Imprensa dá grande destaque às causas dos suicídios de policiais subalternos na Polícia Militar e Polícia Civil – São eles: estresse inerente à função policial; falta de suporte de serviço de saúde mental; depressão; conflitos institucionais; conflitos familiares e problemas financeiros; isolamento social, rigidez e introspecção; subnotificação de tentativas de suicídio; e fácil acesso a arma 2

Para especialistas, o volume de suicídios acende um alerta sobre a necessidade de as corporações prestarem melhor assistência à saúde mental dos agentes
O órgão chama a atenção para a alta taxa de suicídio entre policiais, que é de 23,9

Divulgação

O órgão chama a atenção para a alta taxa de suicídio entre policiais, que é de 23,9

O número de policiais que cometeram suicídio no Brasil em 2018 (104) foi maior que a quantidade que morreu em decorrência de confronto nas ruas (87), enquanto estavam em serviço. Para especialistas, o volume de suicídios acende um alerta sobre a necessidade de as corporações prestarem melhor assistência à saúde mental dos agentes. O estresse inerente à função policial e conflitos institucionais, como assédio moral, são apontados pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo como fatores que, em conjunto com outros, podem contribuir para essas mortes.
A Ouvidoria divulgou nesta quarta-feira, 25, um relatório em que analisa os suicídios de policiais cometidos no Estado de São Paulo em 2017 e 2018 – os dados nacionais são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados neste mês. O estudo paulista compila os registros para detalhar informações como o perfil da vítima, além de ter conversado com parentes e amigos para entender o contexto em que a morte aconteceu. O órgão chama a atenção para a alta taxa de suicídio entre policiais, que é de 23,9, enquanto no total da população o número é de 5,8 por 100 mil habitantes.
Os números mostram que o suicídio é a principal causa de morte dos policiais civis paulistas, superando as mortes decorrentes de confronto em serviço e de folga. Na Polícia Militar, as autolesões fatais representam a segunda maior causa de morte, atrás dos assassinatos sofridos na folga, mas à frente dos óbitos ocasionados por confrontos em serviço. “A pesquisa aponta que há necessidade de ampliar o suporte à saúde mental dos policiais em São Paulo”, disse o ouvidor, Benedito Mariano. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou neste mês que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados com o tratamento certo.
O estudo paulista elenca oito fatores que, em conjunto, podem contribuir para esses casos. São eles: estresse inerente à função policial; falta de suporte de serviço de saúde mental; depressão; conflitos institucionais; conflitos familiares e problemas financeiros; isolamento social, rigidez e introspecção; subnotificação de tentativas de suicídio; e fácil acesso a arma.
Os pesquisadores destacam que, corriqueiramente, os pensamentos suicidas estão associados a problemas da saúde mental, como depressão. Mas é o estresse inerente à função policial que é citado com destaque nessa lista de fatores. “O policial deve começar a lidar com isso já na academia e tem de existir um programa que o acompanhe ao longo da carreira. Não adianta só dar viatura, armamento e uniforme e não cuidar da saúde mental”, apontou Mariano.
A psicóloga Beatriz Brambilla, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, reforça que não é uma única dimensão que produz a motivação das vítimas. “A ideia do multicausal é que se possa compreender o fenômeno na totalidade. Então a pessoa que está em sofrimento não está assim por uma questão interna ou porque ela tem uma fragilidade ou inadaptação. Temos de compreender que há questões que são do sujeito, mas que há questões sociais.”
Resiliência
O soldado Antônio Figueiredo Sobrinho, de 56 anos, tinha três anos e meio de carreira na Polícia Militar quando reagiu a uma tentativa de assalto no comércio onde realizava um “bico” de segurança. Correu atrás do assaltante, mas não percebeu que um comparsa estava nas suas costas. Foi baleado e ficou paraplégico
Acostumado à ideia de ser um herói para os filhos e de prover a sua família, viu-se muito abalado depois do caso, pois se enxergava como um fardo para os que tentavam ajudá-lo a se adaptar e a vencer as barreiras. “Por duas vezes tentei suicídio Coloquei a arma na cabeça e o dedo no gatilho. Não queria mais viver porque pensava que meus filhos não precisavam de um pai aleijado”, disse ao jornal.
Desistiu da ideia e trilhou o caminho contrário, passando a ajudar aqueles que enfrentavam os mesmos problemas que ele. Sobrinho ajudou a criar a Associação de Policiais Portadores de Deficiência, que conta hoje, segundo ele, com mais de 23 mil associados. Lá, uma série de serviços é oferecida, de doação de cadeira de roda à assistência psicológica. “Fazemos um trabalho de integração daquele policial de volta à sociedade.”
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que as recomendações da Ouvidoria (mais informações nesta página) serão avaliadas pelas áreas técnicas da pasta. Disse que as polícias do Estado “contam com sistemas de apoio e atendimento psicológico aos seus agentes”. Além disso, a Corregedoria e a Academia também oferecem atendimento psicológico aos agentes. “Sempre que necessário, os casos são encaminhados ao Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME) para avaliação.”
Presidente do Conselho Federal de Psicologia, Rogério Giannini disse que a reflexão sobre a saúde mental do policial beneficia a corporação e toda a sociedade. “A pesquisa de certo modo contribui com a ideia de humanização da polícia. O policial é um ser humano que tem as vicissitudes de qualquer ser humano.”
Frustração
A auditora fiscal do trabalho aposentada Maria Aparecida Almeida Dias de Souza, de 70 anos, ainda reflete sobre as razões que levaram a irmã, a delegada Maria Cássia Almeida Almagro, a tirar a própria vida, em julho de 2015, aos 54 anos. “Podem ter havido outros motivos, mas é certo que havia uma insatisfação muito grande com a profissão. Ela vivia uma frustração de não poder realizar aquilo que achava que devia fazer.” A delegada foi encontrada morta em sua casa, em um condomínio de Sorocaba, com ferimento à bala. A perícia indicou que ela havia se suicidado.
Maria Aparecida conta que a irmã enfrentava problemas familiares, pois seu segundo casamento havia terminado e o único filho tinha se mudado para os Estados Unidos. No dia anterior à morte, Cássia esteve na casa da irmã e falou de um curso que estava fazendo na área policial. “Ela não demonstrou nada, estava feliz, cheia de planos.”
A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati, classificou a rotina do policial civil no Estado como “estafante”. “Sabemos que a profissão internacionalmente é ligada a maior índice de suicídio. Atuamos sob pressão e tendo de gerenciar crises a todo instante em situações adversas.”
Sugestões
O relatório da Ouvidoria termina com 11 recomendações de melhorias. À Polícia Militar, o órgão recomenda a criação de mais 75 núcleos de assistência psicossocial, o que cobriria quase todos os batalhões. Hoje, são 35 núcleos.
Além disso, a Ouvidoria pede que o tema da saúde mental seja incluído nas preleções diárias das unidades e nos treinamentos. Para a Polícia Civil, o órgão recomenda a implementação urgente de um programa de saúde mental e contratação de psicólogos para a atividade.

