Caso de ‘morte suspeita’ coloca polícia em xeque
Thiago Leon Denúncia indica que corporação oculta homicídios para minimizar o ano mais violento desde 2005
São José dos Campos
Dados preliminares da Polícia Civil em relação ao mês de dezembro indicam que o Vale do Paraíba deve fechar 2012 com mais de 440 mortes em homicídios e latrocínios. O resultado representa o maior número de vítimas dos últimos oito anos e mantém a região como a mais violenta do interior do Estado de São Paulo. Porém, os números que já assustam podem ser ainda mais alarmantes. Denúncia encaminhada para O VALE indica que casos de assassinatos teriam sido registrados como ‘morte suspeita’, para não serem incluídos nos índices de violência da Secretaria de Segurança Pública do Governo. A medida seria a explicação para o aumento de 17,2% no número de ocorrências de mortes suspeitas na Delegacia Seccional de São José dos Campos, que passou de 157 casos em 2011 para 184 no ano passado. O órgão, que também responde pelas cidades de Caçapava, Monteiro Lobato e Jambeiro, registrou 78 casos de homicídios em 2012, 6% a menos que no ano anterior.
Maquiagem.“Existe uma determinação informal de que, quando for possível, a morte seja registrada como morte suspeita”, disse uma fonte da polícia, que pediu para não ser identificada. “A regra vale principalmente se a situação envolver morador de rua e usuário de droga.” O VALE levantou pelo menos dois boletins de ocorrência que reforçam a acusação. Um dos casos que chama a atenção se refere ao corpo de um homem carbonizado encontrado no dia 19 de julho dentro do porta malas de um carro na estrada do Cajuru, zona leste. A ocorrência foi registrada como ‘morte suspeita’. “É óbvio que foi um homicídio, pois como a pessoa iria se trancar no porta malas e colocar fogo do lado de fora? Mas, estranhamente, foi registrada como morte suspeita.” O fato está sendo investigado pela Polícia Civil, que já identificou a vítima graças a um exame de DNA, comparado com familiares de um homem desaparecido um dia antes na cidade. Porém, o inquérito continua registrado como ‘morte suspeita’. Outro caso é do morador de rua morto a tiros por um Polícia Militar no centro de São José, durante uma tentativa de assalto, no dia 17 de novembro, no centro da cidade. Apesar de configurar uma morte seguida de resistência, o boletim foi registrado como ‘morte suspeita’.
Outro lado. O delegado Seccional de São José dos Campos, Roberto Martins, negou que haja irregularidade no registros de homicídios na região e alegou que todos os casos são investigados e passam pelo crivo do Judiciário e do Ministério Público. “Temos uma preocupação muito grande em garantir que todos os processos executados pela Polícia Civil sejam executados com a máxima transparência, tanto que tudo está disponível em um sistema que pode ser consultado a qualquer momento”, afirmou. Martins explicou ainda que os casos registrados como ‘mortes suspeitas’ também são investigados e se o inquérito concluir que se tratou de um homicídio, os registros serão alterados, inclusive as estatísticas publicadas pela Secretaria de Segurança. “E mesmo que o inquérito leve meses para ser concluído, o dado daquele mês será corrigido.” Sobre o corpo carbonizado encontrado na Estrada do Cajuru, o delgado informou que o caso está sendo investigado e já se trabalha com a hipótese de que se trata mesmo de um homicídio. “Já identificamos a vítima pela comparação do DNA de um irmão e ainda estamos averiguando outras pistas e se confirmado que se trata de homicídio, o registro será alterado.” Quanto ao morador de rua morto na tentativa de assalto, Martins admitiu que pode ter havido um erro na avaliação do delegado que efetuou o boletim e que o caso será revisto pela Polícia Civil.
Comando da Polícia Civil nega manipulação São José dos Campos
O diretor do Deinter 1 (Departamento de Polícia Judiciária) do Vale do Paraíba, João Barbosa Filho, declarou que não existe nenhum tipo de manipulação nos registros de homicídios da Polícia Civil. “Existe um mecanismo na Secretaria de Segurança que chama Controle de Qualidade de Boletim de Ocorrência, que avalia todos os registros feitos no Estado. Qualquer situação estranha o Boletim volta para a delegacia para ser revisto e corrigido”, afirmou. Além disso, o diretor informou que o próprio departamento também faz o controle das ocorrências da região do Vale do Paraíba. “Nosso setor de inteligência avalia diariamente todos os boletins registrados em todas as unidades policiais. Por isso, descarto a possibilidade de que haja irregularidades”, afirmou Barbosa.
http://www.ovale.com.br/nossa-regi-o/caso-de-morte-suspeita-coloca-policia-em-xeque-1.366251


Hadich enviou nota de desagravo ao prefeito de São Vicente (Foto: Thomaz Fernandes/G1)
Bili assumiu o Executivo e criticou a indicação de Garcia em Limeira (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

