santos, do 5º BPM da capital, são investigados pela Corregedoria desde o início do ano; em março, segundo a Justiça, os PMs mandaram dois inocentes para a prisão

Viaturas da Força Tática no estacionamento do 5º Batalhão na zona norte de SP | Foto: Reprodução

O tenente Diego Reginaldo Pereira e o cabo Douglas de Oliveira Santos, ambos da Força Tática do 5º Batalhão da PM (Vila Gustavo), na zona norte da capital paulista, mentiram em uma acusação de tráfico de drogas em março deste ano, decidiu a juíza Renata Carolina Casimiro Braga Velloso Roos em sentença que absolveu dois jovens presos na Vila Maria na tarde de 4 de dezembro de 2019. 

A magistrada sustentou “total improcedência” da denúncia que sustentaria a acusação e condenação dos jovens. A magistrada destaca que um dos suspeitos contou que os policiais separaram “quem tinham passagem de quem não tinha, que foram levados para averiguação e que a droga apareceu apenas na delegacia”. No 19º DP (Vila Maria), foram apresentados 3 quilos de drogas. 

“Os policiais prestaram depoimentos contraditórios entre si e em relação àqueles que prestaram em solo policial, o que fragiliza sobremaneira a acusação que pesa sobre os réus”, destaca a sentença. Mesmo inocentes, os dois suspeitos ficaram presos por mais de 4 meses.

O endereço do flagrante que a Justiça considerou ser forjado era rua Kaneda, Jardim Japão, zona norte de São Paulo. O local fica a 3,9 km da rua Tenente Sotomano, onde fica a biqueira (ponto de venda de drogas) que aparece na denúncia anônima apurada pela Corregedoria da PM e informada com exclusividade pela Ponte em janeiro deste ano.  

Segundo a denúncia, esse é o local onde alguns PMs do 5º Batalhão cobrariam propina para aliviar o lado de traficantes. Entre os suspeitos delatados à Corregedoria, em dezembro do ano passado, estão Pereira e Oliveira. Quatro veículos comuns no nome do tenente foram vistos nas imediações da “biqueira” em dias onde supostamente acontecia o recolhimento da propina. 

Leia também: PMs de SP são investigados por ‘mensalão’ do tráfico e morte de morador de rua

De acordo com a apuração da reportagem, Pereira seria um dos principais articuladores do esquema investigado pelo órgão corregedor. Em conversas de Whatsapp divulgadas pela nossa reportagem ainda em janeiro, os policiais combinavam valores e até discutiam aumento. “Atenção, atenção. O sargento acertou um aumento com a biqueira da Tenente Sotomano esse mês. Vai pra 7.500 o carnê. Mês que vem vamos tentar chegar a 10 mil”, escreveu em uma das mensagens para um grupo uma pessoa que, segundo a denúncia, seria o Cabo Oliveira. 

As investigações da Corregedoria da PM apontaram também que, além de uma “caixinha” feita com o “mensalão” do tráfico, o dinheiro das extorsões era usado para fazer festas, muitas delas com bebida e drogas, mesmo em horário de trabalho.

A conduta de Oliveira, Pereira e outros policiais da Força Tática do 5º BPM, suspeitos de participarem do “mensalão do tráfico”, está sendo julgada pela Justiça Militar e, de acordo com o órgão, a promotoria está com o caso desde 29 de outubro. A Justiça, portanto, aguarda a manifestação do MP.

Um caso antigo de assassinato

O caso denunciado à Corregedoria em dezembro do ano passado também trata de uma outra situação envolvendo crime: a execução de uma pessoa em situação de rua, em 24 de dezembro do ano passado, que teria sido registrada como “morte decorrente de intervenção policial”. Os PMs que participaram da ação também teriam colocado uma arma fria no local.

O fuzil, também citado no e-mail de denúncia à Corregedoria, seria objeto de roubo, pertenceria a um criminoso ligado ao PCC e teria sido usado para “arredondar” a ocorrência. No comunicado, também havia o relato de que os policiais estavam fazendo um churrasco “com bebidas e drogas”, segundo denúncia, com parte do dinheiro conseguido na propina. 

