Do Ceará a São Paulo, governadores vivem embate com suas polícias 32

PORTO ALEGRE, RS, RECIFE, PE, CURITIBA, PR, E BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – Assim como no Ceará, estado administrado por Camilo Santana (PT), de norte a sul do país governadores enfrentam embates com categorias policiais, com tensão elevada em tornos de pautas como reajuste salarial e condições de trabalho, mas que também adentram a pauta política.

Na Paraíba, por exemplo, o clima de tensão entre o governo estadual e as forças policiais é bastante elevado. Nesta quarta-feira (19), parte do efetivo de Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros realizou uma paralisação de advertência de 12 horas.

Uma nova manifestação por reajuste salarial e melhores condições de trabalho pode ocorrer durante o Carnaval. Desta vez, a paralisação, que inclui retirada de policiais em serviço extra e fechamento de delegacias, será de 24 horas.

O movimento desta quarta-feira deixou um saldo de seis viaturas da PM danificadas antes do desfile do bloco Muriçocas do Miramar, que reuniu uma multidão em João Pessoa.

Devido à paralisação, o efetivo da Polícia Militar que estava previsto para a segurança do evento foi reduzido de 800 para 500 homens. O coronel Francisco de Assis, presidente do Clube dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar, informou que o Governo da Paraíba não se posiciona sobre os pedidos das categorias.

De acordo com ele, os policiais querem reajuste salarial de 24%, dividido em três anos, e ainda a incorporação ao salário da chamada bolsa-desempenho, gratificação que chega a 45% do valor dos vencimentos para aqueles que estão na rua. O valor é pago desde 2012.

“Aqui na Paraíba, um dos estados que mais reduziu o número de homicídios, o policial que leva um tiro e fica sem poder ir para a rua recebe como prêmio uma redução de quase metade do salário porque a bolsa-desempenho é cortada”, diz Assis.

O Governo da Paraíba informou que continua mobilizado para chegar a um acordo por meio do diálogo com os policiais.

Em decisão liminar, o desembargador Leandro Santos, do TJ-PB (Tribunal de Justiça da Paraíba), decretou a ilegalidade do movimento e determinou a suspensão de qualquer tipo de paralisação dos serviços policiais.

Na Bahia, após um movimento iniciado em outubro do ano passado por policiais, houve um acordo com o governo, que enviou para o Legislativo um projeto de lei para reorganização da carreira no estado. A proposta foi aprovada no início do ano.

Segundo o deputado estadual Soldado Prisco (PSC), com o acordo, não há sinalização de greve pela categoria. Já houve episódios de confrontos com o governo em 2012.

De acordo com o parlamentar, os policiais ainda aguardam, porém, o envio de outro projeto de lei pelo governo, que promete instituir um plano de carreira para a categoria, proposta esperada desde 2014.

“Mesmo sem greve, há uma ‘greve branca’ porque, com a demora para se cumprir algumas promessas, o policial perde o estímulo para trabalhar”, afirma o deputado.

Em São Paulo, muito longe de atender as expectativas dos policiais, que aguardavam uma valorização histórica, o governador João Doria (PSDB) anunciou em outubro um aumento salarial de 5% para as forças de segurança paulista.

O aumento, que deve valer a partir de 1º de janeiro, foi considerado pelas associações de classe quase uma afronta em razão da discrepância entre a promessa de campanha, quando Doria prometeu o melhor salário do país às suas polícias, e o anunciado, que não repara a defasagem salarial acumulada há anos.

As críticas dos policiais acontecem porque, desde o ano passado, Doria prometia reajustes recordes às forças de segurança paulista para mudar o quadro do estado, que tem um dos piores salários do país.

Com salários parcelados, como no Rio Grande do Sul, e defasagem há pelo menos cinco anos como em Alagoas, servidores da segurança do Norte ao Sul do país têm organizado manifestações. Os protestos partem tanto dos militares como dos civis.

“Se não tiver diálogo, pode acontecer o que aconteceu no Ceará. A gente tem receio que o governo faça o mesmo que lá [avançar com retroescavadeira]. Se fizer isso, vamos tratar na mesma moeda do pessoal lá [tiro]”, diz Ricardo Nazário da Silva, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol-AL).

Os policiais civis de Alagoas estão paralisados parcialmente nesta semana. Eles entregam folhetos à população e organizaram doações de sangue. “Em respeito à sociedade e ao povo, vamos trabalhar no Carnaval. Mas voltaremos a paralisar na quarta-feira de cinzas”, explica o presidente.

A principal reivindicação é por melhores salários. O ensino superior é obrigatório para ingressar na Polícia Civil de Alagoas desde 2007, ainda assim o salário inicial é menor do que os militares com ensino médio, reclamam.

No Rio Grande do Sul, a queixa principal é que os salários sejam pagos no final do mês. “Estamos há praticamente há cinco anos com parcelamento de salários. O governo estadual aprovou medidas que buscam saída para a crise fiscal punindo os servidores públicos”, diz José Clemente da Silva Corrêa, presidente da Abamf (Associação Beneficente Antonio Mendes Filho), entidade que representa os cabos e soldados da Brigada Militar, a PM gaúcha.

“Recebemos diariamente manifestações de descontentamento e desmotivação por causa de todo esse cenário de desprestígio aos militares. Há uma insatisfação grande, uma sensação e revolta. Esse sentimento dos colegas foge da nossa alçada”, diz Corrêa.

Em dezembro, milhares de bombeiros, militares e policiais civis gaúchos, alguns acompanhados de suas famílias, protestaram no centro de Porto Alegre. Os servidores viajaram de diversas cidades do interior para o ato na capital.

Sobre o parcelamento de salários, a Secretaria de Segurança Pública do RS afirma que não são apenas os militares os atingidos, “mas todos os servidores do Executivo, em razão das dificuldades fiscais enfrentadas pelo Estado”. A pasta também afirmou que as categorias da segurança “foram uma das únicas que receberam reajuste nos últimos anos”.

No estado vizinho, em Santa Catarina, os policiais civis se dizem prejudicados pela sanção de Jair Bolsonaro (sem partido) à previdência dos militares. Isso porque, até então, os salários das categorias eram indexados. Eles pedem que o governo estadual aprove sua própria lei sobre o tema, igualando as categorias.

Segundo Paulo Abreu, diretor jurídico do Sinpol-SC (Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina), uma cartilha orientando “operação padrão” foi aprovada pela categoria no final do ano passado.

