Quem foi que disse que não há negro de alma branca: Sérgio Nascimento de Camargo é um grande exemplo de alma branca , boa e pura ! 11

Nomeado para Palmares que ataca movimento negro é filho de escritor ativista

Sérgio Nascimento de Camargo se descreve como ‘negro de direita’; seu irmão fez um abaixo-assinado contra a nomeação

Sérgio Nascimento de Camargo, novo presidente da Fundação Palmares Foto: Reprodução da internet

São Paulo

Filho de peixe nem sempre peixinho é. Se o novo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Nascimento de Camargo, se descreve como “negro de direita” e defende que o Brasil tem “racismo nutella”, seu pai, Oswaldo de Camargo, é especialista em literatura negra e militante do movimento.

Autor de livros como “Raiz de um Negro Brasileiro” e “O Negro Escrito – Apontamentos sobre a Presença do Negro na Literatura Brasileira”, o escritor é um dos mais importantes importante representante do gênero no país.

Oswaldo já foi coordenador de literatura do Museu Afro Brasil, em São Paulo, participou da primeira edição dos Cadernos Negros —importante publicação de literatura afro-brasileira— e foi homenageado com a medalha Zumbi dos Palmares, da câmara de Salvador.

Por seus estudos sobre o poeta negro simbolista Cruz e Sousa, ele ainda recebeu, em 1998, da Secretaria de Cultura de Santa Catarina, a medalha de Mérito Cruz e Sousa.

Minha militância é na literatura” disse, em entrevista para a revista da Câmara Municipal de São Paulo, em março de 2016. “O negro não é só vítima do preconceito, também é vítima da indiferença”, afirmou àquela altura.

O pai, contudo, não seria o único a discordar das ideias do novo presidente. Seu irmão, o músico e produtor cultural Oswaldo de Camargo Filho, o Wadico Camargo, fez um abaixo-assinado contra a nomeação de Sérgio. Até a publicação deste texto, a petição já havia coletado 24 mil assinaturas.

“Tenho vergonha de ser irmão desse capitão do mato. Sérgio Nascimento de Camargo, hoje nomeado presidente da Fundação PALMARES”, escreveu no Facebook.

A nomeação de Sérgio Nascimento de Camargo faz parte de uma mudança na Secretaria de Cultura, comandada por Roberto Alvim semanas após assumir a subpasta, hoje subordinada ao Ministério do Turismo.

Chegam ao governo secretários responsáveis pela promoção da diversidade, pelo fomento e incentivo à cultura (à frente da Lei Rouanet), pela economia criativa, além de um secretário adjunto especial.

Juízes têm visão egoísta, diz desembargadora que travou gasto bilionário do TJ-SP 17

Juízes têm visão egoísta, diz desembargadora que travou gasto bilionário do TJ-SP

Principal voz questionadora de atos da corte paulista, Maria Lúcia Pizzotti vê individualismo excessivo na magistratura

São Paulo

​​Ao perceber que não foram tomadas providências de segurança após um incêndio no 14º andar do fórum paulista João Mendes, local onde trabalhava, a juíza Maria Lúcia Pizzotti oficiou o Corpo de Bombeiros para que fechasse o local e fizesse uma averiguação.

Em inspeção, o órgão identificou fiação aparente, portas corta-fogo mantidas abertas, além da falta de alarmes e de treinamento dos funcionários.

O episódio aconteceu entre os anos de 2008 e 2009 e abriu caminho para uma série de reformas no João Mendes, o maior fórum do Brasil.

Mas também rendeu à juíza um processo administrativo aberto pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, à época Roberto Antonio Vallim Bellocchi, que foi arquivado anos depois.

​Pizzotti, 56, que em 2014 foi promovida a desembargadora, é a mesma que provocou neste ano a suspensão da licitação do projeto executivo de um prédio estimado em R$ 1,2 bilhão, que seria construído para abrigar os gabinetes dos magistrados no centro de São Paulo.

Só o projeto executivo tinha um valor referência de R$ 25,3 milhões.

Ela contestou a forma como a concorrência pública tramitou e disse que faltava transparência e divulgação dos detalhes da obra. No último dia 12, após dois meses suspensa, a licitação foi cancelada pelo presidente do TJ, Manoel Pereira Calças.

Nos últimos anos, Pizzotti tem sido a principal voz contestadora dos atos do tribunal entre os 360 desembargadores.

Na magistratura desde 1988, ela passou a carreira apontando problemas em decisões internas da corte, principalmente em relação a gastos com dinheiro público.

O caso do João Mendes não foi a primeira vez que a magistrada havia feito esse tipo de ofício aos bombeiros. Antes, já havia pedido vistoria de segurança no fórum de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista.

Em 2005, questionou em ofício a escolha de um colega que passou à frente de outros 48 magistrados na lista de antiguidade e virou juiz auxiliar do Tribunal de Justiça.

Dez anos depois, em 2015, rompeu um “acordo de cavalheiros” e se lançou candidata a presidente da Seção de Direito Privado do TJ, para evitar que o posto tivesse um concorrente único, como era tradição.

Mais recentemente, em 2017, levantou suspeitas de superfaturamento em contratos do tribunal com a Argeplan, empresa que pertence ao coronel João Baptista Lima Filho, amigo do ex-presidente Michel Temer (MDB). O caso é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Essa suspeita fez com o presidente do Tribunal de Justiça na época, Paulo Dimas Mascaretti, hoje secretário da Justiça do governo João Doria (PSDB), provocasse a abertura de um procedimento no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra ela —também arquivado.

Ela própria enviou uma representação contra o então presidente, que chegou ao CNJ mas nunca foi distribuída a um relator.

Num tribunal que pouco expõe os seus próprios problemas, Pizzotti colecionou inimigos. Não da parte dela, diz. “Eu não sou inimiga de ninguém, eu faço isso desde que eu entrei na carreira”, afirma a desembargadora em entrevista à Folha.

Ela relata que, logo que iniciou a carreira como juíza, em Santos (SP), descobriu uma situação que envolvia corrupção em um cartório, e denunciou.

Isso, diz, lhe rendeu um processo administrativo que quase não permitiu que ela fosse estabilizada como magistrada —há um prazo de dois anos para que isso aconteça, segundo a Lei Orgânica da Magistratura.

“Porque eu me insurgi contra um sistema, eu quase não fui vitaliciada. Eu não tenho vergonha de dizer isso. Eu quase não fui confirmada na carreira.”

Avalia que, entre outros motivos, no início também sentiu resistência dos outros integrantes do Judiciário por ser mulher –em suas contas, a 20ª a se tornar juíza em todo o estado de São Paulo–, ter ingressado no Judiciário ainda jovem e sempre ser “muito expansiva e muito aguerrida”.

Questionada sobre por que poucos magistrados têm o mesmo comportamento de denunciar problemas internos, afirma que há “uma visão egoísta, que é um pouco do ser humano, não é só dos desembargadores”.

“Por que os juízes não o fazem? Muitos têm medo porque há retaliação. Eu sofri muita retaliação, mas eu não tive medo.”

Segundo ela, no Judiciário, “há um individualismo excessivo, as pessoas estão muito preocupadas consigo”.

