QUANDO O MASTRO CAI, AS VELAS VÃO JUNTO.
João Alkimin
oão Alkimin é radialista – http://www.showtimeradio.com.br/
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João Alkimin
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Ex-chefe do MP e ex-policial, Grella terá que conter violência em SP
Publicado em 21/11/2012 às 11h27: atualizado em: 21/11/2012 às 12h36
Do R7
Daia Oliver/R7Novo secretário de Segurança chefiou o Ministério Público de SP de 2008 a 2012
Após a execução de 328 pessoas na Grande São Paulo desde 1º de outubro, o governador Geraldo Alckmin decidiu confiar ao ex-procurador-geral de Justiça de São Paulo, Fernando Grella Vieira, a missão de conter a onda de violência que estarrece os paulistas. O novo secretário de Segurança esteve à frente do MP (Ministério Público) do Estado de São Paulo por dois mandatos, de 2008 a 2012. Ele assume a vaga de Antonio Ferreira Pinto, que deixou a Secretaria de Segurança nesta quarta-feira (21).
Em sua gestão no MP, Grella ampliou a integração entre promotorias diferentes para atuar em situações cada vez mais problemáticas no Estado, como a violência nos estádios de futebol e o combate à pirataria. Ele também buscou maior participação de promotores de Justiça no processo decisório da instituição.
Alckmin reconhece “dificuldades” na segurança pública de SP
O ex-chefe do MP também ficou conhecido por defender o relacionamento estreito entre polícia e Ministério Público na esfera criminal. Esse intercâmbio de ideias e ações entre as instituições pode ter carimbado seu passaporte para a Secretaria de Segurança de SP em um momento tão delicado para o Estado, em que as estatísticas de baleados e mortos engrossam os indicadores de criminalidade em 2012.
Fernando Grella foi empossado pela 2ª vez no MP em 2010
Além da passagem pelo MP, Grella foi policial militar. Ele atuou nas ruas por 11 anos. Em Bauru, trabalhou no fim dos anos 60 e, em Ourinhos, de 1970 a 1979.
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Grella é visto internamente por alguns promotores como ligado ao grupo do antigo ex-procurador-geral Araldo Dal Pozzo, amigo do ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB), que deixou o cargo em 1993; além de amigo dos ex-secretários Antonio Ferreira Pinto e Ronaldo Augusto Bretas Marzagão.
DE SÃO PAULO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Atualizado às 11h51.
Antonio Ferreira Pinto deixou ontem o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo. O pedido de exoneração foi anunciado hoje pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Alckmin ainda afirmou que o ex-procurador geral de justiça de São Paulo Fernando Grella será o novo secretário da pasta. Ele deve assumir o cargo amanhã.
Grella é procurador de Justiça, secretário da Procuradoria de Justiça Cível do Ministério Público de São Paulo e vice-presidente da Associação Paulista do Ministério Público. Alckmin afirmou que ele “está preparado para ajudar São Paulo a dar avanço e continuar sendo um dos Estados mais seguros do Brasil”.
Apesar da declaração, o governador reconheceu que o Estado passa por um período de alta da violência. “Reconhecemos as dificuldades que estamos passando e vamos nos empenhar de forma redobrada neste trabalho”.
Em sua carreira, Grella atuou nas áreas cível e criminal. Ele já foi secretário-geral da Confederação Nacional do Ministério Público, assessor jurídico de dois ex-procuradores-gerais de Justiça e representou o Ministério Público brasileiro no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.
Durante o anúncio da troca de cargos, o governador disse que Ferreira Pinto foi um “bom” secretário da Administração Penitenciária e Segurança Pública. “Quero agradecer a ele, que trabalhou com competência, dignidade e honestidade”.
| Luiz Carlos Murauskas/Joel Silva/Folhapress | ||
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| Fernando Grella (à esquerda) será o novo secretário de Segurança Pública de São Paulo. Ele assumirá amanhã a pasta em substituição a Antonio Ferreira Pinto (à direita), que pediu exoneração do cargo ontem |
Ferreira Pinto foi capitão da Polícia Militar porém deixou o cargo para ir para o Ministério Público, onde foi promotor e procurador. Ele foi secretário da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) e, posteriormente, assumiu a pasta de Segurança Pública, na qual estava no cargo há seis anos graças ao discurso de combate à corrupção policial. A iniciativa, no entanto, lhe rendeu inimigos dentro da Polícia Civil.
Basicamente, sua política de investigação interna foi executada pela PM. A estratégia reavivou o racha entre as polícias e, há tempos, admitem integrantes da gestão Alckmin, Ferreira Pinto não conta mais com a ajuda de setores da Polícia Civil no combate ao crime organizado.
Segundo reportagem da Folha informou, Alckmin buscava um substituto para o secretário de Segurança Pública por estar insatisfeito com o desempenho do subordinado.
A insatisfação vinha de antes da onda de violência em São Paulo. A busca por um sucessor começou há mais de três meses, discretamente. Entretanto, Ferreira Pinto ainda não tinha sido trocado pela dificuldade em encontrar um novo nome para a pasta.
VIOLÊNCIA
O Estado de São Paulo vive uma onda de violência, com registros de chacinas, homicídios, ônibus incendiados e mortes de policiais militares. Desde o último dia 24, 253 pessoas foram mortas na região metropolitana de São Paulo –média de 9,7 por dia.