“A operação padrão é dentro da lei, não é uma greve ou paralisação. Seguimos as normas. Por exemplo, a lei diz que o atendimento ao cidadão tem que ser feito com a presença de dois policiais, mas as delegacias só têm um. Diz que os coletes e munição têm que estar em dia. Se formos seguir isso, ninguém sai para a rua”, explica Abreu.

No Espírito Santo, o clima de tensão entre policiais e governo continua desde que foi enviada proposta de reajuste salarial da categoria ao Legislativo, no último dia 7. A principal reivindicação é pela restituição de perdas remuneratórias acumuladas nos últimos quatro anos.

Com ameaças de paralisações, na terça-feira (18), o Ministério Público estadual emitiu uma recomendação aos sindicatos e associações para que a categoria não realize atos que possam comprometer a ordem pública, como diminuição de policiais nas ruas ou mesmo greve.

O ofício da instituição foi entregue a 10 instituições representativas de classe. O MP pede que providências sejam tomadas em até 72 horas a partir do recebimento da recomendação.

O estado já viveu uma greve policial de 21 dias em 2017. No período, foram registrados 225 homicídios.

O atual governo, de Renato Casagrande (PSB), afirma que diversos pleitos da categoria foram atendidos.

Cita, por exemplo, a anistia administrativa aos policiais que respondiam processos abertos em 2017 e a reestruturação da lei de promoção de praças e oficiais.

Aponta também que foram retomados os investimentos nas polícias, como aquisição de viaturas, armamentos, aumento no valor de diárias e acréscimo de vagas em concurso público em andamento.

Em Mato Grosso do Sul, os militares pedem reposição salarial porque alegam que os vencimentos estão defasados há cinco anos. Em 2019, eles fizeram uma caminhada e paralisaram o trabalho por 24h.

“Por ora, estamos em fase de negociação. Nossa data base é 1º de maio. Estamos iniciando o diálogo, mas não se descarta manifestação ou paralisação. Porém, ainda não é o momento”, diz Thiago Mônaco Marques, presidente da AME-MS (Associação dos Militares Estaduais do Mato Grosso do Sul).

Casos de repressão aos policiais manifestantes e violência por parte da própria categoria, como se viu no Ceará, levantam questões sobre cidadania dos militares.

“A cidadania do policial militar tem sido negada, efetivamente. Como regra, eles não são ouvidos por seus superiores, apenas mandados. Quando se manifestam, são punidos. Ao mesmo tempo, são estimulados e homenageados quando agem com violência. Há uma cultura que associa o PM ao ‘guerreiro’ e que irá também expor os policiais a riscos desnecessários”, diz Marcos Rolim, doutor em Sociologia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e membro fundador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“É evidente que profissionais com formação deficiente e uma história de violência manifestem essas características também quando reivindicam melhores salários”, afirma Rolim.

“De um lado, um regime hierárquico frequentemente abusivo, que estressa e humilha a tropa; de outro, a ausência de um controle efetivo, interno e externo, sobre a ação policial. Nesse espaço, crescem a violência policial, as milícias e as possibilidades de associação ao crime”, completa.

O governo de Romeu Zema (Novo) enfrentou um ano de negociações e protestos de servidores da segurança pública até chegar ao projeto de lei que estabeleceu recomposição salarial de 41,7% para o setor, mesmo com o estado em crise.

Aprovada pela Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (19), os dois votos contrários a proposta vieram de deputados do Novo, partido de Zema. Um deles, Guilherme da Cunha, vice-líder do governo, diz que o governador foi pressionado na negociação, com ameaças de greves.

“Geraria um caos social semelhante ao que tivemos no Espírito Santo, com saques às lojas do comércio, uma onda de assassinatos e violência. Acredito que o governador pressionado, por essa situação, acabou optando pelo que, diante das opções dele, pareceu menos pior”, disse a jornalistas na terça.

Representantes de policiais militares, ouvidos pela reportagem, discordam. Segundo eles, houve construção na negociação que se arrastou por um ano, onde mostraram cenário de seis anos sem recomposição.

Nota do FLIT PARALISANTE sobre os 92% dos aprovados que tomaram posse : a carreira de Delegado continua bastante atrativa para 230 concursados 61

Nota da ADPESP sobre delegados que não tomaram posse

21 de fevereiro, 2020

A ADPESP manifesta sua preocupação com a publicação de hoje no Diário Oficial do Estado, dando conta de que 20 dos 250 Delegados de Polícia aprovados para o concurso da Polícia Civil do estado de São Paulo (8% do total), sequer compareceram à posse.

Resguardados os motivos de foro íntimo de cada candidato não empossado, logo de partida, resta muito evidente a lamentável constatação: grande parte das desistências se deve ao baixíssimo grau de atratividade do cargo de Delegado de Polícia do estado de São Paulo.

Paradoxalmente ao altíssimo nível de preparação exigido, complexidade das atribuições do cargo e risco de vida envolvidos, o Delegado de Polícia do estado com maior PIB da federação experimenta a notória falta de infraestrutura para o exercício da função e padece nas piores posições do ranking salarial nacional da categoria, mais precisamente no vergonhoso penúltimo lugar.

Para além de nossa preocupação, acreditamos que o Governo deve sensibilizar-se pelo óbvio argumento que identifica na sociedade clamor genuíno pelo aperfeiçoamento de todo aparato de Segurança Pública, em meio ao qual o Delegado de Polícia exerce papel fundamental.

E, também, e principalmente, porque o argumento de suposta economia ao erário ao pagar baixos salários aos seus policiais cai por terra e revela-se, em médio e longo prazo, grande prejuízo, notadamente devido ao custo financeiro e desgaste de trabalho envolvidos no processo seletivo de provas e títulos, o qual já experimenta lacunas dramáticas mesmo antes de seu término, consolidando espécie de ciclo vicioso que não ameniza o déficit de quase 14 mil policiais civis paulistas.

Vale ressaltar também que dos 230 Delegados de Polícia que estão hoje na ACADEPOL, alguns já aguardam convocação para posse em outros cargos públicos mais atrativos, sendo esta circunstância, novamente, agravante lastimável de outra conclusão ligada à primeira, qual seja, de que a economia a curto prazo não justifica o custo de treinamento de policiais que certamente deixarão o cargo na Polícia Civil antes mesmo do fim do curso de formação.

Uma vez mais, o ciclo vicioso da máquina pública girando em falso se acentua: o número de Delegados de Polícia sempre estará muito abaixo do necessário e em descompasso aos anseios sociais de melhora na Segurança Pública.

