O governador Geraldo Alckmin empossou na quarta-feira, 3, 288 novos agentes de telecomunicações da Polícia Civil, em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes. Com o ingresso destes funcionários, o Governo de São Paulo chega a um total de 1.301 novos policiais incorporados somente no ano de 2012.
A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES – Parte II 13
2 – AS ETAPAS DA PERÍCIA
A dificuldade para realizar a perícia no P-9 começou na entrada: Quando chegamos ao distrito, o delegado do 9º. DP, Dr. Pepe, recebeu um “recado” e repassou ao perito: “os policiais que estão lá disseram para dispensar a perícia, porque é impossível entrar agora. Deve ficar para amanhã”. Mas estávamos absolutamente convencidos de que não voltaríamos sem fazer o exame. Respondemos, então, que não havia importância, iríamos até lá apenas para fazer umas fotos externas e descrever o ambiente de fora do P-9. A notícia, até então, é que havia oito mortos. Mas logo percebemos que o número deveria ser bem maior. Por fim, decidimos ir ao P-9, na viatura do delegado, perito e fotógrafo escondidos no banco de trás. Curiosidade: era o primeiro plantão do fotógrafo, recém-concursado, mas o fato de ser filho de antigo fotógrafo do IC ajudou muito as coisas, e ele teve um desempenho exemplar. Chegando à Casa de Detenção, fomos à Diretoria, onde se achavam reunidos vários oficiais, juízes, a Direção e o Chefe de Disciplina. Ali nos inteiramos do ocorrido (já falavam em 83 mortos) e garanti a todos que faria o exame pericial de qualquer forma, nos limites do possível. E todos por fim concordaram apesar da relutância de alguns oficiais, dizendo que poderia ser perigoso. “Recebemos RETP”, respondemos. E a perícia foi feita.
A perícia do Massacre do Carandiru foi realizada em três etapas: a primeira, no dia dos fatos, em 2 de outubro de 1992; a segunda, uma semana depois, em 9 de outubro e a terceira em 14 de outubro. Houve duas etapas intermediárias, em 4 e 7 de outubro, mas apenas serviram para ouvir relatos e preparar as próximas etapas, pois os demais pavimentos continuavam inacessíveis e no dia 7 houve um novo foco de revolta dos presos. Neste dia, o Diretor de Disciplina da Detenção mostrou-se horrorizado com o que havia acontecido e disse, com todas as letras, que não havia necessidade alguma daquela matança.
A primeira etapa foi cumprida no dia da ocorrência. E, embora não tivesse sido possível avançar além de parte do primeiro pavimento, foi a mais importante porque deu uma ideia geral do que havia acontecido ali. Observamos e fotografamos 89 cadáveres empilhados no primeiro pavimento, em dois saguões contíguos, andando pelas bordas, cuidando para não pisar nos cadávers. Como não calçávamos botas ou coturnos, o sangue que empoçava o local chegou às nossas canelas. O odor era infernal. Para quem já esteve em locais com um único cadáver, morto há mais de 3 horas, sabe do que falamos. Imagine-se 89 empilhados, mortos há mais de 8 horas! Como a energia do P-9 havia sido cortada, o exame foi feito sob a luz dos holofotes da PM ligados aos caminhões, que alcançavam apenas até este local. O restante do primeiro pavimento foi examinado à luz de lanternas, mas não houve condições de registrar em fotos os vestígios de tiro que existiam dentro das celas. O jeito foi interditar para nova perícia o P-9 (agendada a princípio para 4 de outubro). Os presos foram todos removidos para outros pavilhões até que a segunda etapa fosse realizada, o que só foi possível em 9 de outubro, quando a energia já havia sido religada e os presos sobreviventes reconduzidos a suas celas.
Durante a perícia, foram exibidos ao perito treze revólveres que teriam sido apreendidos com os presos, sendo sete com a numeração raspada, todas oxidadas e em mau estado de conservação. Na perícia feita pelo laboratório de Balística do IC, isto foi confirmado e as armas com numeração raspada não puderam ser identificadas. Até hoje não se conhece a origem de nenhuma destas armas. A Comissão Disciplinar da Detenção garante que jamais entrou arma no P-9, até por imposição dos próprios presos: quem ali tivesse uma arma de fogo, seria o rei do “pedaço” e faria o que quisesse.