Somente entre a noite de ontem (20) e a madrugada desta quarta-feira, três pessoas foram mortas em uma chacina, mais seis pessoas foram assassinadas e 13 ficaram feridos, entre eles um policial militar. Um ônibus também foi incendiado.
Desde o início do ano, 95 policiais militares já foram assassinados em todo o Estado de São Paulo.
Em 2011, 47 PMs foram mortos –21 dos crimes ocorreram enquanto os policiais estavam em serviço e 26 foram assassinados no horário de folga, de acordo comandante-geral da PM, Roberval França.
No sábado, um policial da Corregedoria, órgão responsável por investigar crimes praticados pelos próprios PMs, foi morto em um açougue em Guarulhos, durante uma tentativa de assalto. Na terça-feira (13), o soldado Edgar Lavado, 43, casado e pai de quatro filhos, foi morto a tiros quando chegava em sua casa, no Jardim Cumbica, por volta das 21h, em Guarulhos.
Com informações da Estadão Conteúdo
Atualizado às 11h30
Em meio à onda de violência que assombra São Paulo, o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira. O ex-procurador geral de Justiça Fernando Grella assumirá o cargo e será nomeado nesta quinta-feira.
O governador Geraldo Alckmin confirmou a saída do secretário depois de quase sete anos como titular no seu governo. Antes da Segurança Pública (SSP), Ferreira Pinto foi secretário de Administração Penitenciária. “Indicamos e nomearemos ainda hoje e tomará posse nesta quinta-feira como novo secretário o Fernando Grella, duas vezes procurador geral do Estado de São Paulo ( 2008 /2010 – 2010- 2012), presidente do Conselho do MP dos Procuradores de todo o Brasil, uma pessoa com grande experiência em 28 anos como promotor e procurador. Ele encerrou o seu último mandato no dia 29 de março deste ano.
O governador reconheceu que o estado passa por dificuldade na área de segurança pública com aumento da criminalidade. “ Vamos nos empenhar de forma redobrada neste trabalho para fortalecer a segurança de São Paulo, proteger a população e combater o crime”.
Pelo menos 10 pessoas foram mortas e 13 ficaram feridas a tiros entre o início da noite de terça-feira e a madrugada desta quarta-feira, na Região Metropolitana de São Paulo. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai investigar os casos. Os crimes ocorreram em um intervalo de apenas oito horas, entre as 18h e a 1h.
Em um deles, um adolescente morreu após balear um policial militar em uma tentativa de assalto na zona leste de São Paulo. Em uma chacina ocorrida em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, no final da noite, três pessoas morreram e uma sobreviveu. Essa é a 17ª chacina do ano na Região Metropolitana, aumentando para 57 o número de mortos em crimes deste tipo, segundo levantamento feito pelo estadão.com.br. Foram seis casos na capital e 11 nas demais cidades.
Nas últimas seis noites, a soma da violência chega a 43 pessoas mortas e 34 feridas na Região Metropolitana. Na maioria dos casos, segundo o que a polícia apurou com testemunhas – algumas delas sobreviventes -, os atiradores ocupavam motos.
Nossa Região
Associações da categoria tentam reunião com o governador esta semana e ameaçam deflagrar uma onda de protestos
Xandu Alves São José dos Campos
O governo estadual considera irregular o pagamento de recálculo nos benefícios de policiais militares, que ganhavam uma diferença no vencimento pelo menos desde agosto. Alguns recebiam desde novembro de 2010. A diferença variava de R$ 100 a R$ 1.000, dependendo da patente e do tempo de serviço. Na região, a PM emprega 4.900 pessoas. No início de novembro, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que acatou recurso da PGE (Procuradoria Geral do Estado), o pagamento foi suspenso. Segundo a PGE, o recálculo feito nos benefícios dos policiais por meio da ação é diferente dos demais servidores estaduais e, portanto, irregular, gerando um “rombo” de R$ 1,49 bilhão. Ao invés de incidir sobre o salário-base, como nos demais servidores, as associações da categoria pleiteiam que quinquênio e sexta-parte incidam sobre o total dos vencimentos, incluindo gratificações, abonos e adicionais. O corte surpreendeu policiais em todo o Estado de São Paulo, que enfrentam uma onda de violência com ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). Desde o início do ano, 94 PMs foram mortos no Estado. “O governo devia ter considerado que esse não era o momento para um corte. Se a gente não é valorizado, como é que vai arriscar a vida nas ruas”, disse um PM, que pediu para não ser identificado. Protestos.Os policiais recebiam a incorporação salarial por meio de uma liminar do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). A ação foi movida por duas associações da PM no Estado –a de Cabos e Soldados e a de Oficiais da Reserva e Reformados. As entidades tentam uma reunião com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) esta semana e ameaçam uma onda de protestos caso ela não ocorra. “Fico muito triste que o corte tenha sido feito durante uma situação terrível para os policiais, que estão sob ataque”, afirmou Milton Vieira, presidente regional da Associação de Cabos e Soldados. “A traição do governo foi maior que a do PCC, de quem só esperamos violência. Com o governo, os policiais se sentiram atingidos pela costa.” Segundo Vieira, as associações entraram com recurso no STF, no dia 8 de novembro, para tentar cassar a decisão do ministro Ayres Brito, que suspendeu o pagamento. Ele disse que o corte provocou uma onda de “indignação e insatisfação”. “Eles (policiais) serão obrigados a fazer bico para ganhar aquilo que já ganhavam antes.”
http://www.ovale.com.br/nossa-regi-o/para-governo-recalculo-de-vencimento-da-pm-e-irregular-1.346218
Anunciados na semana passada como uma das principais ações para combater o crime no Estado, os bloqueios contra armas e drogas prometidos para começar ontem em estradas de São Paulo ficaram só na promessa – pelo menos nas estaduais, que representam 99% da malha.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, até as 20h de ontem, eles não haviam nem sequer começado. Já a Polícia Rodoviária Federal disse ter dado início à operação nas rodovias federais, com “ações relâmpagos”.