Por todo exposto, a ADPESP clama ao Governo do Estado que inverta a lógica de desmonte da Polícia Civil e passe a valorizar, efetivamente, seus membros, começando pelo seu chefe institucional: o Delegado de Polícia. Nada obstante, sugere-se como medida paliativa imediata que sejam aproveitados os Delegados de Polícia remanescentes do atual concurso público, preenchendo as vagas já deixadas em aberto.


Quem precisa inverter a lógica do corporativismo é o pessoal da ADPESP.

A quantidade de delegados sempre foi maior do que a necessária.

O problema é que , desde sempre, poucos trabalham efetivamente!

E a divisão de trabalho interna  e  circunscricional  nunca foram racionais. 

No Exército, ordem é reforçar imagem e evitar associação a Bolsonaro 31

No Exército, ordem é reforçar imagem e evitar associação a Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército  - Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Imagem: Marcos Corrêa/PR

Carla Araújo

Colaboração para o UOL, em Brasília

20/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • General que assumiu a Casa Civil diz que Forças Armadas não estão no governo
  • Associação direta do Exército com imagem do governo causa desconforto entre militares
  • Preocupação é eventuais desgastes do governo possam respingar na instituição

Que a chegada do general Walter Souza Braga Netto, que assumiu a Casa Civil, fortalece a ala militar no governo, é um consenso dentro e fora do Planalto. Apesar disso, no quartel-general do Exército, em Brasília, onde fica o comandante general Edson Leal Pujol, a ordem é reforçar o trabalho de instituição de Estado e não associar sua imagem ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O general Braga Netto, que vai para a reserva em junho, disse ao UOL que há uma separação institucional entre a Presidência e as Forças Armadas. “As Forças Armadas são instituições de Estado e, portanto, não estão no governo. Dedicam-se ao cumprimento de suas missões constitucionais, e isso não muda pelo fato de haver militares servindo ao governo”, afirmou.

Desde que chegou ao comando do Exército, em janeiro do ano passado, pouco depois de Bolsonaro assumir a Presidência, Pujol deu ordens às tropas para que se voltassem para o fortalecimento da instituição. De forma reservada, militares da ativa reconhecem que há um desgaste para a Força por essa ligação com o governo.

Na caserna, uma das preocupações destacadas é que desgastes do governo possam respingar na instituição. O Exército, por exemplo, é municiado por pesquisas que mostram que sua aprovação pela sociedade é da faixa de 80%.

“O erro do governo talvez seja o excesso de vezes que recorre às Forças Armadas para tentar solucionar problemas pontuais. Há excelentes quadros entre os militares, mas não se pode misturar as atividades”, afirma um general ouvido pela reportagem.

Segundo outro general que despacha no Planalto, o fato de Braga Netto ainda pertencer à ativa se deve “a uma conjuntura do momento” e não a uma decisão do presidente de atrelar sua imagem à do Exército. “Se ele já estivesse na reserva também seria chamado”, disse. Além disso, uma fonte do Ministério da Defesa destacou que Braga Netto passará para reserva em junho e é um “quadro excelente que estaria à disposição”.

O atual chefe da Casa Civil conhece o presidente Bolsonaro há anos e seu nome foi apoiado pelo ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), também é general da ativa, e pelo ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva.

O ministro da Defesa, conforme a Constituição é o chefe das Forças Armadas, que institucionalmente são subordinadas ao presidente da República. Apesar disso, sempre que pode o general reforça a importância das Forças Armadas serem independentes.

Segundo uma fonte do Exército, a presença de militares no governo não interfere institucionalmente. “O funcionamento do Alto Comando tem isso muito claro”, disse.

Bolsonaro celebra Planalto “completamente militarizado”

UOL Notícias

Entre as polícias de SP, 84% das denúncias sobre abuso de poder incluem PMs 16

Entre as polícias de SP, 84% das denúncias sobre abuso de poder incluem PMs

PM agride mulher grávida no interior de SP - 04.fev.2020 - Reprodução

PM agride mulher grávida no interior de SP Imagem: 04.fev.2020 – Reprodução

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

19/02/2020 14h48

Resumo da notícia

  • Ouvidoria recebeu 848 denúncias de abuso de poder praticado por policiais em 2019
  • 714 envolviam policiais militares, 113 policiais civis e 20 policiais das duas corporações
  • Esses casos são levados à Corregedoria e, por vezes, ao Ministério Público
  • Para especialistas, redução do abuso de autoridade não ocorre porque não gera voto

De acordo com uma lei federal, ocorre um abuso de poder quando uma autoridade, no uso de suas funções, pratica um ato contra a liberdade, direitos e garantias de uma outra pessoa.

Entre as polícias Militar, Civil e Científica de São Paulo, denúncias de abuso de autoridade são feitas principalmente contra PMs, perdendo apenas para relatos de má qualidade de atendimento.

Segundo o relatório anual da Ouvidoria das Polícias, divulgado em 6 de fevereiro deste ano, do total de denúncias de abusos cometidos por policiais no ano passado, 84% deles apontaram envolvimento de PMs.

Os 90 mil PMs, que atuam diretamente no trabalho ostensivo, representam 66,7% dos policiais do estado. Já os cerca de 30 mil policiais civis, que agem em investigações, são 33,3%.

Corregedoria investiga

Esses casos são relatados à Corregedoria da PM, que investiga, e, por vezes, ao MP (Ministério Público), que acompanha a apuração.

Os casos de abuso de autoridade estão categorizados pela Ouvidoria por agressão, constrangimento ilegal, abordagem com excesso, invasão de domicílio, maus tratos a detidos, entre outros.

A exemplo desses casos estão policiais agredindo um estudante dentro de uma escola na noite de ontem, um PM agredindo uma mulher grávida ao ser rendida, agressões deliberadas a jovens em um baile funk, entre outros.

No decorrer de 2019, foram 848 denúncias contra policiais de São Paulo. 714 contra PMs (84,5%), 113 contra policiais civis (11,3%), 20 envolvendo policiais da PM e da Civil (2,4%) e apenas uma contra um agente da polícia técnico-científica (0,1%).

Em 2018, foram registradas 709 denúncias de abuso de autoridade contra PMs de São Paulo. Cinco a menos do que no primeiro ano do governador João Doria (PSDB) à frente do estado.

O relatório foi elaborado pelo então ouvidor das polícias, Benedito Mariano. Ele apresentou o relatório em seu último dia à frente do cargo.

“É necessário rever o protocolo de abordagem da PM, incluindo a obrigatoriedade de citá-lo em todas as preleções diárias nos batalhões. Citar o protocolo de abordagem sistematicamente é uma forma de evitar abusos e agressões nas abordagens”, afirmou.