Ponte Jornalismo – Estudo mostra que suicídio é a principal causa de morte de policiais civis; dois investigadores que sofrem de depressão criticam assédio moral, machismo e lógica violenta 4

‘O mundo desaba em você quando chega em casa’, diz policial civil que pensou em se matar

27/09/19 por Mariana Ferrari

Estudo mostra que suicídio é a principal causa de morte de policiais civis; dois investigadores que sofrem de depressão criticam assédio moral, machismo e lógica violenta

Fachada do Edifício Palácio da Polícia Civil, no centro histórico de SP | Foto: divulgação/PCSP

Há pouco mais de 15 dias Ana Paula* diz que consegue, ao menos, voltar a viver. Durante os últimos três meses e meio, a investigadora de polícia de 40 anos chegou no limite do que pode ser considerado emocionalmente suportável. Quando entrou na Polícia Civil, há cinco anos, Ana Paula não imaginou que seria afastada dos trabalhos por depressão e pensamento suicida. O trabalho tornou-se pesadelo por uma série de fatores exaustivos dentro do distrito de polícia. Ana Paula não entrou para as estatísticas de suicídios, porque procurou ajuda e está afastada do cargo de investigadora.

De acordo com a pesquisa “Uma análise crítica sobre suicídio policial”, feita pela Ouvidoria de São Paulo em parceria com os Conselho Federal e Regional de Psicologia, só entre 2017 e 2018, 78 policiais cometeram suicídio em São Paulo. Desse total, 17 eram da polícia civil.  A Organização Mundial da Saúde adverte que a situação é considerada epidêmica a partir de 10 suicídios para cada 100 mil pessoas. Na polícia civil, a taxa chega a 30, ou seja, um número três vezes acima do recomendado, já que a corporação conta com 28 mil policiais.

Ana começou a adoecer quando chegou no ápice do seu sonho. Depois de passar pelo setor administrativo do IML (Instituto Médico Legal) e pelo cargo de escrivã, ela conquistou o ofício de investigadora de polícia. Dentro dos distritos, ela ficou assolada ao saber que durante os plantões faltava água e papel higiênico. Da escassez material veio o assédio dentro do ambiente de trabalho. Ana Paula chegou ao ponto de ser transferida de delegacia depois de recusar um pedido que colocava a sua própria segurança em risco. Esse caso específico Ana chama de “a gota d’água”.

O caso aconteceu quando o distrito em que Ana trabalha estava sem sistema. Um caminhão havia derrubado os cabos de internet da região. Ela estava de plantão, de 12 horas, junto com o delegado e o escrivão. “Naquele dia tinha o caso de uma violência doméstica. E a mulher estava visivelmente machucada. Não tem como retornar depois para fazer o B.O. Não dá”, explica à Ponte.

O delegado, que tem a voz máxima dentro da delegacia, repassou a seguinte ideia: Ana Paula deveria pegar a viatura caracterizada, conduzir o escrivão até outra delegacia com sistema, retornar ao seu distrito e depois de um tempo voltar para buscar o colega de trabalho. A investigadora negou a proposta, para ela não existia a menor possibilidade de dirigir uma viatura caracterizada sozinha e colocar sua segurança em risco.

“Se você se depara com uma ocorrência em andamento, você vai fazer o quê sozinha? Se atentam contra a viatura? Você tomou um tiro, você pedir apoio? Então, na minha negativa eu falei: ‘Não, é perigoso’”, relembra.

O delegado entendeu que Ana não estava se protegendo e, sim, mostrando uma possível fragilidade feminina e respondeu: “Ah, se mulher não dirige viatura sozinha, então tem que ser comunicado que não dá para trabalhar com mulher em plantão”. Para ela, “o machismo afeta o homem, porque se ele não for ele é frouxo.”.

A pesquisa divulgada pela Ouvidoria mostra que a principal causa de morte entre os policiais civis é o suicídio. Essa mesma polícia não tem programa de saúde mental. “As instituições precisam entender o apoio à saúde mental dos policiais não como custo, isso é um investimento do trabalho”, enfatiza o ouvidor Benedito Mariano.

Estresse inerente à função, transtorno pós-traumático, falta de suporte psicológico, depressão, conflitos internos da corporação, problemas financeiros e familiares, rigidez e isolamento social são, para Mariano, as principais causas de suicídio entre os policiais.