“Todo mundo está preocupado com as prerrogativas. Veja você, se tiver alguma coisa que aconteça para mexer com as prerrogativas, eu garanto que é capaz dos 360 se unirem pela primeira vez na história do tribunal”, diz Pizzotti.

“Se alguém for mexer com os carros do tribunal, eu garanto que os 360… vão ser 359, porque eu não vou entrar nesse grupo, que eu não defendo carro oficial. Há uma visão muito individualista, não há uma visão de espírito público.”

Ainda em 2017, a magistrada se destacou em outra situação que, segundo os registros do TJ de São Paulo, é inédita. Entre 2016 e 2017, ela foi substituta no órgão especial, que reúne os 25 desembargadores de cúpula do tribunal.

São eles que aprovam a proposta de orçamento encaminhada ao governo, que a adapta à realidade financeira estadual e encaminha todos os valores que o estado pretende gastar no ano seguinte para aprovação do Legislativo.

Em geral, o valor proposto pelo tribunal sofre uma redução significativa após ser enviado para o Executivo —o que faz com que os presidentes do TJ tenham que pedir a suplementação de verba ao governo.

Ao substituir outro desembargador no órgão especial, Pizzotti ficou entre os responsáveis por julgar a proposta de orçamento, de R$ 21,8 bilhões.

No entanto, em vez de aprovar sem questionamentos, ela pediu vista, analisou as cifras e voltou com um voto que divergia dos outros magistrados. Em resumo, dizia que “valores vultosos” não eram explicados e que não era possível entender as bases de cálculo deles.

“Estudei o que qualquer pessoa com o mínimo de tutano possa fazer”, afirma. Ela solicitou documentos e ficou “sentada em uma sala de tribunal durante sete horas”.

Seu voto acabou vencido por 24 a 1. Outros magistrados cobraram que ela deveria “votar em confiança”.

Reservadamente, outros desembargadores veem, por vezes, Pizzotti como uma pessoa muito crítica e pouco propositiva. Também enxergam que a forma como ela age, sempre por meio escrito, com questionamentos por ofícios e de forma aberta, expõe as divergências do tribunal.

Ela contesta. “Eu ouço essa frase há anos: Pizzotti, você tem razão, o problema é a forma de fazer”, afirma. “E eu me pergunto qual é a forma mais adequada de fazer que não seja a forma escrita? Para mim é a mais clara, democrática e transparente. E a mais oficial.”

“‘A imprensa é nossa inimiga’, eles acham. ‘É péssimo para nossa imagem eles divulgarem essas coisas’. Não é péssimo, é ótimo”, afirma. Um dos motivos para isso, segundo ela, é que essa é a maneira de mostrar que, em vez de ser corporativista, “o Poder Judiciário está tentando corrigir as suas mazelas”.

Raio-X

Formada e com mestrado na PUC-SP, Maria Lúcia Pizzotti, 56, ingressou na magistratura de São Paulo em 1988, em Santos. É desembargadora desde 2014. Foi substituta do órgão especial (cúpula do Tribunal de Justiça) entre 2016 e 2017.

Centrão pede a Bolsonaro para liberar jogos de azar 6

Centrão pede a Bolsonaro para liberar jogos de azar

Deputados do bloco retomam ofensiva para aprovar projeto que permite abertura de cassinos no País; presidente recomenda a parlamentares consultar bancada evangélica

Renato Onofre e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 05h00

BRASÍLIA – Deputados do bloco conhecido como Centrão retomaram a ofensiva para liberar a abertura de cassinos no País. O presidente Jair Bolsonaro chegou a ser consultado para saber se o governo apoiaria um projeto com esse teor, mas não deu resposta definitiva. Bolsonaro disse aos interlocutores que, antes, seria preciso consultar a bancada evangélica. O grupo é contra o projeto, mas já admite discutir uma alternativa. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, defende a autorização do jogo de azar, mas apenas para estrangeiros.

Em conversa com deputados, na semana passada, Bolsonaro afirmou que tudo pode ser “conversado”, desde que passe pelo crivo dos evangélicos. Avisou, no entanto, que não concorda com a liberação do caça níquel porque “pais de família” podem usar o dinheiro do salário para jogar. Mesmo sendo contrário aos jogos, o presidente já deu sinais de que há a possibilidade de deixar cada Estado decidir o assunto por conta própria.

Deputados do Centrão
Em reunião com o presidente Bolsonaro, deputados do Centrão questionam sobre autorização para jogos de azar Foto: Divulgação

A ideia foi discutida durante almoço, na quarta-feira, entre Bolsonaro, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e vários deputados – na lista estavam, por exemplo, o líder do DEM, Elmar Nascimento (BA), o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva (SP), e Cláudio Cajado (PP-BA). Bolsonaro fez o convite para a reunião, no Palácio do Planalto, com o objetivo de se reaproximar dos deputados, que ali reclamaram, mais uma vez, do atraso no pagamento das emendas parlamentares. Mas o bate papo foi além e chegou aos jogos de azar.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é favorável à legalização de cassinos, mas restrita a resorts. Um projeto de lei com relatório apresentado em 2016, autorizando a exploração de jogos de azar em todo o território nacional, está pronto para votação em plenário. Duas propostas com conteúdo defendido por Maia foram anexadas ao mesmo texto e ele se mostra inclinado a pautar a medida.

O coordenador da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara, Silas Câmara (Republicanos-AM), disse que o grupo – formado por 195 dos 513 deputados – é majoritariamente contra a ideia, mas não descartou o debate de opções. “A bancada ouviria, dependendo de quem vier com a explicação”, afirmou Câmara, citando o exemplo do prefeito do Rio. “Sendo ele (Crivella) um evangélico, não seria difícil ouvi-lo. A gente dialoga. Agora, dialogar e trazer uma proposta que não seja correta é complicado”, completou.

O deputado citou a possibilidade de vício, prostituição e corrupção como justificativas para o veto, mas o Estado apurou que a tendência do Republicanos é liberar a bancada, se esse assunto for votado.

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O presidente Jair Bolsonaro e o prefeito Marcelo Crivella em cerimônia em maio deste ano Foto: Marcos Corrêa/PR

Crivella é a favor da liberação de cassinos apenas para estrangeiros e tenta atrair um empreendimento para a capital fluminense. A Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio preparou um parecer, ao qual o Estado teve acesso, a favor de liberar a instalação de um cassino em Porto Maravilha – área portuária revitalizada na cidade –, se o Congresso permitir os jogos por lei.

A intenção é autorizar a construção de um cassino associado a um resort integrado, que, além de hotéis, abrigaria centro de convenções, shoppings, cinema e teatro. “Eu sou favorável a que se faça isso. A princípio, apenas para os estrangeiros, até que o Brasil tenha certeza de controles e normas para não haver nenhuma possibilidade de lavagem de dinheiro da criminalidade ou da corrupção”, afirmou Crivella, em nota encaminhada à reportagem.

Campanha

No ano passado, antes do segundo turno da eleição, o então candidato Bolsonaro negou que fosse favorável a liberar a abertura de cassinos. “Vou legalizar cassinos no Brasil? Dá para acreditar em uma mentira dessas?”, disse Bolsonaro, em vídeo postado nas redes sociais. “Nós sabemos que o cassino aqui no Brasil, se tivesse, seria uma grande lavanderia, serviria para lavar dinheiro. E também para destruir famílias. Muita gente iria se entregar ao jogo.”