A reportagem pediu uma entrevista sobre o assunto com o atual ouvidor, o advogado Elizeu Soares Lopes, mas a assessoria de imprensa dele informou que ele não pôde atender ao pedido até esta publicação.

A reportagem também pediu posicionamentos e entrevistas com porta-voz à SSP (Secretaria da Segurança Pública) e à PM (Polícia Militar). Em nota, a SSP informou que “as polícias paulistas contam com um rigoroso sistema corregedor, que não compactua com eventuais desvios de conduta de seus agentes”.

“Todas as denúncias são investigadas e as apurações têm início na área dos fatos e sempre são encaminhadas às respectivas Corregedorias antes do envio ao Judiciário. Esse trabalho resultou, só em 2019, em 510 policiais presos, demitidos ou expulsos das instituições”, afirmou a pasta.

“Redução de abuso de autoridade não dá voto”

Especialistas em segurança pública apontam que o controle a erros cometidos por policiais em São Paulo é difícil porque não há posicionamentos firmes do governo paulista sobre.

Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), afira que “os números da Ouvidoria revelam que abuso de autoridade e truculência têm sido um dos principais desafios ao controle do uso da força envolvendo agentes estatais”.

“Uma polícia sem controle é um risco a democracia. Importante que Ministério Público e Ouvidoria cobrem ações práticas da Polícia Militar para além do afastamento dos envolvidos”, afirmou a especialista.

Rafael Alcadipani, professor de Gestão Pública da FGV (Fundação Getúlio Vargas), complementa que “não há um enfrentamento devido à questão do abuso de autoridade”, porque “existe um clima de permissibilidade à violência policial no Brasil e a agenda de redução de abuso de autoridade não dá voto atualmente no Brasil”.

Para além disso, o professor aponta que o policial, principalmente o patrulheiro, tem que ser, fundamentalmente, um negociador. “Em muitos casos, a primeira coisa que é utilizada é a violência. O policial está estressado, ganha pouco, está em condições de trabalho que deixam a desejar. Parece que qualquer coisa o tira do sério”.

Alesp aprova reforma da Previdência de São Paulo 43

Alesp aprova reforma da Previdência de São Paulo

Com 57 votos favoráveis, reforma deve gerar economia de R$ 32 bilhões em 10 anos e é essencial para a sustentabilidade financeira do Estado

Ter, 18/02/2020 – 22h30 | Do Portal do Governo

resumo em 3 tópicos

  • Reforma da Previdência para os servidores estaduais foi aprovada em 1° turno, com 57 votos favoráveis
  • Governo espera uma economia aos cofres públicos de R$ 32 bilhões em 10 anos
  • Medida é essencial para a sustentabilidade financeira e capacidade de investimento do Estado

Os deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovaram na noite desta terça-feira (18), em 1° turno, com 57 votos favoráveis, a reforma da Previdência para os servidores estaduais, apresentada pelo Governo do Estado. Com a medida, o Governo espera uma economia aos cofres públicos de R$ 32 bilhões em 10 anos.

Por ser uma mudança na Constituição Estadual são necessárias duas votações. O próximo passo é aguardar a 2º e última votação.

A votação ocorreu após o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, suspender a liminar proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e liberar a tramitação da reforma. Com a decisão do ministro, também fica liberada a designação do deputado Heni Ozi Cukier (Novo-SP) como relator especial da proposta.

A reforma é essencial para a sustentabilidade financeira dos recursos públicos e a recuperação da capacidade de investimento do Estado. Garantindo aos servidores o direito à aposentadoria sem atrasos ou redução, assim como a manutenção e ampliação de serviços públicos essenciais, como saúde, segurança e educação.

Em 2018, dos R$ 34,3 bilhões gastos para pagar 550.000 aposentados e pensionistas estaduais R$ 29,5 bilhões vieram de fontes do Governo (86% do total); e somente R$ 4,8 bilhões da contribuição dos servidores (14% do total). A projeção é que em 2022 os gastos com os aposentados e pensionistas ultrapasse o despendido com os 643 mil servidores da ativa.

Os projetos preveem respeito ao teto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) para cálculo dos benefícios, novas regras para pensão por morte e contribuição de 14% para servidores inativos. Serão mantidas regras especiais para professores, policiais e pessoas com deficiência.

Também haverá regras de transição para servidores que já ingressaram no funcionalismo estadual e cumprirem alguns requisitos. Aqueles que já cumpriram os requisitos para se aposentar não serão atingidos pela mudança, e os servidores já aposentados também não sofrerão qualquer alteração no valor de seu benefício por conta do projeto.

Mudanças

Quando as novas regras entrarem em vigor, a idade mínima para aposentadoria voluntária será de 62 anos para mulheres e de 65 anos para homens. Já o tempo mínimo de contribuição passa de 35 para 25 anos de recolhimento.

Com o objetivo de aumentar as receitas e reduzir a insuficiência financeira, também está sendo proposta a elevação da alíquota da contribuição previdenciária de 11% para 14%, mudança que entrará em vigor 90 dias após a aprovação do projeto pela Assembleia Legislativa.

No caso dos policiais militares, o Governo do Estado de São Paulo vai seguir a decisão do Congresso sobre o Projeto de Lei Complementar nº. 1645/2019, que está em tramitação e trata das regras de inatividade de militares.

Também estão contempladas no texto alterações no benefício de pensão por morte, seguindo as determinações da Reforma federal. O benefício passará a ser baseado em sistema de cotas, com previsão de valor inicial de pensão diferenciado conforme o número de dependentes. Haverá desvinculação do valor ao salário-mínimo, entre outras alterações

O Presidente do Brasil não passa de um cafajeste; na canalhice bolsonaristas brancos ou negros são iguais 23

Bolsonaro insulta repórter da Folha com insinuação sexual

Declaração foi referência a depoimento de testemunha com mentiras a CPMI das Fake News; partidos e entidades reagem

BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro insultou nesta terça-feira (18), com insinuação sexual, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha.

“Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]”, disse o presidente, em entrevista diante de um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada. Após uma pausa durante os risos, Bolsonaro concluiu: “a qualquer preço contra mim”.

Bolsonaro insulta repórter da Folha com insinuação sexual
Em entrevista, Bolsonaro insulta repórter da Folha com insinuação sexual – Reprodução/Facebook

A declaração do presidente foi uma referência ao depoimento de um ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp, dado na semana passada à CPMI das Fake News no Congresso.

O insulto de Bolsonaro foi repudiado por representantes de diversos partidos e políticos e por entidades jornalísticas, que consideraram a fala um ataque à democracia.

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) chamou a agressão de “covarde” e pediu à PGR (Procuradoria-Geral da República) que denuncie o presidente por quebra de decoro.

