Caquistocracia bolsonarista – o governo dos piores líderes com o apoio dos mais desqualificados cidadãos 12

Caquistocracia, o pior de nós

É raro um governo sintetizar a podridão de uma sociedade, mas acontece

No dia 19 de abril de 2018, comecei esta coluna com o seguinte parágrafo: “Caquistocracia: governo exercido pelos piores indivíduos de uma sociedade. A palavra já andou borboleteando por aí, mas não consta de nenhum dicionário de português que eu conheça. Talvez devesse constar”.

Desde então a palavra ganhou alguma circulação e pipocou em dicionários, inclusive no Houaiss, mas a verdade é que ainda não estava madura. Palavras correm atrás da realidade, não na frente. Naquele momento, Jair Bolsonaro era apenas um azarão na corrida presidencial.3

Talvez nem ele imaginasse que iria, alguns meses depois, conquistar pelo voto o direito de instituir a caquistocracia emplumada em que hoje o Brasil se esfola e se despedaça.

Não é uma caquistocracia qualquer. A experiência caquistocrática brasileira aspira seriamente ao título de mais completa e ousada da história. Tudo indica que a hora da palavra chegou.

Em inglês, o termo “kakistocracy” existe –e é marginal– há séculos. Em 2018, o pretexto para falar dele aqui foi o interesse momentâneo que tinha despertado depois de aparecer no ataque de um ex-diretor da CIA, John O. Brennan, ao governo de Donald Trump.

Fazia sentido: o bufão perverso que ocupa a Casa Branca é, com muitos topetes de vantagem, mais merecedor do mimo do que predecessores como Ronald Reagan e Barack Obama, que também chegaram a ser agraciados com a palavra na guerra retórica da política.

Historicamente, “caquistocracia” está aí para isso mesmo. Com seu jeito de comédia erudita, junta dois elementos gregos –“kakistos”, superlativo de “kakos” (mau, ruim), e “kratía”, poder– num xingamento sofisticado, uma hipérbole insultuosa.

Não é uma palavra que cientistas sociais costumem levar a sério em suas reflexões, como democracia, autocracia, aristocracia e outras da família. Tem mais a ver com a volatilidade do insulto lusófono “canalhocracia”, dicionarizado pela primeira vez por Cândido de Figueiredo em 1913.

Entende-se. É raro que a caquistocracia possa ser tomada ao pé da letra para nomear um governo que, de fato, reúne aquilo que de mais vil e grotesco um grupo humano tem para oferecer, sua pior versão possível, o esgoto exibido na sala de estar. Até por razões de sobrevivência social –o componente necessário de autodestruição e loucura é grande demais.

Acontece, porém. Não há termo mais adequado a um governo em que os responsáveis pela saúde promovem a morte, os gestores da educação a vandalizam, os encarregados de preservar o meio ambiente o devastam, os timoneiros das relações exteriores colhem achincalhe mundo afora –e o presidente se chama Bolsonaro.

O curioso é que o mais catastrófico governo de nossa história, responsável por 100 mil mortos e contando, não se contenta em ser a apoteose da caquistocracia. Faz questão de agitar essa bandeira o tempo todo, para ninguém esquecer.

Aparentemente, não basta tocar em frente o projeto de entregar a gente inepta –ou coisa pior– tudo o que se deseja destruir. Deve-se frisar, de preferência com escárnio, a intencionalidade do bota-abaixo. A nomeação de uma blogueira de turismo para a Funarte é só o episódio mais recente.

Pensando bem, talvez caquistocracia corra o risco de soar como um eufemismo meio aguado no atual estágio da calamidade brasileira. Terá chegado a hora do neologismo “tanatocracia” –governo da morte?

Sérgio Rodrigues

Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.

  1. Lula bem piorado… Quase a escória de um processamento do Lula.
    Falastrões, egocêntricos, frustrados (Lula sem diploma, Bolsonaro oficialzinho inferior).
    Agora descobriu que dar bolsa/dinheiro ao povo rende votos… Iguaizinhos!!!
    Ambos viveram de parasita o Estado/instituições por onde passaram.
    Mas se tivesse de escolher entre os dois, HOJE, só entre os dois, seria Lula.

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  2. Eu ficaria com o Bozo. Para o bem ou para o mal ainda não teve um grande esquema de corrupção ou desvio de verbas públicas em seu Governo.

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    • Só vai escancarar quando ele perder condição de governo.
      Por enquanto, quem tá parasitando não pode deixá-lo sucumbir.

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  3. Queiroz volta à cadeia. E a mulher, também
    POR FERNANDO BRITO · 13/08/2020

    Nem deu tempo de comemorar a estranhíssima perda , pelo Ministério Público, do prazo para para tentar reverter a concessão de foro especial ao senador Flávio Bolsonaro.

    O ministro Félix Fischer, do STJ, revogou a prisão domiciliar concedida pelo presidente da Corte, João Otávio de Noronha, e Fabrício Queiroz e a sua mulher, Márcia, que estava foragida quando foi concedido o benefício.

    Noronha não pode reclamar: ele próprio negou a progressão para prisão domiciliar para diversos outros presos com problemas de saúde iguais ou piores que o do amigo do presidente da República. Digamos que seu sentimento humanitário fosse seletivo.

    A prisão domiciliar da mulher, alegando-se que para “cuidar do marido”, nem se fala. Não vi, até agora, relaxamento de prisão de foragido, menos ainda para fazer papel de babá.

