11/04/2012 22:53
Policia se corrompe iludida com dinheiro
Delegado-geral, Marcos Carneiro, admite que a corrupção nunca vai acabar, mas os valores estão mudando
Cristina Christiano cristinamc@diariosp.com.br
“Juro, na condição de policial civil, respeitar e aplicar a lei, na luta contra a criminalidade em prol da Justiça, arriscando a vida, se necessário for, na defesa da sociedade e dos cidadãos.”
O novo juramento da Polícia Civil, criado em março deste ano, sintetiza a expectativa da instituição em relação ao trabalho de seus policiais. “Tudo tem de ser feito dentro da lei porque, quem não a respeita, não tem como aplicá-la”, afirma o delegado-geral, Mario Carneiro.
A intenção dele é afixar o juramento na entrada da Academia de Polícia para sua mensagem ficar gravada na lembrança dos recém-chegados. Mas sabe que nem todos vão cumprir a promessa feita no momento de receber a arma e o distintivo. “A corrupção nunca vai acabar. Mas os valores estão evoluindo e, com certeza, ela vai diminuir muito”, afirma.
O delegado-geral observa que o envolvimento de policiais com a atividade criminosa é uma mancha que existe nas polícias do mundo todo e defende a necessidade de utilização de pessoas da própria instituição para realizar a ação corregedora. “O ser humano, de um modo geral, tem a tendência de ser corrompido, mas quando o policial é objeto de investigação, curiosamente, ele não reage porque sabe que, se atingir o colega, estará atacando a instituição. E isso, pelo menos, é o mínimo que o segura”, comenta.
Porta-voz da Corregedoria da PM, o major Levi Felix afirma que, até hoje, não existe estudo que explique o que leva um policial treinado para combater o crime a jogar fora todo o investimento feito pela instituição em cima dele e passar para o lado do criminoso. “Na minha opinião, o serviço de monitoramento do rádio da polícia para quadrilhas, como fariam os soldados suspeitos de envolvimento com arrastões ou explosões de caixas eletrônicos, é uma modalidade que oferece pouco risco e, ao mesmo tempo, é muito tentadora. Ele precisa apenas dar um telefonema para avisar os comparsas”, diz.
Segundo o major Levi, muitas vezes o policial é cooptado pelos bandidos sem saber o motivo e aceita porque a oferta é alta. “Mas, mesmo assim, o risco que ele oferece à sociedade é o mesmo dos criminosos comuns”, afirma.
PROXIMIDADE /Para o especialista em segurança José Vicente da Silva, coronel da reserva da PM, a proximidade do policial com o criminoso dá mais oportunidade para ele se corromper. Essa facilidade, na opinião dele, é maior entre os policiais civis, porque passam mais tempo interagindo com o criminoso.
“Recentemente, em uma operação no Rio de Janeiro para prender um traficante conhecido, a encarregada dos trabalhos contou posteriormente ter ficado com medo de ser morta pelos colegas porque o bandido ofereceu R$ 1 milhão em troca de sua liberdade e o grupo ficou tentado a aceitar. Ela chegava a dormir com a pistola embaixo do travesseiro”, conta.
O deputado estadual e major da PM Olímpio Gomes concorda que a linha estreita entre o criminoso e o policial favorece a tentativa de cooptação. Mas afirma que está na hora de a população dar um basta na corrupção e começar a denunciar as irregularidade que vê. “Infelizmente, embora se diz contra, o cidadão adora encontrar um policial que aceita caixinha quando é pego em erro.”
Olímpio diz que o sentimento do policial bom diante daquele que mancha o nome da sua instituição chega, muitas vezes, a ficar acima da lei. “O comentário da maioria é que um cara desse não merece viver.”








