Publicado em 02/07/2013
Deputado Major Olímpio participa do programa Balanço Geral, TV Record de Campinas, e fala da falta de policiais no Estado de São Paulo.
Publicado em 02/07/2013
Deputado Major Olímpio participa do programa Balanço Geral, TV Record de Campinas, e fala da falta de policiais no Estado de São Paulo.
João disse:
02/07/2013 – Esclarecimento sobre GAT para DECAP e DEMACRO
Objetivando atender ao pleito dos associados, a ADPESP encaminhou ofício a Diretoria do Departamento de Polícia Judiciária da Capital – DECAP e do Departamento de Polícia Judiciária da Macro região de São Paulo – DEMACRO, visando obter informações acerca do não pagamento da Gratificação por Acúmulo de Titularidade – GAT aos Delegados de Polícia.
Os dignos Diretores do DECAP e DEMACRO responderam que encaminharam nossas solicitações aos Senhores Delegados de Polícia Seccionais, a quem cabe o respectivo pagamento da gratificação, de quem esperamos ainda as informações pertinentes. Assim buscando dar continuidade às ações que objetivam o pagamento da GAT aos Delegados de Polícia em exercício no DECAP e DEMACRO, o Departamento Jurídico protocolizou no dia 27 de junho de 2013 o pleito de cumprimento da sentença obtida no Mandado de Segurança n° 0003414-61.2011.8.26.0053, onde a ADPESP obteve a concessão da segurança, no sentido de que a Administração Pública seja obrigada ao pagamento da gratificação, inclusive em relação aos atrasados. Tal Mandado de Segurança já havia sido apreciado em grau de recurso, onde a decisão foi unânime a favor da ADPESP.
Os infiltrados
01 Jul 2013
Brasil
Polícias de vários Estados identificam traficantes, gangues neonazistas e até um fuzileiro naval entre os que usaram protestos legítimos para praticar crimes
Por Wilson Aquino
Na quinta-feira 20, durante protesto que reuniu mais de 30 mil pessoas em Brasília, um militar usando um gorro na cabeça, bermuda e com um capacete da PM nas mãos entra no Itamaraty, enquanto manifestantes tentam quebrar a pontapés as vidraças da sede do Ministério das Relações Exteriores. Cercado por policiais militares, ele avisa que é fuzileiro naval antes mesmo de pular as janelas quebradas pelos manifestantes. Ele chega a deitar no chão e é imobilizado pela PM, que pisa em seu braço. Depois é simplesmente liberado. Na semana passada, a Marinha abriu uma sindicância para esclarecer as circunstâncias da presença do militar na manifestação. Há fortes suspeitas de que ele estivesse infiltrado nos movimentos. O regulamento disciplinar militar proíbe expressamente qualquer tipo de participação em manifestações e exige apartidarismo político.
Assim como em Brasília, nas principais capitais do País gangues neonazistas, organizações criminosas, traficantes e bandidos comuns têm se misturado aos protestos legítimos para saquear, roubar, depredar o patrimônio público e provocar confrontos com a Polícia. Integrantes desses grupos já foram identificados por setores de inteligência das polícias estaduais e presos, como o ex-presidiário Rafael Braga Vieira e Edvan Ezequiel Bezerril, traficante da favela Nova Holanda, no Rio de Janeiro.
Conforme apurou ISTOÉ, a estratégia de ação dos infiltrados é traçada bem antes de começar a manifestação. Em Porto Alegre, bandidos da região metropolitana chegam um dia antes na capital, dormem em hotéis com diárias em torno de R$ 10 e saem em bondes, como são chamados, para aproveitar as marchas e cometer crimes. O delegado Hilton Muller, titular da 17ª Delegacia da Polícia Civil, disse que a polícia vem estudando a rotina dos marginais e tenta mapear as formações. Em todo o País, polícias estaduais formaram forças-tarefas para investigar exclusivamente a ação de traficantes, anarquistas radicais, organizações extremistas e também ladrões comuns nos protestos. “O setor de Inteligência da Polícia está filmando as manifestações para identificar essas pessoas. Recebemos informações sobre a ação de traficantes, mas apenas com os apelidos deles, o que dificulta a prisão”, contou o delegado carioca Mário Andrade, que é da Delegacia do Consumidor, mas foi destacado para a missão especial. “Eles se infiltram e se valem do anonimato no imenso contingente de pessoas para cometer crimes”, confirma o delegado gaúcho Marco Antonio Duarte de Souza, do departamento de polícia metropolitana do Rio Grande do Sul. Na quinta-feira 27, numa reunião com o governador Tarso Genro, os próprios líderes das manifestações pediram investigações sobre a possível ação de grupos neonazistas durante os protestos.