Leia também: Após reportagem da Ponte, Ouvidoria pede afastamento de PMs por ‘mensalão’ do tráfico

Na ocasião, a Tenente Luciane foi averiguar os fatos, mas quando chegou ao batalhão foi impedida de fazer a revista e acabou indo embora. Conversas em um grupo de Whatsapp a que a Ponte teve acesso comprovam a informação. 

Cabo Oliveira escreve: “Me preocupar com Corregedoria? Com quem? Com aquela tenente puta que veio aqui?”. Os policiais do 5º BPM passam a discutir o caso e cabo Oliveira novamente se manifesta: “Ninguém foi preso nada. Só porque você ficou umas horas na Correg já tá aí se cagando. Tático é isso mano”. E na sequência continua: “A gente matou duas vezes em menos de seis meses estive, cadê você na resenha?”. Ele se refere a um outro caso ocorrido em setembro do ano passado. 

Em novo e-mail, enviado à Corregedoria em 27 de dezembro, o denunciante afirma ter avisado o órgão sobre os cometimentos de crimes do batalhão e dá a entender que havia informado a forma que os três policiais matariam uma pessoa e fingiriam ser uma “morte decorrente de intervenção policial”. O caso está em julgamento e não há informações sobre as últimas movimentações por causa do segredo de justiça. 

Situações como essa, no entanto, não seriam novidade para o Tenente Diego Reginaldo Pereira. Em 2014, ele e outros dois PMs participaram de uma morte que, inicialmente, seguia o script bastante conhecido de suspeito armado que atirou e a polícia reagiu à injusta agressão. 

O caso foi julgado pela Justiça Militar, que, em um primeiro momento, considerou a legítima defesa uma tese plausível. A vítima não foi identificada na sentença. Contudo, o Ministério Público discordou da decisão e entrou com recurso pedindo transferência de competência por acreditar que o que ocorreu foi uma execução. Em 2018, o caso foi para a Justiça comum. No entanto, o segredo de justiça imposto impediu que a reportagem tivesse acesso aos autos. 

Leia também: Corregedoria da PM faz operação em batalhão investigado por ‘mensalão do tráfico’

Ponte tentou diversas formas de obter informações. Oficialmente, procuramos o Tribunal de Justiça confirmou a existência da ação no Tribunal do Júri, mas destacou que apenas o advogado das partes poderia dar a informação sobre a tramitação do processo. O defensor Eduardo Martinelli informou que o cliente não iria comentar sobre o caso. Nem mesmo nas pesquisas pelo sistema digital do Tribunal de Justiça de São Paulo é possível encontrar evidência de que o Tenente Diego responde por esse crime. 

A Operação no 5º BPM

No dia 25 de junho a Corregedoria da PM fechou a sede do batalhão, na zona norte de São Paulo, para uma operação até hoje publicamente não esclarecida. Na ocasião, oficialmente, todos os órgãos envolvidos (PM, SSP e a própria Corregedoria) negaram que a ação tivesse relação com o que a Ponte havia denunciado seis meses antes. 

Na operação teriam sido encontrados celulares de civis em armários de alguns dos PMs citados na investigação do início do ano, além de uma quantidade não informada de droga no interior do batalhão. A Ponte, então, tentou por telefone e também por e-mail, confirmar a informação apurada e solicitar os detalhes da investigação gerada a partir dessa operação de junho, mas não foi atendida. Por e-mail, a Polícia Militar informou que “os casos apurados pela Corregedoria, por meio de IPMs, são sigilosos, conforme o Código de Processo Penal Militar”.

Ouvidoria havia pedido afastamento dos PMs

Logo após a divulgação da investigação envolvendo os policiais do 5º BPM, a Ouvidoria da Polícia de SP, comandada à época por Benedito Mariano, havia considerado o caso muito grave e entendido que o ideal era o afastamento dos policiais envolvidos até a conclusão da apuração dos fatos. Até hoje, todos seguem trabalhando normalmente. 

