O coronavírus e o colapso do sistema de segurança pública
REDAÇÃO – ESTADÃO
23 de março de 2020 |
Rafael Alcadipani, é professor do departamento de administração da FGV EAESP.
É preciso que as polícias percebam rapidamente que elas estão em uma missão humanitária, não na tradicional “guerra contra o crime”
Há cerca de 15 dias, escrevi algumas reflexões a respeito do impacto do coronavírus(i) na Segurança Pública. Desde então, a situação do país com relação ao vírus só piorou. Muito se tem falado do colapso do sistema de saúde do Brasil. Porém, poucos estão discutindo que o sistema de segurança pública também pode entrar em colapso. Infelizmente, parece que até o momento o Brasil está cometendo vários erros, os mesmos que levaram a Itália a uma situação desastrosa. O epicentro da doença, São Paulo, está demorando para entrar em quarentena total. Há uma grande circulação de pessoas pela cidade e saindo da cidade espalhando o vírus internamente e para outros locais. Além disso, estamos perdendo momentos importantes em disputas políticas entre governadores, entre governadores e prefeitos, entre governadores e o governo federal e dentro mesmo do governo federal. Contrariamente a indicação da Organização Mundial da Saúde, estamos apenas testando os casos mais graves e há uma clara falta de sintonia entre as Secretarias de Saúde e o Ministério da Saúde e a rede privada e o Governo no que diz respeito as estatísticas. Isso significa que não temos ao certo a quantidade de casos do país com maior precisão e pessoas contaminadas não estão sendo isoladas. A doença está apenas agora chegando nas classes sociais mais baixas. Ela irá se propagar nas grandes periferias onde pessoas vivem dentro de casas onde o isolamento é impossível.
Diz o ditado Chinês que “podemos escolher o que plantar, mas somos obrigados a colher o que semeamos”. Frente ao que está acontecendo, o Brasil caminha para ser um dos piores países do mundo em relação a propagação vírus. Em breve, a proibição da circulação de pessoas terá que ser total e o país irá parar. Neste cenário, as forças de segurança terão papel fundamental. Em primeiro lugar, as polícias terão que mudar a sua atuação. Elas terão que estar nas ruas para impedir que as pessoas circulem. Uma coisa é fazer isso em países como Espanha, Itália e França. Outra é no Brasil. Quem conhece as comunidades brasileiras sabe que é praticamente impossível garantir, pelas dificuldades da característica da urbanização destes locais, que as pessoas fiquem de fato em casa. Mesmo nas áreas centrais, muitas pessoas irão tentar quebrar a quarentena imposta pelo Estado. Na Itália, o efetivo policial está sendo empregado para coletar material para o exame do vírus na casa das pessoas. Isso também pode ser necessário no Brasil. Além disso, parte expressiva das pessoas que estão nas periferias vivem de empregos precários. À medida que a retração da economia aumenta, inúmeros trabalhadores precários devem ficar sem receber e terão dificuldades para adquirir comida e remédio levando a possíveis saques a farmácias e supermercados. Só neste tipo de trabalho, as forças de segurança estarão sobrecarregadas.
Soma-se a isso, o fato de que policiais serão chamados para resolver brigas e discussões em hospitais, mercados e farmácias. O stress causado pela doença tende a tirar as pessoas da razoabilidade. E isso vai gerar muitas ocorrências policiais de contenção de distúrbios. Há ainda a questão do sistema penitenciário. O que aconteceu em São Paulo, com rebeliões e fugas de presos, pode ocorrer com mais frequência. Há iniciativas sendo tomadas para liberar presos de baixa periculosidade e também de limitar as visitas. Mas, com o aumento da propagação do vírus, visitas terão que ser interrompidas e isso pode gerar muitas rebeliões e distúrbios onde as forças de segurança terão que atuar.