Alexandre Félix Campos, investigador e militante do movimento Policiais Antifascistas, vai um pouco além na questão de saúde mental dentro da Polícia Civil e critica os nortes que, segundo ele, guiam a segurança pública brasileira: a militarização e a criminalização. “Policial não tem que agir no combate ao inimigo. A polícia é uma parte integrante da gestão da cidade. A polícia tem que atuar como cidadão. Garantindo os direitos alheios e os seus direitos. Infelizmente essa não é a nossa realidade. A nossa realidade é uma simulação de guerra”, pontua à Ponte.

Alexandre Félix Campos demorou 15 anos para entender que estava doente e precisava de ajuda | Foto: arquivo pessoal

Foram necessários 15 anos trabalhando como policial para Alexandre entender que estava doente e precisando de ajuda. O sonho que ele almejava desde pequeno passou a confrontar valores dos quais ele mesmo fazia parte. Filho de pai motorista e mãe dona de casa, o investigador não conseguia entender como alguém com as mesmas características que as suas era considerado inimigo do Estado.

“Eu venho da periferia de São Paulo, sou do extremo leste, do bairro de Guaianazes. E essa política de segurança pública entende que eu devo combater, exterminar um inimigo e esse inimigo, que eles inventam, é exatamente o cara que nasceu no mesmo bairro que o meu, que tem o mesmo histórico de vida que eu. Então, não tem como não adoecer”, complementa.

O correr pelo errado

Outro motivo de adoecimento, pontuado por Ana Paula, é a angústia de conviver diariamente com a corrupção e não poder fazer nada. “Alguns policiais antigos, quando você não se adequa ao meio, e aqui quando eu digo se adequar ao meio é quando você não começa a fazer parte do assédio moral e do jogo de corrupção, eles falam: ‘Ah, não. É que você não é polícia’. Não tem pra quem denunciar. Isso faz parte da polícia e isso é muito triste de se ver”, ela explica.

Ana também lembra o caso de um amigo, este da Polícia Militar. Além do trabalho como policial, que ela chama de X, que exige 12 horas de plantão, ele ainda cumpria 8 horas de um trabalho extra. Um dia, ela perguntou para ele se valia a pena tudo aquilo: “Aí ele ergueu o queixo como se ele fosse um herói, um gladiador e falou: ‘Eu tenho que fazer o meu serviço se eu não fizer a sociedade vai ficar pior’”, conta.

Para ela, está claro que projetaram nele o mito do policial herói e não trabalhador. “Ele está se destruindo, é um policial que fere direitos humanos, porque vai para a rua e se tiver oportunidade vai matar. E quem ganha com isso?”, questiona. “Pegaram uma pessoa de boa índole e transformaram em um potencial assassino.”.

A pesquisa também mostra que a maioria dos suicídios são cometidos em dias de folga o que, para Ana Paula, faz total sentido. O trabalho do plantonista exige cuidado e atenção, fazendo com que o profissional controle as suas emoções. “Quando você sai dali, aquilo tudo vem na sua cabeça. Automaticamente você senta, demora para relaxar, e aquele mundo desaba em cima de você”, explica.

Arma: objeto suicida e renda extra

De acordo com a pesquisa da Ouvidoria de São Paulo, 83% dos casos de suicídio policial, entre 2017 e 2018, foram por arma de fogo. Um objeto que, além de ser essencial para a profissão, garante uma renda extra aos policiais. Os chamados “bicos” são feitos fora do horário formal de trabalho e complementam os salários.

De acordo com o último levantamento da Secretaria da Fazendo e Planejamento de São Paulo, de 2018, as classes especiais de escrivães e investigadores da Polícia Civil têm um teto salarial de R$ 5 mil. Já na Polícia Militar, o teto salarial inicial chega a R$ 4.253,00, que condiz com a função de subtenente.

São os próprios salários que fazem os policiais usarem o armamento para serviços extras, como o de segurança particular. Acontece que quando o profissional submete a um tratamento psicológico, ele pode perder a sua arma. Ou seja, perde também a renda extra.

Nesse ponto, Rogério Giannini, presidente do Conselho Federal de Psicologia, acredita que uma polícia menos armada é um modelo a ser seguido. “Eu creio que quando nós olhamos para outras experiências de outros países, em sociedades mais equânimes, mais justas, com polícias não armadas, você tem tanto índice de violência como índices de suicídio mitigados”, explica. “A violência tem que ser exceção na sociedade e não regra”, acrescenta.

Em um dos momentos mais delicados da depressão de Ana Paula, ela escreveu um depoimento ao seu superior explicando a situação, dizendo que estava no seu limite a assumindo a vontade de se matar.

“Policiais lidam com o pior da sociedade, em todos os sentidos, e você tem um cara que tem uma arma na mão. Como você trata dessa maneira uma área tão importante?”, ela questiona.

(*) A investigadora pediu que identidade dela fosse preservada

Como dizem: A COBRA MAIOR SEMPRE ENGOLE A MENOR… Parabéns Ministro Alexandre de Moraes!…Será que o Janot recorrerá para a Corte Interamericana dos Direitos Humanos ou baixará enfermaria pedindo penico? 19

Além de determinar busca e apreensão, Moraes proibiu Janot de se aproximar de ministros e do STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, não só determinou busca e apreensão na casa do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, como mostrou a Folha, como também o proibiu de “aproximar-se a menos de 200 metros de qualquer um dos ministros desta corte, bem como impedir seu acesso ao prédio sede e anexos deste tribunal”.

Na decisão a que o Painel teve acesso, Moraes autoriza a medida por entender que, nas entrevistas concedidas por Janot, há elementos que podem tipificar “incitação ao crime”. O ex-procurador afirmou à Folha e outros veículos que entrou armado no STF para assassinar Gilmar Mendes.

Para  Moraes, o quadro relevado nas entrevistas do ex-procurador é “gravíssimo”.