Agora, o ouvidor Elizeu Soares Lopes cobrou em ofício o resultado dessas investigações. Em e-mail enviado à repórter da Ponte, o órgão informa que “estão em apuração no TJ (1º grau) nº 1500230-11.2020.8.26.0052 (homicídio) e TJM (1º grau) 0002040-43.2020.9.26.0010 (tráfico). Em relação ao afastamento dos policiais militares, a informação solicitada será requerida, em ofício, à Corregedoria da Polícia Militar. Honrando nosso compromisso com a sociedade informamos que as providências adotadas serão comunicadas assim que recebermos a resposta do órgão competente”. 

Outro lado

A reportagem entrou em contato com o advogado do Tenente Diego Reginaldo Pereira e do Cabo Douglas de Oliveira Santos por e-mail e telefone. Eduardo Martinelli informou que os clientes não desejam se pronunciar. 

Ponte ainda questionou sobre o resultado da ação que tramita no Tribunal do Júri referente a um homicídio do qual Pereira é réu. Pelo mesmo motivo citado anteriormente, o defensor informou que não tinha autorização para falar sobre isso. 

 

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Não dá pra tomar dinheiro do vagabundo sem prender inocentes?

Sublime homenagem do Dr. Ronaldo TOVANI aos Drs. Hélio e Daniel BIALSKI 5

Parece que foi ontem…
Era final de abril de 2012 e, na Corregedoria da Polícia Civil, encontrei o Dr. Hélio Bialski; estava ali para participar de uma audiência na qual eu também participaria como advogado. Perguntei pelo Dr. Daniel Bialski e ele, brincalhão como sempre, respondeu-me que o filho estava viajando e o havia “escalado” para aquela audiência.
Não preciso dizer que, antes depois e até durante a audiência, diversas pessoas que ali o viram (dentre as quais muitos advogados, policiais e estudantes de direito), vieram alegremente cumprimentá-lo.
A audiência caminhou extremamente bem para os réus – que sinceramente nem deveriam ter sido processados -, e o Dr. Hélio, mais uma vez, nos premiou a todos com verdadeira aula de direito processual.
Ao término, descemos conversando até a portaria e, ali, estendemos os assuntos mais um “bocado”. Ele estava muito feliz e irradiava isso. Mais alguns cumprimentos de quem passava e nos despedimos; não sem antes ele me dizer que na próxima audiência daquele caso, se o filho Daniel “deixasse”, ele viria. Infelizmente não veio…
Na madrugada de 30/04/2012 (três ou quatro dias depois daquela “audiência”) seu coração generoso parou de bater. Finalmente ele estava “livre” das “duras escalas” que o filho lhe impunha e que ele tão bem se desincumbia.
Dia 09/11/2020, porém, ele está novamente “escalado”. E desta feita não pelo Dr. Daniel Bialski, nem para defender ninguém; mas para engrandecer a justa homenagem que o filho receberá do povo paulistano, com a outorga da MEDALHA ANCHIETA e a concessão do TÍTULO DE CIDADÃO PAULISTANO.
E todos nós estaremos lá para aplaudir o homenageado e atestar a presença do Dr. Hélio Bialski. Ele não perderia isso jamais!
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RUMO INCERTO 4

Rumo INcerto

O subscritor da carta de apoio, ao longo de décadas, outra coisa não fez, senão se utilizar da entidade de classe para barganhar os melhores cargos no 1º escalão da instituição.

Sua carreira é marcada por um grande divisor de águas, o pós sábado de antes e depois da eleição de 1994.

Alegando perseguição profissional e, aproveitando-se da mesma situação, ora vigente, de completa indiferença governamental com as condições de trabalho, defasagem de pessoal e salarial da instituição, lançou-se na campanha do candidato que acabou se elegendo governador.

A partir daí, só felicidade, terno de grife, carro de representação e trânsito pelas diretorias departamentais, sempre acompanhado do núcleo de poder que criou, com vários policiais com dupla função: subordinados na instituição e empregados em suas atividades de segurança privada, culminando com o golpe de mestre ao ter colocado à disposição seu cago de diretor no Dipol, aproveitando-se da mais emblemática mobilização das carreiras policiais por melhores condições salarial e de trabalho, alçando com seu gesto o cargo de Delegado Geral de Polícia. Matou dois coelhos com uma só cajadada: Se livrou do departamento com inúmeras denúncias de fraudes em procedimentos licitatórios durante sua gestão e alcançou o mais alto cargo da estrutura organizacional da instituição.