Existe um aumento de casos de todo tipo de estelionato ligado ao vírus. Venda de álcool gel falsificado, golpes de remédios que prometem a cura e por aí a fora. Estas ocorrências, ao serem notificadas, aumentarão o trabalho da polícia que terá muita dificuldade em dar vazão ao atendimento deste tipo de caso. E há, ainda, a questão do crime organizado. A diminuição da circulação de pessoas na rua levará a uma queda da venda de drogas. Com isso, o crime organizado buscará alternativas para seguir ganhando. É esperado que ele possa atuar mais fortemente em roubos e furtos de caixas eletrônicos e, ainda, nos assaltos a residências, joalheiras, cargas e outros locais onde haja possibilidade de auferir dinheiro. Isso fará com que as forças de segurança tenham que ser empenhadas também nestas ocorrências. Haverá, ainda, o aumento dos crimes interpessoais. Inúmeras pessoas convivendo sem sair as ruas dentro de casa tende a acarretar o aumento da violência doméstica e homicídios. Hoje, a logística de recolhimento de corpos é ainda bastante precária em todo o Brasil. Com o aumento das mortes causadas pelo vírus, haverá muita dificuldade para se coletar os corpos. Ester serviço precisa ser aprimorado urgentemente.
Como os membros das forças de segurança estarão nas ruas, a possibilidade de contaminação é verdadeira. Isso tem acontecido na Espanha, na Itália e na França. Ou seja, teremos um forte aumento da demanda pelas nossas forças de segurança ao mesmo tempo em que possa ser diminuído o efetivo. Diante de tudo isso, os comandos das polícias terão que priorizar a alocação do efetivo, de recursos materiais, escolhendo muito bem onde e como atuar. Já estão em curso preparativos e planejamentos para a atuação durante a pandemia. Considero, porém, que é preciso pensar no pior cenário.
Por fim, o ponto mais importante é que esta crise pode nos ajudar a melhorar a atuação das nossas forças de segurança. Talvez como poucas vezes em nossa história, iremos precisar da atuação social de nossas polícias. Isso acontece muito, mas é pouco divulgado. Este cenário pode ser uma chance de ouro para que a relação entre polícia e sociedade melhore. É preciso que as polícias percebam rapidamente que elas estão em uma missão humanitária, não na tradicional “guerra contra o crime”. Além disso, é uma chance para que seja utilizada tecnologia para deixar o atendimento e os processos da polícia mais rápidos e mais eficientes, principalmente no registro de ocorrências. Os efeitos da pandemia se comparam ao de Guerras Mundiais e grandes crises. Estamos diante do maior desafio de nossas vidas. Precisaremos de nossas forças de segurança para nos conduzir diante deste caos. Aos membros das nossas forças de segurança, muito obrigado pelo trabalho de vocês. Precisamos estar todos juntos como nunca.
O coronavírus e os impactos para a segurança pública
Rafael Alcadipani é Professor da FGV-EAESP e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública O Brasil começa a ter um aumento do número de pessoas infectadas pelo coronavírus. Caso ocorra uma epidemia no país, haverá efeitos claros e diretos na segurança pública e nossas polícias, autoridades e pessoas precisam estar preparadas para isso. Em países … Continue lendo
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) manteve neste domingo (22) um discurso de minimizar as medidas de restrições de circulação e consequente atividade econômica tomada por governadores.
Segundo Bolsonaro, o povo saberá que foi enganado pelos governadores e pela mídia na crise do coronavírus.
“Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírius “, disse Bolsonaro em entrevista à TV Record, veiculada na noite deste domingo. “Espero que não venham me culpar lá na frente pela quantidade de milhões e milhões de desempregados na minha pessoa”.
Bolsonaro disse que a população não pode entrar em pânico e que doenças como essa costumam ocorrer pelo mundo.
“Mais importante que a economia é a a vida. Mas nós não podemos extrapolar na dose, com o desemprego aí, a catástrofe será maior.”
Questionado acerca dos dados sobre os quais trabalha, Bolsonaro disse que há exageros nos dados do Ministério da Saúde. “Eu não trabalho [com projeções de números], não interfiro no trabalho do Luiz Mandetta, nosso ministro da Saúde, eu vejo os números que partem de lá, dessas projeções, e to achando que há um exagero nisso daí”.
No sábado, Bolsonaro acusou governadores, a quem chamou de irresponsáveis, de quererem aumentar a taxa de desemprego no país ao restringirem a atividade econômica com medidas de precaução contra a pandemia do coronavírus.
“No momento, a minha grande preocupação é com a vida das pessoas, bem como com o desemprego que é proporcionado por esses governadores irresponsáveis”, afirmou ele, em entrevista à CNN Brasil.