O tema, que desperta polêmica, foi objeto de idas e vindas na Câmara. Em 2015, a Casa instalou uma comissão especial para avaliar propostas de legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho, entre outras modalidades.

Investidores de multinacionais e lobistas entraram em ação, à época, na tentativa de destravar as discussões, mas nada foi para frente. A Associação Brasileira de Bingos, Cassinos e Similares estima que o setor – ao lado de loterias e todas as atividades que envolvem apostas – pode aumentar a arrecadação em R$ 30 bilhões por ano.

Policiais e dono de startup acusados de extorquir sócio da BWA Investimentos são libertados 14

Policiais e dono de startup acusados de extorquir sócio da BWA Investimentos são libertados

Policiais e dono de startup acusados de extorquir dono da BWA Investimentos são libertados
Foto: Divulgação

A Justiça concedeu habeas corpus aos cinco policiais civis, um tenente da Rota, três soldados e três empresários acusados de participarem do sequestro e extorsão do dono da BWA Investimentos.

O juiz Marcello Ovidio Lopes Guimarães, da 18.ª Vara Criminal de São Paulo, deu o despacho na quinta-feira (21) e libertou os 12 suspeitos do caso que envolveu um conhecido empresário do ramo de bitcoin em Santos.

De acordo com o documento, foi solto Guilherme Aere dos Santos, acusado de ser o mandante do crime. Além dele, também estão em liberdade Marcelo Nogueira Chamma, Davi Carlos de Souza Queiroz, Matheus de Souza Paula, Amauri Moreira da Silva, Ramon Almeida da Silva, José Ricardo Nahrlich Júnior, Roger Hiroshi Toda, Wailton Sena Rios, Tiago Antonio dos Santos Viana, Thomas Luiz Zan e Geraldo Francisco Oliveira Subrinho.

Outro pedido de habeas corpus havia sido negado no início do mês pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Dono BWA e policiais civis e militares

Já havia uma pressão política para a libertação dos suspeitos, pelo menos no caso dos policiais militares. No final de outubro, em uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL) defendeu o tenente da Rota e disse que as acusações eram falsas.

Caso envolveu o de sequestro de P.R.R.B, empresário do ramo de Bitcoin de Santos (SP), dono da BWA Investimentos. Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil, ele afirmou que o caso ocorreu em junho, data em que foi levado por policiais civis até a 73ª DP em São Paulo, onde foi mantido em cativeiro.

Lá, segundo o relato, o empresário foi cobrado por uma dívida que os policiais afirmavam que ele tinha com o empresário Guilherme Aere dos Santos, o suposto mandante do crime.

P.R.R.B chegou a pagar quase R$ 1 milhão aos policiais civis. O restante que havia combinado de pagar — mais uma parcela de R$ 1 milhão — nunca foi paga.

Aere do Santos, o criador da Home Refill, nega as acusações. Por outro lado, ele afirma que P.R.R.B é o nome por trás do Bitcoin Banco, uma empresa com sede em Curitiba que lesou milhares de pessoas — entre elas, Ares dos Santos.

Farsa do PCC virou caso de polícia e manchou a carreira do apresentador GUGU; também da credibilidade do SBT que instrumentalizou PMs – seguranças da empresa – naquele enredo macabro 7

Gugu: Farsa do PCC virou caso de polícia e manchou carreira do apresentador

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

23/11/2019 11h35

Gugu Liberato, que teve sua morte confirmada ontem, passou pela pior fase da carreira na entrevista com falsos integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). Líder de audiência nos anos anteriores, o apresentador viu seu prestígio e sua grande audiência fugirem após a exibição da farsa, que virou caso de polícia e manchou a trajetória do apresentador.

Falso PCC no Domingo Legal - Montagem/Reprodução/YouTube/Fabio Marckezini
Falso PCC no Domingo Legal

Imagem: Montagem/Reprodução/YouTube/Fabio Marckezini

Na entrevista, veiculada em 7 de setembro de 2003, os supostos criminosos, identificados como Alfa e Beta, assumiram a autoria do sequestro do padre Marcelo Rossi, ocorrido na semana anterior, e ameaçaram de morte os apresentadores José Luiz Datena, Milton Neves, Marcelo Rezende e Oscar Roberto Godói, que comandavam programas policiais.

Os supostos bandidos, encapuzados e armados, também voltaram a ameaçar o padre Marcelo, uma dos amigos mais próximos de Gugu, e o vice-prefeito de São Paulo na época, Hélio Bicudo.

Vítimas revoltadas

A resposta foi imediata. Datena, no Brasil Urgente (Band), se revoltou com o sensacionalismo de Gugu: “Silvio Santos, para mostrar um jornalismo rasteiro desse no programa do Gugu, não vale a pena ter jornalismo mesmo. Vai lá ver lá em casa como está minha família, com medo de sair, botar o nariz na rua!. Estou profundamente magoado, desiludido”.

Rezende, que apresentava o Repórter Cidadão (RedeTV!), entrevistou Hélio Bicudo: “As pessoas que fazem ameaça cometem um crime. E aqueles que divulgam a ameaça, não cometem?”, indagou o então vice-prefeito da capital paulista.

Caso de polícia

O material exibido no SBT virou caso de polícia. O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu inquérito e pediu as fitas do programa, e o procurador-geral de Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, suspeitou de farsa: “Ambos os indivíduos, que disseram ter cumprido penas longas, não parecem ter linguagem de quem esteve anos no sistema prisional”.

O secretário de Segurança Pública, Saulo Castro de Abreu, disse que Gugu “montou um personagem”. Na época, a secretaria negava a existência do PCC: “Pegou uma situação que tomam por realidade, um negócio chamado PCC, que estava morto e enterrado em São Paulo, travestiu duas pessoas, colocou capuz, montou um personagem e aproveitou uma semana de debate sobre sequestro de autoridades, de atentado ao padre Marcelo”.

Promotores levantaram a suspeita de que os bandidos eram ex-policiais que trabalhavam no SBT como seguranças. O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) apreendeu as fitas. O chefe de reportagem do Domingo Legal, Wagner Mafezolli, negou a farsa em depoimento ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado).

Gugu calado

Preocupado, Silvio Santos se reuniu com diretores temendo retaliações do governo. Orientado pelo SBT, Gugu permaneceu calado. Na mesma semana cancelou reuniões e passou a semana acompanhando o estado de saúde do pai, Augusto (internado com embolia), e da mãe, Maria do Céu, com diverticulite.

As retaliações começaram do bolso. A Petrobras cancelou uma megacampanha publicitária com Gugu (avaliada em R$ 1,7 milhão). O Domingo Legal, que faturava até R$ 750 mil, viu o montante cair para R$ 400 mil duas semanas após o escândalo do PCC.

O Ministério da Justiça advertiu o SBT, e o Tribunal de Justiça ordenou a saída do Domingo Legal do ar. Durante duas semanas, a emissora preencheu o horário com reprises do Programa do Ratinho, Grammy Latino e Troféu Imprensa.