“Sugere que aqueles que não concordem com decisões proferidas pelos ministros desta corte devem resolver essas pendências usando de violência, armas de fogo e, até, com a prática de delitos contra a vida”, escreve Moraes.

O ministro do STF afirma ainda que viu requisitos para a busca e apreensão porque as declarações de Janot “sinalizam a necessidade da medida para verificar a eventual existência de planejamento de novos atos atentatórios ao Ministro Gilmar Mendes e as próprias dependências do Supremo Tribunal Federal”.

Moraes ainda determinou a suspensão do porte de arma do ex-procurador e autorizou a PF a analisar o material apreendido e a tomar o depoimento de Janot.

 

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Achei muito correta a decisão de apreensão das armas do Dr. Janot, aparentemente ele não está muito bem emocionalmente. 

Certamente  não vai matar ninguém, mas poderia cometer suicídio diante da repercussão do desabafo.

Se verdadeiras as suas falas, obviamente!

Pode ter sido mera fanfarronice para fazer mídia e vender livro…

Vexaminoso!  

Por fim, como disse o Dr. Lellis – Desembargador do TJ-SP – perante magistrado promotor é somente discípulo; a maioria – digo eu –  fazendo papel de Judas! 

 

‘Fui a mais velórios do que gostaria’, diz policial sobre suicídio de agentes 2

Pesquisa mostra que na Polícia Civil de SP, suicídio é a maior causa de vitimização; na PM, é a segunda

Entrega das novas viaturas da PM em Piracicaba
Entrega das novas viaturas da PM em Piracicaba – Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Thaiza Pauluze
São Paulo

O delegado Flavio Katinskas, 52, carrega a culpa por não ter percebido que a colega com quem trabalhava todos os dias ia se suicidar. A delegada Maria Cássia Almagro Mezzomo, 54, combativa com o crime organizado, desafiou o PCC, mas não se livrou do desgaste mental.

“Como policial, me sinto impotente. Tentamos diminuir o sofrimento dos outros, de quem nos procura, mas não conseguimos acudir uma pessoa amiga que passa por um drama pessoal”, diz.

É que ela vestia a típica capa de durona, conta Katinskas. “Tratar de aflições pessoais em ambiente profissional era proibido. Não combina com a atividade.” Mas foi uma somatória. “A questão econômica, de salário, a distância do filho e do neto [que moravam nos EUA], junto ao fato de que o policial é condicionado a ter um comportamento, como se certas coisas não o atingissem.”

Maria Cássia fez tratamento psicológico particular, mas não teve auxílio da Polícia Civil, segundo o colega.​

O caso dela é retrato de uma epidemia. Dados divulgados nesta quarta-feira (25) pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo mostram que o suicídio é a maior causa de vitimização de agentes na Polícia Civil do estado e a segunda na Polícia Militar —perde apenas para homicídio dos agentes na folga.

Entre 2017 e o ano passado, 78 policiais tiraram a própria vida. Destes, 17 eram policiais civis da ativa. Tendo em vista um efetivo de 28 mil agentes, a taxa de suicídio nesse grupo é de 30,3 a cada 100 mil habitantes. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma taxa de 10 a cada 100 mil já pode ser classificada como epidêmica. Ou seja, o suicídio na corporação é três maior do que o aceitável.

Se comparada a taxa média de suicídio das duas polícias (PM e Civil) em São Paulo (23,9 por 100 mil) com a do restante da população brasileira (5,8 por 100 mil), os policiais se suicidaram em uma proporção quatro vezes maior do que a população em geral.

Apesar disso, a Polícia Civil não tem um programa de auxílio e saúde mental. A corporação conta apenas com duas psicólogas e duas assistentes sociais.

“Precisa começar do zero. Existe uma negligência”, diz o ouvidor Benedito Mariano. Para ele, o problema é agravado pelo sucateamento da corporação, que tem déficit de cerca de 14 mil profissionais, baixos salários e falta de estrutura em delegacias. “Isso dialoga com o estresse do policial, porque tem que fazer o serviço de dois ou três.”

Fachada do Segundo DP de Guarulhos – Rivaldo Gomes/Folhapress

É o dia a dia do delegado Fernando Gonçalves, diretor na Associacão dos Delegados do estado (ADPESP). “Fui a mais velórios do que gostaria, e não por confrontos”, diz, sobre o suicídio de colegas.

Quem atua nas delegacias “tem que aprender a trabalhar com pessoas doentes”, conta ele, que é professor da Acadepol, a academia dos policiais civis no estado. Por lá, não há aulas sobre saúde mental no curso de formação dos agentes.

Nos dez DPs pelos quais Gonçalves passou, pelo menos um colega de equipe tinha problemas psiquiátricos. “O que mais se vê são os sinais: alcoolismo, insônia, obesidade, vício em Rivotril”, diz.

Numa delas, um investigador não podia mais usar arma e outro não podia dirigir. Ele mesmo já chegou a alucinar à noite: ora ria, ora chorava, no meio do sono. Mas não procurou tratamento.

Outro agente, que prefere não se identificar, relata que toma antidepressivo há quatro anos. “Depois de me envolver numa ocorrência de homicídio em decorrência de intervenção policial, sequer tive acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.”

Com carreira de 17 anos na corporação, ele conta que procurou ajuda sozinho, “pois a instituição nunca quis saber como me sinto”. Ao contrário, diz, “me colocam em posto com maiores responsabilidades e cobranças”.

Segundo a pesquisa, existem algumas causas principais para o suicídio de policiais. A primeira é o estresse inerente à função; depois vem a falta de suporte de serviço de saúde mental; a depressão; os conflitos institucionais, como o assédio moral; os conflitos familiares e problemas financeiros; o isolamento social, a rigidez e a introspecção; e, por fim, o fácil acesso a armas de fogo.

Em 85% dos casos, o policial usou arma de fogo para se suicidar, ainda segundo a pesquisa.