A crítica é uma referência às gestões de João Doria (São Paulo) e de Wilson Witzel (Rio de Janeiro) que decretaram o fechamento de serviços não essenciais.
Bolsonaro disse que governadores estão exterminando empregos. “[A recomendação é ter] calma, tranquilidade, não levar pânico à população, não exterminar empregos, senhores governadores, sejam responsáveis”, disse.
“No momento já temos um problema, os governadores são os verdadeiros exterminadores de emprego. Parte dos governadores, deixo claro, estão [sic] exterminando empregos no Brasil. Essa é uma crise muito pior do que o próprio coronavírus vem causando no Brasil e pode causar ainda”.
Na entrevista deste domingo, Bolsonaro falou em governadores de forma genérica, mas citou Doria ao mencionar que o governador paulista esteve em eventos com grandes públicos, como o carnaval de São Paulo.
Segundo Bolsonaro, “não podemos politizar isso aqui, só falei isso porque eles me atacam constantemente”. Na sequência, o presidente afirmou que as críticas que tem recebido envolvendo as medidas contra a pandemia fazem parte de um movimento para tirá-lo do cargo.
“A grande mídia, governadores, de olho na minha cadeira, se puder antecipar minha saída, eles farão isso aí, mas da minha parte não terão oportunidade disso, nós vamos continuar nosso papel”.
Bolsonaro tem enfrentado uma série de panelaços nos últimos dias em várias cidade do país. Ele disse não estar preocupado com popularidade e afirmou que as manifestações foram incentivadas pela imprensa.
“É uma campanha deslavada, campanha descomunal, absurda contra o chefe de estado que simplesmente teve coragem de cortar propaganda dessas grandes empresas. Acabou a mamata para eles e querem me tirar de qualquer maneira”.
O presidente disse acreditar na eficácia das medidas do governo federal para reduzir o impacto para a população. Ele citou o não recolhimento de tributos federais, facilidade de crédito da Caixa Econômica e o adiantamento das parcelas do 13º para aposentados e pensionistas.
Questionado sobre o que o governo pode fazer com a chegada da doença em comunidades pobres, Bolsonaro disse que é preciso ter cuidados e evitar a circulação, mas fez referência a existência de outras doenças.
“Tem uma comunidade do Rio de Janeiro, não vou falar o nome porque vão falar que estou discriminando, [que] tem um número de tuberculosos muito alto. Entrando o vírus lá, com toda certeza nessa comunidade, vai ter muita gente que vai perder a vida”.
Bolsonaro tem minimizado os impactos da doença no Brasil desde fevereiro, quando o primeiro caso foi registrado no país. Ele já afirmou que “tá havendo uma histeria”.
Apesar de o vírus ter infectado 24 pessoas que estiveram com o presidente nos Estados Unidos, no início de março, Bolsonaro se nega a divulgar os resultados de seus testes que, segundo ele, deram negativo.
Luiz Vassallo e Felipe Resk
18 de março de 2020 | 17h59
O governador de São Paulo e ex-prefeito, João Doria. Foto: Alex Silva / Estadão
A juíza Paula Fernanda de Souza Vasconcelos Navarro, da 9ª Vara da Fazenda Pública, determinou que o governador João Doria (PSDB) adote, em até 72 horas, medidas para proteger os policiais civis do coronavírus. A decisão acolhe parcialmente ação do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, que reclamou à Justiça da falta de ações do governo estadual contra aglomerações, como a suspensão dos cursos de formação da Academia de Polícia “Doutor Coriolano Cobra” e orientações contra boletins de ocorrência presenciais.
Os policiais ainda pediam que a Justiça determinasse que o governo fornecesse ‘álcool gel, bem como reforço na aquisição de materiais de limpeza e higienização local’ e promovesse a dispensa ‘remunerada dos policiais civis que hoje encontram-se classificados em risco, após a devida comprovação da classificação; atuação dos setores administrativos em regime de sobreaviso’.
Em sua decisão, a juíza afirmou que ‘em razão do surto epidemiológico, as autoridades públicas, inclusive o Governo do Estado de São Paulo, adotaram uma série de restrições de circulação e contato humano para evitar a propagação acelerada do vírus e a sobrecarga do sistema de saúde, mas não se tem notícia de que os Delegados de Polícia do lado de São Paulo tenham sido de alguma maneira contemplados’.