Além das armas de fogo foram também exibidos inúmeros estiletes rudimentares apreendidos com os presos pela PM, além de armas improvisadas (“espadas” feitas de cantoneiras metálicas, canos, estiletes de alumínio, serras, serrotes, etc.). Não se sabe quando, onde e com quem foram tais armas apreendidas.
A esta altura, todos os presos sobreviventes estavam sentados, nus, com a cabeça entre as pernas no pátio do P-9, sob uma fria garoa. Esta etapa se encerrou com a recolha dos cadáveres nos caminhões azuis do presídio, levados cada um por dois presos nus, para encaminhamento ao IML. Aproveitamos para refazer a recontagem dos mortos, e concluímos por 89, depois de nos certificarmos que nenhum permaneceu no P-9 (entretanto, como explicamos abaixo, 13 cadáveres do quinto pavimento só foram recolhidos nos dias seguintes e não foram contados no dia). Nesta ocasião observamos que alguns policiais faziam fotos e filmagem. Indagados sobre o que fariam das gravações, disseram que era “praxe” da Corregedoria da PM documentar as grandes operações. Curiosamente, uma foto dos presos nus carregando cadáveres, feita pela PM, apareceu três dias depois num jornal de grande circulação.
Na segunda e terceira etapas foram examinadas todas as celas restantes do P-9. Pode-se dizer que foi feita quase uma reconstituição de local de crime, pois à medida que a equipe da perícia ia trabalhando, as Comissões de Presos e de Disciplina da Casa de Detenção iam narrando os fatos. Os que eram confirmados pelos vestígios, eram registrados, os demais eram rejeitados. Foi assim, por exemplo, que descobrimos que no dia 2, além dos 89 cadáveres empilhados, restaram 13 que foram mortos numa cela do quinto pavimento que não houve tempo de remover antes da chegada da perícia (talvez por isso tenha sido cortada a energia no dia) e mais 9 que haviam morrido a caminho do Pronto-Socorro. Mas o simples exame das paredes e do chão da cela 9513-E, comparado com o exame necroscópico de seus moradores feito pelo IML mostraram que aqueles 13 citados foram abatidos ajoelhados e de costas para a porta. Também foi constatado que, apesar das denúncias, nenhum preso foi “devorado” ou trucidado pelos cães da PM ou jogado nos poços dos elevadores desativados.
Todas as celas foram rigorosamente examinadas e o resultado de cada uma das análises foi descrito no laudo pericial. No caso de dúvida sobre o tipo de arma que teria produzido a cavidade de tiro na parede, material era colhido e analisado no laboratório do IC. Também assim se procedeu com as manchas de sangue ainda existentes (na época não existia o “luminol” ou similar). Dessa forma se provou que boa parte dos disparos partira de metralhadoras, alguns outros de “12” com projéteis múltiplos, alguns de pistolas e a maioria de revólveres.
Foi possível também provar, em conjunto com o IML, que no terceiro pavimento 75 presos foram executados dentro das celas, sendo que 68 morreram no local, no dia da invasão. No total, o saldo foi de 111 mortos e mais de 320 feridos que foram socorridos nos hospitais da Capital (este número de feridos foi informado pela Comissão Disciplinar da casa de Detenção). Não se sabe se alguns destes vieram a óbito posteriormente. A violência extrema praticada no terceiro pavimento era difícil explicar. Na invasão, o planejamento feito distribuía os pavimentos entre os diversos batalhões da PM, sendo que o terceiro, segundo informes da própria PM, coube à ROTA. Em seu relato, a Comissão de Presos informou que naquele pavimento a PM agiu diretamente contra inimigos previamente identificados, como se soubessem quem era quem e onde cada um morava. Na perícia constatou-se que, realmente, apenas algumas celas do terceiro pavimento foram metralhadas, como se estivessem previamente destinadas ao ataque, enquanto que muitas outras foram poupadas. Se não fossem estas 75 mortes do terceiro pavimento, talvez o caso não tivesse tido a repercussão que teve.
