Policial militar é executado durante a madrugada em um bar de São Vicente 33

Assassinato
pmDe A Tribuna On-line

Um policial militar morreu após ser baleado por um homem que atirou na direção dele. O crime aconteceu na madrugada deste domingo (30), em São Vicente. Mesmo ferido, Luiz Henrique Ribas da Silva, de 45 anos, conseguiu reagir e disparou contra o atirador. Ambos morreram a caminho do hospital.

Segundo informações da polícia, o agente estava em um bar no bairro Catiapoã. Um homem entrou no estabelecimento e atirou contra Silva. Mesmo ferido, ele revidou e atingiu o autor dos primeiros disparos.

Silva foi encaminhado para o Hospital Municipal de São Vicente, onde veio a óbito. O outro homem faleceu ao dar entrada no Pronto Socorro da Zona Noroeste de Santos. A polícia apreendeu no local a arma do policial e duas bicicletas.

Nota de falecimento

Em nota, o Comando de Policiamento do Interior Seis, Baixada Santista e Vale do Ribeira, e o Comando do 39º Batalhão de Polícia Militar do Interior, em São Vicente, lamentou a morte do policial.

De acordo com a corporação, Henrique Ribas da Silva estava de folga, em trajes civis, quando foi alvejado. O policial chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.

Ainda segundo o Comando da PM, o policial estava na corporação há 23 anos.

Mais mortes

Outras duas pessoas foram baleadas em São Vicente durante a madrugada. Por volta das 2 horas, Januário Bispo dos Santos Junior, de 32 anos, foi morto a tiros e encontrado no chão da Rua Abide Dibam, no bairro Cidade Náutica. Segundo informações da polícia, não houve testemunhas.

Logo depois, às 2h15, José Luiz Ferreira da Silva, de 30 anos, também foi encontrado morto na Rua Stélio Machado Loureiro, na Vila Nossa Senhora de Fátima. Segundo testemunhas, dois homens com capacetes passaram no local e executaram a vítima.

O petrolão não é um fato isolado 11

30 Nov 2014

 

SERGIO FAUSTO

Ante os fatos estarrecedores que surgem na apuração do escândalo da Petrobrás, o governo empenha-se em tentativas disparatadas de ora borrar a singular gravidade do esquema de corrupção descoberto, ora atribuirá os méritos pelo desenrolar desimpedido dos trabalhos da Polícia e do Ministério Público Federais, como se isso não se devesse à autonomia constitucionalmente assegurada a esses órgãos do Estado brasileiro. Melhor teria feito o governo se não tivesse solenemente ignorado, desde 2009, os alertas do TCU de que havia algo de muito errado acontecendo na maior empresa brasileira

O disparate chega a tal ponto que dias atrás o ministro da Justiça se aventurou em análise sobre a “cultura brasileira” para “explicar” as causas do petrolão. A culpa seria de todos nós, supostamente tolerantes com a prática diária de atos de corrupção, como se o assalto continuado aos cofres da Petrobrás, perpetrado pela associação criminosa de agentes públicos, atores políticos e um cartel de empresas privadas, fosse fenômeno equivalente ao pagamento de propina ao guarda da esquina para evitar uma multa de trânsito. Por mais reprovável que seja este ato, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, muito mais grave aquela, por suas repercussões gerais, do que esta. Trata-se de uma obviedade que não deveria escapar a um homem esclarecido e normalmente sensato como José Eduardo Cardozo. É que mesmo as mais lúcidas cabeças do governo andam confusas nos dias que correm.

O rei está nu

No caso, a nudez decorre da revelação de um padrão de desvio de recursos públicos que é novo não apenas por sua escala, mas também porque é parte integrante de um fenômeno político inédito no Brasil: a formação de um bloco de poder articulado por um partido com máquina política e sindical, que mobiliza os instrumentos de um Estado em expansão desregrada para cooptar setores do empresariado e da sociedade e assim tornar viável seu projeto de hegemonia política duradoura. A captura de empresas estatais, agências reguladoras, bancos públicos e fundos de pensão é uma operação constitutiva desse modelo e de sua perpetuação (não um acidente de percurso). Nele há uma peculiar acoplagem dos interesses políticos dominantes à ideologia de que cabe ao Estado o papel de líder e motor do desenvolvimento. Os ideólogos de boa-fé, imbuídos do propósito de fazer a grandeza do Estado e da Nação, não raro confundidos como uma só e mesma coisa, preparam inadvertidamente o terreno ideológico e operacional, quando têm poder para tanto, em que vicejam esquemas de corrupção nos moldes do petrolão

Com a bonança econômica dos anos Lula, propiciada em boa parte por condições externas muito favoráveis, com a oposição enfraquecida social e politicamente, o modelo rodou a mil por hora. Havia condições financeiras e políticas para contemplar todos os apetites, os legítimos e os ilegítimos. Como costuma acontecer em momentos de euforia, os operadores do modelo – e, por favor, não confundamos os “de boa-fé” com os “de má-fé”– perderam a noção dos riscos econômicos e/ou criminais em que incorriam. Os “de má-fé” experimentaram até recentemente a sensação de impunidade que só o poder aparentemente irrefreável é capaz de oferecer

O petrolão não pode ser analisado isolado. Ele é o sintoma mais grave de uma doença que se instalou nos fundos de pensão, nos quais o PT passou a controlar a representação governamental e dos empregados, quando antes havia equilíbrio de forças; nas agências reguladoras, em que a nomeação por critérios técnicos foi substituída pela ocupação partidária; nos bancos públicos, cujas diretorias se abriram aos partidos, a ponto de o tesoureiro de um deles ter sido recentemente nomeado para uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal  para ficar apenas em algumas referências.

Dizer que já havia corrupção nas relações entre agentes públicos, atores políticos e empresas privadas antes de o PT chegar ao poder é afirmar o óbvio. Nessa matéria nenhum partido é puro, nem aqui nem em nenhuma parte do mundo. Não se trata, portanto, de apontar mocinhos e bandidos, mas de verificar em que medida essas relações vão ganhando forma de organização criminosa e penetrando as estruturas do Estado e do sistema político. No limite, dá-se a constituição de um poder paralelo e oculto que comanda o jogo político e empresarial, sob a carapaça da legalidade formal do Estado democrático. É o que aconteceu na Itália, onde até o venerando Giulio Andreotti, diversas vezes primeiro-ministro, se tornou parte integrante da rede mafiosa desbaratada pela Operação Mãos Limpas, no início dos anos 1990.

É desse risco que o Brasil possivelmente se está livrando com a operação Lava Jato, se ela produzir os efeitos desejados na esfera penal. A corrupção que ganhou forma nos últimos 12 anos não é moralmente mais condenável do que a que a precedeu. Mas é politicamente mais perigosa, pela imbricação sistemática de partidos, instituições do Estado e cartéis de empresas de grande porte, num esforço coordenado para desviar recursos públicos com o fim último de perpetuar no poder o mesmo sistema que engendrou ou permitiu a ação criminosa organizada. Não é que exista um gênio do mal por trás de tudo isso. O que temos é uma lógica de poder que, se não for quebrada, produzirá um mostro que possivelmente fugirá ao controle mesmo dos que se imaginavam capazes de controlá-lo.

Claro que reformar o sistema político é imprescindível para reduzir as chances de novos petrolões e fortalecer a democracia. Para isso, no entanto, nada é mais importante agora do que traçar com nitidez a divisória que separa a legalidade democrática da atividade criminosa, punindo exemplarmente os que cruzaram essa fronteira, não importa a cor partidária que tenham ou os interesses que representem.