Segundo a magistrada, ‘não é exigível que os senhores Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, em especial aqueles que estejam em grupos de risco, tenham exposição desnecessária da sua saúde, bem como que prossigam com expediente regular de trabalho nas condições excepcionais de pandemia mundial ora observadas’.
A juíza deferiu o pedido, em parte, ‘para determinar que o governo, representada pelo Exmo. Senhor Governador do Estado de São Paulo e Exmo. Senhor Secretário de Segurança Pública, analise a situação específica dos senhores Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, adotando as medidas sanitárias necessárias à preservação da vida e da saúde dos policiais civis, bem como a restrição de circulação nos ambientes públicos das Delegacias de Polícia do Estado de São Paulo, de acordo com a determinação dos profissionais da saúde, em especial em favor do policiais que se encontrem nos grupos de risco do COVID-19, mas sem olvidar da essencialidade do serviço por eles prestados à nação e da proibição de interrupção dos serviços da policia civil’.
“Deverá a ré, no prazo de 72 horas da ciência da presente decisão, estabelecer as medidas temporárias de prevenção ao contágio do COVID-19 no âmbito da Polícia Civil do Estado de São Paulo, considerando a classificação de pandemia emitida pela Organização Mundial da Saúde, sob pena de multa a ser fixada em caso de descumprimento da ordem, bem como de que a regulamentação seja feita pelo juízo. Cite-se com urgência, observadas as formalidades legais. Servirá a presente decisão, assinada digitalmente, como ofício e/ou mandado. Intime-se”, concluiu.
COM A PALAVRA, PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO
Nota à Imprensa
A Procuradoria Geral do Estado informa que, assim que for intimada, irá esclarecer a Justiça sobre as medidas que estão sendo adotadas pela Secretaria da Segurança Pública para proteger os policiais civis da disseminação do coronavírus e manter os serviços policiais.
Assessoria de Imprensa
Procuradoria Geral do Estado de São Paulo
Por G1 Mogi das Cruzes e Suzano
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Deodato Rodrigues Leite, delegado da DISE de Mogi — Foto: Reprodução/TV Diário
O juiz Davi de Castro Pereira Rio, da 2ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes, absolveu o delegado afastado Deodato Rodrigues Leite, de Mogi, da denúncia de falsidade ideológica de documentos e determinou o retorno dele ao cargo. A Promotoria de Justiça da cidade disse que vai recorrer da decisão.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informou que os fatos seguem em apuração por meio de Procedimento Administrativo instaurado pela Corregedoria da Polícia Civil. “Até o momento, a Seccional de Mogi das Cruzes não foi notificada sobre a determinação judicial mencionada”, informou.
Já o delegado disse ter recebido com muita tranquilidade a decisão. “Sempre tive certeza que durante o processo judicial eu poderia provar a verdade, já que durante as investigações do MP isso não me foi permitido. A decisão judicial efetivamente fez justiça.
Segundo a denúncia do Ministério Público, flagrantes eram conduzidos pelo delegado no mesmo horário em que dava aula em universidade. Outros seis policiais também foram investigados porque, segundo o MP, mentiram em depoimento em favor de Deodato Leite, a quem eram subordinados.
Na 2ª Vara Criminal, o juiz determinou que o processo fosse desmembrado e os réus investigados separadamente.
Em agosto de 2018, Deodato foi afastado do cargo de delegado do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Dise) depois de uma decisão judicial. Na sentença, o juiz revogou a decisão anterior, “permitindo o retorno ao exercício regular de suas atividades”, segundo o documento.
Em depoimento, Deodato afirmou que ocorria dele sair da sala de aula para ir registrar o boletim. A versão também foi corroborada pelas falas de testemunhas. Além disso, segundo consta na decisão, o réu apresentou documentos que comprovam que ele estava na delegacia e até em viagens para fora do país em que o ponto dele estava registrado na universidade.