A parceria acertada entre os governos estadual e federal não só para estradas como para portos e aeroportos é uma das estratégias para enfraquecer o crime organizado e interromper a onda de violência que, apenas entre a noite de domingo e a madrugada de ontem, deixou mais 12 mortos na Grande São Paulo.
Além do bloqueio, a transferência de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para presídios federais são as únicas propostas de curto prazo da parceria Estado-União.
Segundo o porta-voz da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fabiano Moreno, a operação começou nas estradas de sua responsabilidade (Dutra, Régis Bittencourt e Fernão Dias), na tarde de ontem, com reforço policial vindo de vários Estados. “São agentes especializados em narcotráfico. Não vamos trabalhar com aquela visão de barreira de fiscalização estática. Ela funciona na primeira hora, mas depois não cai nada. Tem efeito reduzido. Traz visibilidade, mas não é o que desejamos.”
Moreno explicou que a PRF trabalha com 30 equipes em movimento constante. “Não teremos grandes cenários montados. O crime organizado tem uma rede de informação, por isso vamos trabalhar com barreiras rápidas, itinerantes.” O inspetor afirmou que, durante a Conferência Rio+20, cerca de 8 toneladas de drogas foram apreendidas em menos de 20 dias com esse modelo. Por questão estratégica, locais e horários não foram divulgados. Segundo a Autopista, na divisa com Minas na Fernão Dias, não foram realizados bloqueios.
Uma das ações feitas ontem pela PRF aconteceu em Cascavel (PR), a 360 km da divisa com São Paulo. Foram encontrados em um caminhão que tinha São Paulo como destino 2,2 toneladas de maconha, 1.300 comprimidos de ecstasy e 2.940 munições de fuzil. Mas foram policiais rodoviários que já atuam na região que fizeram a apreensão.
Sem informação. No oeste do Estado, policiais rodoviários estaduais da Raposo Tavares e da Marechal Rondon nem sabiam que uma operação está sendo planejada. / COLABOROU RICARDO BRANDT
19/11/2012-19h55
FERNANDA ODILLA DE BRASÍLIA
O Ministério da Justiça ofereceu ao governo de São Paulo uma maleta de cerca de R$ 1 milhão capaz de rastrear celulares dentro de penitenciárias. O governo paulista, contudo, ainda não solicitou formalmente uma das principais armas do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) para silenciar as organizações criminosas dentro das prisões.
Em um ano, o aparelho do Depen já localizou e identificou 9.289 linhas telefônicas em presídios de seis Estados e no Distrito Federal. Em junho deste ano, por exemplo, foram rastreados 458 celulares num presídio de Ribeirão Preto (a 131 km de São Paulo) e 32 em Araraquara (a 273 km de São Paulo).
Chamado de GI-2, o equipamento identifica com precisão o número do aparelho e o chip. Contudo, não bloqueia nem é capaz de interceptar conversas, apenas rastreia os aparelhos.
“Uma vez identificada a linha, pode-se ir à cela e recolher fisicamente o aparelho. Ou pode-se solicitar o bloqueio ou a interceptação”, explica Augusto Rossini, diretor-geral do Depen.
Segundo ele, qualquer governo pode comprar o equipamento e juízes, integrantes do Ministério Público, policiais e autoridades estaduais também podem solicitar os serviços de técnicos do Ministério da Justiça.
O Depen comprou a maleta em 2008 e, desde então, tem usado o aparelho nos presídios federais e, se solicitado, em penitenciárias nos Estados. Segundo Rossini, uma equipe do Ministério da Justiça vai ao presídio rastrear os aparelhos e linhas telefônicas. Ele não revela, contudo, se outros órgãos federais tem o mesmo equipamento.
SANTA CATARINA
Em janeiro deste ano, a maleta do Depen rastreou 2.094 celulares em 21 presídios de Santa Catarina.
Na noite desta segunda-feira (19), o diretor-geral do Depen também negou que o governo federal tenha montado uma força-tarefa para conter a onda de violência em Santa Catarina. Ele admitiu, contudo, que funcionário do Ministério da Justiça está no Estado fazendo vistorias de rotina em prisões locais.
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Até parece que tem muita gente no alto escalão faturando alto com o ingresso e manutenção de celulares em estabelecimentos prisionais.
Um milhão para o Governo de São Paulo é dinheiro de pinga!
Com um aparelho desses, desde 2008 , já daria para ter enconomizado mais de um bilhão em prejuízos materiais; além de poupar centenas de vidas.
Aline Leal Repórter da Agência Brasil
Brasília – De novembro de 2011 a novembro de 2012, mais de 9 mil linhas de celulares foram detectadas em presídios estaduais brasileiros por meio de um equipamento que se assemelha a uma maleta e que pertence ao Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (Depen).
O Ministério da Justiça ofereceu ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, os serviços do único aparelho desse tipo do Depen para ajudar a conter a onda de violência no estado.
De acordo com Augusto Rossini, diretor do Depen, o aparelho, que custa mais de R$ 1 milhão, detecta com precisão o local onde está o aparelho celular. Os estados podem adquirir o seu próprio aparelho ou solicitar a presença de uma equipe do Depen em seus presídios.