3 – AS CONCLUSÕES DA PERÍCIA
Em resumo, a perícia concluiu que:
a) Em todas as celas, as trajetórias dos disparos indicavam atirador posicionado na soleira da porta apontando sua arma para os fundos ou laterais da cela;
b) Não se observou quaisquer vestígios que denotassem reação dos presos, tais como vestígios de disparo na direção oposta aos descritos;
c) Dadas as condições observadas pela perícia, pôde-se inferir que o objetivo principal da operação foi conduzir parte dos detentos à incapacitação imediata (ou seja, morte);
d) O local foi violado antes da chegada da perícia, com a remoção dos cadáveres do local em que foram mortos e com a retirada de inúmeros estojos (cápsulas, no linguajar popular) vazios, notadamente de metralhadora (nenhum foi encontrado pela perícia).
Apesar desta violação, a perícia pode estabelecer as conclusões apresentadas porque, como sempre afirmamos, “a história estava escrita nas paredes”.
OBS: o Laudo, na íntegra, foi transcrito no livro de J. B. de Azevedo Marques, então Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
Osvaldo Negrini Neto
Perito Criminal aposentado, autor do laudo do Massacre da Detenção.
João Alkimin – GRIMM: CONTOS DE FADAS, PERIGOS REAIS 12
GRIMM : CONTOS DE FADAS, PERIGOS REAIS.
João Alkimin
João Alkimin é radialista – http://www.showtimeradio.com.br/
Bom discurso: “Nós, da Polícia Civil, não aceitamos inimigos conosco” 42
04/10/2012-06h00
Policial que comete crime é pior que bandido, diz delegado-geral
DE SÃO PAULO DO “AGORA”
O governador de SP, Geraldo Alckmin (PSDB), e o delegado-geral Marcos Carneiro Lima, chefe da Polícia Civil paulista, disseram ontem a novos policiais civis que o Estado não tem nenhuma tolerância à corrupção policial.
“Quando um policial comete um crime, ele é pior que o bandido. O bandido não tem nada a perder. O policial tem. A primeira coisa que perde é o respeito dos próprios colegas. Nós, da Polícia Civil, não aceitamos inimigos conosco”, disse Lima.
O discurso foi feito durante a posse de 289 agentes de telecomunicação da Polícia Civil, em um evento no Palácio dos Bandeirantes.
Nesta semana, a Folha revelou que documentos atribuídos à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) apontam supostos pagamentos feitos por bandidos a policiais civis de SP.
Os documentos -espécie de “livro-caixa” da facção- apontam, ainda, que policiais militares se aliam a criminosos para cometer roubos.
No seu discurso, o delegado pediu aos novos policiais que não entristeçam as suas famílias por terem se envolvido em irregularidades.
Quando questionado pela Folha sobre a sua fala, o delegado-geral disse que reforçou o cuidado que os policiais devem ter para não caírem na “sedução dos criminosos”.
“No Brasil, há uma cultura da corrupção, que vem desde a época colonial. Mas é importante a sociedade cobrar essa mudança”, afirmou.
Já o governador foi mais sutil na mensagem, dizendo aos novos policiais que eles devem servir de exemplo para a população paulista.
“Exemplo de retidão, exemplo de atender bem as pessoas, de fazer bem feito o que é a nossa atividade.”
PCC
Tanto Alckmin quanto o delegado-geral afirmaram que a Corregedoria das polícias irá investigar todos os policiais que tiverem seus nomes envolvidos em acordos com a facção criminosa PCC.
“Se eu identificar suspeição contra qualquer policial que esteja em uma função estratégica, eu mando tirá-lo da função para que seja investigado”, disse Carneiro Lima.
Nos últimos seis anos, pelo menos 1.223 policiais civis e militares foram punidos por irregularidades diversas, entre elas, corrupção e tráfico de drogas. Os dados são da Ouvidoria da Polícia de São Paulo, que recebe denúncias contra policiais civis e militares. (AFONSO BENITES, ROGÉRIO PAGNAN E JOSMAR JOZINO)
Antonio F.P. e a arte de induzir a engano: PCC é bem menor do que dizem 33
04/10/2012-06h00
Facção é bem menor do que dizem, afirma secretário
AFONSO BENITES DE SÃO PAULO
O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afirma que a facção criminosa PCC é bem menor do que é divulgado e que a polícia a está asfixiando, com operações bem sucedidas contra o tráfico de drogas.
Em entrevista após a posse de 289 agentes de telecomunicações da polícia, Ferreira Pinto, procurador de Justiça licenciado, criticou o Ministério Público e disse que o número de bandidos ligados ao PCC é menor do que apontam as planilhas do bando apreendidas pela polícia e reveladas pela Folha.