“Portanto, ausentes provas firmes, seguras e precisas de que o acusado não estaria na delegacia a conduzir os autos de prisão em flagrante é medida que se impõe a prolação de uma sentença absolutório. Neste ponto, registro que, uma vez afastado o delito principal fica rechaçado, por via de consequência, o delito de participação em falso testemunho”, destacou o juiz.
Por Bruno Tavares, TV Globo — São Paulo
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3ª Delegacia Seccional de São Paulo, na Zona Oeste da capital — Foto: Kleber Tomaz/G1
As delegacias de polícia do estado de São Paulo vão funcionar em regime especial a partir desta quarta-feira (18) em razão do novo coronavírus. A portaria deve ser publicada nesta quarta no Diário Oficial. O regime especial prevê que as ocorrências deverão ser registradas pela internet e a delegacia responsável pela região vai apenas validar os BOs. O atendimento direto será mantido apenas nos seguintes casos:
A portaria do delegado-geral esclarece que o policial não pode se recusar a prestar atendimento a quem procurar a delegacia mas, na medida do possível, a pessoa deve ser orientada a fazer tudo pela internet.
“Caberá ao Delegado de Polícia decidir se o fato apresentado ou noticiado demanda imediata providência de polícia judiciária ou poderá ser postergado, sem eventual prejuízo para a prova”, afirma o Delegado Geral de Polícia, Ruy Ferraz Fontes, no documento.
Além disso, a portaria deixa a cargo dos responsáveis pelas unidades a possibilidade de implementar sistemas de senhas para limitar o ingresso de pessoas nas áreas comuns dos prédios.
Diversos órgãos públicos de São Paulo anunciaram nesta terça-feira (17) alterações no funcionamento para restringir a propagação do novo coronavírus. A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a Câmara Municipal de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) se juntam à lista de órgãos que vão suspender parte das atividades. Outros serviços, como atendimentos da Polícia Federal e da Justiça Estadual, já adotam funcionamento restrito na capital desde segunda-feira (16).
EM CARÁTER LIMINAR

A decisão foi proferida em ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). O sindicato alegou vício na condução do processo legislativo que aprovou a PEC proposta pelo Executivo estadual.
O desembargador identificou violações ao artigo 10 da Constituição Estadual e ao artigo 31 do regimento interno da Alesp. Em sua decisão, o magistrado afirmou ainda que os trâmites necessários para a votação da proposta não teriam sido observados corretamente.
Segundo o parágrafo único do artigo 10 da Carta paulista, “salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações da Assembleia Legislativa e de suas Comissões serão tomadas por maioria de votos, presente a maioria absoluta de seus membros”.
Ocorre que, para o magistrado, houve um trâmite diferenciado para a aprovação da reforma. Trâmite esse não excepcionado pela Constituição estadual.
“Inexiste, a princípio, qualquer indício de que as razões, que levaram à Proposta de Emenda Constitucional 18/19, de autoria do Governador do Estado de São Paulo, à votação pela Casa Legislativa, estejam incluídas no rol do autorizativo constitucional, para que houvesse um trâmite diferenciado”, afirmou o relator.
Em não havendo qualquer determinação constitucional, Malheiros afirmou que o processo legislativo não pode ser alterado, devendo seguir as regras já existentes na Casa Legislativa. Assim, os efeitos da reforma da previdência foram suspensos, “uma vez que os documentos trazidos aos autos são hábeis a comprovar a existência de direito líquido e certo, além do fumus boni juris e o periculum in mora“.
Outro vício preliminar identificado foi o fato de parecer do relator especial ter sido aprovado, em detrimento de parecer da Comissão de Constituição e Justiça, o que, em tese, fere o artigo 31, parágrafo primeiro, do Regimento Interno da Assembleia Legislativa.
Decisão do STF
Malheiros afirmou que a liminar não desrespeita decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, que havia autorizado a votação da reforma da previdência dos servidores paulistas. Isso porque, segundo Malheiros, “o que se verifica, no presente caso, é o processo legislativo, apontado como inconstitucional, diante do comando exarado pela Constituição do Estado de São Paulo”.
Clique aqui para ler a decisão
2044985-25.2020.8.26.0000
15 MAR 2020
Policiais da 1º Delegacia de Polícia de Investigações Gerais (DEIC) apreenderam na data de hoje (13), cerca de trinta máquinas caça níqueis em uma casa situada no Bairro Encruzilhada, em Santos.