    Numa e noutra decisão, é o retrato de uma Justiça impregnada pela política.

    Deixar Fabrício Queiroz escafeder-se durante mais de um ano e meio de ser levado a depor é vergonhoso. Dar-lhe a liberdade de combinar versões com a mulher, também agente no suposto crime das “rachadinhas”, imoral.

    Agora esta misteriosa perda de prazo por promotores, que não são, absolutamente, estagiários que possam dar uma destas “mancadas” de contar errado os dias.

    A montanha de dinheiro vivo manipulado pela família na compra de imóveis é uma vergonha. Como é que a Receita deixa passar uma movimentação em grana viva incompatível com as posses de uma família em se tratando de transações públicas, registradas em cartório?

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  4. Pingback: Caquistocracia bolsonarista – o governo dos piores líderes com o apoio dos mais desqualificados cidadãos « Jornal Flit Paralisante | EVS NOT

  5. Grande esquema de corrupção?

    Qualquer governo, ou melhor dizendo, desgoverno, vai ter roubalheira, a exceção deve ser uma ou outra Prefeitura que tem pouco desvio, mas e regra e roubar dinheiro público, com a conivência da Justiça que é a do próprio estado.

    Deixa passar mais um tempo que grandes esquemas virão á tona. Na verdade já esta o ai, gastos exorbitantes de cartões corporativos, alta nos gastos com militares, pagamentos pra primeira dama, queiroz etc etc.

    O que muda em relação ao anterior e que o Lula fez esquemas com Construtoras, no Bolsonaro não será diferente, mas temos que ver se em algum tempo se alinhara aos interesses do sistema.

    Psdb sempre entupiu o cx 2, seja pra financiar campanhas políticas, seja pra roubar mesmo, mas está de mãos dadas com a Justiça feroz com o pobre, e conivente com o políticos e a sigla do tucano.

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    • Acho que surgirão aqueles que não precisam investir em pesquisa para comercializar medicamentos a baixo custo.
      Se cada brasileiro consumir um comprimido de cloroquina por dia, durante a pandemia (que não se sabe quando terminará), para fins “profiláticos”…

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  6. Bozonaro & família de boca fechada são um perigo, sem que façam juízo de valor sobre assuntos de interesse nacional, acabam melhorando a popularidade e a aprovação do governo. Quer ver despencar essa aprovação é só abrirem a boca.
    Para o bem do Brasil nas próximas eleições deixem os bozonaros falarem.

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  7. Pesquisas são, no todo, insignificantes a está altura do jogo.
    Não chegamos à metade do mandato, quanto mais, tudo que vier de ruim no próximo ano seta, indubitavelmente, creditado à pandemia…se não à quarentena, imposta pelos governadores e cujos discursos já foram, facilmente, sobrepujados pelo atual Presidente que é, gostem ou deem pitis ou não, maior politicamente que TODOS os governadores somados.

    Ademais, esse elitismo babaca de desqualificar o povo e atribuir as mazelas ao intelecto corrompido pela barriga dos mais humildes é que trouxe Bolsonaro até aqui.

    Chega dessa arrogância toda.
    Saíamos dessa bolha…

    Ou o clã Bolsonaro vai se perpetuar muito além de 2026…

    A culpa não é nem nunca foi do povo…a culpa é de nossa elite babaca, permeada por uma falsa “culpa católica” e que tenta, com discurso mas NENHUMA prática, pagar de progressista e boazinha…quando na verdade adular o próprio capeta (Lula)…

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    • Jamiro,

      O brasileiro , 90 % , deveria ser aniquilado pelo COVID ou bomba nuclear , iniciando-se por essa “elite babaca” que não produz nenhuma riqueza que não seja para engordar a própria conta bancária. Eu, inclusive! Viva a China!

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  8. A coisa é bem pior do que isso. Estamos em pleno processo de casamento da caquistocracia bolsonarista com a cleptocracia do centrão. Quer desgraça melhor pro Brasil? E tudo isso regado pelo vice campeonato mundial do covid que já consumiu mais de 110 mil cidadãos brasileiros e um mar de roubalheiras em contratos com organizações sociais para administração de hospitais e para a aquisição de respiradores e outros insumos para o enfrentamento do covid.
    E vem mais por ai.

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  9. O POVO CANSADO DAS FALCATRUAS DO PSDB E PMDB, fizeram um voto de protesto elegendo o “SANTO. ” o homem mais HONESTO DE PLANETA, dito por ele mesmo (ESCARNIO AO POVO BRASILEIRO). CONSEGUIU eleger a sua sucessora “A TERRORISTA”, e, ambos em conluio DESTRUIRAM A NOSSA PÁTRIA. AGORA O MESMO POVO CANSADO DAS FALCATRUAS DO “PT”, EM PROTESTO ELEGERAM BOLSONARO, PORÉM, ESSES IMBECIS DE CARTEIRINHA E SUAS CURRIOLAS ESPALHADAS POR ESSE BRASIL AFORA TEM APENAS UM OBJETIVO, DERRUBAR BOLSONARO. NÃO ESTÃO PREOCUPADOS COM O BRASIL, MAS SIM, EM SUAS PROPRIAS IDEOLOGIAS. O BRASIL FODA-SE, CONTANTO QUE BOLSONARO CAIA. VAMOS FAZER TUDO AO ALCANCE PARA CONSEGUIR O INTENTO , ISTO É, CULPÁ-LO DE TUDO, MESMO QUE SEJAMOS NÓS OS CULPADOS.HIPOCRISIA.

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