Pelos arquivos, que estão no Ministério Público, a facção possui 1.343 bandidos espalhados por 123 das 645 cidades paulistas.
O Ministério Público não quis comentar as críticas.
*
Folha – Como o senhor está vendo a batalha com o PCC? Antonio Ferreira Pinto – Não há batalha. O governo continua na sua linha de combate à criminalidade, seja ela de que origem for. Temos uma média de dois presos por dia.
A Folha tem mostrado, com base em arquivos do PCC, que a facção continua forte. Mas o governo discorda. Por quê? Porque alguns setores da imprensa exaltam o PCC. Nós trabalhamos dentro da tranquilidade. Temos informações seguras, privilegiadas.Acompanho essa situação há seis anos e meio, desde quando fui secretário de administração penitenciária.
Estou tranquilo sabendo o tamanho da facção. Determinados jornais glamorizam a facção, o que só traz desassossego à população. Combatemos essa facção com eficiência e os resultados estão aí.
Quais são? Há mais de cinco anos que a PM não precisa intervir em presídios. Isso evidencia o nosso controle. A Rota tem prendido bastante.
Agora, qualquer grupo bem organizado aqui fora se arvora em facção criminosa. Isso é grife e a imprensa, felizmente só parte dela, exalta exageradamente. Estão fazendo às gerações futuras, para seus filhos e netos.
Qual é a extensão da facção? A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico. Nós temos asfixiado esse tráfico com grandes prisões. Mas essas prisões só merecem uma nota nos jornais. Não tem a mesma repercussão que atos covardes contra a polícia.
A documentação que a sua polícia apreendeu e está na mão do Ministério Público mostra que o número é maior. É, a polícia apreendeu, levou para o Ministério Público e eles não levaram à Corregedoria da polícia dados que demonstram o comprometimento de policiais civis [a Folha revelou que documentos do PCC apontam propina a policiais]. Receberam os dados e vazaram para a imprensa de forma anônima.
Eu sou dessa instituição. No meu tempo a gente falava e assinava embaixo, não se escondia. Quando eles passarem para nós, vamos apurar.
Se tiver policial envolvido, serão demitidos. Fica muito tranquilo para eles [promotores] jogarem isso para a imprensa de uma forma leviana.
No seu tempo na Secretaria de Administração Penitenciária, havia notícias de apreensões de pen drives do PCC? No meu tempo não havia. Não tínhamos, até porque eles não têm computador.
Mas eles usam smartphones. Eles não têm smartphones. No meu tempo não tínhamos e hoje acredito que não tenha. O sistema prisional está tranquilo há muito tempo.
Mais um dia, mais um PM executado em São Vicente…( Policial honesto e trabalhador fazia “bico” para pagar a prestação da casa ) 24
Força Tática
Soldado da PM à paisana é executado a tiros em São Vicente
Lotado na Força Tática do 39º BPM/I (São Vicente), o soldado Fábio Passos de Sá, de 34 anos, foi executado com diversos tiros na tarde desta quarta-feira , na periferia daquela cidade. Com esse atentado, sobe para 75 o número de policiais militares mortos neste ano no Estado.
De acordo com informações da própria Polícia Militar, a vítima estava à paisana na altura do nº 141 da Rua Carijós, no Parque São Vicente, quando foi atacada por pelo menos quatro marginais, cujos rostos estavam encobertos por capacetes.
A ação do bando ocorreu por volta das 15h30 e foi muito rápida. Câmeras de segurança de uma escola pública, ainda conforme a PM, registraram o assassinato. Nas cenas gravadas, os criminosos são vistos rendendo a vítima e desarmando-a, antes de alvejá-la várias vezes no rosto.
Uma caminhonete preta aparece na filmagem sendo usada na fuga. Porém, como os criminosos usavam capacete, a polícia acredita que eles também utilizaram motos. O homicídio é investigado pela equipe do 2º DP de São Vicente, mas ainda não há pistas sobre os atiradores.
Guerra suja ou bundamolismo da imprensa ? 13
Guerra suja
O jornalista Fábio Pannunzio, da Rede Bandeirantes, é sério e competente. Abriu um blog em 2009 e, de lá para cá, jamais aceitou ofertas de patrocínio. Paga as despesas com dinheiro do próprio bolso, tirado do salário de repórter.