A equipe apurou que no local supostamente poderia funcionar ilegalmente uma casa de jogos de azar, momento em que diligenciaram até o imóvel, e após ter sido franqueada a entrada pela responsável, uma mulher, de 47 anos, verificaram que em seu estabelecimento haviam máquinas de caça níqueis, ligadas e em funcionamento. Havia uma testemunha no local, que acabara de adentrar para jogar nas máquinas, conforme assumiu aos policiais.
A mulher que estava no imóvel assumiu ser a responsável pelo local e responderá pela contravenção penal de jogos de azar.
O Instituto de Criminalística foi acionado, e as máquinas de caça níqueis foram apreendidas, juntamente com cartões de memória e placas de rede que eram destinadas a prática de jogos ilegais.
Se bem que, considerando-se o ineditismo da ocorrência , aparentemente, pode-se até pensar: aumentaram os caciques aumenta-se os cacifes, ou seja, apenas um recado pra quem não quiser por mais fermento e farinha no bolo.
Nada a ver com a proibição da saída de Páscoa. Gravíssimo!
O governador João Doria (PSDB) anunciou, nesta segunda-feira (16), a determinação imediata de férias e licença-prêmio para servidores públicos do estado de São Paulo que tenham direito ao benefício neste momento.
A medida, que faz parte de um pacote de iniciativas contra a propagação do coronavírus, não vale para servidores das áreas da saúde, segurança pública, administração penitenciária e Fundação Casa.
“A decisão poderá ser revista, se necessária, e será devidamente anunciada publicamente”, afirmou Doria durante coletiva na tarde desta segunda.
O governador reiterou o anúncio de que os pedidos de férias e licença estão suspensos, por 60 dias, para os profissionais da saúde da rede pública estadual.
Casos excepcionais, como servidores que tenham direito ao afastamento em razão de tratamento de saúde, por exemplo, ficam de fora da suspensão.
Doria declarou ainda que não descarta a convocação de médicos e profissionais da saúde inativos, caso necessário.
“Aqueles que não estejam no curso de suas atividades poderão ser convidados a colaborar, caso essa necessidade seja expressa pela central de contingência do Covid-19.”
Doria também manteve a determinação do fechamento gradual das escolas estaduais até sexta-feira (20), com a suspensão integral a partir da próxima segunda (23).
Alertando para a falta de condições de higiene adequadas das escolas, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) protocolou, nesta segunda (16), uma representação no Ministério Público Estadual pedindo a imediata suspensão das aulas.
“É um absurdo que as aulas só serão suspensas gradativamente. As escolas estão praticamente sem sabão, álcool em gel, não há a mínima condição, é uma irresponsabilidade muito grande. A suspensão gradativa é uma afronta à saúde e aos profissionais da educação e aos alunos”, afirmou o deputado.
A Secretaria da Educação diz que a medida visa a adaptação da rotina das famílias, de forma a minimizar o risco de propagação do Covid-19.
“A suspensão parcial é necessária porque existem famílias que não vão conseguir se preparar para uma suspensão imediata. É preciso se preparar para que não haja uma situação em que a família não tem com quem deixar o aluno, por exemplo, e esse aluno acaba ficando em casa com o público de risco”, afirmou ao Agora o assessor técnico do Secretário de Educação, Henrique Pimentel.
Da maneira que a coisa caminha o Governador e seus familiares correm perigo , assim como os policiais que forem fieis ao governo e as instituições.
A intenção de instalar uma ditadura miliciana no Brasil está escancarada.
E confiar numa polícia infectada pelo bolsonarismo é caminhar para o suicídio político, moral e até corporal !

O senador Major Olímpio (PSL-SP) e governador de São Paulo, João Doria (PSDB), trocaram ofensas na manhã de hoje e quase se agrediram fisicamente durante um evento na capital paulista. A discussão acabou com o senador sendo retirado do local pela segurança do governador.
A discussão aconteceu no Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), que fica no centro da capital paulista. Vídeos publicados nas redes sociais mostram os dois políticos discutindo e sendo contidos por seguranças.
O clima esquentou quando Doria chegou ao local. O senador chegou a sentar em frente ao carro do governador para chamar atenção.