O depoimento à CPMI ao qual Bolsonaro se referia foi de Hans River do Rio Nascimento, que trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018.

Em dezembro daquele ano, reportagem da Folha, baseada em documentos da Justiça do Trabalho e em relatos do depoente Hans, mostrou que uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nome e CPFs de idosos para registrar chips de celular e garantir disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.

Já na CPMI, diante de deputados e senadores, Hans deu informações falsas e insultou Patrícia, uma das autoras da reportagem.

Presente à sessão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, aproveitou a fala de Hans para difundir ofensas e fazer insinuações contra a repórter da Folha, tanto no Congresso como em suas redes sociais.

Sem apresentar provas, Hans afirmou que Patrícia queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”, declaração reproduzida em seguida por Eduardo Bolsonaro nas redes sociais.

BAEP da Região de Presidente Prudente deixa cidades da região sem policiamento 23

Desde a criação fantasiosa do baep que nada mais foi tirar polícia de cidades pequenas e pintar as viaturas da força tática tem causado grande transtorno a cidades menores como exemplo a região de Presidente prudente.

Atualmente no período noturno está tendo somente 1 viatura com 2 policiais para atendimento de ocorrência em 2 cidades.

Esta causando cansaço nos policiais e sensação de insegurança na população.
Algumas cidades que está acontecendo isso são : Estrela do Norte, sandovalina, narandiba, Emilianopolis, Santo expedito, Iepê e Nantes, em todas essas cidades está somente 1 viatura para atendimento de 2 cidades,enquanto isso na sede administrativa do CPI 8 tem efetivo sobrando pro serviço administrativo.
PAPA MIKE
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De Presidente Prudente e de todas as cidades que não sejam sede desse tipo de Batalhão; as quais perderam grande parte do efetivo local para atender interesses políticos e corporativos nada construtivos. 

Lamentável o tipo de gente que tem sido aprovada nos concursos da Polícia Militar…De uns tempos pra cá nem o Oficialato demonstra vocação e equilíbrio 30

PMs são filmados agredindo e xingando pessoas em ônibus no extremo sul de SP

12/02/20 por Kaique Dalapola e Maria Teresa Cruz

No vídeo, um passageiro afirma que estava trabalhando; abordagem teria acontecido porque um grupo de pessoas teria entrado sem pagar

Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra policiais militares xingando e tirando passageiros à força de dentro de um ônibus no Terminal Paralheiros, no extremo sul de São Paulo, segundo o prefixo que aparece na filmagem. As imagens foram postadas na madrugada desta quarta-feira (12/2).

Ponte apurou que um dos policiais gravados seria um tenente do 50º Batalhão da zona sul da capital paulista, que atende a região.

No vídeo, é possível escutar os PMs ordenando “desce”. Na sequência, um dos policiais entra no coletivo e diz: “Desce, caralho! Você também, seu cuzão”. Um passageiro responde: “Você vai me revistar e ver que eu estava trabalhando, mas eu vou descer por respeito”.

O autor da publicação, depois de notar a repercussão, apagou a postagem original em seu Facebook. Nos comentários da publicação, havia a indicação de que a ação da PM teria começado porque algumas pessoas embarcaram no ônibus sem pagar.

As imagens mostram pessoas descendo do coletivo após a ordem da polícia e, na sequência, o policial vai para o corredor do ônibus e, bastante nervoso, atinge algumas pessoas com o cassetete.

Outro lado

Ponte enviou o vídeo à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e à Polícia Militar, questionando se essa é a abordagem adequada a ser feita em uma situação como a exposta nas imagens, mas até a publicação da reportagem não houve retorno.

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9 mortos, nenhum culpado 19

9 mortos, nenhum culpado

Desfecho de inquérito sobre Paraisópolis expõe falhas do controle da polícia

Moradores de Paraisópolis protestam contra a operação policial que resultou em nove mortos durante baile funk – Marlene Bergamo – 14.dez.19/Folhapress

Com o pedido de arquivamento do inquérito militar sobre a ação da PM em Paraisópolis, restou dissolvida a responsabilidade pela morte de nove jovens em dezembro.

Embora continue em andamento a investigação pela Polícia Civil, o desfecho pouco conclusivo dado ao caso na esfera da Corregedoria da Polícia Militar expõe as falhas das instituições incumbidas de responsabilizar agentes de segurança.

Por respeito às mortes dos jovens na desastrosa ação de 31 policiais durante um baile funk, esperava-se que as responsabilidades individuais e coletivas fossem investigadas com o esmero que a gravidade do caso requer. Essa não tem sido a regra, entretanto.

Relatório da Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo, de setembro de 2019, apontou que em 2017 a Corregedoria investigou menos de 3% dos casos de operações que resultaram em morte.

Embora a atuação do órgão esteja inerentemente limitada por fazer parte da corporação, a PM de São Paulo carece até de um modelo que favoreça alguma isenção.

A experiência internacional revela pontos que poderiam ser melhorados, como a criação de um plano de carreira específico para a Corregedoria e serviços de proteção contra eventuais represálias.

Órgãos como o Ministério Público paulista, que não tem exercido o controle externo da polícia a contento, e a Ouvidoria das Polícias, cujo ouvidor foi substituído no dia de divulgação do balanço de suas ações, devem encontrar um ambiente institucional em que possam exercer tais funções. Isso tampouco tem sido a regra.

Tecnicamente, operações de controle de distúrbio —como são chamadas as ações como a de Paraisópolis— devem, pelas regras da própria polícia, priorizar rotas de fuga e não encurralamento.

Os jovens mortos em dezembro não eram da região, o que sugere que não conheciam a área para conceber formas de dispersão.

Além das responsabilidades individuais, ora arquivadas, qual a responsabilidade coletiva da corporação pelos erros nesta operação? Tal pergunta, apesar de fundamental para evitar novas mortes, tarda em ser respondida pelas autoridades policiais e pelo governador João Doria (PSDB).

FOLHA DE SÃO PAULO

Promessa, Deic Regional ainda não tem nenhum policial após quatro meses 16

Promessa, Deic Regional ainda não tem nenhum policial após quatro meses

Nova unidade do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) criada por decreto para Taubaté, em outubro de 2019, é uma das estratégias do governo João Doria para reduzir os índices criminais na RMVale

Xandu Alves@xandualves10 | @xandualves10

O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) Regional de Taubaté completará quatro meses de criação nesta semana ainda sem receber nenhum policial ou de ter a estrutura definida.