Que é que fizeram contra ele? Aquilo que a Igreja Universal do Reino de Deus tentou fazer contra a repórter Elvira Lobato: sufocá-la com imenso volume de processos (no caso, espalhados por todo o Brasil, para obrigar a repórter a gastar fortunas com viagens e advogados, e ao mesmo tempo reduzir sua produção jornalística, por falta de tempo). Só que Elvira Lobato trabalhava como repórter da Folha de S.Paulo, que bancou as despesas, denunciou as manobras da Universal e transformou o caso num foco permanente de suas reportagens.
Pannunzio foi processado inúmeras vezes, sem êxito. Mas, em todas elas, teve de perder tempo, contratar advogado, gastar com documentação, viajar até o local dos processos. O objetivo, claro, era este; pessoas que se julgam atingidas em sua honra não entram com processos cíveis, já que honra não se mede em dinheiro (a não ser algumas pessoas, que já têm até a etiqueta de preço afixada). Quem tem a honra atingida entra com processo-crime, exatamente por considerar que sua reputação não tem preço.
Pannunzio foi processado por gente das mais diversas ideologias, partidos, interesses. A gota dágua foi o processo que lhe é movido pelo atual secretário da Segurança de São Paulo, coronel Ferreira Pinto, herança de Serra para Alckmin: o secretário do Governo tucano quer uma indenização monumental de Pannunzio. E o repórter decidiu desistir do blog.
“Escrevo depois de semanas de reflexão e com a alma arrasada”, disse Pannunzio, “especialmente por que isso representa uma vitória dos que se insurgem contra a liberdade de opinião e informação”.
| O risco à livre expressão, Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa | |
| Coluna Circo da Notícia – OI – www.observatoriodaimprensa.com.br – Edição de 2 de outubro de 2012 |
DECAP – Dr Rogério Marques – 14.477…Para conhecimento dos policiais as minhas reivindicações junto ao candidato Celso Russomano caso venha ser eleito 1
Rogério Marques é Delegado de Polícia há cerca de dez anos; nesse tempo conquistou inúmeras amizades entre policiais e cidadãos em razão de centenas de ocorrências solucionadas em vários distritos do DECAP.
1) A Operação Delegada seja definitivamente regulamentada e estendida aos policiais civis; 2) Adicional pago pela prefeitura para os policiais civis que exercerem a função na capital de SP, civis e militares; 3) Fim da militarização das Sub-Prefeituras; 4) Aproximação da Guarda Civil Metropolitana com a Polícia Civil, visando a cooperação no atendimento das ocorrências nos plantões e demais fazeres administrativos.
5) Convênio com o Governo para introdução de pessoal administrativo cedido pela prefeitura para auxílio nos plantões e chefias policiais.
Ai, Guerra… O Flit é ligado aos Mikes?? – ( Pergunte aos Mikes ! ) 8
Ai, Guerra… O Flit é ligado aos Mikes??
http://www.viomundo.com.br/denuncias/portal-imprensa-as-ameacas-ao-reporter-andre-caramante.html
BODE EXPIATÓRIO? … Bode expiatório é o Flit Paralisante! 8
A situação ficou ainda mais grave quando o blog “Flit Paralisante”, ligado a policiais militares, divulgou uma foto de Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, como se fosse Caramante, com uma mensagem ainda mais ameaçadora do ex–juiz e advogado Ronaldo Tovani, citado em matéria por ter sido denunciado à Justiça por lavagem de dinheiro: “A palavra escrita, mentirosa e ferina, do jornalista André Caramante agora tem ‘cara’. A foto dele está estampada no ‘Flit’ e passou a ser do conhecimento de todos, inclusive dos policiais militares que ele tanto critica e ofende. Espero, contudo, que não apareça algum maluco querendo fazer justiça com as próprias mãos, quando se deparar com ele por aí”.