A ouvidoria levou o estudo ao coronel Marcelo Vieira Salles, que comanda a PM, ao delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, e ao gabinete do governador João Doria (PSDB).

O texto faz recomendações de políticas de segurança pública que reduzam o índice, entre elas o aumento do piso estadual da categoria e o aumento do efetivo da Polícia Civil. Na corporação, também se propõe a criação de um programa de saúde mental, com contratação de ao menos 140 psicólogos.

No caso da PM, é preciso ampliar o programa já existente —a corporação conta com um Caps (Centro de Atenção Psicossocial), 35 Naps (Núcleo de Atenção Psicossocial) e oito psiquiatras. Como a estrutura atinge só 35% das unidades da PM no estado, o relatório sugere a instalação de mais 75 Naps, para cobrir praticamente todos os batalhões.

Outra ideia é incluir no curso de formação cerca de 80 horas de disciplina de saúde mental, assim como no estágio anual de aperfeiçoamento. O assunto também deveria ser abordado, diz o texto, nas preleções diárias nas unidades.

De acordo com Mariano, as propostas foram bem recebidas pelos comandos. O coronel Salles, da PM, prometeu colocá-las em prática.

O governador que todo policial imbecil quer: Wilson Witzel trata dos seus PMs como indigentes

Peritos da PM-RJ recebem oficiais entre esgoto, ratos, baratas e até jacarés

Contêiner em que policiais passam por exames de afastamento do trabalho tem condições insalubres

Anna Virginia Balloussier
Rio de Janeiro

Dias atrás, vira-latas guardavam a entrada do contêiner onde policiais militares do Rio de Janeiro passam pela perícia que lhes garante licença médica por problemas de saúde. Os caninos não são os únicos animais do pedaço. Por lá já se viu baratas, ratos e até jacarés à espreita.

O reino animal é só um dos problemas detectados por médicos e pacientes. O contêiner, uma estrutura em geral utilizada para transporte de cargas, tem uma única saída. Não há esgoto ou extintores de incêndio, segundo relatos de frequentadores ouvidos pela Folha, ratificados por fotos enviadas por eles.

A Seção de Perícias Médicas foi transferida há cerca de dois anos para o Cefap (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), em Sulacap, na zona oeste carioca. O novo local fica a 23 km (quase duas horas de transporte público) do anterior, o Hospital Central da PM, no centro da cidade.

Profissionais desconfiam que foram removidos dali após reportagens da imprensa local estamparem cenas de vários PMs enfileirados, à espera do encontro com os médicos. Alguns chegavam a dormir na fila para garantir o atestado.

Isso escancararia a fragilidade do batalhão, sobretudo do ponto de vista psicológico, com casos de estresse e depressão. Em 2018, mais de 1.300 soldados na ativa pediram licença médica, muitos deles com transtornos psiquiátricos.

Uma ambulância com uma das portas abertas em frente a um container e a vários sacos de lixo
Centro de perícia da PM-RJ, um container com saída única, sem esgoto e com denúncias de insalubridade (vista de fora e de dentro do container) – Arquivo pessoal

O acesso a Sulacap é bem mais difícil, o que garante certa blindagem a esse quadro. As imagens do novo ambiente de trabalho recebidas pela reportagem mostram ambulâncias chegando em meio a sacos de lixo e água de esgoto e um paciente com câncer que literalmente enfiou o pé na lama, atravessando uma poça.

Em janeiro, um PM teve de domar um pequeno jacaré com um cone de tráfego. Certa vez, encontraram um rato na geladeira do espaço médico. Oficiais mulheres amamentando, ou oficiais com filhos com alguma deficiência, já apareceram por lá, para horror dos peritos de plantão.

São dois os maiores medos: foco de doenças e um possível incêndio nos moldes do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo que pegou fogo em fevereiro, matando dez jogadores adolescentes. O alojamento era similar: um contêiner com ar-condicionado com uma única porta para saída e entrada.

As condições de insalubridade na unidade policial já geraram denúncias ao Ministério Público do Rio e à Vigilância Sanitária. Nenhuma deu em nada até agora. A inação é atribuída por membros da PM insatisfeitos ao receio de repreender a instituição. Não seria, em suma, um bom vespeiro a se mexer.

No dia 22 de maio, a ouvidoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enviou seu parecer final a um denunciante que reclamou do “contêiner imundo com ratos e baratas, sem sistema de esgoto e cercado por lama e água suja, colocando em risco a saúde dos policiais militares”.

Em uma rua de terra, um container está na lateral direita. Ele é pintada de branco com teto em azul. Há apenas uma porta de saída
Centro de perícia da PM-RJ, um contêiner com saída única, sem esgoto e com denúncias de insalubridade (vista de fora e de dentro do contêiner) – Arquivo pessoal

Resposta: citando uma lei que zela pela “descentralização administrativa que é fundamental para simplificar as ações pertinentes” à inspeção sanitária, a agência diz que a competência é local, e que a queixa tinha sido encaminhada à ouvidoria-geral do SUS, que trataria de repassá-la a um setor adequado. Não se tem notícias de uma resposta.

Questionada pela Folha, a Anvisa reforçou a responsabilidade municipal do caso. Já a Prefeitura do Rio diz que os equipamentos públicos federais e estaduais são desobrigados de alvará, um “cadastro fiscal que regula apenas a atividade econômica a ser desenvolvida no local, sendo, portanto, atribuição de outros órgãos competentes a fiscalização de riscos inerentes àquela atividade”.

A Subsecretária de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses do município diz que nada chegou a eles.

“Ainda de acordo com a legislação”, segundo a prefeitura carioca, “órgãos públicos são isentos de outros licenciamentos, como sanitário. Por isso, vistorias são realizadas em atendimento a denúncias registradas na Central 1746 ou a ofícios do Ministério Público”.