A unidade é uma das estratégias do governo João Doria (PSDB) para reduzir os índices criminais no Vale do Paraíba, que tem 5 das 15 cidades com a maior taxa de vítimas de homicídio por 100 mil habitantes do estado.

Por decreto, o Deic Regional Taubaté foi criado em 15 de outubro de 2019.

A previsão da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) é de que a estrutura esteja montada até o final de março (leia texto nesta página). Porém, conforme apurou OVALE, a meta pode não ser cumprida.

Para atender as exigências da nova unidade, a Delegacia Seccional de Taubaté precisa ainda receber novos policiais, que atualmente estão cursando a Academia da Polícia Civil na capital.

EFETIVO.

A Delegacia Seccional de Taubaté opera atualmente com clarões no efetivo e ao menos 10 unidades sem delegado fixo, incluindo plantões e delegacias em cidades atendidas pelo órgão, responsável por 10 municípios com uma população superior a cerca de 615 mil pessoas.

“Os policiais estão fazendo a Academia da Polícia, e não sabemos ainda qual o efetivo virá para Taubaté. O Deic ainda não tem estrutura. Estamos em conversação para definir o local e tudo”, disse José Antônio de Paiva, delegado seccional de Taubaté.

Segundo ele, a expectativa para receber os novos policiais é “por volta de maio” deste ano, após os novos agentes concluírem a Academia da Polícia Civil em São Paulo.

“Devemos receber novos policiais para atuar como escrivão, investigador, delegado e outras carreiras”, afirmou.

Unidade unirá cinco unidades especializadas; SSP prevê abertura no 1º trimestre do ano

O Deic de Taubaté unirá cinco unidades da Polícia Civil: Dise (Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Entorpecentes), DIG (Delegacia de Investigações Gerais) –com o setor de homicídios, a equipe de crimes contra o patrimônio e o GOE (Grupo de Operações Especiais). Também terá o Seccold (Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro).

A nova estrutura ajudará a Delegacia Seccional de Taubaté a manter a tendência de queda nos índices criminais. “Nunca estiveram tão baixos”, disse o delegado José Antônio de Paiva.

Em nota, a SSP informou que a Polícia Civil “tem adotado as medidas administrativas e técnicas necessárias para a instalação da unidade”. E que a previsão é que a “nova unidade entre em operação no primeiro trimestre de 2020”.

https://www.ovale.com.br/_conteudo/_conteudo/nossa_regiao/2020/02/97190-promessa–deic-regional-ainda-nao-tem-nenhum-policial-apos-4-meses.html

Seria até louvável que a ROTA , cumprindo estritamente o dever legal, sacrificasse criminosos violentos no “mano a mano” , mas é praticamente tudo sem necessidade e na covardia 37

Capitão e delegado contrariam comando da PM e pedem que Rota mate mais

09/02/20 por Kaique Dalapola

Filho do deputado estadual Paulo Telhada e delegado usaram as redes sociais para comentar dado da Ouvidoria da Polícia de SP que aponta alta de 98% de mortos pelo batalhão mais letal da PM

Capitão Rafael Telhada atuou no batalhão mais letal da PM de SP | Foto: Reprodução/Instagram

Dois dias depois da divulgação do relatório da Ouvidoria da Polícia de São Paulo que apontou um aumento de 98% no número de pessoas mortas por policiais militares da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) no ano passado na comparação com 2018, o capitão Rafael Henrique Cano Telhada usou as redes sociais para comemorar e estimular nova meta: “200% em 2020”.

Conhecido como Telhadinha, por ser filho do ex-comandante da Rota e atual deputado estadual Paulo Telhada (PP), atualmente Rafael é comandante da Força Tática do 4° Batalhão, na zona oeste de São Paulo.

A publicação do capitão aconteceu como resposta a uma postagem na qual ele foi marcado, na ferramenta de story do Instagram (que fica pelo período máximo de 24 horas). O compartilhamento original mostra uma reportagem do Portal G1 sobre a alta da letalidade do batalhão acompanhada de elogios aos PMs.

Além de Rafael Telhada, o delegado da Polícia Civil de São Paulo Rafael Vallejo Fagundes foi para as redes sociais comentar o aumento no número de mortos por policiais militares da Rota. “Bora dobrar a meta, meus irmão da Rota. Porque enquanto a criminalidade estiver abaixando e o cidadão de bem estiver mais seguro, eu quero mais é que vagabundo se exploda”, escreveu em um comentário de compartilhamento da notícia.

O pai do capitão, deputado Paulo Telhada, também comentou os números do relatório da ouvidoria durante sessão na Assembleia Legislativa. “Parabéns à Rota por ter aumentado o número de mortos”, disse o político. “Porque não são cidadãos mortos, não são inocentes mortos, são criminosos, bandidos”, continuou.

Antes de comandar a Força Tática do 4º Batalhão, Rafael Telhada passou, dentre outros batalhões, pela própria Rota e pelo COE (Comandos e Operações Especiais).

Ponte pediu explicação sobre a publicação ao capitão Rafael Telhada, no entanto, até a publicação desta reportagem, ele não retornou. A Polícia Militar também foi questionada e, por meio de nota, disse que “as opiniões pessoais do oficial são de sua inteira responsabilidade, pois como cidadão, o policial militar tem direito à liberdade de expressão, sendo ele inteiramente responsável por suas declarações”.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) também disse que “as opiniões pessoais do oficial são de sua inteira responsabilidade”. A pasta afirmou ainda que as declarações dos policiais “não vêm ao encontro do posicionamento institucional que sempre será a defesa da vida”.

A nota da secretaria diz que “as polícias paulistas contam com um rigoroso sistema corregedor, que não compactua com eventuais desvios de conduta de seus agentes”. “Todas as denúncias são investigadas e as apurações têm início na área dos fatos e sempre são encaminhadas às respectivas Corregedorias antes do envio ao Judiciário”, continuou.

A SSP-SP informou que o trabalho das corregedorias resultou, em 2019, em 510 policiais presos, demitidos ou expulsos das instituições.

Rafael Telhada comentou alta de letalidade da Rota | Foto: Reprodução/Instagram

Alta na letalidade

A Ouvidoria de Polícia divulgou, na última quinta-feira (6/7), o relatório anual de prestação de contas contendo os números de mortos pelos batalhões mais letais de São Paulo. A Rota continua sendo o que mais mata no Estado.

De acordo com os dados da ouvidoria, das 845 mortes cometidas por PMs no primeiro ano do governo João Doria (PSDB), 104 foram por policiais militares da Rota, sendo que no ano anterior houve 58 mortes. O número supera em mais de três vezes o segundo batalhão mais letal da PM paulista, que é o 2º Baep (Batalhão de Ações Especiais da Polícia), de Santos, com 30 mortes em supostos confrontos.

