Um gesto que honra a Instituição : a lição dos Delegados da Polícia Federal 6

Um ato de coragem institucional inspirador

Por Roberto Conde Guerra

Há gestos que valem mais do que mil relatórios, mais do que mil notas técnicas, mais do que qualquer nota de esclarecimento redigida sob pressão.

Nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, onze diretores da Polícia Federal ofereceram um desses gestos raros: colocaram seus cargos à disposição em sinal de solidariedade ao diretor-geral Andrei Rodrigues, afastado por força da abjeta, vil , covarde e mentirosa decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Merece ser dito, sem meias palavras: foi um ato de coragem institucional que deveria envergonhar, por comparação, boa parte da estrutura de comando das polícias civis espalhadas pelo país.

O fato e o contexto

A decisão de Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, sob a alegação de que a cúpula da PF teria participado, teve conhecimento ou foi omissa diante da produção de relatórios de inteligência que monitoravam a atuação do próprio ministro — seis documentos produzidos entre 3 e 31 de agosto, segundo a decisão.

Diga-se, cuja atuação tendenciosa é auto evidente!

A medida atendeu ao pedido do partido Novo, que chegou a requerer inclusive a prisão preventiva do diretor-geral.

A Segunda Turma do STF  – a toque de caixa – formou maioria para referendar o afastamento, com os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux acompanhando Mendonça.

O ministro Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento ;  contudo , provisoriamente ,   prevalecendo a decisão dos três  arrancando inconstitucional e criminosamente o Delegado Rodrigues da chefia da Instituição .

A inconstitucionalidade é evidente !

Tal decisão que retirou o diretor-geral da Polícia Federal usurpa competência privativa do Presidente da República; invadindo o núcleo da separação de poderes e gerando instabilidade sobre toda a Instituição com consequências diretas e devastadoras para a continuidade de investigações em curso e para a segurança pública.

O caráter criminoso se revela diante do fato de que a autodeclarada vítima promove o afastamento de dois dos seus supostos algozes . 

E distorcendo os fatos …Falseando a verdade …Carregando nas tintas para se vitimizar!

Há um vício ainda mais grave, de natureza processual penal.

O afastamento de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada da Costa tem a natureza jurídica de medida cautelar diversa da prisão; a mesma previsão no artigo 319 do Código de Processo Penal, invocado, aliás, pelo próprio partido Novo em seu requerimento.

Ocorre que nenhum dos dois delegados figura como denunciado ou investigado em procedimento formalmente instaurado, tampouco tal medida foi requerida pelo Ministério Público Federal .

Decretar , de ofício , como vítima , uma medida cautelar de natureza penal contra quem não é sequer alvo de procedimento investigatório formalizado é decisão que carece do pressuposto mínimo de cabimento: a existência de persecução penal em curso.

Salvo melhor entendimento: é crime!

Foi nesse cenário de ignorância jurídica, arbítrio e crise institucional –  com uma corporação sob ataque público e seu dirigente maior afastado por ato de um homem reconhecidamente antidemocrático , dado a perseguir desafetos e empregar a Lei de Segurança Nacional enquanto ministro da justiça do golpista condenado ; a quem continua servindo como magistrado “ad hoc” do STF  – que os onze diretores decidiram não se calar.

Educadamente , na nota que compartilharam  classificaram o episódio como “ataques injustificados” à Polícia Federal e afirmaram  que “narrativas marcadamente influenciadas por interesses políticos-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a confiança e a trajetória profissional de quem quer que seja”.

E, para dar peso às palavras, fez o que poucas fazem: entregaram os respectivos cargos de direção .

Por que isso importa

Em um país onde cargos de direção e  postos de comando policial costumam ser tratados como moeda de barganha política, onde delegados-gerais são trocados ao sabor de convenções de governadores, secretários e grupos de interesse, o gesto dos diretores da PF é uma anomalia salutar.

Não se trata de corporativismo cego ou mafioso ;  se trata de respeito , orgulho e da  sensibilidade de que a espinha dorsal de qualquer instituição policial é a sua independência técnica e funcional diante de pressão externa, sejam elas políticas, eleitorais ou judiciais mal calibradas.

Quantas vezes já vimos, nos estados brasileiros, delegados de carreira serem afastados, transferidos ou constrangidos por terem investigado uma pessoa errada, no momento errado, com o resultado errado para quem detém o poder de nomeação?

Quantas corregedorias foram usadas como instrumento de vingança, e não de controle legítimo da atividade policial?

A resposta é: mais vezes do que qualquer nota ou estatística oficial jamais admitirá.