Para o jornalista, atitudes como essa não passam de intimidação para evitar que a Folha e o repórter cumpram sua função de informar.
https://flitparalisante.wordpress.com/2012/08/23/vitoria-do-dr-luis-storni/
Vitória do Dr. Luis Storni: Tribunal de Justiça reconhece dano moral praticado pelos jornalistas André Caramante e Rogério Pagnan – da Folha de São Paulo – em desfavor de Delegado de Polícia
MELHOR SER LIGADO A PM DO QUE AO PCC – A culpa é do Flit; o Flit é ligado a “policiais militares”…O Flit…É o Flit…Tudo é culpa do Flit ! 16
Repórter da Folha é afastado após sofrer ameaças
*Com Luiz Vassallo
O Estado conseguiu se tornar adversario do policial. 17
Qualquer estudioso da violencia (mesmo internacionalmente) afirma que a ausencia do Estado abre espaço para o crime organizado e que este espaço pode demorar anos para ser reconquistado quando o Estado voltar a atuar.
O Estado está compeltamente ausente na vida do policial, seja ele civil ou militar.Antes de tentar ocupar os espaços perdidos nas ruas o governo tem que recuperar o espaço perdido junto a policia civil e militar, muito mais que ausente o Estado conseguiu se tornar adversario do policial.
As leis relativas aos cargos e funções não são cumpridas, pune-se o policial por bobagens apenas para mostrar serviço enquanto os verdadeiros ladrões jamais são incomodados e não se preocupa com a situação financeira e profissional dos policiais.
O Rio de Janeiro pode ser um exemplo a ser seguido.Sempre se ouviu falar que lá o crime dominava por conta da ausencia do Estado, eles perceberam que estavam ausentes dentro da policia, até 2014 eles terão a polciia mais bem paga e equipada do Brasil e os resultados já começaram a surgir.
Há corruptos nas duas policias, não é possivel dizer em que proporção e nem em que modalidade eles atuam, mas como sempre quem paga a conta é o policial honesto que sofre duas vezes.
A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES – Parte I 14
Segue a primeira parte da história do laudo do massacre, que hoje faz 20 anos.
É uma narrativa dos bastidores da perícia. Creio que será útil a todos os colegas.
É também uma espécie de desabafo pelo que passei há 20 anos…
Amanhã ou na quinta envio a segunda e última parte.
Abraço.
A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES
UMA SUCINTA APRESENTAÇÃO DO LAUDO DO MASSACRE DO CARANDIRU
1 – UMA BREVE DESCRIÇÃO DO P-9 E SEUS PRESOS
Muito se escreveu sobre o episódio do “Massacre da Detenção”. Muitas histórias foram baseadas em relatos de sobreviventes, de funcionários da Casa de Detenção do Carandiru, de jornalistas que tiveram acesso nos dias seguintes ao massacre ao P-9, policiais que fizeram a recolha dos presos, funcionários da enfermaria, etc.
Esta é uma história real, de quem esteve lá dentro, recebeu informações fidedignas e observou com detalhes o que se passou pelos vestígios deixados pela ação.
Aqui, uma curiosidade interessante: a denominação oficial do presídio era Casa de Detenção “Prof. Flamínio Fávero”, brilhante perito médico legista, discípulo de Oscar Freire, ex-diretor da Faculdade de Medicina da USP e Professor de Medicina Legal do Mackenzie, falecido em 1982. Sua inscrição no CRM era a de número 001.
Além das inúmeras histórias, muita fantasia se escreveu a respeito dos presos: que eram os mais perigosos do país, todos assassinos com vários homicídios nas costas, matadores de criancinhas, estupradores, etc. Esta versão ajudou a criar na sociedade uma repulsa pelos detentos e auras de heroísmo à ação realizada. Longe de querer fazer uma defesa de criminosos, garantimos que a verdade não é esta. O Pavilhão Nove (P-9) do Carandiru abrigava presos chamados “virgens”, ou seja, primários, que haviam cometido pela primeira vez qualquer tipo de crime: estelionato, furto, roubo, tráfico, homicídio, etc. Muitos deles não haviam sido sequer julgados, estavam apenas “detidos”.
Ainda hoje muitas pessoas condenam o laudo que “desnudou” a ação realizada e acham que 111 mortos foram poucos. Estes não estiveram lá dentro, não viram e, provavelmente, não têm qualquer religião. Satisfazer-se com o massacre de 111 presos indefesos, como uma vingança por ter sido vítima de algum crime revela a face mesquinha de muitas pessoas. Nós, como tantos outros, já fomos vítimas de assalto mais de uma vez, sentimos medo sim, principalmente se os bandidos descobrissem nossa identidade, não pudemos reagir porque estávamos acompanhados e nem por isso pudemos acobertar o que ocorreu lá dentro. Uma coisa é enfrentar bandidos na rua, dispostos a matar ou morrer, outra coisa, muito diferente, é matar presos desarmados, encurralados dentro de suas celas. Uma verdade é inegável, e as estatísticas criminais comprovam: se antes do laudo da detenção a PM matava mais de 200 por mês só na Capital, em média, apenas dois meses depois da divulgação do laudo este número caiu para cerca de 35. Hoje se mantém por volta de 60, com a população quase dobrada em relação a 1992. Não há dúvida que houve uma mudança de paradigma. Hoje a PM respeita os direitos humanos, apesar de muita gente ainda combater os métodos utilizados.