O Ministério Público, por sua vez, diz que não tem como saber se houve retorno ou não à denúncia anônima que lhes foi direcionada, pois não tem o número de protocolo dela.

Procurada pela reportagem várias vezes, por telefone e e-mail, desde segunda (22), a PM-RJ não respondeu até a publicação desta reportagem.

No Brasil, mais policiais se suicidam do que morrem em confrontos 2

Com 104 vítimas no ano passado, suicídio acende alerta sobre a necessidade de as corporações prestarem melhor assistência à saúde mental dos agentes

São Paulo — O número de policiais que cometeram suicídio no Brasil em 2018 (104) foi maior que a quantidade que morreu em decorrência de confronto nas ruas (87), enquanto estavam em serviço.

Para especialistas, o volume de suicídios acende um alerta sobre a necessidade de as corporações prestarem melhor assistência à saúde mental dos agentes.

O estresse inerente à função policial e conflitos institucionais, como assédio moral, são apontados pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo como fatores que, em conjunto com outros, podem contribuir para essas mortes.

A Ouvidoria divulgou nesta quarta-feira (25) um relatório em que analisa os suicídios de policiais cometidos no Estado de São Paulo em 2017 e 2018 — os dados nacionais são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados neste mês.

O órgão chama a atenção para a alta taxa de suicídio entre policiais, que é de 23,9, enquanto no total da população o número é de 5,8 por 100 mil habitantes.

Os números mostram que o suicídio é a principal causa de morte dos policiais civis paulistas, superando as mortes decorrentes de confronto em serviço e de folga. Na Polícia Militar, as autolesões fatais representam a segunda maior causa de morte, atrás dos assassinatos sofridos na folga, mas à frente dos óbitos ocasionados por confrontos em serviço.

“A pesquisa aponta que há necessidade de ampliar o suporte à saúde mental dos policiais em São Paulo”, disse o ouvidor, Benedito Mariano.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados com o tratamento certo.

O estudo paulista elenca oito fatores que, em conjunto, podem contribuir para esses casos. São eles: estresse inerente à função policial; falta de suporte de serviço de saúde mental; depressão; conflitos institucionais; conflitos familiares e problemas financeiros; isolamento social, rigidez e introspecção; subnotificação de tentativas de suicídio; e fácil acesso a arma.

Os pesquisadores destacam que, corriqueiramente, os pensamentos suicidas estão associados a problemas da saúde mental, como depressão. Mas é o estresse inerente à função policial que é citado com destaque nessa lista de fatores.

“O policial deve começar a lidar com isso já na academia e tem de existir um programa que o acompanhe ao longo da carreira. Não adianta só dar viatura, armamento e uniforme e não cuidar da saúde mental”, apontou Mariano.

A psicóloga Beatriz Brambilla, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, reforça que não é uma única dimensão que produz a motivação das vítimas.

“A ideia do multicausal é que se possa compreender o fenômeno na totalidade. Então a pessoa que está em sofrimento não está assim por uma questão interna ou porque ela tem uma fragilidade ou inadaptação. Temos de compreender que há questões que são do sujeito, mas que há questões sociais.”

Uma dica aos interessados: Revolta de comerciantes e contraventores de toda a Capital se deve ao fato de um poderoso DEPARTAMENTO exigir trimestralidade adiantada 7

Não é mais quinzena, nem mensalinho , alguns tigres querem pagamento trimestral adiantadamente…

A nossa área é livre, eles rosnam!

Cuidado, Dr. Ruy!

O delegado geral, Ruy Ferraz Fontes, diz que está preocupado com as denúncias de corrupção policial envolvendo policiais civis no Centro de São Paulo.

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Policial não é auxiliar – Assine petição em apoio do projeto de Lei Complementar nº 33/19 58

POLICIAL NÃO É AUXILIAR. EU APOIO O PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 33/19.

https://secure.avaaz.org/po/community_petitions/OAPP_SP

O Projeto de Lei Complementar nº 33/19, que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, tem por objetivo conferir justiça e dignidade à carreira dos Auxiliares de Papiloscopista Policiais do Estado de São Paulo.

Por mais de 60 anos*, esses policiais foram denominados de Datiloscopistas Policiais. Acontece que atualmente são classificados como Auxiliares de Papiloscopista Policiais, o que é absolutamente inapropriado, a ponto de desprestigiar tanto os integrantes da carreira quanto a própria instituição.

Não há dúvida de que o termo “auxiliar” é incompatível com o protagonismo da atividade policial. Aliás, essa nomenclatura não é empregada em nenhum dos cargos das polícias militar e federal. E mais, em nenhum outro estado da federação existe o cargo de Auxiliar de Papiloscopista Policial.

Tudo isso demonstra que é fundamental a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 33/19**, para que os Auxiliares de Papiloscopista Policiais do Estado de São Paulo voltem a ser denominados de Datiloscopistas Policiais, em respeito sobretudo ao interesse público.

Fortalecer as carreiras policiais é fortalecer a própria Polícia.