O Ministério Público, autoridades judiciárias e a administração de penitenciárias podem solicitar o serviço de uma equipe do Depen com o aparelho. “Nossa equipe vai para o estado com a ferramenta tecnológica e com a metodologia para usá-la e, a partir da solicitação, nós conseguimos identificar as linhas que estão naquele local [presídio]”, diz o diretor.
Rossini disse que a partir da detecção do aparelho, quem solicitou o serviço pode apreender o celular encontrado ou pode solicitar judicialmente o bloqueio da linha e uma interceptação telefônica.
Edição: Fábio Massalli
O CORONEL JOSÉ VICENTE DA SILVA FILHO É DESPREPARADO
João Alkimin é radialista – http://www.showtimeradio.com.br/
19/11/2012 – Torcedora do Coritiba é agredida por policiais antes do jogo. Imagens que foram gravadas antes de jogo do Coritiba no sábado (17).
Ela participava da ‘Caminhada da Paz’ promovida por torcedores.
Uma garota de 18 anos foi agredida por policiais militares antes da partida do Coritiba contra o Vasco da Gama no último sábado (17), em Curitiba. Parte da agressão foi filmada por outra torcedora que participava da escolta realizada pela PM até o estádio Couto Pereira, e as imagens mostram um policial batendo a cabeça da vítima contra um portão de ferro.
“Foi bem constrangedor”, resumiu a estudante de administração Ana Paula Lima. Ela conta que a atitude violenta dos policiais começou ainda na Praça Santos Andrade, após um evento organizado chamado de “Caminhada pela paz”, e horas antes da partida de futebol. “Nós juntamos torcedores e resolvemos fazer uma caminhada pacífica em homenagem a colegas que faleceram recentemente”
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É um similar ching-ling com o nome do original.
Cuidado coronel, o Sr. pode aparecer morto e alguém dizer: deixa prá lá era ladrão!
Um indigente da Flórida foi detido por uma noite acusado de roubar a eletricidade da cidade de Sarasota por recarregar a bateria de seu celular em uma tomada de um parque público.
Segundo o relatório policial ao qual a “Agência Efe” teve acesso ontem dia 15, Darren Kersey, de 28 anos, passou uma noite em uma prisão de Sarasota, no litoral oeste da Flórida, por não poder pagar a fiança, fixada em US$ 500.
“Expliquei ao acusado que o roubo de eletricidade da cidade não seria tolerado durante este período difícil da economia”, escreveu o sargento Anthony Frangioni no relatório.
Nele, detalha que no domingo passado observou vários indivíduos fumando o que ele supôs ser maconha e realizou sua detenção por violar o código da cidade que proíbe o fumo em parques públicos.
No momento em que estava detendo Kersey, este lhe disse que queria seu telefone celular, que estava sendo recarregado em uma tomada do parque.
O policial lhe acusou então de usar eletricidade pública e argumentou que essas tomadas devem ser usadas apenas para eventos da cidade.
19/11/2012-07h23
MARIO CESAR CARVALHO DE SÃO PAULO
Em situações emergenciais, quando as mortes se acumulam numa guerra sem fim, é preciso negociar com o crime. Loucura? O sociólogo Claudio Beato, 56, um dos maiores especialistas em segurança no país, diz que não.
Ele cita o levante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2006, no qual houve aparentemente um acordo com o governo, como contraexemplo. “Se houve acordo, por que não fazer isso de forma transparente?”
Os exemplos bem-sucedidos de negociações com criminosos, segundo ele, vão dos EUA a El Salvador, onde a igreja intermediou acordos. No Brasil, a polícia faz acordos informais com o crime, de acordo com ele, que deveriam ser institucionais.
Para Beato, ligado ao PSDB de Minas, a falta de transparência só aumenta a sensação de insegurança, como diz nesta entrevista.
| Pedro Silveira/Folhapress | ||
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| O sociólogo e especialista em segurança pública Claudio Beato |
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Folha – São Paulo tinha uma política de segurança que era considerada exemplar. O que aconteceu para essa política desmoronar?
Claudio Beato – Não acho que ela está desmontando. Os números não apontam para uma situação dramática. O que está acontecendo é um aumento de homicídios.
O que houve foi um investimento alto na última década, em que alguns departamentos, como o de homicídios, souberam aproveitar os recursos. Teve avanço grande na investigação, o que resultou na queda dos homicídios de mais de 70% em dez anos.
E o investimento em prisões? O que deu errado?
O sistema em São Paulo cresceu muito e você perdeu o controle do interior das prisões para facções. O sistema prisional brasileiro é falido.
Você prende muita gente, mas isso acaba piorando a criminalidade fora das prisões. É uma massa que fica sob controle dos grupos que mandam nas prisões.
É o que aconteceu com o PCC, com o Comando Vermelho. O problema de São Paulo é que é um Estado rico e lançou mão do aprisionamento mais ou menos sem critério, e agora está pagando o preço.
Qual é a alternativa a essa política de aprisionamento?
É não deixar o crime acontecer. Como se faz isso? É preciso conhecer muito bem o contexto em que os crimes ocorrem. Mas não existe no Brasil a ideia de uma polícia que atue para que os crimes não aconteçam.
Onde há polícias assim?
William Bratton é o grande reformador de polícias. Reformou a polícia de Nova York e de Los Angeles. Ele defende que você precisa entender o crime, intensificar a análise criminal para não deixar o crime acontecer.
