A escolta que ninguém pediu – PM segue motorista de Haddad 5

O episódio não foi “segurança a dignitário”: Haddad relatou que uma viatura acompanhou seu motorista após deixá-lo em casa; a SSP diz que apura, e o secretário Osvaldo Nico Gonçalves sustenta que se tratou de um mal-entendido ligado a outra ocorrência. Não há base factual para atribuir à PM uma aliança com crime organizado — mas há base política para cobrar transparência, controle e explicação decente.

PM segue motorista de Haddad, SSP NICO chama de mal-entendido e São Paulo aprende que a farda também faz campanha

Na noite de 11 de agosto, o motorista de Fernando Haddad deixou o candidato do PT em casa, na zona sul de São Paulo, e seguiu viagem.

Aí entrou em cena uma viatura da PM, com lanternas, proximidade e aquele jeito muito suspeito de ser e de transformar qualquer deslocamento em trailer de filme policial de segunda categoria.

Haddad disse que a abordagem foi fora do padrão.

A Secretaria da Segurança Pública informou que mandou identificar as equipes presentes na região.

E o secretário Osvaldo Nico Gonçalves, numa velocidade que faria inveja à detetive de seriado americano , concluiu que era um mal-entendido: os policiais estariam numa ocorrência de “quebra-vidro”, com quatro suspeitos presos e nem saberiam que o carro havia levado o candidato.

Quem mentiu ?

A PM ou o Nico ?

No papel, apuração.

Na prática, uma explicação pronta para fazer boi dormir antes de a sociedade saber quem estava na viatura, o que foi registrado, por quanto tempo o veículo foi acompanhado e qual foi exatamente o protocolo aplicado.

Que se identifique os “gatinhos” fardados !

A poesia burocrática diz: “circunstâncias serão esclarecidas”.

O português das ruas pergunta: esclarecidas por quem, em que documento e com quais imagens?

O fato é simples: Haddad levou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral e pediu providências à SSP para sua segurança no período eleitoral.

Não disse que sofreu atentado.

Não acusou este ou aquele policial de crime. Afirmou que houve conduta ostensiva contra o seu motorista.

É o bastante para exigir apuração séria ; não uma esfarrapada desculpa : “não foi nada, circulando”.

O detalhe político é que o caso ocorre dois dias depois de Haddad apresentar o programa “SP Protege”, com promessa de agência antifacção, integração com órgãos federais, força-tarefa para o Porto de Santos e retomada de câmeras corporais de gravação contínua.

A proposta mexe justamente onde parte da cúpula domesticada prefere tratar como assunto de rodapé: controle externo, inteligência financeira, rastreabilidade e crime organizado no andar de cima.

A PM não deveria ser sinônimo de bolsonarismo, nem sua base mereceria virar espantalho de eleição.

Soldado, cabo e sargento não deveriam ser figurantes do balcão de negócios da política palaciana.

Mas a corporação tampouco pode se achar como território imune a controle democrático, crítica pública e escrutínio eleitoral.

A pergunta não é se uma viatura “quis intimidar” Haddad.

Isto a investigação terá de provar ou descartar com fatos.

A pergunta é outra: por que, quando o alvo do constrangimento é um candidato de oposição, a máquina estadual parece tão eficiente para produzir a absolvição narrativa antes de produzir a transparência material?

Se foi mal-entendido, ótimo: publiquem os registros, as imagens, o horário, a identificação da equipe e o histórico da providencial ocorrência mencionada pelo Secretário.

Pizza não é esclarecimento; nota oficial não é prova; telefonema de secretário não substitui procedimento.

Em São Paulo, a segurança pública não pode ser escolta seletiva, circo de fuzil ou maracutaia comunicacional.

A farda serve ao Estado, não ao humor político do governo de turno; muito menos ás paixões e interesses políticos da corporação .

E quem não entende isso acaba descobrindo que, na democracia, até o “mal-entendido” tem placa, câmera ( ligada ) e boletim de ocorrência da Polícia Federal.

Um Comentário

  1. Éhhh, qdo o Lula ganhou na última eleição e incomodou muita gente, bem como o Xandão também vem incomodando muita gente ao atuar de forma enérgica e colocando na cadeia diversos criminosos,

    também houve uma certa “investigação” vinda de alguns militares bandidos para que fosse identificado os lugares onde estavam Lula, Alckmin e o Xandão. Inclusive, a provável missão criminosa só não dei certo por Deus.

    Então, longe da intenção de fazer acusação, mas o Haddad deve sim ficar bem atento pq no Brasil está cheio de criminosos covardes.

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  2. Mas…é para tanto, meu caro Dr. Guerra?! Segundo o relato, o motorista de Fernando Haddad deixou-o em sua casa, na zona sul de SP, e depois disso, em seu retorno, teria supostamente sido “perseguido” ou “acompanhado” ostensivamente por uma viatura da PM. Sejam quais forem as explicações ou “desculpas”, antecipadas, se verdadeira a denúncia do motorista (e pode até ser que não seja), o fato é que, sem Haddad dentro do veículo, qual o sentido de alguma equipe ostensiva da PM promover o “acompanhamento” alegado?! Fernando Haddad é uma pessoa do bem; idealista e ideologicamente definido. Tem uma família bem constituída e vida pessoal, profissional e política sem arranhaduras. Está na prateleira de cima dos poucos políticos honrados deste país. E, diga-se, não é daqueles que se amedrontam ou se deixam constranger com facilidade. Talvez somente Lula consiga fazer isso, sem armas nem sirene, tanto que já o colocou em duas enrascadas eleitorais: a disputa da presidência e agora do governo do Estado, enfrentando Tarcísio de Freitas, justamente num Estado onde o PT é mais mal visto que o PCC. Que se investigue, sim, pois pode até ser também obra de algum policial que tem mais merda na cabeça do que se possa esperar. Mas Haddad não deve fazer disso um meio para tentar ganhar alguns votinhos, porque não faltará quem diga que esse “acompanhamento” foi privilégio e não prejudicial.

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