No Rio, cerca de 20% das informações referentes às manifestações que chegam ao Disque-Denúncia, canal direto com a população, alertam sobre a infiltração de traficantes nos protestos, segundo disse à ISTOÉ o coordenador carioca Zeca Borges. “Quando eles começam a se organizar para descer para as manifestações, as pessoas de bem das comunidades ligam e avisam”, explicou Borges, que repassa imediatamente as denúncias para os setores de inteligência da Secretaria de Segurança Pública. De acordo com os delegados que apuram a presença de infiltrados nos protestos, já foi possível identificar traços comuns entre os bandidos, independentemente da cidade. O traje quase sempre é bermuda ou calça jeans, tênis e mochila. A maioria cobre o rosto com blusas ou máscaras. A principal estratégia dos infiltrados é se misturar à multidão e definir, ali mesmo, qual é o melhor lugar e hora para começar a arruaça. Também optam por se dispersarem para depredar e roubar o que for possível. A mochila é usada, muitas vezes, para carregar artefatos como bombas de fabricação caseira.
O saldo mais negativo foi registrado no Rio de Janeiro. Uma manifestação pacífica na avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, acabou virando guerra na favela Nova Holanda, que fica nas imediações, na terça-feira 25. Tudo começou quando traficantes desceram da favela para realizar um arrastão na passeata e a PM reagiu. Eles fugiram para dentro da comunidade e a troca de tiros foi intensa. O triste resultado incluiu a morte de dois moradores inocentes, um sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, e sete pessoas que, segundo a PM, eram ligadas ao tráfico. Durante uma das manifestações no Rio, a polícia monitorou Arthur dos Anjos Nunes e encontrou em sua residência faixas com suásticas, armas brancas e soco inglês. Nunes, no entanto, conseguiu escapar do cerco policial e encontra-se foragido. Considerado neonazista, ele já respondia a processo por agressão a guardas municipais.
Por Vasconcelo Quadros – iG São Paulo | 02/07/2013 12:00 – Atualizada às 02/07/2013

Mesmo rejeitada pela Câmara, o espírito da PEC 37 não morreu. A guerra pelo comando de investigações criminais vai ser disputada agora nos tribunais onde as polícias, pelo menos em São Paulo, levam uma ligeira vantagem e contam com a jurisprudência favorável na instância mais alta do judiciário.
Mais: Tribunal de Justiça de SP anula condenação de traficantes com base em grampo
Em entrevista exclusiva ao iG , o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori diz que lamenta a decisão da Câmara e afirma que pela Constituição e a legislação atual as investigações autônomas do Ministério Público são irregulares. Ele rechaça as iniciativas do órgão em presidir inquérito usando a Polícia Militar para grampear telefones de suspeitos.
“O Ministério Público não pode fazer escutas”, sentencia o desembargador. Ele considera as investigações feitas por promotores em São Paulo de má qualidade e diz que o nível de aplicação da Justiça (sentenças condenatórias) é baixo. Procuradores e promotores, segundo ele, também não foram preparados e nem dispõem de aparato para investigar.
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‘PEC 37 não é a PEC da impunidade nem da corrupção’, diz autor
Saratori é um dos poucos dirigentes de cúpula do judiciário a enfrentar o lobby do Ministério Público, mesmo depois de deputados terem derrubado a PEC 37 por avassaladora maioria. Os manifestantes não entenderam que a PEC, segundo ele, não era a favor da corrupção e da impunidade.