O exemplo que deveria se espalhar

Se há uma lição a se extrair do episódio, é esta: instituições policiais fortes se defendem coletivamente quando um dos seus é açoitado por razões que cheiram mais a disputa de poder do que a devido processo legal.

O gesto dos onze diretores da PF é um recado claro ;  e deveria ecoar em cada secretaria de segurança pública, em cada corregedoria de polícia civil, em cada corporação estadual que hoje se vê refém de governadores, deputados e interesses “político-eleitorais espúrios”, para usar a mesma expressão que os próprios diretores escolheram.

Que este episódio sirva de espelho.

Que delegados e diretores das polícias civis estaduais tantas vezes vilipendiados, transferidos compulsoriamente ou expostos publicamente para satisfazer interesses pessoais de ocupantes de cargos eletivas ou de comissão  encontrem nesta atitude da PF um modelo a seguir.

A autoridade policial, quando exercida com legalidade , técnica, e comprometimento com a sociedade, não pode ser tratada como parte do tabuleiro político.

Defendê-la coletivamente, como fizeram esses onze diretores, não é desafio à autoridade judicial legítima ;  é afirmação de que existe, sim, um limite ético abaixo do qual a instituição não se curva.

Fica o registro, e fica o aplauso.

Um Comentário

  1. Todos cargos indicados por ele mesmo. Não vão mostrar apoio agora? Irão perder as cadeiras. Este Delegado, claramente, atua politicamente e com lado politico certo. Está na tríade PGR, PF e STF. Não adianta negar. Mendonça se utilizou do mesmo método Xandão. Expôs o podre. Porém a indignação é sempre seletiva (já foi afirmado que aqui é militância mesmo). Em suma: o pau que dá em Chico da em Francisco. A hora do chicote mudar de mão está chegando. Aí a indignação seletiva pode vir do choro seletivo também. O simples fato de mostrar indícios de advocacia administrativa (ou algo similar), não é o problema. O problema é o Mendonça. Nunca foram as dezenas de novas interpretações ou novos entendimentos desse supremo. As decisões monocráticas. Detalhe… Esse foi apenas um dos celulares do Vorcaro. Quando a pimenta é no dos outros, aí é refresco.

    OBS: É normal a “pseudo jornalista” Daniela Lima ter o contato do “Xandão”? Pq toda vez que ela abre a boca saem as exatas palavras dele!

    Cabe mais. Acho que é pouco. Pega fogo nesse cabaré!!!

