O tipinho nefasto recebeu uma colher de chá de juíza e ainda não foi expulso…Parabéns aos verdadeiros PMs que prenderam o bandido fardado em flagrante…Uma benção verificar que ainda há quem defenda a pureza da função! 2

PM que iria ‘usar drogas em ocorrências’ é condenado e solto

08/02/21 por Jeniffer Mendonça

 

Yuri Teles foi preso no ano passado com um suposto ‘kit flagrante’ de cocaína e maconha; justiça considerou que ele poderá cumprir pena em liberdade, mas promotora recorreu

Yuri Faria Teles em 30 de agosto, quando foi preso por tráfico, no 24º DP (Ponte Rasa)| Foto: Reprodução/Polícia Civil de SP

O policial militar Yuri Faria Teles, 21 anos, que foi preso com drogas e afirmou que as usaria em ocorrências, foi condenado a um ano, 11 meses e 10 dias de reclusão em regime inicial aberto (quando a pessoa só tem a obrigação de ficar recolhida à noite ou nos dias de folga, numa unidade prisional ou na própria casa) e pagamento de 194 dias-multa por tráfico de drogas.

De acordo com a juíza Margot Chrysostomo Corrêa, que assinou a sentença na última quarta-feira (3/2), a versão do soldado de que teria encontrado os entorpecentes com um suspeito que tentou abordar, mas que saiu correndo jogando uma sacola, é “absurda” e “esdrúxula”. Além disso, destacou que a versão dos dois policiais que o abordaram e afirmaram que Teles disse informalmente que usaria as drogas em ocorrências é “coerente”, pois não não haveria motivos para que a dupla mentisse. Ela entendeu como procedente a acusação de tráfico de drogas, que tem pena mínima de 5 anos, mas diminuiu a pena ao considerar que acusado não tem antecedentes e nem integra organização criminosa. A magistrada também determinou que ele poderia recorrer da decisão em liberdade.

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Em 30 de agosto do ano passado, por volta das 7h35, os policiais Leandro Augusto de Moura e Ricardo Luiz da Silva observaram uma aglomeração num posto de combustível no cruzamento da Avenida Dom Helder Camara com a Rua Jujiu, na Ponte Rasa, zona leste da capital paulista, conforme relataram no boletim de ocorrência. Ao questionarem pessoas no local, uma contou que havia visto, momentos antes, um suspeito armado num Jeep Renegade cinza. A testemunha indicou a direção que o veículo seguiu.

Patrulhando pela Rua Arquiteto Francisco Beck, a dupla de PMs perguntou a uma pessoa da rua se havia visto um automóvel parecido e ela disse que sim, que era dirigido por alguém “jovem, trajando calça jeans e camisa preta e havia adentrado em uma feira local”. Ao abordarem Yuri Teles por causa dessas características, os policiais questionaram por que ele teria passado em alta velocidade e se havia alguma irregularidade com o jipe. Yuri teria se identificado enquanto soldado, dito que estava armado e que tinha drogas que seriam para “usar em ocorrências”, segundo os policiais. Ao revistarem o veículo, os PMs encontraram uma sacola no porta malas com 54 pinos e 56 papelotes contendo cocaína, 29 trouxinhas de maconha e 21 frascos de lança perfume — que correspondiam a 82 gramas de cocaína, 146 gramas de maconha e 126 mililitros de Tricloroetileno, utilizado na fabricação de lança-perfume. Ele foi preso em flagrante e levado ao 24º DP (Ponte Rasa).

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O soldado declarou na delegacia que as drogas que estavam com ele pertenciam a um suspeito alto, magro e que usava moletom, que ele tentou abordar às 6h daquele mesmo dia no bairro de São Mateus, também na zona leste, mas que saiu correndo e jogou a sacola no chão. Yuri Teles disse que não havia declarado a ocorrência à corporação, que estava à paisana e que tinha apenas dois meses de policiamento na rua, sendo que ficou “assustado” com a abordagem dos policiais.

Em audiência, Yuri Teles explicou que estava com um amigo no carro vindo de uma festa quando teria visto “dois rapazes, um de pé e o outro na motocicleta”, diferentemente do que estava no boletim de ocorrência, achando que era um assalto. Os dois teriam fugido largando a sacola depois que ele sacou a arma. Ele afirma que não pensou em levar o amigo como testemunha e que no caminho foi “fechado” por um automóvel Celta preto, cujo motorista “saiu xingando” e ele pensou que tinha relação com o possível assalto anterior, tendo sacado a arma, mas que depois percebeu que era apenas uma “questão de trânsito”. Disse que deixou o amigo na casa dele e que estava indo para a delegacia, mas que resolveu “parar na feira para comer um pastel, já que o plantão começava às 8 da manhã”. No momento, acabou sendo detido pela dupla de colegas.

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O Ministério Público Estadual, que havia denunciado o soldado por tráfico de drogas com agravante de abuso de autoridade, entrou com uma apelação na sexta-feira (5/2) para reverter a sentença, já que não concordou com a pena estipulada pela juíza e pede que os agravantes sejam considerados e que o cumprimento da condenação seja feita em regime fechado. “É preciso considerar, ainda, a maior reprovabilidade da conduta do apelado, eis que sendo policial militar a ele incumbia proteger a sociedade, defender a lei e a ordem e não praticar crimes”, argumentou a promotora Paula de Camargo Ferraz Fischer.

Outro lado

Ponte procurou a defesa do soldado Yuri Teles, por e-mail, mas não obteve resposta. A reportagem também questionou as assessorias de imprensa da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar para saber se o policial retornaria ao trabalho nas ruas e se haveria alguma investigação por parte da Corregedoria da corporação, mas não responderam até a publicação.

Ponte Jornalismo

  1. É bem verdade que, na “quebrada”, os policiais que atendem a ocorrência são os primeiros juízes da causa. No entanto, entregue a ocorrência à autoridade policial, passa a ser desta a parte mais importante do futuro processo, consistente na colheita de todas a provas possíveis para a apuração da verdade.
    Entregues à Justiça os fatos até então apurados, o Ministério Público importante missão ao oferecer denúncia, pedir o arquivamento, ou requerer outras diligências.
    O juiz – Ahhhh, o juiz!!! -, quanto pode fazer se não for preguiçoso, se não for burro, se não for bêbado, se for humano, se for bom jurista, enfim, se for alguém que se importa?!!!
    Se algum desses falhar, em determinado momento, a corda arrebenta do lado do réu, as Instituições se tornam cada vez mais desacreditadas, e a própria sociedade também sofre com com isso.
    E se essa “falha”, à qual me referi, decorrer de dolo ou culpa, aí sim tudo fica muito pior…
    O servidor público de um modo geral, do mais humilde ao presidente da República, deveria responder (como pessoa física) civil, penal e administrativamente por seus atos, dolosos ou mesmo culposos, sem prejuízo da responsabilização do Estado.
    O STF, todavia (sempre o Supremo!!!), vem de dar um novo e próprio entendimento para isso, livrando a “cara” de servidores-bandidos, que com suas ações ou omissões causam prejuízos a terceiros. Atualmente, graças ao STF, não mais se pode acionar o servidor (pessoa física), sem antes acionar o Estado. E o Estado, quase nunca “denuncia à lide” o servidor.
    Um dia, há mais de 40 anos, “jurei” Bandeira, e assumi o compromisso de defender com minha própria vida nossa Pátria Amada, Brasil. Esse compromisso continua valendo; mas se eu pudesse voltar no tempo, não o teria feito..

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