Pedido de desculpas

Gugu finalmente se retratou em 15 de setembro, no programa de Hebe Camargo. De surpresa, ele pediu espaço à colega para pedir desculpas às personalidades ameaçadas pelos supostos bandidos do PCC e afirmou não ter visto o material antes de ir ao ar.

Hebe, que viu seu programa saltar de 10 para 19 pontos com a retratação de Gugu, também fez perguntas ao apresentador e lhe deu um conselho.

“Posso te dar um conselho como mãe? Não sofra tanto por um negócio de audiência, meu amor. Você tem o seu programa há tantos anos, é tão querido. Quando um programa dá dois ou três pontos a menos, você tem uma audiência magnífica. Não tem que sofrer por causa de dois, três pontos que o Faustão ganha. De repente, no outro domingo, o público acha que o seu programa está melhor”, disse a apresentadora.

Na semana seguinte, Gugu prestou depoimento e responsabilizou o SBT pela exibição do material. Segundo o delegado Alberto Pereira Matheus, o apresentador admitiu ter pedido à produção do programa a realização de uma reportagem sobre ameaças do PCC ao padre Marcelo, mas negou ter visto a gravação antes da exibição.

A investigação policial confirmou a farsa, e o Ministério das Comunicações multou o SBT em R$ 1.792,53 pela falsa entrevista. Já Gugu nunca mais conseguiu manter a enorme audiência dos anos anteriores.

 

https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2019/11/23/gugu-farsa-do-pcc-virou-caso-de-policia-e-manchou-carreira-do-apresentador.htm

 

Sinal de falência cerebral terminal do Brasil – GUGU é mais exaltado pelo governo federal do que o genial e universal João Gilberto 34

Vamos falar sério, o GUGU sempre foi um apresentador de mediocridades e fraudulências…

Não fez nada pela cultura.

Obviamente, não estamos felizes ou enaltecendo o seu intempestivo falecimento.

Não era jovem, mas 60 anos não é idade para morrer.

Nossos sentimentos à família…

Todavia, o trabalho dele sempre foi muito raso ; a exposição da vida íntima alheia em certos quadros  nada recomendável.

Outro falso mito nacional…

Fake, total!

https://www.youtube.com/watch?v=BDcFWRhIVQU

Resultado de imagem para gugu liberato fake

Fotógrafo policial , em legítima defesa , mata PM “descaracterizado”…Enfim, se tá armado – em bando , sem farda ou distintivo – é ladrão! 61

POLÍCIA CIVIL

GARRA / DOPE

OCORRÊNCIA ENVOLVENDO POLÍCIA CIENTÍFICA

Por volta das 23:00 hrs, as equipes do Grupo 90 do Garra, coordenadas pelo Dr xxxx, foram acionadas via Cepol para se dirigirem à rua Cassiano Gabus Mendes, Itaquera, tendo em vista uma ocorrência envolvendo agentes da Polícia Técnico Científica e Policiais Militares.

O Garra Piloto para lá se deslocou, contatando tratar-se de uma esquina (Cassiano Gabus Mendes X Av. Radial Leste), sendo que neste local estavam parados 3 veículos, respectivamente: 1 viatura da Polícia Científica, patrimônio S1144, prefixo IML02, 1 GM Celta cor prata, placas AXO4759 e 1 táxi GM Spin, placas GJU3479.

O local já encontrava-se preservado por viaturas da Polícia Militar, e ao solo uma grande quantidade de substância hematóide.

Segundo o apurado, os agentes xxxx e xxxxx (fotógrafo e auxiliar de necropsia) componentes da vtr IML 02, estavam parados no semáforo existente no sítio dos fatos, quando avistaram a motocicleta modelo Yamaha/Faser, cor preta, placa BZG8799 sendo roubada por dois indivíduos desconhecidos.

Neste instante o fotógrafo policial xxxxx, desceu da viatura para abordar os roubadores, instante em que percebeu outros indivíduos saindo do interior do veículo GM Celta, que também estava parado no semáforo, sendo que ambos também estavam armados.

Acreditando tratar-se de outros roubadores, o fotógrafo policial xxxxx efetuou diversos disparos contra o trio do GM Celta, logrando alvejar um deles (xxxxx) no braço e no pescoço.

Após os disparos, o fotógrafo percebeu tratar-se de policiais militares descaracterizados, que também desceram do GM Celta para efetuarem a prisão dos ladrões da moto.

A motocicleta em questão foi levada pelos roubadores, e a vítima ajudou a fazer massagem cardíaca no Policial Militar baleado, que na sequência foi socorrido ao PS Planalto pela UR03216, encarregado xxxx, entrando em óbito logo em seguida.

A ocorrência foi apresentada no 63º DP, sendo que o Delegado do plantão, Dr xxx, determinou o encaminhamento de todos os envolvidos à Corregedoria da Polícia Civil.

O local foi preservado pela equipe Garra 95, patrimônio 27388, e pela PM patrimônio 39109.

A perícia foi realizada pela equipe S0929, perita xxx.

A testemunha xxxxx, que conduzia o táxi acima descrito, e que também encontrava-se parado no mesmo semáforo, ratificou a versão dos agentes da Polícia Científica.

A ocorrência foi apresentada na Corregedoria da Polícia Civil, pela policial militar xxxx.

Até o presente momento 06:30 hrs a ocorrência presidida pelo Delegado da DOP, Dr xxxxxxx não fora finalizada, nem tampouco decidida a natureza do RDO n xxx/19

Colaboração: Seutito.


 

Só falta o delegado da Corregedoria ter lavrado auto de prisão por flagrante homicídio!

Lamentável a morte do policial militar, mas é melhor o agente ser julgado por 7 do que carregado por 6!

 

Resultado de imagem para melhor ser julgado por 7 que carregado por 6


Complementação: A PM AFIRMA QUE O MORTO ESTAVA DE FOLGA

 

NATUREZA: MORTE DE POLICIAL MILITAR DE FOLGA
SIOPM: 19164
QTR: 23h22
BTL: 39º BPM/M
CIA: 1ª
DP: 32º DP
QTH: Acesso Radial Leste – Centro, 900 – Itaquera/ SP.
HISTÓRICO: O Sd 2ª Classe PM 181750-7 David da Silva Santos, pertencente ao efetivo da Escola Superior de Soldados, lotado pela fase do específico no CPA/M-4, de folga foi intervir no Roubo da motocicleta Yamaha/Fazer BZG-8799, quando ao sacar a arma foi confundido com um dos criminosos, por uma equipe de Polícia Técnico Científica que estava próxima do local no momento dos fatos. O Sd PM Da Santos foi baleado no pescoço e foi socorrido pela UR-03216 ao Hospital do Planalto, porém veio a óbito.

 

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E trouxas, doutrinados  como escravos 

continuarão , em folga , portando armas  acreditando ser policial 24 horas…

Bando de coitados: 5%!

Tensão entre a propaganda e a realidade na crise do governo paulista com as polícias estaduais 18

Tensão entre a propaganda e a realidade na crise do governo paulista com as polícias estaduais

REDAÇÃO – ESTADÃO

08 de novembro de 2019 | 09h26

Rafael Alcadipani, é professor Adjunto da EAESP-FGV, External Fellow no Cardiff Crime & Security Research Institute – Cardiff University e associado pleno ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O governo do Estado de São Paulo conseguiu um feito para poucos na gestão pública: em um cenário de escassez orçamentária e de crise econômica, foi capaz de fornecer um aumento de 5% para policiais e agentes penitenciários, ao custo de 1,5 bilhões ao erário público, e ao invés de colher os louros deste aumento na categoria gerou uma grande revolta. Para entender o que está acontecendo é necessário pensarmos a lógica que perpassa a atual política de segurança pública do Estado.

