[Ponte] Policiais amordaçados Resposta

Deixem os policiais falarem

Um tenente da PM disse que é “uma vergonha” um policial não matar nem três pessoas em cinco anos de trabalho.

Policiais militares expuseram a imagem de uma adolescente de 16 anos, vítima de estupro coletivo, chamando-a de “vadia” e comparando a menina com jumentas e cadelas no cio.

Um porta-voz da PM paulista sugeriu que a Ponte teria ligação com o crime organizado.

Na mesma semana em que uma ação da PM levou ao massacre de nove jovens em Paraisópolis, policiais fizeram posts celebrando a violência contra os bailes de favela em suas redes sociais.

Denunciados em reportagens da Ponte, nenhum desses policiais sofreu qualquer consequência séria por conta das declarações públicas públicas que fizeram. Pelo menos um foi promovido.

Postura muito diferente tiveram a Polícia Militar do Paraná com o PM aposentado Martel Alexandre del Colle e a Polícia Civil de São Paulo com o investigador Alexandre Félix Campos. Por conta de declarações públicas que fizeram, Martel está ameaçado de expulsão e Alexandre denuncia que vem sendo alvo de perseguições dentro da instituição. O engraçado é que nenhum deles defendeu ilegalidades, zombou da dor de pessoas violentadas, espalhou calúnias ou afrontou o Estatuto da Criança e do Adolescente, como os seus colegas que mencionamos há pouco.

Tudo o que Martel fez foi publicar uma série de artigos em que procura debater o papel das polícias, sem ataques gratuitos nem vulgaridades, propondo um novo modelo de policiamento, mais democrático e próximo da maioria da população. Já Alexandre cometeu o crime de se opor à eleição do presidente Jair Bolsonaro.

Nem precisa dizer que há algo de muito errado com corporações que não se importam com declarações de policiais que violam leis e atacam os direitos humanos, mas perseguem os que propõem um debate de ideias sobre o papel da corporação. Tudo isso é muito grave porque passa um recado claro: o de que policiais não podem expor opiniões que suas chefias considerem impopulares. É algo que limita a discussão sobre a segurança pública no País, que não pode ser feito sem ouvir os policiais — todos os policiais, e não apenas aqueles que falam o que seus superiores querem ouvir.

Fausto Salvadori, editor e repórter da Ponte Jornalismo

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