Como Delegado Geral de Polícia nada fez para a classe, nem tampouco para as demais carreiras da Polícia Civil.

Com a instituição enfrentando enorme defasagem de pessoal, num aviltante paradoxo, saía para almoçar, a 50 metros do gabinete da Delegacia Geral no prédio da SSP, cercado por uma dúzia de seguranças pessoais, parecia o Presidente dos Estados Unidos na via pública, com falta de policial, em todo tipo de carreira, nos plantões das delegacias periféricas de São Paulo.

Numa atitude inédita e descabida, a atual diretoria da ADPESP, de forma pontual, se insurgiu contra ato administrativo da SSP que o removeu da Diretoria do DHPP, como se o cargo fosse de sua propriedade. A movimentação de delegados de polícia, como de qualquer outro funcionário público, é uma decorrência do exercício do Poder Hierárquico da Administração, não estando de forma alguma, sujeito à manifestação de vontade de quem ocupa o cargo, nem tampouco de entidade de classe do qual faça parte.

Ao assumir a Corregedoria Geral de Polícia, entre suas primeiras providências, transferiu experientes delegados da Divisão de Processos Administrativos, que presidiram ou presidiam os procedimentos que apuravam as inúmeras fraudes nas licitações de compras de equipamentos, programas e sistemas pelo Dipol durante sua gestão. Por que? Algum deles recorreu a ADPESP para que fizesse uma monção de desagravo pelo fato. E o que viraram essas apurações ? Os programas de informatização dos Departamentos da Polícia Civil (Academia, Corregedoria, etc.) foram entregues da forma como foram contratados e pagos? E os contratos com a Ebiz Solution, Black Bee, foram submetidos a uma auditoria? E a prestação de contas com o Tribunal de Contas da União, que nunca fechava quanto a aplicação efetiva das verbas da Senasp em projetos apresentados pela polícia. Será que foi devidamente apurada, com oitivas de todos que figuravam como destinatários finais dos produtos ?

Que classista é esse? Paradigma de que?

Ademais, sua manifestação se revela como fruto de enorme frustração por ter sido derrotado diretamente pela candidata Marilda na disputa pela entidade de classe, assim como seu apadrinhado, que vivia as voltas respondendo processos decorrentes de eventual desvio de conduta.

Autor: Amigo da Consolação

CHAPA BRANCA – Estrutura da Polícia Civil utilizada em benefício da atual diretoria da ADPESP, certamente uma mera filial da DGP 1

De forma dissimulada a chapa RUMO ( in ) CERTO , obtém da DGP supostas reuniões de trabalho em todas as Seccionais do Estado, nas quais o único trabalho em discussão será a reeleição da atual diretoria.

Será que alguém acredita que uma diretoria submissa ao Delegado Geral tratará , verdadeiramente, dos interesses da classe? 

O Governador não acredita , ou melhor:  tem certeza que a diretoria apenas finge defender os interesses dos delegados e de toda a Polícia Civil!

Policial sofre, mata e morre em silêncio no Rio de Janeiro 12

Júlia Barbon

Thaiza Pauluze

Italo Nogueira

RIO DE JANEIRO

Carência de treinamento, supervisão e amparo psicológico potencializam letalidade por agentes do Estado

  • O cabo Arthur tentava avançar, de abrigo em abrigo, até chegar aos traficantes que estavam mais à frente em uma favela da zona norte do Rio de Janeiro. Quando fez a posição de base e se preparou para progredir, ouviu um barulho estranho.

Era um tiro de fuzil que estourava o rosto de seu colega, metros atrás. O choque o fez desacreditar da cena. Abortou a missão e chamou o apoio aéreo para conseguir voltar para casa, já que o blindado não conseguiria ultrapassar as barricadas.

Três dias depois, seguindo seu regime de 24 por 72 horas, ele estava de volta ao trabalho nas ruas da mesma comunidade, sem ter falado com qualquer superior ou psicólogo sobre o que havia acontecido. “A cabeça fica como?”

