Cinco policiais militares, um deles recém-formado na Academia de Polícia do Barro Branco, foram presos ontem à noite acusados de executar duas pessoas e forjar uma ocorrência de tiroteio. O crime aconteceu em 1.º de julho na região do Rio Pequeno, zona oeste da capital. Os policiais, que são de Osasco, foram ouvidos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e levados para o Presídio Romão Gomes, na zona norte. Segundo a Polícia Civil, as vítimas eram dois amigos que estavam em uma moto quando teriam sido confundidos com dois traficantes. A moto que ocupavam estava com a documentação em ordem.
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Cinco policiais militares do 14º Batalhão, em Osasco, na Grande São Paulo, foram presos nesta segunda-feira sob suspeita de matar dois jovens e simular um tiroteio para tentar justifica o crime. O tecelão Cesar Dias de Oliveira e o repositor Ricardo Tavares da Silva, ambos de 20 anos, foram mortos no dia 1º de julho no bairro do Rio Pequeno, na zona oeste da capital paulista, fora da área de atuação dos PMS. Segundo testemunhas, os policiais estavam fardados e em dois carros descaracterizados no dia do crime. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
Os jovens foram baleados com um tiro, quando estavam na moto de Oliveira. Eles teriam caído na calçada até que uma viatura da PM chegou ao local para ajudar os policiais de Osasco. Uma das testemunhas disse à polícia ter ouvido um dos PMs da viatura dizer ao outro: “Vocês fizeram merda, agora terão que corrigir”.
Após a frase, ainda segundo a testemunha, um dos PMs pegou um rádio, começou a atirar para o alto e a dizer que estava em um tiroteio com dois homens em fuga em uma moto.
Os jovens foram colocados nos Carros da PM e levados para o hospital de Osasco.
Foram presos os policiais Marcelo Oliveira de Jesus, Raphael de Arruda Bom, Cringer Ferreria Proda, Denis da Costa Martins e Raphael Salviano Silveira.
EXECUÇÃO
“Vocês fizeram uma c… e têm de consertar”, teria dito o comandante da equipe que baleou Cesar e Ricardo na madrugada do dia 1. A afirmação foi feita ao DHPP por uma testemunha protegida, que presenciou a execução dos rapazes e depôs contra os PMs.
Segundo o relato dessa pessoa, os rapazes estavam em uma motocicleta na Avenida Pablo Casals, na Vila Dalva, Zona Oeste, quando foram abordados por PMs fardados em um Gol vermelho. No depoimento, consta que os policiais desceram atirando.
Já no boletim de ocorrência, os PMs alegam que houve perseguição e, na garupa, Ricardo teria atirado. Outras quatro testemunhas estiveram no DHPP.
Outro carro particular teria chegado ao local do crime com mais PMs fardados. Trinta minutos depois uma viatura teria aparecido e, de acordo com as testemunhas, houve um acordo para que a ocorrência fosse “arredondada”. Os rapazes foram baleados por volta das 2h30, mas o caso só foi comunicado à Polícia Civil às 9h23. As cinco testemunhas contam que cada um deles foi baleado uma única vez. Mas, ao darem entrada no Hospital, César chegou morto com cinco tiros e Ricardo tinha três balas no corpo. Ele morreu na manhã seguinte. Na versão dos PMs, César perdeu o controle da motocicleta durante a perseguição e caiu. A moto, que é zero-quilômetro, está apreendida no 14 DP (Pinheiros) sem dano algum.
César e Ricardo eram melhores amigos desde os 7 anos. Naquela noite, estavam no estúdio de tatuagem do primo de César e voltaram durante a madrugada porque Ricardo trabalharia no domingo de manhã. “Vi meu filho no IML e ele estava com os olhos arregalados. Tenho certeza de que morreu assustado, sem entender o motivo”, diz Daniel Eustáquio de Oliveira, pai de César. Ele tatuou o rosto do filho no braço com a declaração “meu herói.