* Em 1925, já havia o cargo de Datiloscopista (Dactyloscopista) da Polícia Civil do Estado de São Paulo: https://uploaddeimagens.com.br/imagens/doe-png-690c51f4-bab2-488b-8471-6259ccbbccfe

** Acompanhe a tramitação do PLC nº 33/19 pelo link: http://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1000263565

MOVIMENTO EM DEFESA DE POLICIAIS DEMITIDOS E EXONERADOS ADMINISTRATIVAMENTE E INJUSTAMENTE, DAS POLÍCIAS MILITARES E CIVIL DE SP 33

AI DR GUERRA:

MOVIMENTO EM DEFESA DE POLICIAIS DEMITIDOS E EXONERADOS ADMINISTRATIVAMENTE E INJUSTAMENTE, DAS POLÍCIAS MILITARES E CIVIL DE SP
Hoje, estamos iniciando uma frente de defesa e mobilização de ex Policiais e Autoridades para ANISTIA E REVISÃO PROCESSUAL, VISANDO A REINTEGRAÇÃO AS INSTITUIÇÕES.
SE VOCÊ CONHECE UM PARCEIRO INJUSTIÇADO, PROCURE-NOS!
GRUPO CORAÇÃO CINZA BANDEIRANTE
(19)991266540
Deputada Estadual Adriana Borgo
#A Luta Muda A Lei

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OAB afirma que derrubada de vetos à Lei de Abuso é um passo civilizatório importante 2

COMPROMISSO COM A SOCIEDADE

Por Fernando Martines

CONJUR

O Conselho Federal da OAB exaltou a decisão do Congresso Nacional de derrubar nesta terça-feira (24/9) os principais vetos à Lei de Abuso de Autoridade. A entidade classificou a medida como “grande demonstração de independência e compromisso com a sociedade brasileira”.

OAB comemorou vetos como compromisso do Congresso com a sociedade e a advocacia
OAB

Os parlamentares derrubaram 18 dos 33 artigos vetados pelo presidente Jair Bolsonaro. Entre os vetos do Executivo que foram derrubados pelo Legislativo estão a punição de um a quatro anos de detenção, e multa, para quem decretar medida de privação da liberdade em desacordo com as hipóteses legais.

Segundo a OAB, a manutenção, na lei, da criminalização da violação das prerrogativas do advogado é uma vitória histórica da advocacia.

“Mas é, sobretudo, uma conquista da sociedade, já que o advogado, indispensável à administração da Justiça, precisa de instrumentos para que a defesa tenha paridade de armas para que a justiça se realize de forma equilibrada”, diz a Ordem.

Leia abaixo a nota:

O Congresso Nacional deu hoje grande demonstração de independência e compromisso com a sociedade brasileira, ao derrubar os principais vetos à lei de abuso de autoridade.
A Ordem dos Advogados do Brasil agradece, em nome da advocacia, aos deputados e senadores, que confirmaram esse passo civilizatório importante.
A manutenção, na lei, da criminalização da violação das prerrogativas do advogado é uma vitória histórica da advocacia. Mas é, sobretudo, uma conquista da sociedade, já que o advogado, indispensável à administração da Justiça, precisa de instrumentos para que a defesa tenha paridade de armas para que a justiça se realize de forma equilibrada.
Trata-se, portanto, de preservar e garantir o direito do cidadão diante de eventual abuso da força por um agente do Estado. A nova legislação vale para todas as autoridades, seja do Judiciário, do Executivo, ou do Legislativo, e significa a subordinação de todos, inclusive dos mais poderosos, ao império da lei.
A OAB, que tem como missão fundamental a defesa do Estado Democrático de Direito, enxerga nessa importante atualização legislativa um grande avanço para as garantias individuais, para a democracia e para a segurança jurídica.
Diretoria do Conselho Federal da OAB. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico

Sem auxílio psicológico, policiais civis morrem mais por suicídio em SP 9

Cleber Souza e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

25/09/2019 12h40

Divulgação

Resumo da notícia

  • Taxa de suicídios de policiais civis em SP é de 30,3 a cada 100 mil
  • OMS avalia como epidêmico taxa acima de 10 a cada 100 mil
  • Polícia Civil não tem programa para tratar saúde mental de seus agentes

Entre 2017 e 2018, 17 policiais civis do estado de São Paulo tiraram a própria vida. Tendo em vista um efetivo de 28 mil homens e mulheres na corporação, trata-se de uma taxa de 30,3 a cada 100 mil policiais. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), quando se atinge uma taxa de 10 a cada 100 mil, trata-se de uma situação epidêmica. Ou seja, a taxa de suicídio na corporação é três maior do que a aceitável pela OMS.

A taxa de suicídios entre policiais civis é seis vezes maior do que a taxa dos mortos em serviço (5 a cada 100 mil). Os dados foram divulgados pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo na manhã de hoje, com o objetivo de apresentar ao estado, com recomendações, para que haja políticas de segurança pública que reduzam o índice.

Apesar de o índice ser alto, a Polícia Civil não tem programa nem suporte para a saúde mental, segundo o ouvidor Benedito Mariano. “Precisa começar do zero na Polícia Civil. O sucateamento dialoga com o estresse do policial, porque tem que fazer o serviço de dois ou três. Existe uma negligência com relação à saúde mental dos policiais civis de São Paulo”, disse.

Carlos*, 48, era investigador na polícia civil. Segundo a pesquisa divulgada hoje, cometeu suicídio em 2018, durante a sua folga, por disparo de arma de fogo contra a própria cabeça. Ele era considerado por pessoas próximas como alguém ansioso. Tinha um relacionamento distante com seus colegas de trabalho e um histórico de descontrole emocional durante as ocorrências.

Segundo o ouvidor, existem sete causas principais para os suicídios dos policiais. “Sempre vai ser mais que uma motivação. Se o estresse é uma das causas, precisa ter programa de saúde mental. Também há transtornos pós traumas, ou de enfrentamentos ou de acidentes, falta de suporte à saúde mental, depressão ou adoecimento mental, conflitos institucionais, conflitos familiares e problemas financeiros, além do isolamento social, rigidez e introspecção.”Benedito Domingos Mariano, ouvidor da Polícia de São Paulo - 8.fev.2018 - Rafael Roncato/UOL

Benedito Domingos Mariano, ouvidor da Polícia de São Paulo

Imagem: 8.fev.2018 – Rafael Roncato/UOL

“O policial é treinado para ser guerreiro e forte. Esse preconceito contribui para que o policial não procure ajude, se isole”, afirmou o ouvidor. Em 85% dos casos de suicídios, o instrumento utilizado pelo policial foi a arma de fogo. “Para ele não perder a arma, com que ele faz bico em hora extra, ele deixa de procurar ajuda psíquica, é um outro problema encontrado”, complementou.