Arthur está entre os muitos policiais que sofrem, matam e morrem em silêncio no violento território fluminense, sem o treinamento, a supervisão, a estrutura e o amparo psicológico adequados.1 11

Operação policial na pandemia

 

Operação da Polícia Militar, na favela do Jacarezinho, zona Norte do Rio, depois de intensa troca de tiros, no dia 19 de outubro, quando 10 criminosos armados sequestraram um trem da SuperVia e obrigaram dois maquinistas a levarem o grupo até a Mangueira. O tiroteio intenso interrompeu a circulação dos trens e de carros na região
Favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, é uma das maiores e mais violentas da cidade;  Desde janeiro de 2013, a comunidade passou a ter uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), mas com a falência do projeto, voltaram os confrontos frequentes e a retomada do poderia do tráfico de drogas na região Operação da Polícia Militar, na favela do Jacarezinho, zona Norte do Rio, depois de intensa troca de tiros, no dia 19 de outubro; desde junho, uma liminar do STF limita as operações policiais a casos excepcionais

Essas são algumas das carências dentro da própria Polícia Militar do Rio que ajudam a explicar por que os índices de morte pelo Estado são tão altos, segundo praças, oficiais e pesquisadores ouvidos pela Folha. Juntam-se a elas a cultura da guerra e do improviso, além do consentimento tácito de autoridades e da sociedade.

Esse conjunto de motivos demonstra que a letalidade estatal não é apenas um problema individual de um ou outro agente, mas passa pela estrutura da própria corporação, que se alterada pode reduzir os índices.

É unanimidade que o policial do Rio trabalha em um contexto anormal se comparado a outras regiões brasileiras, com bairros inteiros sob domínio de diferentes grupos criminosos, onde as forças de segurança não entram sem um alto risco de serem atacadas.

Histórias como as do início deste texto são repetidas frequentemente durante a conversa de pouco mais de uma hora com Arthur, que tem 31 anos e trabalha há nove em UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) —seu nome foi trocado, assim como o de todos os outros servidores citados, para resguardar sua segurança.

Em 2015, um questionário respondido por mais de 5.000 PMs no estado mostrou que mais da metade foi alvo de tiros no ano anterior; que um terço já viu um companheiro ser baleado; que um quinto já presenciou a morte de um colega.

Esse mesmo estudo, feito pelos pesquisadores Beatriz Magaloni e Ignacio Cano, concluiu que os mais estressados e expostos à violência quando criança ou adulto dizem usar mais a força. Ter visto um companheiro ser morto em confronto é um dos fatores mais relevantes para tomar a decisão de atirar.

“Olha a aceleração desse cara. Troca tiro, mata três, vem pro quartel, troca de roupa. No outro dia mata mais dois, prende cinco, socorre alguém e vai com a mulher ao shopping. Até o dia em que o reloginho para. Aí vai dar tiro mal dado, acertar criança, ser morto”, enumera o coronel Mauro, comandante de um batalhão da Baixada Fluminense.

Apesar de a Polícia Militar argumentar que implantou um Protocolo de Avaliação Psicológica Pós-Confronto em 2018, que prevê o acompanhamento da saúde mental de todos os agentes envolvidos em ocorrência com morte, a resposta institucional ainda é tímida.

“Não temos nenhum apoio psicológico. Zero. Até para procurar o atendimento é complicado, tudo é longe, a maioria dos batalhões não tem. Amigos que perderam companheiros de farda não tiveram amparo e, no dia seguinte, estavam na rua fazendo a mesma coisa”, conta o soldado Lucas, 30, que atua em Angra dos Reis.

São 92 psicólogos e 17 assistentes sociais disponíveis para 44.484 homens e mulheres ativos, sendo que a grande maioria está concentrada na região metropolitana. Não há concursos para essas especialidades há dez anos.

RIO NA MIRA

Acompanhe os cinco capítulos da série sobre o efeito das ações policiais no Rio

  1. Em busca de fuzis, polícia do Rio mata até sem apreender arma
  2. Vitórias judiciais e novas leis dão força a mães de jovens mortos pela polícia no Rio

“O policial não é só um RG”, lembra a policial Lúcia, uma das poucas assistentes sociais da corporação. “Se ele não é tratado com humanidade, como vai reproduzir essa perspectiva humanizada para fora?”