A despeito da pujança econômica de São Paulo, os policiais e agentes penitenciários possuem salários e condições de trabalho muito aquém do que era de se esperar. Há muitos anos os salários dos trabalhadores da área de segurança pública não recebem sequer a reposição da inflação. Há uma crônica falta de reposição de efetivos que faz com que policiais tenham que atender a uma maior demanda com menores recursos humanos e materiais. Não é incomum que policiais do Estado paguem do seu próprio bolso o conserto de viaturas, ou consigam algum comerciante que arque com o reparo. Os processos de trabalho ainda são extremamente burocráticos e pouco atualizados. Os sistemas de informação são pouco integrados. Há um número inaceitável de suicídios de policiais.

Durante as eleições, o atual governador lançou algumas grandes ideais para a segurança pública do Estado: a criação de BAEPs, batalhões policiais padrão ROTA, o aumento do número de delegacias da mulher (DDM) e a privatização de presídios. Nunca foi apresentada a sociedade nenhum estudo que mostrasse os dados, os fundamentos e as análises que justificam estas ações para a Segurança Pública do Estado.

Na prática, BAEPs estão sendo criados e planejados para áreas do Estado que não possuem a necessidade deste tipo de programa de policiamento, tanto porque não possuem alto grau de violência quanto porque os BAEPs precisam de recursos humanos que na realidade não estão disponíveis na PM. Com isso, estão sendo realocados policiais para compor este tipo de programa de policiamento deixando áreas mais sensíveis e necessárias como as rádio patrulhas desguarnecidas. BAEPs ainda concorrem com um programa de policiamento que existe e dá resultados: as Forças Táticas, estruturas muito mais enxutas.

As DDMs estão causando o mesmo impacto: elas consomem recursos de uma polícia que está com um número muito alto de claros de pessoal. A violência contra a mulher é um grave problema no Estado, mas isso não se resolve com a criação e abertura de DDMs, pois na prática muitas não possuem demanda que justifique a sua abertura 24 hs. Há formas mais inteligentes e racionais de lidar com a questão da violência contra a mulher, como a criação de equipes volantes especializadas no atendimento deste tipo de crime. As privatizações dos presídios, tema polêmico e que está longe de ser simples como apresentado pelo governador, tem encontrado resistências no Poder Judiciário e do Tribunal de Contas do Estado. Na prática, as promessas de campanha do governo estão mais fundamentadas em achismos do que em estudos técnicos aprofundados ao mesmo tempo que estão colocando mais pressão nos escassos recursos das polícias de São Paulo. As consequências ao longo prazo das práticas dos programas do atual governo é as polícias utilizarem mais recursos de todos os tipos para gerar um resultado menor.

Além disso, o governador, por diversas vezes, disse que faria da polícia de São Paulo uma das mais bem pagas do país. Mas, ofereceu um reajuste de 5% sem mostrar uma proposta clara e estruturada a respeito de como chegará ao objetivo de pagar aos policiais um salário maior. A sensação, mais uma vez, é de que faltam ações concretas e que a imagem vale mais do que a essência. Há em São Paulo uma redução importante de boa parte dos indicadores criminais. Porém, o mesmo tem acontecido em diversas unidades da federação. Como possuímos raros estudos com rigor científico que mostre o que está causando a redução dos indicadores, não é possível dizer ao certo quais fatores estão realmente gerando a redução dos crimes. Não há dúvida que o trabalho da polícia tem ajudado nisso, mas isso tem muito mais a ver com a continuidade do trabalho dos comandos e dos policiais do que de da política de segurança pública do governo do Estado.

O Governo gastou milhões em uma peça publicitária das polícias de São Paulo que mostram uma realidade que não é a que se apresenta nem aos policiais, nem a população. A sensação dos policiais é que se quer vender uma realidade que não existe. Assim, a atual crise entre governo e polícias é fundamentalmente uma crise de credibilidade onde os policiais não percebem que a propaganda do governo corresponde a realidade. É urgente que o Governo de São Paulo faça política de Segurança Pública com base em estudos técnicos aprofundados e que haja um ajuste entre imagem que se quer vender e a realidade.

https://politica.estadao.com.br/blogs/gestao-politica-e-sociedade/tensao-entre-a-propaganda-e-a-realidade-na-crise-do-governo-paulista-com-as-policias-estaduais/?fbclid=IwAR0TzuB6o04EEuq-wjuFqlnIEo2gMaCbHn72FblC1dnl85lM6ZStOmuNUis

Excludente de Ilicitude: o primeiro ato do novo AI 5…Flagrantemente, Bolsonaro busca empregar militares e policiais contra quaisquer opositores 5

Excludente de Ilicitude: o primeiro ato do novo AI 5

Por Alberto Kopittke*

Os primeiros comentários na grande mídia sobre o PL (veja a íntegra aqui) da excludente de ilicitude apresentado por Bolsonaro ontem (21) não compreenderam de fato do que trata o Projeto. Mesmo os comentários críticos abordaram o PL como se ele fosse uma repetição do PL do Pacote de Sergio Moro, apenas ampliado a excludente para Militares em Operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

No entanto, o Projeto praticamente não tem relação com “Segurança Pública” e com o debate sobre a letalidade policial, que polariza o país e revela o forte protagonismo das polícias militares na vida política. Apesar das Operações de GLO serem utilizadas de forma cada vez mais ampla pelos Governos do PT e agora do PSL, nos últimos 10 anos, o número de mortes provocadas em Operações GLO é muito pequeno se comparado com os números do cotidiano da segurança pública brasileira, por geralmente se tratarem de operações de estabilização de território.

O que não foi percebido, é que o PL de Bolsonaro é praticamente uma cópia do Decreto Supremo 4078 editado há 5 dias atrás pela autoproclamada Presidente da Bolívia, Jeanine Ãnez, que garantiu a excludente de ilícitude para as Forças Armadas bolivianas reprimirem os movimentos que eclodiram no país. Outro sinal que passou quase que desapercebido foi que o Ministério da Defesa e não o da Justiça e Segurança Pública é que foi acionado para construir a minuta da proposta.

Na verdade, o PL de Jair Bolsonaro não tem nenhuma preocupação com o problema da criminalidade do país. Ele tem como alvo a possibilidade de um aumento das mobilizações de rua no país, como está ocorrendo em todo o continente, autorizando policiais e as forças armadas a fazerem uso da força letal contra pessoas envolvidas em manifestações sociais. O Projeto é uma preparação para a possibilidade do Brasil viver um processo de mobilização social e segue a sugestão dada pelo filho 03 do Presidente, Eduardo Bolsonaro, há poucos dias atrás, sobre a necessidade de se tomar medidas duras, como um novo AI5 no país.