O posicionamento de Telhada também vai contra a postura adotada pelo comandante da Polícia Militar de São Paulo, coronel Marcelo Vieira Salles, que disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada no último dia 2 de fevereiro, que “o desejável é que não morra ninguém” nas ocorrências policiais.

Na entrevista, o número 1 da PM paulista também disse que “há todo um cuidado do comando da Polícia Militar, da instituição, para combater esse tipo de incentivo [à violência policial]”, e disse que não gosta desse tipo de discurso.

Histórico

O capitão Rafael Telhada tem histórico de participar de ações policiais com morte de suspeitos. Em março do ano passado, enquanto atuava pelo COE, ele participou de uma ocorrência, com outros quatro PMs, que vitimou o jovem Djaedson Roque da Silva Júnior, de 23 anos, em Osasco, região metropolitana de São Paulo.

Na ocasião, os PMs envolvidos na ação disseram que foram atrás de suspeitos de roubarem uma motocicleta e, durante uma tentativa de abordagem, os suspeitos atiraram. No suposto revide, acertaram o rapaz negro. Os próprios policiais levaram o homem para o hospital, onde constatou a morte, fugindo do procedimento regulamentar.

Após essa ocorrência, o capitão também usou o Instagram para exaltar a morte. “O facínora tombou baleado e, socorrido, evoluiu a óbito. Graças ao bom Deus, todos os guerreiros do COE estão bem. A caveira sorriu mais uma vez”, escreveu na ocasião.

Quatro meses depois, a Ouvidoria da Polícia de São Paulo apontou excessos na ação que Telhada participou. O documento enviado à Corregedoria da Polícia Militar paulista, apontou que os PMs se excederam na legítima defesa, pois eram maioria em relação ao homem, baleado quatro vezes, e interferiram na perícia do local do crime, procedimento padrão que não foi feito.

Reportagem atualizada às 13h do dia 9/2 para as seguintes alterações: inclusão da informação de que o delegado Rafael Vallejo Fagundes, assim como capitão Rafael Telhada, também comemorou o aumento de mortes da Rota e estimulou o aumento da violência, e inclusão do posicionamento da SSP-SP. Alteração no título e no texto.

Errata: Capitão Rafael Telhada é comandante da Força Tática do 4º Batalhão. A sigla COE significa Comandos e Operações Especiais.

Comentários

ROTA ensina como forjar flagrante de tráfico para promoção de tenente para capitão…Vergonha mesmo é o Poder Judiciário coonestar essa espécie de fraude; o PCC agradece por mais um associado que futuramente executará um policial e com certa razão 18

Fala guerra.

Achei este vídeo no youtube https://www.youtube.com/watch?v=g27jPw3Pb2c&feature=youtu.be

PMs da Rota alegam receber denuncia anonima e combinam cercar o ponto de drogas. Começa correria na favela e consegue deter um rapaz que alega qie correu pq não tinha ido assinar a carteirinha. Logo em seguida junto a uma arvore localizam uma nécessaire com drogas e dizem que o rapaz havia lançado ali durante a fuga. No entanto a camera acompanha toda a ação e pouco antes de deter o rapaz, dá para ver que não tinha nada nas arvores, tudo registrado pelas cameras. Operação comandada por 1o. tenente (deve ser capitão hoje. Se não publicar eu entendo, tem que ter cuidado com essa escumalha. Passe para a imprensa.

 

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Esses PMs são piores do que bandidos, pois a pretexto de combater um grave crime cometem crimes ainda mais graves.

Nitidamente passam pelos arbustos e nada se vê pelo chão.

Em seguida chega outra viatura , estaciona ao lado da árvore , então ,  milagrosamente,  aparece uma pacoteira de drogas : KIT FLAGRANTE! 

Heróis …Tá se vendo de que calibre!

O PODER DA IGNORÂNCIA – A IURD pela simbólica taxa de 10% administrará as finanças dos PMs garantindo-lhes prosperidade 13

Universal se une a quartéis para amenizar o estresse e dar força a policiais militares

Apresentado em 2018, projeto está sob batuta de um ex-capelão da PM maranhense

Policiais militares participam de programa no Templo da Igreja Universal do Reino de Deus, em São Paulo

Policiais militares participam de programa no Templo da Igreja Universal do Reino de Deus, em São Paulo Zanone Fraissat/Folhapress

RIO DE JANEIRO e SÃO PAULO

Curiosos se aproximam: aconteceu algo no templo? Na manhã da última sexta-feira de janeiro, viaturas da Polícia Militar dominam arredores de uma Igreja Universal do Reino de Deus na zona leste de São Paulo. Nenhuma ocorrência: ali estão para orar.

Homens fardados, suas armas na cintura, tomam os bancos. Cenas afins se repetem Brasil afora, às vezes em quartéis das PMs de cada estado.

Eles saem dessas reuniões com o estômago cheio (servir café da manhã é praxe) e a mente fornida com orações sugeridas por um pastor que, como eles, pode ser militar.

A congregação do bispo Edir Macedo, que já realiza extenso trabalho missionário com presidiários, passou a atuar também na outra ponta. É o UFP (Universal nas Forças Policiais), que se pôs como missão defender “os ensinamentos da Bíblia nas forças de Segurança Pública, Forças Armadas e órgãos governamentais”.

Na internet, alguns definiram o programa como “milícia do Edir Macedo”, outros ressaltaram seu valor como mais um serviço que a Universal oferece para preencher crateras que o poder público não ocupa.

Na pregação acompanhada pela Folha, voluntários da igreja vestiam camisetas com o símbolo do UFP: o formato do distintivo da PM com a pomba e o coração da Universal dentro.

A jornalista Patrícia Lages palestrou sobre educação financeira. ”

Ter inadimplência, para um policial, é pior do que para qualquer pessoa. Imagine estar trabalhando na rua e ter o celular tocando, gente ligando com cobrança”, diz.

( Nota do blog: pelo menos o pastor cobrará o PM por meio do whatsapp )

No fim, um bolo de festa coberto de glacê branco. Nada festivo é um dos temas centrais ao UFP: a saúde mental em frangalhos num país onde mais policiais se mataram (104) do que morreram em operações (87), segundo o 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, lançado em 2019 com números do ano anterior.

“A quantidade de suicídios é absurda. Lidamos com coisas psicologicamente muito difíceis”, diz à Folha o tenente Tiago Pereira de Souza, relações públicas do 19º batalhão da PM-SP.