Mauro, o coronel da Baixada, sente falta de uma “desaceleração” do policial. Para ele, é preciso que os agentes façam o que ele fez em sua primeira ocorrência com óbito. Se olhou no espelho e se perguntou: “Fiz o certo? Fiz”. Neste ano, planejou implementar um projeto que estimulasse uma pausa para reflexão em seu batalhão após casos letais. Sem incentivo, desanimou.

O que ele vê como “desaceleração” a socióloga Paula Poncioni vê como formação continuada. Ela, que é professora de políticas públicas da UFRJ e estuda formação policial há 30 anos, defende que o agente deve voltar periodicamente aos bancos escolares.

“As polícias dizem que têm, sim, educação continuada, que fazem cursos, mas não é disso que estamos falando. Estamos falando de parar, problematizar o cotidiano, analisar dados, discutir o que é estar em uma favela, reatualizar o ensino e o treinamento”

É o que acontece em São Paulo e em outros estados brasileiros. Anualmente, todos os PMs paulistas saem das ruas por uma semana para passar por um Estágio de Atualização Profissional. Se o agente não participar, não consegue concorrer a promoções, programas de hora extra e cursos, por exemplo.

A corporação de SP também tem uma comissão para analisar os casos com mortos e feridos e outra de fiscalização, que resulta numa maior presença de oficiais nas ocorrências. A preocupação cresceu com o aumento da letalidade policial neste ano, e agora a instituição prevê ampliar o uso de armas menos letais e de câmeras nas viaturas e fardas.

No Rio, a PM não respondeu se seus policiais passam por reciclagens regulares. A reportagem também pediu para visitar o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) e para conversar com representantes das áreas de psicologia e vitimização policial, mas não teve resposta.

O curso de formação de soldado tem duração de 12 meses, e o de oficiais leva dois anos. “Não temos apoio de nada. Se forma, toma a pistola, o colete, vai embora. Próximo, forma, vai embora”, reforça o cabo Arthur, que diz ser comum o pelotão fazer vaquinhas para ajudar as famílias de colegas mortos que ficam meses desamparadas até a pensão chegar.

A falta de estrutura na corporação deixou a major da reserva Tânia Pinc, que em 2016 investigou em seu pós-doutorado por que as polícias militares paulista e fluminense matam, desolada.

“No Rio não tem nada. Não é que seja pior. É que praticamente não há treinamento, supervisão nem parâmetros ou protocolos. Isso não quer dizer que São Paulo é ótimo, mas São Paulo tem”, afirma ela, que atuou na PM paulista por 25 anos.

Pinc cita a falta de sargentos capacitados para orientar praças nas ruas. No Rio, diz, esse primeiro nível de supervisão deixou de existir na prática depois que um decreto de 1996 permitiu promoções automáticas por tempo de serviço (soldados viram cabos após seis anos, e cabos viram sargentos após 12 anos).

O que era para ser uma estrutura em pirâmide, com soldados e cabos na base, se tornou uma “mulher cadeiruda”, brinca Pinc, inchada no patamar dos sargentos —que, no dia a dia, também exercem funções de praças.

Depois de entrevistar cerca de 50 policiais e analisar boletins de ocorrência “superficiais”, ela resume suas conclusões na tese assim: “No Rio de Janeiro, o sistema incipiente de parâmetros, o treinamento pouco frequente e a supervisão quase inexistente tendem a isolar o policial no processo de tomada de decisão”.

“Sendo assim, os mecanismos de resposta tendem a se personificar, de forma que o conhecimento informal, construído com a prática cotidiana, se sobreponha ao conhecimento formal, produzido pela organização policial”, escreve.

Muitas vezes eles não veem uma relação do que aprendem na academia com a vida real, e acabam atuando no improviso. “Na favela é correria, é aquele tiro instintivo. Apareceu vagabundo lá dando tiro em você e pá pá pá, vai dando tiro, não dá para olhar o alvo”, reconhece o cabo Arthur.



Outra lacuna apontada pela pesquisadora Paula Poncioni é uma formação voltada exclusivamente para o combate ao crime, deixando de fora noções como gestão de conflitos e atendimentos assistenciais, que também são funções do agente de segurança pública.

