Drogas: Legalizar ou não? Eis a questão
Principais candidatos à Presidência são contra, enquanto desembargador é a favor
Ana Paula Siqueira
BRASÍLIA
Repressão ou liberdade? Saúde pública ou violência? O debate em torno da liberação das drogas, proibidas no país desde a década de 1970, ganha cada vez mais fôlego.
Operadores do direito, que lidam diariamente com o combate às drogas e à violência gerada pelo tráfico, acreditam que o modelo atual de combate se mostrou ineficiente e deve ser mudado.Especialistas em saúde, no entanto, acreditam que a proibição é a melhor arma para acabar com o problema, que é tratado como doença. Mas, independentemente do que defendem, todos reconhecem ser um problema que precisa de solução urgente.
Entre os principais candidatos à Presidência, nenhum assumiu posição em favor da legalização.
A candidata do PT, Dilma Rousseff, em entrevista a TV Brasil, em julho, se posicionou contra a legalização: Não podemos falar em pro- cesso de descriminalização de droga enquanto tivermos o quadro que temos hoje no Brasil observou. Uma droga não está isolada da outra. O consumo do crack se une ao de outras drogas. Temos que ter cuidado para não chegar nessa situação de descriminalização. O Brasil não tem condições, hoje, de propor a descriminalização de qualquer droga.
O candidato do PSDB, José Serra, a firma ser preciso combater o tráfico, e se posiciona contra a descriminalização de qualquer tipo de droga. Para os usuários, ele defende tratamentos públicos de saúde.
A questão da droga é gravíssima. O preço da cocaína baixou 50 vezes. Então, isso aumenta o consumo avaliou o candidato,também em entrevista à TV Brasil.
Já Marina Silva, do PV, defende debates e mais informação para encontrar o caminho. A candidata verde acredita que deva haver respeito entre as diferentes opiniões, quando se trata da descriminalização das drogas. O que não está previsto em lei, na opinião da candidata, deve ira plebiscito, segundo e-mail enviado por ela ao JB: Se esse debate for apenas dicotomizado em quem é contra e quem é a favor, nós não vamos encontrar solução.Continuar como está não é a solução. Descriminalizar, sem o acolhimento, o atendimento, o tratamento, também não é a solução. Então vamos buscar os meios conjuntamente. Essa é a minha posição e eu também advogo em favor de um plebiscito.
Pró-legalização
Para o desembargador da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Siro Darlan, a legalização seria a melhor forma de acabar coma guerra provocada pelo tráfico. Ele acredita que o país tem capacidade para realizar o controle do que seria vendido, além de evitar a morte de milhares de inocentes.
Estamos há mais de 40 anos numa guerra insana. Toda semana a polícia invade morro em busca de traficantes e sempre saem mortos inocentes. Não sei dizer o resultado final, mas acho que já é tempo de experimentarmos uma modalidade nova de combate.
Darlan acredita que, além do aspecto da criminalidade, a legalização deverá reduzir o consumo, a exemplo do que vem acontecendo em muitos países que descriminalizaram o uso.