No ano passado, por exemplo, um auxiliar de papiloscopia, que atuou na Polícia Civil por 11 anos dos seus 38 de vida, mas que não teve a identidade revelada, se suicidou durante a folga em São Paulo. Francisco*, deu um tiro na própria cabeça. Era bastante reservado no ambiente de trabalho.

Rogério Giannini, presidente do CFP (Conselho Federal de Psicologia), afirmou que o índice da Polícia Civil é “alarmante”. “Se a gente olhar na sociedade como um todo, a gente diria que há um sintoma que mostra que algo não está indo bem. E a polícia faz parte desse sintoma”, pontuou.

Beatriz Brambilla, do CRP (Conselho Regional de Psicologia), disse que “existe uma série de causalidades que produzem o suicídio, mas que não é uma única questão que produz. A gente precisa entender o fenômeno na totalidade. Há questões do sujeito e há questões sociais”.

* Os nomes foram preservados.

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/09/25/suicidio-e-principal-causa-de-morte-de-policiais-civis-em-sao-paulo.htm

Quem é o escrivão que há anos molesta sexualmente mulheres que buscam socorro na Delegacia do Guarujá…Por que tem delegado que finge que nunca soube dos abusos de natureza sexual , mesmo rotineiramente ouvindo relatos de vítimas? 7

Policial suspeito de cometer estupro em delegacia é afastado em SP

Os fatos continuam sendo investigados e os resultados podem causar o afastamento do policial de suas funções, além de sua demissão. Ele não possui mais acesso ao sistema policial, como boletins de ocorrência, onde encontrava celular e endereço das vítimas.

De acordo com o G1, a Corregedoria da Polícia Civil já possui indícios suficientes que comprovem parte dos crimes. O celular do agente foi apreendido e continua sob domínio da investigação.

O policial, segundo as vítimas, aproveitava a presença delas na delegacia para colocá-las em uma sala e mandar fotos de seu pênis ou fazer perguntas obscenas. Ele costumava dizer que estava excitado ou que tinha vontade de sair com elas. Em um dos casos, durante um depoimento, ele chegou a passou a mão por dentro da calça ao dizer para uma vítima que ela era muito gostosa.

Crédito: Arquivo Pessoal

 

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Essa cultura de ficar passando  pano para esse tipo de gente só demostra o quanto alguns delegados de polícia amam a própria carreira e a Polícia Civil.

Falta de moral e autoridade, lastimável!

A Polícia Civil não possui recursos para comprar papel higiênico…Tem para comprar fuzis T4 da Taurus ? 17

Taurus vence licitação internacional e irá fornecer fuzis T4 para a Polícia Civil de São Paulo

Diana Cheng – 24/09/2019 – 16:36

Denarc completa 32 anos de combate ao tráfico em São Paulo…( Apesar de, infelizmente , alguns que por lá passaram buscarem apenas um pedaço do milionário narcotráfico ) 7

Denarc completa 32 anos de combate ao tráfico em São Paulo

Unidade especializada já retirou das ruas cerca de cinco toneladas de drogas, apenas nos primeiros oito meses de 2019

Atuar tanto na repressão quanto na prevenção do tráfico de entorpecentes, primordialmente na Capital, mas excepcionalmente em todo o Estado. Esta é a atribuição primária do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico, o Denarc, que completa 32 anos neste dia 24 de setembro.
Sediado no bairro do Bom Retiro, na zona norte da Cidade de São Paulo, o departamento atualmente conta com os serviços de 235 policiais e com o suporte de 150 viaturas. Apenas nos oito primeiros meses deste ano, esta estrutura foi capaz de entregar números significativos para o sistema de segurança pública paulista: foram 311 prisões efetuadas e cerca de cinco toneladas de entorpecentes apreendidos.
Organização
O Denarc é composto por unidades de Assistência Policial, Inteligência e Contra Inteligência. Seis Divisões de Investigações (as Dises) atuam no combate ao tráfico, enquanto a Divisão de Prevenção e Educação (Dipe) ministra cursos e palestras com a finalidade de formar agentes multiplicadores que propaguem a prevenção ao uso de drogas. “A mesma divisão também tem o apoio psicológico àqueles que procuram pelo departamento por estar passando por algum problema relacionado ao uso de drogas”, garante o delegado Helton Luís Jablonski Padilha, do Denarc.
De acordo com o delegado da Polícia Civil, a repressão, por sua vez, se dá por meio de investigação especializada. “Os objetivos são apreender drogas, prender os responsáveis e desmantelar organizações criminosas montadas com esse fim”, garante.
Especializados
Quando os policiais civis são formados na Acadepol, eles aprendem a combater todas as modalidades criminais, mas para integrar uma unidade como o Denarc, é preciso que o policial se destaque, primeiro, em atividades de combate ao tráfico atuando em uma unidade territorial.
“O combate ao tráfico de drogas tem que ser ininterrupto, a existência de um departamento que tem a atribuição exclusiva é de extrema importância, uma vez que seus policiais podem se dedicar totalmente nas investigações voltadas ao seu desmantelamento, o que não ocorre nas delegacias que tem competência mais ampla, já que têm que dividir seu aparato na investigação de outros crimes”, finaliza o delegado Helton Padilha. Com informações da SSP/SP.
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Obviamente, ninguém combaterá o tráfico organizado recebendo o mesmo salário que o tira do plantão do Pronto Socorro ou do tira da portaria, sem demérito aos últimos.
Assim, já que não há nenhum benefício extra pelo maior risco e exposição , fica-se com parte do butim.