Enviado em 14/03/2011 às 12:35 – WINDOR CLARO GOMES
Vamos, jornalistas do Brasil, fazermos “Movimento Cívico pelo Direito ao Envelope”! Isonomia no tratamento com a imprensa, já! Todos com direito, ao menos, ao seu envelope no Shopping. Ou então, “pela imediata legalização do direito à discriminação, na Constituição”!
Pois bem! O Sr. Governador do Estado determinou a apuração da suposta “tramóia para tentar desestabilizar o secretário de Segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto” que estaria fazendo “um excelente trabalho no comando da secretaria” (blog do Reinaldo Azevedo). Paradoxalmente, não teria determinado a apuração sobre a conduta de seu Secretário de Segurança para saber o que de fato se acharia por trás desse encontro e qual seria o verdadeiro conteúdo do envelope por ele entregue ao jornalista da Folha de São Paulo, nesse encontro suspeitíssimo? E qual seria razão de policiais estarem suspeitando e monitorando os passos de tão importante autoridade pública? Apenas a pretensão de desestabilizá-lo ou a convicção generalizada de que ele estaria transitando na contramão da ética pública? Ou não seriam as duas coisas, ao mesmo tempo?
Ou ainda, que não tenha se tratado de monitoramento propriamente, mas apenas e tão somente de um episódio que estaria a revelar suspeitas em seu comportamento?
Será que a imprensa, em geral, não estaria sendo demasiadamente ingênua nessa questão? Sim, por que não parece sequer normal e nem razoável um Secretário de Governo, que gerencia uma área tão complicada e complexa como o é a segurança pública e que tem sob seu comando aproximadamente 150.000 policiais, com um orçamento gigantesco, se ocupando de ter encontros sub-reptícios com um jornalista, fora de seu local e de sua rotina de trabalho, e com alguém que esteja fazendo matérias jornalísticas muito favoráveis a sua área de atuação, na verdade o colocando, no mínimo, como o mocinho aos olhos da população?
O que realmente conteria nesse envelope deveria ser ao menos a mais importante indagação, num jornalismo de absoluta isenção! Seriam informações da pasta que ele dirige? Alguma resposta a alguma consulta formulada pela Folha de São Paulo ou pelo próprio jornalista? Material e dados estatísticos para novas publicações? Ou algo mais escuso?
De qualquer modo, os demais repórteres que cobrem a área de segurança pública, estariam recebendo tratamento com tamanha distinção? Se não, qual a verdadeira razão? E não seria, então, o caso de se estender, a todos, ao menos o direito de um encontro reservado no Shopping com o Secretário Ferreira Pinto? E de também receberem dele um envelope de igual conteúdo? Ou a imprensa endossaria essa grande discriminação?
Assim, para todos que preferem a acreditar num mocinho e num bandido dessa estória, porque não fazermos um “Movimento Cívico pelo Direito a um Envelope”! Se nada de errado existe na conduta do Secretário Ferreira Pinto, vamos ao menos brigar pela “isonomia no tratamento com a imprensa”! E vamos exigir, a todos, o direito, ao menos, a um seu envelope no Shopping. E aos que não concordarem, por quê não um “pela legalização do direito à discriminação, na Constituição”!