É preciso compreender que o Projeto de Lei apresentado por Bolsonaro não está isolado na história. Ele é o ápice de toda uma estrutura jurídica que vem tornando a GLO um verdadeiro regime de exceção nas mãos do Presidente da República, sem a necessidade de aprovação do Congresso Nacional. Há uma aposta na radicalização como tática diversionista de concentração de poderes pelo Presidente e esvaziamento de quaisquer agendas que não sejam por ele emuladas.

Em 2013, findadas as manifestações populares, o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas publicou a regulamentação das Operações de GLO (Portaria Normativa nº 3.461/2013/MD). A Portaria alterou pela primeira vez desde a redemocratização o conceito de Força Oponente, que é o conceito central que autoriza o uso da força por parte das Forças Armadas, o qual desde a redemocratização era entendido como as Forças Armadas de outro país soberano que venha a atacar o território nacional. A partir dessa Portaria, a utilização do uso de força militar passou a ser autorizada contra “qualquer grupo interno que instabilize a ordem social”. Além disso, a Portaria ainda previu pérolas como a possibilidade de realizar operações psicológicas junto a população civil brasileira e a autorização para a restrição do livre exercício do jornalismo nas áreas sob intervenção.

Em razão de forte reação de movimentos sociais, a regulamentação foi suavizada (Portaria Normativa Nº 186/MD/2014), embora tenha mantido como força oponente a ideia abrangente e vaga de “agentes de perturbação da lei e da ordem”. Agora, o novo Projeto de Lei retoma o espírito da Portaria original e incluí terrorismo no rol de situações autorizativas para a excludente de ilicitude. Há uma sutil mas clara reorientação político institucional em curso e que poucos estão percebendo. A questão é que não bastam votos em uma democracia; é preciso que as instituições sejam democráticas e sujeitas a mecanismos transparentes de controle e supervisão.

Em seu brilhante livro “Political (in)justice: authoritarianism and the rule of law in Brazil, Chile, and Argentina” sobre os regimes autoritários na América do Sul, o Professor Anthony Pereira, do Kings College de Londres, destaca uma peculiaridade do autoritarismo militar nacional. Diferentemente dos demais países, a ditadura brasileira, embora constitucionalmente ilegal, sempre se preocupou em garantir a legalidade formal mesmo de seus atos mais autoritários, a começar pelos diversos Atos Institucionais, cuidadosamente escritos até milhares de Inquéritos Militares, que registravam todas as perseguições totalmente arbitrárias.

Embora pudesse ter feito tudo o que fez apenas fazendo uso da força, como fizeram as Ditaduras Argentinas, Chilenas e Uruguaias, a Ditadura Brasileira preocupou-se em ser formalmente adequada, seguindo o “melhor” da tradição jurídica brasileira que prima pela forma em detrimento dos princípios do Estado Democrático de Direito.

O Projeto de excludente de Ilicitude em Operações GLO faz parte dessa tradição do legalismo autoritário brasileiro que vem ressurgindo e ganhando mais forças a cada dia no país. Num momento em que o futuro sobre nossa democracia é incerto, a única certeza é que o primeiro Projeto de Lei do novo AI5 já foi apresentado.

* Diretor Executivo do Instituto Cidade Segura e associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Aqui tem palavra” –  Jornalista protesta Márcio França por suposto calote milionário; ex-governador nega ter feito contrato verbal, mas não convence

Ex-diretor do Domingão do Faustão acusa Márcio França de calote de R$ 1,6 milhão

Ex-governador de SP não pagou dívidas feitas na campanha à reeleição em 2018

São Paulo

“Aqui tem palavra.” Alberto Luchetti, ex-diretor do Domingão do Faustão, cita o slogan da campanha de Márcio França (PSB) ao governo paulista ao acusá-lo de um calote de R$ 1,6 milhão.

Luchetti, que entrou na semana passada na Justiça com pedido de protesto, afirma que o ex-governador, um ano depois, ainda não lhe pagou por serviços prestados na eleição do ano passado.

Márcio França no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo – Gabriel Cabral-20.dez.18/Folhapress

O jornalista é proprietário da produtora Infiniti 8, que foi contratada para realizar os programas eleitorais do então candidato do PSB, no primeiro turno da disputa. “Quando o Márcio passou para o segundo turno, foi uma grande correria, pois ele não acreditava nessa possibilidade”, afirma o jornalista.

Luchetti diz que França, então, lhe pediu para continuar no segundo turno e disse que logo formalizaria a contratação, o que nunca ocorreu. “Como ele havia pago o primeiro turno, acreditei nele e fui trabalhando mesmo sem o novo contrato”, afirma. “Não tinha motivos para duvidar da palavra, era o governador de São Paulo, afinal.”

França, que assumiu o cargo de governador em abril de 2018 —quando Geraldo Alckmin (PSDB) deixou o posto para concorrer à Presidência—, ficou toda a campanha em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB).

Acabou em segundo, com 89 mil votos a mais que o presidente da Fiesp. Doria teve 31,77% dos votos, França, 21,23%, e Skaf, 21,09%.

O slogan “aqui tem palavra” era um modo de França se contrapor a Doria, que havia deixado a Prefeitura de São Paulo após dizer que cumpriria o mandato até o final. “Quem não teve palavra comigo foi o Márcio”, diz Luchetti, que dirigiu o programa do apresentador Fausto Silva, na Globo, de 1998 a 2002.

O jornalista diz que a campanha eleitoral foi toda feita no estúdio localizado no Morumbi. Afirma que tem fotos e testemunhas, além das notas fiscais emitidas em nome do PSB. “Não há como ele negar”, afirma.

Na petição em que solicita o protesto judicial, o advogado Ricardo Sayeg, que representa Luchetti, anexou um documento com a palavra “confidencial” em letras grandes, que foi encaminhado ao ex-governador em maio de 2019.

O texto afirma que, “embora as prestações de contas indiquem aparente regularidade”, Luchetti possui documentos que “denotam a prática de graves irregularidades”, citando omissão de receitas e de gastos eleitorais. Por causa do não pagamento, diz o jornalista, teve de demitir funcionários e recorrer a empréstimos bancários.

O juiz Gustavo Henrique Bretas Marzagão deferiu o protesto, determinando a notificação de França e do PSB. Se a dívida não for paga, o jornalista deverá entrar com uma ação de execução.

França perdeu o segundo turno da eleição por pequena margem. Teve 48,25% contra 51,75% de Doria. Mas venceu na capital, resultado que o coloca como pré-candidato a prefeito da cidade em 2020. O ex-governador diz que nunca houve a conversa relatada por Luchetti.

Valor contratado foi 100% pago, diz ex-governador

Procurado pela Folha, o ex-governador Márcio França (PSB) enviou uma nota, por meio de sua assessoria, afirmando que “o valor contratado pelo partido com a empresa foi 100% acertado e quitado, com as notas fiscais devidamente pagas e juntadas na prestação de Contas no TRE”.

França ressalta que as suas contas de campanha “receberam parecer de aprovação do Ministério Público Eleitoral”. “Não há despesas em aberto”, afirma na nota enviada ao jornal.

“Bastaria a empresa mostrar o contrato assinado pelo representante legal da campanha, com os valores devidos”, afirma. “Isso não foi feito porque não há contrato com saldo a receber da campanha neste caso.”

Segundo ele, nunca houve a conversa relatada por Luchetti sobre formalização da contratação verbal.