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    • SUCUPIRA , você tem razão em um ponto elementar: numa instituição organizada hierarquicamente é natural que o diretor-geral componha sua equipe de confiança e nomeie os integrantes da cúpula. Ainda bem que seja assim na Polícia Federal!
      Isso não é, por si só, sinal de aparelhamento ou irregularidade; é condição mínima para que uma direção tenha coesão administrativa, responsabilidade funcional e capacidade de execução.
      Já na moinha ex-Polícia Civil paulista, a dinâmica frequentemente é outra: o delegado-geral apenas formaliza, no Diário Oficial, escolhas que chegam politicamente definidas por gabinetes, secretarias, grupos de influência e padrinhos , por vezes do “submundo do crime” .
      Cada diretor tende a ter sua própria sustentação externa.
      Nessa estrutura, se cai o delegado-geral, muitos não veem motivo para solidariedade; alguns, ao contrário, já entram na fila para ocupar a cadeira.
      Por isso, a renuncia – ao menos simbólica – coletiva dos cargos por diretores da PF pode ser lida, antes de tudo, como demonstração de unidade de uma equipe formada pelo diretor-geral.
      É um gesto institucionalmente compreensível.
      Não prova inocência de ninguém, tampouco se converte automaticamente em evidência de alinhamento coletivo , conspiração ou submissão política.
      Quanto à sua comparação entre Moraes e Mendonça, talvez estejamos menos distantes do que parece.
      Se a crítica é que ambos recorrem a construções expansivas, seletivas ( no popular , ENREDOS ) distorcendo fatos , provas e o Direito, isso apenas reforça a preocupação exposta na postagem.
      E você ao afirmar que Alexandre agia criminosamente atesta que Mendonça é só mais um criminoso.
      Ambos de direita , ambos cristãos.
      E não adianta negar você, agora , está aplaudindo o método criminoso que antes condenava .
      É assim: justo é aquilo que serve ao nosso próprio lado . Se Moraes agiu de modo impróprio no caso dos golpistas ; isso não autoriza Mendonça a fazer o mesmo com os delegados. Mendonça ao ultrapassar os limites jurídicos, tal como fez Moraes , apenas está justificando o precedente de abuso anterior de Moraes.
      São dois porcos do direito!
      Mas é exatamente aí que entra a diferença entre crítica, suspeita e prova. Alegações graves não servem , quero ler o que está escrito e ver as provas também: documentos, mensagens, , decisões, cronologia e elementos submetidos ao contraditório.
      E não vi nenhuma até agora !
      Contudo , nesse duelo entre Moraes e Mendonça eu torço pelas balas!
      Mas se eu for obrigado a escolher ficarei com o primeiro .
      A natureza da postagem, porém, é bem diversa e mais específica.
      Não é carta de defesa para Andrei Rodrigues, para a direção da PF ou para quem quer que seja.
      A questão é saber se André Mendonça agiu segundo o Direito — com competência adequada, fundamentação efetiva, respeito aos fatos comprovados, contraditório e limites constitucionais — ou se montou uma narrativa de acusação com a elasticidade própria de advogado chicaneiro.
      Eu tenho e li integralmente o Relinter e do tal despacho ao requerimento do NOVO ;obra de porcos …
      Porcos , no plural , certamente foi feita a várias mãos .
      Quando há prova consistente de ilícitos, que haja investigação séria e responsabilização.
      Se não há, não se pode substituir indícios de prova por retórica, suspeita por sentença condenatória e disputa pessoal por jurisdição em defesa coletiva
      Isso deveria valer para Moraes, Mendonça, Polícia Federal, PGR, STF e qualquer outra autoridade.
      E “pimenta no cu alheio é “refrigério” é um bordão do Flit desde priscas eras .
      Conheço na prática por sentir o ardor. Militância ? Sou militante de mim!
      Quando fui buscar justiça – já escrevi aqui algumas vezes – de certa forma fui humilhado e duas vezes multado pelo Moraes .
      Mas se não tenho apreço , também não tenho razão para odiar .
      Agora , aplicar duas multas – a segunda fixando o valor de um salário- mínimo em razão de já estar condenado ao pagamento de 20% do valor da causa – por procrastinação e interpor Agravo manifestamente descabido – foi maldade …
      Delegado demitido , atuando em causa própria por não poder contratar um Barsi , tendo que pagar multa para os pobres Procurados do Estado foi muita sacanagem .
      Paguei de pronto e não me fez falta até agora!
      Mas que alguém me explique , um ex-delegado que tentando anular demissão interpõe todos os recursos que eram possíveis até chegar ao STF , estaria prolongando o quê ?
      Seria a intenção de prolongar a “esperança desesperançosa ” ?
      Me parece que quem busca ser readmitido tem pressa , não é ?
      O fato: se eu tivesse padrinhos não teria sido demitido.
      É isso o que importava para o Ministro ao rejeitar meu recurso extraordinário.
      Se tivesse dinheiro para gastar não chegaria ao STF advogando em causa própria.
      Diga-se de passagem, a desventura jurídica serviu para eu aprender o que não se deve fazer.
      Moraes e outros deveriam praticar aquilo que desde cedo me ensinaram: o que se pode fazer cobrando de quem tem , se faz de graça para quem não tem como pagar!
      Caso Lula não seja reeleito , me parece que Moraes e família estarão mais seguros em outro país.
      Sobre chicote e choro lamento pelo povão!
      A minha vida nunca mudou por mudar governo .
      Já senti o couro e já chorei …Só não chicoteei.
      E Daniela Lima nem sei quem é ?

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        • Se me permitir, Daniela Lima é uma militante de esquerda, transvestida de jornalista!

          A dita cuja já chegou a comemorar, ao vivo, o aumento de preço dos combustíveis, neste governo, porque os “ricos” pagariam mais caro para abastecer os seus carrões!

          Esquecendo completamente dos motoristas de aplicativos, essa é a Daniela Lima, em resumo é um Sakamoto de saia!

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        • Pois é… O negócio virou circo mesmo. Realmente um erro não justifica o outro, mas quando o outro erra… Aí é o fim do mundo. Cansei de ver gente defendendo, aí quando o outro faz…

          Bom faz parte. Os Ministros estão fazendo o que querem. Quem teria de fazer algo, não faz. Ai não tem jeito.

          Por mim eu quero ver todos do STF fora. Pq o negócio está descarado em ser um clube do bolinha. Então que inicie a autofagia do Supremo. Esse terrivelmente evangélico que está demonstrando os podres… Não que ele seja isento, mas muito menos pior dos que estão sendo expostos.

          Ali no STF não tem um que não tenha um “porém” nas costas. Principalmente tratando-se de escritórios de advocacia com ações no STF. Acredito que TODOS tem alguém da família com ações no STF.

          Repito: Cabe mais! Pega fogo cabaré.

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