Isso está muito longe do modo de agir da polícia brasileira. Há unidades como a Rota [tropa da PM paulista] e o Bope [tropa da PM do Rio] que saem à rua com a ideia de guerra contra o crime.
Qual o problema da tal guerra contra o crime?
A tendência dessa tática é o que aparentemente está acontecendo em São Paulo: vira uma guerra particular entre a polícia e as facções.
Seria uma guerra da Polícia Militar contra o PCC?
Não tenho dúvidas. A dúvida é: qual o tamanho disso? O secretário [Antonio Ferreira Pinto] vem com uma questão muito fantasiosa: de que o PCC não tem importância.
Não é bem assim. O fenômeno contrário também ocorre em meios acadêmicos, que acreditam que foi o PCC que diminuiu o crime em São Paulo. É fantástico! Você pensar que uma organização tenha capacidade de controlar crimes domésticos, em botequins, do tráfico. É o que um amigo americano chama de “big gang” [grande gangue, e um trocadilho com “big bang”, explosão que teria originado o universo].
Entre esses dois opostos, é difícil saber qual é o tamanho do PCC. Seria um grande serviço para a sociedade, e a própria polícia, saber exatamente o que está acontecendo. A falta de informação aumenta a sensação de insegurança.
O que você acha da decisão da Secretaria da Segurança de São Paulo de usar a Polícia Militar contra o tráfico?
É uma armadilha achar que as PMs possam resolver o problema de segurança pública, como se fosse possível fazer isso sem ter uma atividade mais investigativa, que é própria da Polícia Civil. É um erro esquecer da Polícia Civil. Mas o erro maior é conviver com as duas polícias.
O ideal seria a fusão?
O ideal seria acabar com o modelo definido pela Constituição de 1988, de duas polícias. Você precisa de uma polícia de ciclo completo, com patrulhamento ostensivo e investigação. Nos países onde a polícia faz isso o resultado é mais efetivo. Você junta as qualidades das duas.
Há uma crença de que a PM é imune à corrupção.
Corrupção é muito comum entre a Polícia Militar. Hoje a corrupção está bem distribuída entre as duas polícias. O tema das reformas das polícias é urgente. A divisão das polícias é artificial.
SP vive uma situação de pânico, que o governo tenta minimizar com a alegação de que a polícia já enfrentou situações piores e venceu. Você acredita nisso?
Um dos problemas é que a área de segurança não é muito transparente. É fato que a polícia de São Paulo enfrentou um problema muito mais grave em 2006. Como é que resolveu? Alguém sabe? Tem um monte de lendas, de boatos. Eu até hoje não sei o que aconteceu em 2006.
Há quem diga que houve um acordo com o PCC.
Se houve acordo, por que não fazer isso de forma transparente? El Salvador acabou de fazer um grande acordo com as Maras. São grupos mais violentos e com inserção social muito maior do que o PCC. Em El Salvador, houve um investimento muito grande em prisões duras, como algumas de São Paulo. As prisões funcionaram, mas a situação fora piorou. Houve negociação para tirar alguns líderes dessas prisões desde que ajudassem a controlar a situação fora. Foi intermediado pela Igreja Católica.
Você acha que o governo deveria negociar com o PCC?
Não sou contra a negociação, eventualmente, e de forma pontual. Vou falar uma coisa que será muito criticada. Isso aconteceu em Boston. O projeto mais conhecido de controle da violência nos EUA, chamado “Cessar-Fogo”, foi feito por meio de um conjunto de ações da polícia, prendendo de forma mais focalizada o que eles chamam de alavancas do crime.
Houve também ofertas de empregos, melhoria de condições sociais. E a negociação com as gangues foi feita pelos pastores. Eles sentaram com as gangues e policiais e negociaram um cessar-fogo. Em Medellín [Colômbia] também houve acordo.
Os governos federal e o paulista travaram uma disputa sobre quem sabe mais sobre o crime em SP. Isso faz sentido?
Isso é deplorável. Em 2006, foi combinado que a PF e a Polícia Civil trocariam informações, mas isso só acontece quando há uma força-tarefa.
Eu tenho uma crítica muito grande à maneira como a polícia trata informação no Brasil. Inteligência aqui é ficar escutando celular de preso. Isso é uma parte.
Eu vi no MIT [Massachusetts Institute of Technology] um sistema em que você consegue seguir o movimento de todos os celulares de Nova York, e você pode destacar dois celulares. É uma ferramenta fantástica. Você saberia como criminosos se movimentam fora dos presídios.
Em 2006, a Promotoria analisou mais de 500 contas bancárias atribuídas ao PCC e o resultado foi pífio. As contas eram de R$ 300, R$ 400.
Talvez o PCC não seja essa coisa toda que as pessoas pensam. Talvez a parte mais organizada do crime não seja o PCC, sejam estruturas organizadas internacionalmente.
O problema é a falta de transparência da segurança. Tudo é tratado como segredo. Isso é uma herança da comunidade de inteligência da ditadura militar, do SNI [Serviço Nacional de Informação].
Não temos essa informação organizada e clara para o público. Nos atentados em São Paulo, não se sabe quantos são acertos de atividades paralelas de policiais, quantos são retaliações do tráfico ou execuções da polícia.
O resultado é que todo mundo começa a fazer suposições e isso gera insegurança. Se o secretário da Saúde enfrentasse uma epidemia de cólera, imagina a quantidade de informação que ele teria de dar. O secretário da Segurança não fala. Não é só em São Paulo. Não há prestação de contas.