Por outro lado, o que restava a um perito fazer ante aquela situação? Esconder o que viu e analisou, e assim falsear a verdade? Não foi para isso que criaram a perícia, mas sim para estabelecer a verdade dos fatos através da prova material.
O P-9 era composto por cinco pavimentos (o térreo é considerado o primeiro pavimento) e as celas se distribuíam do segundo ao quinto pavimento. A estrutura arquitetônica correspondia a um quadrado com um pátio central e as celas ficavam dispostas nos quatro lados do quadrado, frente a frente e separadas por um corredor perimetral. A numeração das celas obedecia a um código alfanumérico de cinco caracteres, sendo o primeiro o número do pavilhão, o segundo, o número do pavimento; os dois seguintes a ordem numérica a partir do acesso do pavimento, no sentido horário, e o último, uma letra “E” ou “I”, antecedidas por um hífen, indicava se a cela era voltada para a região externa do P-9 (“E”) ou para o pátio interno (“I”).
Nunca ficou claro como eram distribuídas as celas para os presos, mas houve a informação que eles mesmos decidiam quem iria habitar qual cela (para eles chamadas de “casa”). Havia dentro de cada Pavilhão uma espécie de “Comissão” que negociava com as autoridades do presídio sobre as questões a serem resolvidas e eram responsáveis pela distribuição das celas. Foi esta “Comissão” que, com um surpreendente espírito de colaboração (coisa rara, criminosos colaborando com policiais) prestou a maior parte das informações aqui relatadas. Muitos destes informes, por não serem relevantes à perícia ou confiáveis, na época, não foram para o laudo, mas serviram de embasamento para deduzir o que de fato provocou a situação.
Naquela época, não havia ainda uma “organização criminosa” propriamente dita, mas existiam certos grupos que dominavam o P-9, impondo horários, distribuição de cigarros (que era a principal “moeda” deles), impunham castigos aos que saíam da linha, decidiam sobre os “jurados de morte”, etc. Entenda-se: os “jurados de morte”, que não eram poucos, não estavam numa espécie de “corredor da morte” aguardando seu destino, mas eram aqueles que haviam cometido falta grave contra a organização do grupo e poderiam até morrer se não se desculpassem e pagassem pelos seus “crimes”. Estes ficavam em celas especiais, sozinhos (solitárias), até terminarem sua “condenação”. Morreriam somente se fossem considerados “criminosos rebeldes”, o que raramente acontecia. Era o início dos Tribunais do Crime. E de uma organização criminosa, cujo embrião foi desenvolvido após o massacre. Ali dentro, havia uma facção mais dominadora, recém-formada, chamada “Serpentes Negras”, que correspondia a uma associação de líderes de grupos, mas não havia então uma verdadeira organização e não agiam fora do presídio. Dominavam pela força. Os grupos menores se organizavam pelas mais diversas afinidades: os homicidas e os matadores de policiais formavam um grupo de poucos, mas barulhentos presos porque se diziam os mais “corajosos” – portavam uma tatuagem com um punhal encravado numa caveira (depois ficamos sabendo que muitos casos que eles contavam eram fantasiosos, apenas queriam se sobressair), os traficantes formavam outro grupo, assim como os religiosos, os torcedores de determinado time, os estelionatários (que eram considerados os intelectuais dos presos e redigiam petições, pedidos, solicitações, reivindicações, etc.), e outros. Calcula-se que os quase 1.800 presos eram distribuídos por cerca de 30 grupos. Enfim, era uma sociedade à parte do mundo externo, com suas próprias leis, advogados e juízes.