Ele anuncia ao batalhão: começará uma oração ecumênica. “Aqueles que não se sentirem à vontade, podem se retirar, sem nenhum problema”. A reportagem não viu ninguém sair.

É dentro da Universal que acontece uma cerimônia de entrega de medalhas para aquele pelotão, com cerca de 600 membros. Nessas reuniões, cena comum é a doação de livros com o selo da Universal, como “Casamento Blindado” (dicas matrimoniais elaboradas por filha e genro do bispo Edir) e “Como Vencer suas Guerras pela Fé”.

Muitos ali não são da Universal. Tem quem nem a curta muito, caso de uma oficial que não quis se identificar: Ela diz ter ido a um encontro de casais porque estava com problemas com o meu marido, no Templo de Salomão, mas não gostou do evento.

A cada cinco minutos, segundo ela, o pastor pedia dinheiro. A abordagem do líder religioso que orienta os batalhões é diferente, diz.

A Universal classifica como uma “campanha sórdida contra ela” a ideia de que estaria formando um exército particular de policiais com esse programa. O tenente Souza se dá como exemplo. “Não se fala da igreja, se fala de Deus. Sou da Congregação Cristã do Brasil e participo.”

O motivo da adesão é unânime entre entrevistados: a pressão do trabalho faz qualquer tipo de ajuda ser bem-vinda.

À frente do UFP, o pastor Roni contou, em papo gravado com Edir Macedo, que foi da tropa de choque da PM paulista, quando se tornou “uma pessoa que, poderia dizer, era um perigo para a sociedade”.

A ansiedade era tamanha que dormia com uma arma sob o travesseiro, diz. “Chegou ao ponto de achar que a vida não tinha mais sentido. Era um policial depressivo.”

Ele conta que sua atitude mudou após a conversão. “O indivíduo que enfrentava a polícia… Dentro dele habitava o mal, uma força maior que ele é que fazia ele comete aquela atrocidade. Não conseguia mais ver o homem criminosos, pessoa que eu, policial, tinha que matar.”

À Folha ele exemplifica. Em 2018, três ladrões lhe tomaram carro, documentos e celulares, um deles menor de idade. Acabaram capturados. “Preguei para aqueles rapazes que tinham acabado de colocar uma arma na minha cabeça. Diria que quem tem domínio da palavra de Deus, e sou testemunha, se torna uma pessoa mais humanitária.”

A rigor, não há impeditivo para o trânsito de religiosos em quartéis, diz Rafael Alcadipani, professor da FGV-SP e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Basta lembrar de grupos como os PMs de Cristo e o templo na sede do Bope no Rio, isso para ficar só no segmento evangélico.

O problema é o policial se voltar à Bíblia para justificar uma maior letalidade, afirma. E quem procura acha. As mesmas Escrituras que zelam pelo mandamento “não matarás”, afinal, têm versículos como “se o ladrão for achado arrombando uma casa e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue”.

“Já vi grupos em que os caras colocam a Bíblia junto, para a arma ser benzida”, conta Alcadipani. “Há aqueles que se sentem ungidos por Deus para matar. É a lógica do bem contra o mal, estou do lado de Deus contra o demônio.”

O cabo Fábio Almeida, que vai às reuniões do UFP, diz não ver relação entre os valores bíblicos e os da PM. “A polícia é legalista. Não precisa ter uma religião por trás para nortear o comportamento do policial. Isso vem de berço, além da conduta profissional.”

Já a mistura entre fé e labuta rendeu ao major Roni uma citação na Justiça. Em 2012, a 4ª Vara do Trabalho de São Luís (MA) condenou a Universal a pagar R$ 80 mil por usar militares em sua segurança privada, sentença depois rejeitada no Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão (TRT-MA).

Roni era o superior hierárquico da PM que elaborava a escala de plantões de oficiais na igreja, segundo o Ministério Público do Trabalho, o que foi negado pelas testemunhas ouvidas pela juíza do caso.

A procuradora havia apontado direitos trabalhistas ausentes na prática, como férias e 13º salário, e um acúmulo de atividades que estressava esses oficiais, prejudicando seu desempenho. A igreja, para ela, acabava se valendo de uma força aparelhada pelo Estado em benefício próprio.

Questionada, a igreja afirmou que “a tentativa de ligar um processo de oito anos atrás –e que, ao fim, deu razão à Universal–, com uma pauta sobre um programa social e humanitário, é tentar torcer a realidade para que ela se encaixe numa versão preconceituosa dos fatos”.

O último despacho da disputa judicial foi assinado em 9 de janeiro. Nele, a juíza Angela Cristina Carvalho Mota Luna pede que a Superintendência Regional do Trabalho no Maranhão fiscalize três unidades da Universal em São Luís para verificar se há algum empregado sem registro de ponto ou carteira assinada.

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Verdadeiramente, a IURD não evangeliza ninguém…

Faz um nefasto proselitismo religioso que deveria ser reprimido pelo Governo.

Espiritualidade, religiosidade, crença, fé , devoção , deveriam ser escolhas absolutamente individuais; nunca uma prática institucional.

Batalhão ou qualquer dependência governamental não podem ser empregados para cultos…Ecumênicos ou não! 

“A quantidade de suicídios é absurda. Lidamos com coisas psicologicamente muito difíceis”, diz à Folha o tenente Tiago Pereira de Souza, relações públicas do 19º batalhão da PM-SP. 

Ele anuncia ao batalhão: começará uma oração ecumênica. “Aqueles que não se sentirem à vontade, podem se retirar, sem nenhum problema”. A reportagem não viu ninguém sair.

Tenente Tiago – nome bem a propósito – qual o PM que confiaria na sua palavra e deixaria de assistir esse  teatro de mentiras ? 

Obviamente,  sofreria retaliações.

E mesmo abominando essa prática , não seriam deselegantes com os colegas crentes.

Confiar em Tenente  prosélito já demais, né? 

Sabem o que é psicologicamente muito difícil para um Praça suportar;  muito mais do que trabalhar como um burro e viver endividado? 

É ver a “Instituição” tratar melhor os seus cães e cavalos do que os próprios soldados. 

O Brasil não tem conserto!

A miséria moral e material desta nação pode ser medida pela quantidade de Igrejas católicas , templos evangélicos , Clubes de Rotary e Lojas Maçônicas. 

Tais empresas , algumas – no caso de certas seitas religiosas –  com fins deseducativos e segregacionistas,  sob o pretexto da de fazer o bem à humanidade , abundam em países com as piores condições de saúde e distribuição de renda do planeta. 

Gente saudável , inteligente e próspera não precisa de intermediários entre a íntima fé e o Criador!