ALBERTO BOMBIG, ANGELA PINHO, LEOPOLDO MATEUS E VINÍCIUS GORCZESKI
MINIATURAS Bíblia e condecoração usadas no funeral do policial Paulo Fernando Ribeiro Borges. Ele gostava de comprar carrinhos de polícia para o filho caçula (Foto: Marcelo Min/Fotogarrafa/ÉPOCA)Desde o início do ano, pelo menos 94 policiais militares morreram em São Paulo, grande parte deles alvo de tiros pelas costas, disparados por motoqueiros encapuzados. O assassinato sistemático dos soldados que os paulistas pagam, com seus impostos, para garantir sua segurança, configura mais que uma crise. É um ataque ao contribuinte e às instituições do Estado. Nem em 2006, quando uma organização criminosa paralisou a capital paulista por um dia, o número de policiais mortos atingiu essa cifra – foram 61 assassinados até outubro daquele ano. Até os tristes episódios deste ano, São Paulo era considerado um caso de sucesso na área de segurança pública. Entre 1999 e 2011, a taxa de homicídios no Estado caiu de 35 por 1.000 habitantes para 10. Isso fez do Estado um dos mais seguros do país.
O plano para baixar a taxa de crimes violentos em São Paulo começou a ser elaborado durante a gestão Mário Covas (governador do Estado entre 1994 e março de 2001, quando morreu de câncer). Com alguns percalços, teve continuidade nas gestões seguintes, de Geraldo Alckmin (2001-2006) e José Serra (2007-2010). Seu principal pilar era o alentado setor de inteligência da Polícia Civil, que formou uma tropa de elite no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A partir de 2011, no segundo mandato de Alckmin, esse aparato foi gradativamente desativado, sob o pretexto extraoficial de desmontar esquemas de corrupção. No ano passado, o delegado Marco Antonio Desgualdo foi exonerado do cargo de chefe do DHPP. Hoje exerce funções secundárias. Domingos Paulo Neto, que chefiou a Polícia Civil entre março de 2009 e janeiro de 2011, perdeu o cargo e foi transferido para a área de transportes da corporação. O delegado Armando de Oliveira Costa Filho, responsável pela investigação da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel e pelo caso Suzane Von Richthofen – bastante elogiado na condução das duas questões –, também perdeu o cargo, e hoje não tem função relevante. O delegado Ruy Fontes, conhecido como o xerife do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), foi parar no 92º Distrito Policial, na Zona Sul, uma das áreas mais violentas da cidade.
O comando do combate ao crime em São Paulo passou, a partir do segundo governo de Alckmin, para a Polícia Militar (PM). Reconhecidamente, a PM não tem um setor de inteligência tão eficaz quanto a Polícia Civil. A PM também é acusada de promover ações violentas arbitrárias e de, com isso, contribuir para o clima de insegurança. Com a matança de policiais, a violência se multiplicou – gangues aproveitaram para ajustar contas com outras gangues, e surgiram acusações de execuções cometidas por policiais. No domingo passado, dia 11, o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu cenas de policiais encurralando um homem acusado de ser criminoso. Mais tarde, ele apareceu morto. O governador Alckmin mandou afastar todos os PMs envolvidos no caso.
>>Promotoria quer barrar saída de presos do PCC no Natal >>Governos federal e de SP criam agência contra violência
Por mais que haja acusações de violência contra a PM – e por mais que muitas delas tenham fundamento –, a população que paga os policiais com seus impostos (da mesma forma como paga médicos e professores do setor público) torce para que eles recuperem o controle da situação. As histórias dos policiais assassinados, em geral à paisana ou em ocasiões sociais, são chocantes. Elas dão um testemunho eloquente de que algo precisa ser feito com urgência.
(Foto: reprodução)Marta Umbelina da Silva Marta Umbelina da Silva decidiu virar policial militar depois de se separar do marido, um guarda de trânsito com quem teve três filhos – hoje com 21, 18 e 11 anos. Quando a família temia por sua segurança, ela costumava dizer: “Para, gente, sei o que estou fazendo”. O pai, que já morreu, gostava de ouvir isso. “Ele dizia para a gente: ‘O orgulho da casa é a Marta. Ela é polícia’”, diz uma irmã que não quis se identificar – traumatizada, a família teme represálias. Marta era a mais velha de seis irmãos, três homens e três mulheres. Foram criados pela mãe dona de casa e pelo pai encanador na Vila Brasilândia, bairro da Zona Norte de São Paulo.
Em sua família, era Marta quem costumava marcar os encontros que reuniam avó, filhos e netos. Gostava de cantar – Jorge Ben Jor era um de seus preferidos – e de cozinhar. Suas especialidades eram macarronada com queijo e carne moída, suspiro com morango e pavê de abacaxi. No sábado, dia 3, no começo da noite, combinou com a irmã um almoço no dia seguinte. Que nunca aconteceria. “No domingo, a gente enterrou ela”, diz a irmã.