Esses grupos, embora precisassem uns dos outros, eram muitas vezes rivais e brigavam pelos mais diversos motivos: pela posse de pontos de distribuição de cigarros, pela produção e distribuição de bebidas artesanais, de sabonetes, de TVs, de perfumes, de mulheres, de drogas – somente maconha, pois os presos não permitiam a entrada de qualquer outra droga na época, segundo eles disseram – e muitas outras coisas. Mas conviviam sem grandes traumas graças ao entendimento entre os líderes.
E foi justamente um desentendimento entre dois destes líderes que, por um motivo fútil, levou à morte os 111: uma briga por causa de uma arbitragem duvidosa do jogo de futebol numa final de campeonato interno. Pelo menos, foi esta a versão contada para a perícia e confirmada pela Comissão de Presos e de Disciplina. Um membro de um grupo foi ferido gravemente com estiletes pelo membro de outro grupo e começou a gritaria e perseguições, que não pôde ser evitada pelos carcereiros, pois se estendeu por todo o P-9.
Chamaram, então, a PM. E tudo começou.
Osvaldo Negrini Neto
Perito Criminal aposentado, autor do laudo do Massacre da Detenção.
Livro-caixa de facção registra pagamentos a policiais de SP 49
02/10/2012-06h00
AFONSO BENITES ROGÉRIO PAGNAN DE SÃO PAULO JOSMAR JOZINO DO "AGORA"
Os arquivos da facção criminosa PCC, apreendidos pela polícia, registram que a organização faz pagamentos sistemáticos para policiais civis, além de supostos acordos feitos com PMs para atuarem juntos em assaltos.
Identificadas como “percas”, as informações constam de parte dos 400 documentos que já estão com a polícia e o Ministério Público, conforme revelou ontem a Folha. Uma espécie de livro-caixa do crime, os arquivos mostram que a facção atua em 123 das 645 cidades do Estado e tem nas ruas 1.343 bandidos.
Essa documentação já embasou ao menos duas denúncias judiciais de promotores e norteiam a atuação da polícia contra o crime organizado.
Nas planilhas, não há nome de policiais. Só são citadas a cidade ou a delegacia em que eles atuam e a situação em que a extorsão ocorreu.
As informações também aparecem quando a organização lista os devedores do mês. Em um dos registros, de 2011, um dos criminosos, identificado como Tucano, aparece com uma dívida de R$ 615 mil. O motivo: perdeu o valor para a polícia. Essa é a expressão usada pelos criminosos para dinheiro gasto em extorsão.
R$ 10 MIL POR SEMANA
Em um dos documentos, de 9 de agosto, apreendido na Baixada Santista, os criminosos afirmam que policiais de Mauá (Grande São Paulo), que já recebiam cerca de R$ 10 mil por semana, foram para Santo André e, se passando por policiais do Denarc (narcóticos), pediram mais dinheiro para não impedir o tráfico no local.
Nesse arquivo, os bandidos também relatam que outros policiais, dessa vez da 4ª delegacia do Patrimônio do Deic, prenderam, em 8 de agosto, uma traficante e exigiram R$ 100 mil para liberá-la.
Em negociação com os advogados, o valor caiu para R$ 10 mil em dinheiro, mais a droga apreendida e o carro.
Pelo relatório, o acerto caminhava para não ser fechado porque os policiais queriam ainda manter o flagrante da mulher, embora com o registro de uma quantidade menor de droga. O documento, porém, não revela o desfecho do caso.
“Resumindo: os policiais ficaram com o carro, com as drogas, com dinheiro do acerto se nós pagássemos e a menina ficaria presa do mesmo jeito. Olha as ideias desses policiais. Estão é tirando e subestimando a nossa inteligência”, diz trecho.
Os papéis revelam ainda um caso, de junho de 2011, de um criminoso identificado como Maguegui que diz ter pago R$ 150 mil para ser libertado por policiais do Deic.
“Eles falaram ainda que nós estávamos no lucro porque estava na mão deles. Porque se fosse a Rota nos matariam”, diz trecho do relatório.
Um arquivo de agosto do ano passado diz que os bandidos precisam levantar informações junto a policiais que roubam com eles, “principalmente PM”.
Os promotores responsáveis pelo caso dizem que somente uma investigação aprofundada poderá concluir se houve, de fato, propina. Mas não descartam a possibilidade de algum criminoso ter inventado a propina nos relatórios para justificar desvio de dinheiro da própria facção criminosa.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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