Entrevista
“Nossa tropa tem sido alvo de ataques e homicídios”
Durante quase 28 anos dedicados à Polícia Militar, o coronel Marcelo Afonso Prado trabalhou em todos os batalhões da região e passou pelo comando do policiamento das zona Sul e Central da Capital. O novo comandante do Comando de Policiamento do Interior (CPI-6), unidade responsável pela Baixada Santista e Vale do Ribeira, assume o posto ocupado, desde março de 2010, pelo coronel Sérgio Del Bel, que deixou a função para se aposentar.
Como o senhor classifica o seu retorno ao CPI-6, agora na função de comandante? Para mim é uma realização pessoal ser indicado pelo coronel Sergio Del Bel, figura pela qual estendo o meu agradecimento a todos os outros ex-comandantes, que tiveram importante papel na minha formação como PM e na evolução do policiamento da região.
Está assumindo a função antes ocupada pelo seu pai, o coronel PM Nelson Afonso Prado. Como se sente? Honrado e com uma enorme responsabilidade pela frente. Toda a minha formação foi aqui. Cheguei no CPI-6 em 1984, como aspirante a oficial. Passei pelos batalhões de Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, além de Guarujá, Bertioga e Cubatão.
Está no posto há uma semana. Já conseguiu levantar dados a respeito dos problemas relacionados à segurança na região e no Vale do Ribeira? Estive atuando na capital por 1 ano e 5 meses. Mas continuei morando em Santos e acompanhando tudo o que acontece na região. Neste primeiro momento, estou me inteirando mais a fundo das carências de cada cidade. Estou visitando cada batalhão para ter este retorno dos respectivos comandos.
Como pretender utilizar na região sua experiência na capital? Da melhor forma possível. Durante os cinco meses que comandei o policiamento na região central estive à frente de ações de grande repercussão, como a Marcha da Maconha. Neste evento, trouxemos a participação de um promotor público. Foi muito positivo porque, além de fiscalizar as nossas ações, ele pôde orientar os manifestantes sobre o que era permitido na manifestação. O resultado foi muito bom.
Também esteve à frente da desocupação da cracolância, na Capital. Como foi esta experiência? Não participei do início da operação porque coincidiu com o comando do policiamento na Zona Sul. Quando assumi o comando da Zona Central dei continuidade ao apoio policial para o programa, cujo resultado foi positivo. Antes, a área era ocupada por 900 dependentes químicos. Conseguimos reduzir este número para 300 usuários de crack.
Já definiu algumas ações que serão adotadas na área do CPI-6? Já. O APOIAR é uma delas. Precisamos enxergar o que está em deformidade para aplicar a correção. Minha missão é facilitar o trabalho da tropa. Se o PM não estiver treinado e motivado para servir à população, não conseguiremos atingir nosso objetivo. Temos que valorizar o nosso efetivo neste momento difícil.
O senhor se refere à morte de civis durante ações policiais? Sim. Vamos aplicar outras ferramentas de qualidade, como o APOIAR. É um momento de crise que requer a busca de um diagnóstico completo do problema para traçar as intervenções necessárias.
Este mapeamento também abrange os focos da violência? Certamente. Vamos organizar operações policiais para combater o crime organizado na região. A meta será sufocar a logística dos criminosos, assim como os pontos de venda de drogas e de armas.
Haverá ações focadas no enfrentamento entre o crime organizado e a Polícia?
Sim.
Nossa tropa tem sido alvo de ataques e homicídios. A Corregedoria da Polícia Militar está quadruplicando seu quadro de policiais voltados à investigação destas ações. A meta é se antecipar aos ataques a PMs, identificar os criminosos e efetuar as prisões o mais rápido possível. E a região coberta pelo CPI-6 sentirá os reflexos positivos desta estratégia.






