Golpes antigos resistem e fazem novas vítimas em SP 8

GIO MENDES CAMILLA HADDAD – Jornal da Tarde

Os golpes são conhecidos há décadas, mas ainda fazem vítimas na capital paulista. Desde os anos 40, com a popularização da loteria federal, estelionatários abordam pessoas nas ruas para vender um bilhete premiado por uma quantia irrisória. No mês passado, uma aposentada de 80 anos quase perdeu R$ 25 mil na Vila Formosa, zona leste, ao cair na conversa de uma golpista que estava abrindo mão de um prêmio de R$ 440 mil.

O “golpe da recompensa”, que surgiu nos anos 90 e no qual o criminoso deixa cair um pacote de dinheiro ou um cheque no chão para ser recuperado pela futura vítima, também foi registrado recentemente na região da Avenida Paulista. Estelionatários ainda costumam aplicar com frequência nas ruas do centro da cidade o “golpe das três tampinhas”, tão velho quanto o do bilhete premiado. Neste, a vítima tem de acertar em qual das tampas está escondida a bolinha. Ela pode até acertar, mas o golpista conseguirá fazer a bola sumir do local indicado.

A moradora da Vila Formosa só não entregou o dinheiro para a golpista e a comparsa dela, que fingiu pagar metade do valor pedido pelo bilhete, porque o gerente do banco Bradesco da Praça Doutor Sampaio Vidal ligou para a polícia. O caso aconteceu no dia 14 de fevereiro. O gerente quis saber o que a idosa faria com tanto dinheiro e ela revelou que iria comprar um “bilhete premiado”. As duas golpistas, de 44 e 63 anos, foram presas, mas saíram da delegacia no mesmo dia, depois de cada uma delas pagar fiança no valor de quatro salários mínimos.

O delegado Manoel Camassa, especialista em casos de estelionato, não se surpreende com o fato de golpes antigos ainda serem executados com tanto sucesso por criminosos. “O estelionatário é um ator que domina a arte de trapacear e enganar com conversa fiada. Se precisar chorar, ele chora. As vítimas ficam envolvidas com a lábia dele”, diz Camassa. Para o cientista político Guaracy Mingardi, especialista em segurança pública, os golpistas conquistam as vítimas com a ideia do dinheiro fácil. “Todos os golpes têm um mesmo fundamento, que é o de apelar para a ganância das pessoas”, diz Mingardi. Ele afirma que os criminosos têm paciência para encontrar uma vítima que não conheça seus truques. “Se ele tentar enganar dez pessoas, e apenas uma cair em seu golpe manjado, ele já ganhou o dia”, observa.

De acordo com o capitão Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital (CPC), o alvo preferencial dos golpistas são idosos, mulheres e turistas. “Mas eles analisam muito a pessoa antes de agir, para ter certeza de que o golpe vai dar certo”, afirma o oficial. Segundo o capitão Moisés, muitas vítimas relutam em dar queixa na delegacia. “No caso do ‘golpe das tampinhas’, quando a PM detém os criminosos, a vítima não quer ir até a delegacia com medo de sofrer represália dos golpistas ou porque acha que vai perder tempo”, diz o porta-voz da PM. De acordo com o cientista político, as vítimas evitam procurar a polícia em alguns casos porque se sentem envergonhadas. “Elas não querem admitir que fizeram papel de bobo”, fala Mingardi. As polícias Civil e Militar não têm um levantamento do número e perfil das vítimas desses golpes, mas reconhecem que os casos são frequentes.

Um Comentário

  1. O MAIOR GOLPE O PSDB VEM DANDO HÁ MAIS DE 17 ANOS NO LOMBO DO POVO PAULISTA, E AINDA VÃO ELEGER O SERRA PREFEITO.

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  2. Quando se tem contato com as vítimas nos plantões da vida se percebe claramente o olho grande das vítimas e seus longos anos de vida que os deixam bem Gagás.

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  3. As vítimas somente caem em tais golpes, pois a GANANCIA, fala mais alto. Trabalhar que é bom ninguém quer, agora ficar milionário do dia para noite todos querem.

    Trabalho no fundão do zona leste, e aqui no meu DP, registramos um golpe desses por semana. Ganancia, ou como dizem por ai “zóião”.

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