A assessoria do ex-governador diz considerar a hipótese de que a empresa do jornalista tenha sido subcontradada por outra empresa que atuou na campanha. “Assim, deve se tratar de terceirização de serviços, essa relação não é com o partido”, afirma.

Descanse em paz, caro Dr. Paulo Fernando Felipe! 2

Ex-delegado seccional Paulo Felipe morre aos 82 anos em Santos

Eduardo Velozo Fuccia – A TRIBUNA DE SANTOS

 

Ex-delegado seccional de Santos na década de 90, Paulo Felipe é o terceiro da esquerda para a direita

O delegado de polícia aposentado Paulo Fernando Felipe, de 82 anos, faleceu na madrugada desta quinta-feira (21), na Casa de Saúde de Santos, onde estava internado há três semanas.

O velório acontece a partir das 11 horas na Memorial Necrópole Ecumênica, onde o corpo será cremado às 15 horas. Ex-delegado seccional de Santos na década de 90, Paulo Felipe deixa dois filhos.


Grande colega e chefe; de um coração maior que a si próprio!

Esse, verdadeiramente,  deixa saudades!

Governador João Doria nomeia mais 3.755 policiais civis e militares 20

Governo de SP nomeia 3.700 profissionais para polícias Militar e Civil

por: 

concursos policiais doria

SÃO PAULO, SP – – O governador João Doria (PSDB) nomeou 3.755 aprovados em concurso público para cinco carreiras diferentes das polícias Civil e Militar. As nomeações foram publicadas no Diário Oficial desta terça-feira (19).

Para a Polícia Militar, foram nomeados 2.655 soldados de 2ª classe. Para a Polícia Civil, foram 400 agentes policiais, 300 agentes de telecomunicações, 200 auxiliares de papiloscopista e 200 papiloscopistas.

A próxima etapa, segundo o governo estadual, será a posse dos nomeados, que deve acontecer dentro de aproximadamente 15 dias. Em seguida, diz a pasta, os novos policiais iniciarão os cursos na Escola Superior de Soldados (ESSd) e Academia da Polícia Civil (Acadepol).

Após a formação, os alunos devem passar por um período de estágio probatório. Os novos policiais serão designados para reforçar o efetivo nos batalhões territoriais da Polícia Militar e nas delegacias e departamentos da Polícia Civil de todo o Estado.

De acordo com o governo do estado, “em breve” outros 1.650 policiais civis devem ser nomeados –serão 250 delegados, 600 investigadores e 800 escrivães– totalizando as 2.750 nomeações anunciadas por Doria no início da gestão.

Policiais reclamam de reajuste de 5% O pacote de medidas voltadas a policiais e agentes de segurança do estado de São Paulo, anunciado no final de outubro pelo governador João Doria, foi recebido com críticas por representantes da categoria.

A principal queixa é a de que o reajuste salarial de 5% para policiais militares, civis e técnico-científicos e agentes de segurança, escolta e vigilância penitenciária, estaria muito abaixo da faixa de polícias de outros estados.

“A polícia de São Paulo está em 24º lugar no ranking dos estados. É um absurdo, tendo em vista que é o estado mais rico da nação”, disse o deputado estadual Major Mecca (PSL), no anúncio.

Para o governo de São Paulo, o déficit orçamentário recebido da gestão anterior faz necessário um ajuste nas contas.

“Só a Previdência estadual tem um rombo de R$ 23 bilhões. Por isso, estamos num cenário de contenção de despesas, com a extinção de secretarias, empresas estatais e gastos com folha de pagamento”, disse o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) na coletiva.

A remuneração de servidores da segurança é composta, além do salário-base, pelo RETP (Gratificação pelo Regime Especial de Trabalho Policial), que, somados, formam o salário inicial.

O aumento salarial concedido pelo estado representará um acréscimo de R$ 110 no salário-base de carreiras como a de investigador, no que diz respeito ao vencimento inicial, e de R$ 72 para policiais militares ingressando na área, descontados valores “extras” de frequência, como diárias.

Reforço de efetivo Segundo o estado, há concursos em andamento para preencher 5,4 mil vagas de soldados de 2ª classe e 190 alunos-oficiais. A distribuição do efetivo é feita após a formatura.

Também há, de acordo com a pasta, 6,2 mil futuros policiais em formação –5.822 PMs, sendo 5.190 soldados e 632 alunos-oficiais; além de 378 científicos, sendo 78 fotógrafos, 36 médicos-legistas, 242 peritos, 20 desenhistas e 2 auxiliares de necropsia

O governo de São Paulo autorizou ainda a abertura 2.750 vagas para concursos da Polícia Civil, sendo 250 delegados, 900 investigadores e 1.600 escrivães. Também foram autorizadas 189 vagas para médicos-legistas da Polícia Técnico-Científica.

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EU NÃO RESPEITO NENHUM NEGRO QUE DEFENDA A DITADURA MILITAR – Indubitavelmente, todo negro que enaltece execução sumária, AI-5, intervenção no Congresso e no STF , antes de tudo , deveria clamar pela revogação da Lei Áurea…Não há nada mais nojento do que negro defender ditadura! 4

Caso Marielle: À PF, porteiro diz que errou em anotação que cita Bolsonaro

Portaria do condomíno Vivendas da Barra, onde morava Ronnie Lessa - Gabriel Sabóia/UOL

 

Portaria do condomíno Vivendas da Barra, onde morava Ronnie Lessa Imagem: Gabriel Sabóia/UOL

Igor Mello e Eduardo Militão

Do UOL, no Rio e em Brasília

20/11/2019 17h44Atualizada em 20/11/2019 21h26

O porteiro que citou Jair Bolsonaro (sem partido) no caso Marielle afirmou ontem à PF (Polícia Federal) que errou ao atribuir ao presidente a autorização para a entrada de um dos acusados no condomínio Vivendas da Barra. Aos investigadores, ele afirmou ter se sentido confuso durante os dois depoimentos à Polícia Civil em outubro.

Em 7 e 9 de outubro, o porteiro teria afirmado que “seu Jair” autorizou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz, um dos acusados pelas mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes, no condomínio.o

Élcio teria ido à casa do policial militar reformado Ronnie Lessa, o outro réu pelo assassinato. A Polícia Civil e o MP (Ministério Público) do Rio afirmam que eles saíram de lá para cometer o crime. Bolsonaro morava nesse mesmo condomínio até tomar posse na Presidência da República.

Na portaria do condomínio, uma anotação manual registra a entrada de Élcio como visita para a casa 58, onde morava Bolsonaro. Há também planilhas de acesso feitas em computador, mas ainda não se sabe se elas corroboram ou não a versão inicial do porteiro.

Registros da Câmara dos Deputados mostram que Bolsonaro, então deputado federal, estava em Brasília no momento da ligação da portaria — não se sabe se o sistema de interfones do Condomínio faz ligação para celulares dos moradores. Por isso, a tendência é que a Polícia Federal aguarde perícia para verificar que a nova versão do porteiro condiz com a realidade.