“Fujão, fujão. Você não tem respeito”, gritou Major Olímpio.
As imagens postadas nas redes sociais mostram o senador tentando se aproximar de Doria na entrada do prédio. Ambos trocaram ofensas e precisaram ser contidos. Neste momento, Major Olímpio foi retirado do prédio e chegou a discutir com seguranças do governador.
A versão de Major Olímpio é de que Doria escalou policiais do Dope para fazer uma sessão de imagens. Segundo o senador, ele foi acionado e tentou interpelar o governador ao lado do deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP).
Major Olímpio gravou um vídeo para explicar a sua visão dos fatos, criticou a atitude do governador em relação aos policiais e disse que o caso “não vai ficar barato”.
“Doria convocou policiais para ficarem desde as 7 horas da manhã para fazerem imagens com ele. Os policiais me acionaram, fui para frente do Dope. Como não fui convidado para entrar, não ingressei no prédio, eu e o deputado federal Coronel Tadeu, com a minha caixinha de som, ficamos fazendo falas”, contou Olímpio em um vídeo no qual explica a sua versão. “Ele começou a me dizer impropérios e, obviamente protegido pela segurança, fez com que a segurança me colocasse para fora do evento. Lamentável, atitude covarde do João Doria. Não comigo, comigo que se dane, mas com os policiais de São Paulo. Não vai ficar barato isso.”
Questionado pela reportagem do UOL sobre o caso, o governador de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, disse estar preocupado com a saúde dos brasileiros e que Major Olímpio deveria “honrar seu mandato” e fazer o mesmo.
“Em relação aos ataques do senador Major Olímpio, o Governador João Doria informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está “preocupado com a saúde dos brasileiros de São Paulo. Major Olímpio deveria honrar o seu mandato e fazer o mesmo. Não é hora de fazer proselitismo político eleitoral. É um desrespeito ao povo de São Paulo um senador da República que vira as costas para o grave tema da saúde pública. E quer fazer campanha política, ideológica e sindical na hora errada”, afirmou.
Em nota oficial, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) criticou o governador João Doria e apoiou o protesto de Major Olímpio.
“O senador estava presente para se manifestar democraticamente, quando foi agredido e retirado à força do local pela escolta poucos momentos após a chegada do governador João Dória. Parlamentares subservientes ao governador participaram do encontro sem qualquer tipo de constrangimento. O senador, porém, foi proibido de expor suas opiniões democraticamente, a mando do governador, que determinou o uso de violência para calar uma voz contrária ao seu Governo”, afirmou a entidade.
Afinal, será que algum policial do DOPE chamou de fato o Major ?
Ou foi ele tumultuar por oportunismo?
Por outro lado, o Senador deveria estar em Brasília cuidando de interesses maiores do que assuntos corporativos .
E quando da reforma previdenciária na Constituição Federal votou a favor de quem?
Ora, hoje não adianta mais vir fazer mídia em cima da Polícia Civil…
Já foi!
Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP) repudia de forma veemente as agressões da escolta do governador João Dória contra o senador Major Olímpio na manhã de hoje (16/3), dentro das instalações do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
O senador estava presente para se manifestar democraticamente, quando foi agredido e retirado à força do local pela escolta poucos momentos após a chegada do governador João Dória.
Parlamentares subservientes ao governador participaram do encontro sem qualquer tipo de constrangimento. O senador, porém, foi proibido de expor suas opiniões democraticamente, a mando do governador, que determinou o uso de violência para calar uma voz contrária ao seu Governo.
O Major Olímpio, uma das vozes mais atuantes na defesa da Segurança Pública paulista, foi hostilizado e agredido por ecoar os anseios de todos os policiais civis do Estado de São Paulo, vilipendiados em seus salários e direitos pelo Governo Dória.
Ele foi impedido de denunciar os direitos perdidos com a Reforma da Previdência e o irrisório aumento de 5% oferecido pelo Governo, duas das mais recentes ações do governador Dória para destruir a já combalida Polícia Civil do Estado de São Paulo.
O SINDPESP reitera seu repúdio às agressões e declara apoio à manifestação do senador Major Olímpio, que teve como único objetivo resgatar a dignidade dos policiais civis de São Paulo.