Marta foi morta com mais de dez tiros nas costas na rua onde morava. Segundo uma familiar próxima, a policial pintava uma parede dentro de casa quando ouviu a filha mais nova chegar. A menina não conseguiu abrir o portão. Marta saiu para ajudá-la. Quando se virou para fechar o portão novamente, os tiros a atingiram, diante da filha – segundo testemunhas, disparados por dois homens de dentro de um veículo. Marta morreu a caminho do hospital. O corpo ainda tinha marcas da tinta de parede. Marta foi a primeira policial mulher morta na atual onda de violência em São Paulo. “Foi um crime covarde, com tiros pelas costas. Estamos todos chocados e em luto”, diz o comandante-geral da Polícia Militar, Roberval Ferreira França. “O enterro da Marta reuniu mais de 100 policiais, porque, além de excelente profissional, ela era muito cortês e amiga. Era querida pela comunidade da Brasilândia”, afirma o deputado estadual Major Olímpio (PDT), que trabalhou com ela na polícia.
Marta deixou três filhos, a mãe, irmãos e sobrinhos. Um dos sobrinhos, seguindo o exemplo da tia, pensava em ser policial. Desistiu.
(Foto: álbum de família)Marcelo Fukuhara O sargento Marcelo Fukuhara tinha 45 anos, 21 deles dedicados à polícia.“Eu sempre dizia: eu era a amante do Fukuhara. A esposa era a polícia”, afirma Rosana, mulher de Fukuhara. Segundo as investigações da Polícia Civil, uma facção criminosa pagou R$ 500 mil por seu assassinato. “O que me deixou mais chocada foi achar no armário um bilhete dizendo que matariam o Fukuhara na porta da casa dele. Foi exatamente o que fizeram”, diz a mulher. Fukuhara foi fuzilado. Morreu minutos depois do ataque, no dia 7 de outubro.
Fukuhara recebia R$ 2.800, como primeiro-sargento, e tinha um bom padrão de vida. Morava em Santos, num apartamento de frente para a praia. Rosana, sua mulher, é uma empresária bem-sucedida. Trabalha organizando festas e eventos. “Conheci o Marcelo por meio de um amigo que nos apresentou, para que ele fizesse segurança das minhas empresas”, diz ela. Assim como Rosana, Fukuhara era divorciado. A empatia com a família de Rosana foi quase instantânea. “Ele foi entrando, conquistando meus filhos, e a gente acabou casando.” Após 11 anos, Fukuhara já era visto como pai pelos filhos de Rosana. “Você é quem vai entrar comigo na igreja. Você é que é meu pai.” Dias antes de morrer, Fukuhara emocionou-se ao ouvir esse pedido da enteada, que acabara de ser pedida em casamento.
Apesar de saber que Fukuhara recebia ameaças, Rosana nunca soube o grau de perigo delas. “Se eu soubesse até onde podia chegar o abuso dessas pessoas, teria feito alguma coisa. Teria montado uma escolta para ele, teria feito uma viagem. Não preciso andar de carro importado. Só queria meu marido vivo.” Rosana foi impedida pelos policiais e pelos familiares de ver Fukuhara morto, já que ele fora desfigurado pelo fuzilamento. No último momento, ela tentou, mas não teve coragem. “No velório, tirei os dois pinos do caixão e não consegui tirar o terceiro. Tinha medo do que podia ver.” Desde que Fukuhara morreu, Rosana pede a todos os amigos do marido que larguem a profissão. Diz com os olhos cheios de lágrimas: “Ele adorava aquela porcaria daquela farda”.
(Foto: álbum de família)André Peres de Carvalho Fã de artes marciais, André Peres de Carvalho preencheu com pôsteres de Bruce Lee as paredes do quarto onde passou a infância e a adolescência. Criança, costumava vestir as meias por cima da calça, como julgava ser o traje adequado a um tira. Os Peres de Carvalho não sabiam de onde vinha o gosto pela carreira policial. A especialidade da família é a barbearia, ofício seguido por seis parentes. André nunca pensou em seguir o mesmo caminho. Aos 18 anos, tentou entrar no Exército. Não conseguiu ser selecionado. Passou no concurso da Polícia Militar. Mudou-se para São Paulo e foi morar no bairro do Butantã, na mesma avenida onde morreria baleado 21 anos depois.
Foi como policial que construiu sua família. Casou-se, teve um filho, que hoje tem 12 anos, depois se separou. Visitava os pais com frequência e era o churrasqueiro da família. Os mais próximos lembram que, mesmo nesses eventos, não desgrudava do rádio, por meio do qual conversava o tempo todo com os amigos da polícia.
André passou dez anos como PM na Zona Oeste de São Paulo. Em 2002, foi transferido para a Rota, força de elite da PM paulista. Em seus primeiros anos na tropa, o soldado André atuou na função de motorista. Um cargo que não é secundário: exige habilidade, rapidez e precisão. Mas afasta o policial do combate direto, porque ele tem de ficar no carro pronto para partir. “O motorista é 50% de uma ocorrência da Rota, porque tem de ser ligeiro, esperto e atento. Mas não se envolve diretamente com a ação”, diz o coronel Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, vereador eleito de São Paulo e comandante da Rota entre 2009 e 2011. Telhada não tinha relação pessoal com André. Lembra que ele tinha prestígio entre os colegas por causa de sua função. “Ele era motorista do subcomandante. Pessoas que assumem um cargo assim são consideradas de extrema confiança”, diz. André recebera a mais alta medalha da Rota por mérito pessoal, feita de metal esmaltado sobre um couro branco.
Há quatro anos, André teve de deixar a função. Bateu o carro de frente com um ônibus, ficou três dias em coma e saiu com o movimento de um braço prejudicado. Não podia mais ser motorista. Passou a fazer serviços internos na parte administrativa do quartel.
