“Tratar os iguais de maneira igual e os desiguais de maneira desigual, Delegado de Policia Marco Antônio Desgualdo”
Há algum tempo atrás o Secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto foi ao shopping Pátio Paulista encontrar-se com o jornalista Mário César Carvalho do jornal Folha de São Paulo. E foi filmado pelas câmeras do shopping.
Por coincidência no mesmo dia e hora encontravam-se lá Policiais Civis e, deu-se inicio a confusão.
Recebi em um envelope da Corregedoria Geral de Policia um dvd com as imagens, achei-as de interesse jornalístico, pois não é comum um Secretário de Estado encontrar-se com um jornalista em um shopping. Se trata-se de entrevista, o normal, o correto, o que manda a boa prática jornalística é o encontro ocorrer na redação do jornal, no estúdio da rádio, no estúdio da televisão ou no Gabinete da autoridade. Portanto, entendi de interesse jornalístico e o publiquei.
A partir dessa data o senhor Secretário passou a atacar a tudo e a todos, dizendo que os Policiais faziam parte da banda podre, a revista veja outorgou-me o título de “radialista ligado e porta voz da banda podre”. Não dei maior atenção pois a matéria era claramente dirigida para tecer loas ao senhor Secretário.
Depois disso, imediatamente o senhor Secretário afastou o Delegado Desgualdo da direção do DHPP, dizendo inclusive que o mesmo havia traído a Administração. Passado algum tempo , o referido Delegado como Divisionário de algum Departamento que não me lembro qual seja, passado mais algum tempo o mesmo jornal Folha de São Paulo noticia que o Secretário de Segurança e o Delegado Desgualdo foram vistos jantando juntos no restaurante Jardim Di Napoli.
Ora,uma mudança muito rápida de atitude. Qual seria o motivo? Ordem superior?De quem e porquê.
Foi instaurado inquérito policial presidido pelo Delegado Délio Montresor, o próprio Diretor Geral da Corregedoria, subordinado diretamente ao Secretário Ferreira Pinto, para apurar não sei o quê, pois crime certamente não ocorreu.
Agora soube que foi instaurado processo administrativo visando a apuração também de não sei o quê. E o estarrecedor é que segundo informações fidedignas o Ilustre Delegado Desgualdo não se encontra no rol dos averiguados.
Parece que o senhor Secretário quer de qualquer maneira punir alguns seja lá qual for o motivo; alguns como o Delegado Conde Guerra são sem nenhum motivo jurídico demitidos e pasmem, aqueles que tiverem a paciência de ler, por haver repercutido uma notícia.
Não entro no mérito se os que citarei são bons ou maus,mas certamente prestaram grandes serviços a Policia Civil,mas , em vista da pressão sofrida, se viram obrigados a pedir aposentadoria, citarei somente dois: Robert Leon Carrel e Ivaney Cayres de Souza.
Pois com certeza ninguém mais consegue suportar a pressão e a perseguição deflagrada contra a Polícia Civil.
Talvez o Secretário vá deflagrar um grande problema político no Estado de São Paulo, quando for quebrado o sigilo telefônico de algumas pessoas. Aí sim quero ver o que poderá acontecer.
Usando um velho adagio popular “o perigo é atirar no que vê e acertar o que não vê”.
Certamente o intuito é tirar o sossego e a tranquilidade das pessoas, mas tenho certeza que ainda temos um Poder Judiciário independente e qualquer ação seja ela cível ou criminal, tem seu final somente no Supremo Tribunal Federal, que está distante da politicalha que se instalou no seio da Polícia Civil. E com certeza reporá as coisas em seu devido lugar.
A citação com que iniciei o texto não é de autoria do Delegado Desgualdo mas ele a citou em uma carta que mandou-me quando ainda era Delegado Geral na época em que o Ministério Público interceptou uma ligação do Delegado Luiz Carlos dos Santos “China”, que a mando do Delegado Desgualdo informava ao então Diretor do Deinter I – Vale do Paraíba, Delegado Antônio Carlos que sua mulher que era Perita fora vista em reunião no Novotel São José dos Campos com bicheiros e donos de máquinas caça níqueis.
João Alkimin