Erro na anotação e nervosismo

Segundo duas fontes ouvidas pelo UOL, no depoimento dado ontem à PF o porteiro disse que, primeiro, errou na anotação. Não se sabe exatamente por que ele teria trocado os números 58 por 65. Depois contou que, ao ser chamado pela Polícia Civil para explicar o episódio, ficou nervoso e passou a dizer que ouviu a voz de “seu Jair” na casa 58, mas que o carro foi parar na casa de Ronnie.

O funcionário do Vivendas da Barra chegou à Superintendência da PF no Rio por volta de meio dia. Ele estava acompanhado por defensores públicos e depôs por aproximadamente três horas. A PF diz que o depoimento corre sob sigilo.

O porteiro foi ouvido em inquérito aberto a pedido do ministro Sérgio Moro (Justiça). Por solicitação dele, o procurador-geral da República Augusto Aras determinou que o porteiro seja investigado por possível prática dos crimes de de obstrução de justiça, falso testemunho, denunciação caluniosa e por ter violado um artigo da Lei de Segurança Nacional, promulgada durante a ditadura militar. A medida foi criticada por parlamentares da oposição.

O depoimento do porteiro veio à tona no dia 30 de outubro, em reportagem da TV Globo. Pouco depois da exibição da matéria, o presidente Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais da Arábia Saudita, onde estava em missão oficial. Ele se isentou de responsabilidade pelo crime e fez duras críticas à imprensa, sobretudo à Globo, pelas reportagens que envolvem não apenas ele, mas também seus familiares. Bolsonaro também afirmou que a informação havia sido vazada pelo governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).

No dia seguinte, diante da repercussão política do caso, as promotoras do MP do Rio responsáveis pelo caso Marielle Franco afirmaram, em entrevista coletiva, que o depoimento do porteiro estava equivocado.

Para sustentar essa conclusão, usaram um laudo pericial feito em gravações do sistema de comunicação do condomínio Vivendas da Barra. Segundo as promotoras, não havia nenhuma ligação para a casa de Bolsonaro no dia e horário citados no controle de acesso do condomínio. Por outro lado, foi encontrada uma chamada para a casa 65, de Ronnie Lessa, autorizando a entrada de Élcio.

O UOL mostrou que a perícia realizada pelo MP apresentava uma série de lacunas que não permitiam desconsiderar o depoimento do porteiro. A análise foi feita com base em áudios das ligações feitas na portaria entregues voluntariamente pelo administrador do condomínio à Polícia Civil e gravados em um DVD, o que deixa aberta a possibilidade de que algum arquivo tivesse sido excluído. Embora tenham cumprido um mandado de busca e apreensão na portaria do condomínio, os investigadores não apreenderam o sistema de gravação, prejudicando a análise.

Após a reportagem do UOL apontar os problemas na análise feita pelo MP, o Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Rio de Janeiro divulgou nota criticando a análise feita pelo MP.

“Lamentamos que um evento de grande importância criminal para o país, que envolveu até o Presidente da República, venha a ser apresentado sem o devido processo de comprovação científica. Uma prova técnica robusta e incontestável só pode ser produzida com respeito à cadeia de custódia e com a devida Perícia Oficial da mídia original e do equipamento original no qual foi gravada”, diz a entidade.

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Com todo respeito, não se trata de preconceito ou racismo, apenas um alerta para a falta de consciência da própria condição e natureza  de alguns negros, ou seja, como todo humano, por subir da sarjeta para o meio fio se acha mais bonito, melhor e mais inteligente do que os seus irmãos…Se gosta de ser escravizado volta pra senzala, não queira ser capitão de mato de pessoa livre!

Vale dizer – quem quiser ser como eu – como cantava Marinho da Vila – tem que penar um bocado! Só que ele não canta a mesma coisa  há muitos anos! Não se defende a exceção, o padrão é  , na verdade,   que poucos conseguem subir do asfalto paro o meio fio.

Mérito , antes  tudo, é afeto , educação e valorização  desde o ventre:  idênticas!

 

Eu não passo
De um pobre coitado
E quem quiser ser como eu
Vai ter é que penar um bocado
Um bom bocado!
Vai penar um bom bocado
Um bom bocado!
Vai penar um bom bocado
Um bom bocado!
Vai penar um bom bocado…

Justiça condena mulher por ter chamado policial de ‘macaco’ 6

Justiça condena mulher por ter chamado policial de ‘macaco’

Acusada atribuiu ao agente ‘abuso de autoridade’ e alegou que apenas respondeu suposta ofensa; para relator da ação, desembargador Helio Faria, do Tribunal de Justiça de São Paulo, ‘eventual abuso, despreparo ou injusta agressão’ por parte do policial não teriam relação com as injúrias raciais

Pepita Ortega

18 de novembro de 2019 | 12h31

Viatura Polícia de São Paulo. Foto: Paulo Pinto / AE

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter a condenação de uma mulher ao pagamento de indenização de R$ 20 mil por racismo. Segundo o processo, ela foi presa em flagrante após chamar um policial de ‘macaco’ e dizer a ele: “Sua família não presta, são um bando de pobres e vagabundos.”

A mulher foi, posteriormente, liberada após pagamento de fiança de R$ 8 mil.

A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo foi unânime pelos desembargadores da 18.ª Câmara de Direito Privado.

Os magistrados analisaram recurso da ré contra sentença de primeiro grau que a condenou ao pagamento de R$ 20 mil pelo crime de injúria racial.

Na apelação, ela alegou não ter proferido os xingamentos de cunho racial, ‘apenas respondeu ofensa do policial’.

O agente teria chamado a mulher de ‘loira vagabunda’ após ela reclamar do aperto das algemas que foram postas em seu pai.

Na ocasião, o policial atendia uma ocorrência envolvendo o dono do estabelecimento que o pai da mulher alugava. Houve um desentendimento entre os dois com relação à retenção de chaves do lugar, e segundo os autos, o pai teria agredido o locador.

A mulher afirmou que o policial praticou abuso de autoridade contra ela e seu pai, tendo registrado a alegação no boletim de ocorrência e realizado denúncia junto à Comissão de Direitos Humanos da OAB.

Segundo testemunha, o policial teria pisado na cabeça do pai da mulher, que estava imobilizado.
Ao Tribunal a ré argumentou que agiu em ‘legítima defesa de seu pai, por causa das injustificadas as agressões físicas e verbais praticadas pelos policiais despreparados’.

Segundo a sentença, ela também alegou que os xingamentos foram proporcionais ‘à atitude do autor e seus demais colegas, havendo cerca de quinze policiais no desenvolver da ocorrência’ .

Durante a tramitação do processo em primeira instância, a mulher sustentou que acusação de injúria racial seria ‘inverídica’. Segundo ela, houve um ‘simples desagravo imediato perante o abuso de autoridade praticado pelo autor’.

O policial havia entrado com processo também contra o pai dela, mas depois desistiu da acusação.

O relator da ação, desembargador Hélio Faria, considerou que a materialidade e autoria das ofensas estavam reconhecidas. Para o magistrado, é evidente que as injúrias provocaram danos morais ao policial, e, segundo ele, nenhum fato isentaria responsabilidade da mulher acerca das ofensas.

“Eventual abuso de autoridade, despreparo ou injusta agressão por parte do autor (da ação), assim como violenta emoção por parte da requerida, não possuem relação com o teor das ofensas proferidas pela ré, que visam a diminuir a dignidade humana do autor.”