É aí que entra a cultura da guerra sob a qual vive todo policial do Rio de Janeiro.

“Herói” e “guerreiro” são palavras frequentes no grande quadro pendurado na parede de um dos 39 batalhões do estado, com frases motivacionais escritas por eles mesmos. Elas também aparecem diariamente em publicações nas redes sociais das equipes.

“Não dá para dizer que eles são formados para matar, mas são preparados para um combate, uma guerra, onde existe o nós e o eles, e acabam tendo que optar pelo nós”, diz Poncioni. Nessa lógica, todos os moradores de favelas são vistos como potenciais criminosos.

Esse mito, diz ela, ainda é traiçoeiro, porque na medida em que o policial é um herói, não se vê nem é tratado como um trabalhador. Pode fazer longas cargas horárias, usar coletes vencidos e subir a favela para trocar tiro com armas ultrapassadas que eventualmente falham.

Guerreiro também não vai ao psicólogo. “Essa cultura machista atrapalha muito”, diz a assistente social Lúcia. “Tem todo um estigma de que é preciso estar sempre pronto, forte. Eles não se percebem como sujeitos de direitos, trabalhadores.”

O resultado de tudo isso —território conflagrado, treinamento e supervisão insuficientes, ausência de apoio emocional e mentalidade de guerra— é a naturalização da morte.

“Dentro da polícia não há nenhum estranhamento [pelo alto número de operações e óbitos]. Quando morre um policial, o que fazemos? Voltamos para o morro. E quando morre um marginal, é como se fosse dever do policial”, diz Júlio, coronel reformado da PM. “Até a Polícia Civil é altamente militarizada no Rio.”

Uma declaração do cabo Arthur espelha esse efeito: “Claro que tem vezes que dá para tu prender, mas tu vai e mata. Não vou ser hipócrita. A gente na UPP conhece cada vagabundo, já cansou de trocar tiro com ele, ele já atentou contra a sua vida. Se você tem uma oportunidade, o que você faria sendo policial?”

Um último mas não menos importante fator nessa equação é a anuência das autoridades e da própria sociedade à letalidade policial. No Brasil, 57% disseram concordar com a frase “bandido bom é bandido morto” em uma pesquisa feita pelo Datafolha em 2016.

Esse discurso se reflete nas urnas. O país teve, em 2018, o maior número de policiais militares candidatos e eleitos das últimas três eleições gerais, impulsionados pela popularidade da posição “linha-dura” do hoje presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo levantamento do UOL.

E a tendência da farda na política se repete nos pleitos municipais deste ano, com um aumento de 108% dos policiais e militares que concorrem ao cargo de prefeito. Eles saltaram de 178 quatro anos atrás para 371 neste ano, mostram dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)

“O policial é um reflexo da sociedade, que acha que bandido bom é bandido morto. Isso é chancelado pelo governo e pelo sistema de justiça criminal. O ‘atira na cabecinha’ não está no currículo formal da polícia, mas está no currículo oculto”, diz Carlos, coronel da reserva com 33 anos de serviço, se referindo à frase do governador afastado Wilson Witzel (PSC).

Para os pesquisadores, os discursos públicos das autoridades ressoam entre os membros das corporações e podem ser lembrados na hora de decidir pelo uso da força.

Por isso, para haver mudanças, é preciso que esses gestores se posicionem contra as mortes em todos os níveis da organização: nos processos seletivos, na formação e treinamento, na criação de protocolos, nas políticas de premiação, nos mecanismos de controle.

Diante de todos esses fatores, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu operações durante a pandemia do novo coronavírus é um “Band-Aid num corte cirúrgico”, na visão da major Pinc. “Pode ajudar a parar de sangrar um pouco, mas daqui a pouco ele vai sair e vamos ver que a doença continua ali”, ilustra.

A socióloga Poncioni sublinha: “Você pode botar todo o problema num único e grande saco: a falta de interesse político para formular, implementar, monitorar e avaliar políticas públicas na área da segurança”.

Enquanto o interesse não surge, policiais como Arthur seguem na rotina de tiroteios e baixas. “Você acha que policial gosta de subir morro e ficar trocando tiro? E os moradores? Numa guerra, todos pagam infelizmente.”