“A Constituição Federal é clara ao prever, no art. 144, que a investigação penal cabe à Polícia. O MP nunca teve poder investigatório. Acontece que a jurisprudência do STF e do STJ vinha e vem se firmando contra essa norma. Daí a PEC 37, já rejeitada”, diz ele. “O povo não entendeu. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Houve marketing. Falou em impunidade o povo adere”, acrescenta.
A jurisprudência firmada tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto no Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo ele, tornam ilegais os inquéritos presididos pelo MP. Sartori lembra que a rejeição PEC 37 – uma vez aprovada ela poderia respaldar as investigações até aqui realizadas pelo MP – aumentará o que ele considera como excessos de procuradores da República e promotores.
“O Legislativo é soberano e não me cabe contrariar o deliberado ali. Entretanto, como cidadão, eu lamento o desfecho anunciado porque o MP vai ficando cada vez mais inflado, em detrimento de outras instituições estatais e até dos Poderes estabelecidos, da defesa e das garantias fundamentais constitucionais, como o controle jurisdicional. Não tenha dúvida de que os excessos não serão poucos. Haverá sim muita investigação à revelia do Judiciário”, diz.
Segundo Sartori, o Ministério Público deveria atuar de acordo com as atribuições legais determinadas pela Constituição, que dá ao órgão amplos poderes sobre as investigações. “Não sou contra o Ministério Público. Acho que ele é essencial para o funcionamento das instituições. Mas ele já tem a corregedoria da Polícia, pode exigir a instauração de inquérito, diligências suplementares e tudo o que entenda necessário a bem da investigação. Enfim, ele já tem o controle do inquérito. Quanto aos inquéritos já realizados pelo MP, com base na jurisprudência, bastaria considerá-los válidos”, afirma. Sartori ressalta que o MP “pode quase tudo, desde que não contrarie as clausulas pétreas”.
É consenso no meio judicial e jurídico que a PEC 37 ainda é um caso em aberto. Como a proposta rejeitada era apenas uma redundância jurídica – uma vez que a Constituição determina que polícia investiga e MP denuncia – será necessário então que procuradores e promotores façam passar no Congresso uma nova PEC, dando a eles autorização para investigar. Ainda assim, seria necessário criar uma legislação complementar. Atualmente o MP abre investigações autônomas com base numa resolução de 2007, baixada pelo Conselho Nacional do Ministério Público e considerada juridicamente como uma norma
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2013-07-02/tribunal-de-justica-anula-condenacao-de-traficantes-com-base-em-grampo.html
Tribunal de Justiça de SP anula condenação de traficantes com base em grampo
Segundo desembargador, “interceptação compete à polícia judiciária e não a órgão do Ministério Público”
Amparado em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerando irregular a atuação do Ministério Público em investigações criminais autônomas, o desembargador Marco Antônio Marques da Silva, do Tribunal de Justiça de São Paulo, anulou uma sentença de primeira instância envolvendo a prisão de dois traficantes, ocorrida no ano passado em Andradina, interior paulista.
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Delegada cobra inquérito sobre grampo clandestino em São Paulo
No acórdão, referendando decisão da 6ª Câmara do TJ, ao qual o iG teve acesso, o desembargador determina que a investigação volte à estaca zero. E manda que sejam excluídos do processo as interceptações telefônicas e um relatório do serviço secreto da polícia.
O Ministério Público de Andradina havia usado os procedimentos para conseguir a condenação dos dois suspeitos, Carlos Henrique Alves dos Santos e Josicleia Costa da Silva, condenados, respectivamente, a cinco anos e dez meses e um ano e oito meses. O inquérito e o julgamento terão de ser refeitos.
“A sentença está eivada de nulidade”, escreve Marques da Silva no acórdão em que reafirma a jurisprudência do STF e STJ: “Interceptação compete à polícia judiciária e não a órgão do Ministério Público, o que torna a prova imprestável”.
Ele também critica o relatório do “serviço secreto da polícia”, que foi anexado ao inquérito como prova através de um papel que não tinha timbre.
