Três delegados, um investigador e um carcereiro de Mogi das Cruzes foram afastados das funções neste sábado, 17 de outubro, em meio à investigação sobre supostas regalias na cadeia pública onde está preso o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a medida busca impedir interferências nas apurações e foi adotada depois que os servidores prestaram depoimento à Corregedoria.
O caso coloca sob exame uma questão direta: as regras da cadeia eram as mesmas para todos ou havia tratamento diferenciado para um preso politicamente influente?
É essa suspeita — ainda não uma conclusão — que precisa ser esclarecida.
Visitas fora de hora e acesso sem autorização
Os afastamentos vieram após a Operação Custódia (In)Fiel, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo na sexta-feira, 16 de outubro.
A investigação apura visitas fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e aos fins de semana, além da entrada de políticos e amigos de Milton Leite sem autorização formal.
Os Promotores procuram esclarecer se servidores facilitaram esses acessos em desacordo com as regras da unidade.
Não se trata de questionar o direito de um preso a receber visitas.
O ponto é outro: saber se houve concessão de privilégios e quem, eventualmente, os autorizou ou viabilizou.
Dinheiro apreendido exige esclarecimento
Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro investigado por suspeita de facilitar favorecimentos.
A quantia chama a atenção, mas exige rigor no tratamento da informação: os dados divulgados não esclarecem sua origem nem demonstram que os valores tenham sido recebidos em troca de regalias.
Cabe à investigação estabelecer se existe relação entre o dinheiro apreendido e os fatos apurados.
Antecipar essa conclusão seria transformar suspeita em prova.
Afastar não é condenar — nem encerrar o assunto
A SSP informou a instauração de inquérito policial e de procedimento correicional disciplinar, além da realização de correições na Cadeia Pública e no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. Segundo a pasta, o objetivo é “individualizar eventuais responsabilidades”.
O afastamento não equivale a uma declaração de culpa.
É uma providência apresentada como necessária para preservar a apuração.
Isso também significa que a retirada dos servidores de suas funções não encerra o caso.
O esclarecimento depende de identificar o que aconteceu, quem participou e quais elementos sustentam — ou afastam — as suspeitas.
Defesa nega tratamento privilegiado
A defesa de Milton Leite nega a existência de regalias e afirma que o ex-vereador está submetido às mesmas regras dos demais .