Na noite de 26 de setembro, André ligou para a mãe. Estava numa padaria, e ela, assustada com a onda de violência, pediu que ele não ficasse na rua. Segundo uma pessoa muito próxima, ele respondeu: “Pode ficar tranquila, mãe, estou do lado de casa”. No dia seguinte, foi encontrado caído perto do carro, com três tiros de fuzil. Estava na frente de casa, na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, a menos de 1 quilômetro da Universidade de São Paulo. Aos 40 anos, foi o único policial da Rota assassinado na atual onda de crimes.
(Foto: álbum de família)Marcos Roberto de Mendonça “O conheci em 1988, numa partida de futebol em que ele era um dos jogadores. Foi meu primeiro namorado. Casamos em 1992, e nossa vida era maravilhosa. Éramos muito apaixonados, e ele sempre muito preocupado comigo”, diz a mulher de Marcos Roberto Corrêa de Mendonça. Ou simplesmente Mendonça, como era chamado pelos colegas policiais. Ele foi assassinado com um tiro nas costas, na noite de 7 de maio, em Sumaré, cidade do interior de São Paulo. Atuava no 48º Batalhão, responsável por uma área de Sumaré na divisa com Campinas. Não estava a serviço no momento do crime.
Quando Mendonça conheceu a mulher, ainda não era PM. Ele se formou na polícia em 1994, uma semana antes do nascimento da primeira filha do casal. O segundo nasceu em 2007. “Ele adorava ser policial, principalmente nos primeiros anos, em que trabalhou no grupo de Ações Táticas de Campinas (Atac). Tinha orgulho da profissão”, afirma sua mulher. Depois de trabalhar em Campinas e fazer um curso em São Paulo, ele pediu transferência para Sumaré, para não ficar longe dos pais e dos irmãos, que moravam em Tupã, cidade onde Mendonça nasceu. Ele era muito ligado à família. “Adorava jogar futebol com o filho caçula e conversar com a filha mais velha”, diz a viúva.
No dia em que Mendonça foi assassinado, o irmão dela não teve coragem de dar a notícia. Disse que Mendonça sofrera um acidente. “Quando cheguei ao hospital, um tenente amigo dele me chamou para conversar, ao lado de minha filha e do meu filho”, diz a mulher de Mendonça. Ele ficou sem palavras. A filha tomou a iniciativa. “Meu pai morreu?”, disse. Ele balançou a cabeça dizendo que sim. “Meu mundo desabou, nunca podia imaginar perder meu grande amor desse jeito, com tanta covardia. Não conseguia pensar em nada, só em como viveria com meus filhos sem ele, que era tudo para a gente”, diz a viúva. “Meus filhos devem lembrar do pai como um herói, um homem bom e do bem, que só vivia para proteger a comunidade e a família, e que ficava com o coração partido quando encontrava uma criança usando drogas ou vivendo com pais drogados.”
Paulo Fernando Ribeiro Borges No dia 23 de dezembro do ano passado, uma sexta-feira véspera de Natal, a mulher do sargento Paulo Fernando Ribeiro Borges recebeu 16 ligações interurbanas vindas do interior paulista. As ligações não eram atendidas, e quando ela tentava respondê-las uma mensagem dizia que o número não existia. Quando o marido chegou em casa, ele comentou que também recebera cinco chamadas. Ao comparar os números no identificador, viram que se tratava do mesmo telefone. Estranharam, mas deixaram passar a coincidência.
A mulher de Paulo cursava pedagogia e faria uma entrevista de emprego no dia 3 de janeiro para trabalhar com crianças na Cruz Azul, instituição beneficente vinculada à PM. Depois do teste, ela planejava ir com o marido e o filho mais novo, de 17 anos, para a colônia de férias da polícia em Mongaguá, no litoral de São Paulo. O casal gostava de caminhar à luz da lua na beira da praia.
No dia 2 de janeiro, Borges deu dicas para a mulher ir bem na entrevista de emprego do dia seguinte. No mesmo dia, abasteceram-se de suprimentos para a viagem e seguiram para uma pastelaria para almoçar. A mulher de Paulo se lembra bem de um carro que parou com dois homens e uma mulher, e da insistência com que o grupo olhava o casal. “Você conhece?”, disse ela. “Não, deixa para lá”, respondeu Paulo.
Perto das 22 horas, Paulo verificou se a mulher estava com algum dinheiro e seguiu para o posto de gasolina onde fazia bico como segurança em Osasco, município da Grande São Paulo. Menos de três horas depois, policiais informaram à família que ele fora baleado. A mulher de Paulo e o filho mais velho correram para o hospital. Borges, já morto, estava ensanguentado e quente. Ela chegou a vê-lo abrir os olhos. “Seu pai está vivo, é mentira que ele foi embora”, dizia. Inconsolável, percebeu o engano logo depois. “Queria trazê-lo de volta.”
No boletim de ocorrência, a polícia registrou a morte como latrocínio (roubo seguido de morte), porque um dos assaltantes, menor de idade, levou R$ 700 do caixa do posto. Paulo chegou a disparar – um jovem morreu no local –, mas foi morto por outro, que teve o cuidado de recolher o revólver do comparsa. Desde o crime, a mulher de Paulo faz terapia e toma dois antidepressivos e um ansiolítico todos os dias. Mudou-se de apartamento e chegou a ficar dias sem comer. Apesar disso, ela tem uma certeza sobre o marido que gostava de comprar carrinhos de polícia em miniatura para o caçula: “Ele morreu fazendo o que gostava, sentia orgulho de vestir uma farda. Sei que ele foi feliz”.