Marques da Silva citou no acórdão decisões de vários ministros e juristas limitando o poder de investigação do MP, mas destaca a interpretação do ex-ministro Nelson Jobim. “O MP pode requisitar diligências, requerer a instauração de inquéritos ou promover inquérito civil público”, diz um dos trechos da decisão de Jobim. Em outro texto anexado ao acórdão, o ex-ministro afirma que a Constituição de 1988, da qual ele foi relator, rejeitou sete emendas que dariam ao MP a prerrogativa de presidir investigação criminal. E conclui que investigação criminal compete às polícias, o que torna os procedimentos do MP “inconstitucional e ilegal”
ALGUÉM PODERIA EXPLICAR?
Realmente algumas coisas me deixam atônito, há algum tempo atrás o Delegado Conde Guerra foi demitido por repercutir uma notícia, processado por suposto crime contra a honra foi absolvido, outros policiais tiveram a mesma sina…
Mas, sempre existe um mas, no caso aqueles dois Delegados que não supostamente mas evidentemente torturaram aquela pobre escrivã, a desnudaram e para mim forjaram o flagrante, pois em nenhum momento as câmeras que filmaram aquele momento de horror dão a certeza de que o dinheiro foi encontrado em suas roupas intimas, não houve punição, um foi condenado a dura pena de 30 dias de suspensão e o outro a 90 dias.
Definitivamente, uma pena dura e que fará com que pensem duas vezes daqui para frente ao torturar alguém.
Ora senhor Secretário, senhor Governador, ou seja lá quem for da Administração Superior e ai incluo o Delegado Geral e seu Conselho, tomem vergonha na cara!
Isso lá é pena que se imponha à alguém que vilipendiou a honra e a dignidade de outrem? Causa-me repulsa ter que falar sobre isso, mas hoje suas Excelências, pois é assim que os Delegados devem ser chamados, prestam serviços na 5ª Seccional, portanto, acautelai-vos Policiais da referida Seccional, principalmente as mulheres.
E por falar em 5ª Seccional, uma história está me deixando intrigado…
Três marginais foram fuzilados, por armas de grossos calibres no restaurante Café Jornal, acho que seja esse o nome, no Bairro de Moema, o intrigante é que o telefone dos mortos começou a tocar e um policial que estava no local os atendeu e para surpresa do mesmo era um Seccional ligando para o referido marginal.
E no telefone do marginal de nome Marco Aurélio Gomes inúmeras ligações efetuadas para um Diretor de Polícia e portava inclusive cartões de visita do Seccional e do Diretor.
Inexplicavelmente o mesmo marginal de nome Marco portava uma carteira de identidade de policial, isso para mim não traz nenhum espanto, porque porta funcional se compra em qualquer lugar da praça da sé e funcional pode ser xerocada e falsificada, mas e como disse acima sempre existe o maldito mas, portava também uma pistola calibre .45 que pertence ao patrimônio da 5ª Seccional.
Oooooooh dirão todos!
Deve haver algum engano, provavelmente há! Porque quando abriram o armário da 5ª Seccional, lá existia uma pistola idêntica, só que ao que parece doublê daquela encontrada com o marginal morto.
Como isso pode acontecer?
Isso é normal?
Quem será punido?
Acredito que aquele que permitiu que isso ocorresse será condenado, depois de um rigoroso processo administrativo a pena de 1 ( um ) dia de suspensão.
Pelo visto vai bem mal essa 5ª Seccional.
Delegados torturadores fazem parte de sua equipe, armas aparecem nas mãos de delinquentes, cabe a alguém dar a resposta, com a palavra: O Delegado Geral de Policia que é quem nomeia e designa Diretores e Seccionais, portanto, em ultima análise é o responsável direto pelo descalabro por falta de rumo em que hoje se encontra a Policia Civil Paulista.
Justiça Grátis.
Dia 11 de julho grande manifestação na avenida Paulista com caminhada em direção à sede do Tribunal de Justiça de São Paulo pelo fim de todas as taxas cobradas pelo Poder Judiciário e pelo fim da imposição de honorários aos litigantes contra a FAZENDA PÚBLICA.
Fundamento: livre acesso do cidadão ao Poder Judiciário contra a Administração Pública sem o risco de incorrer em despesas já bancadas por impostos coletivos e sem o risco de penalização por meio de honorários escorchantes arbitrados em favor de advogados públicos que recebem salários pagos pela população.
Sálvio Vicente Falbo de Mello
Presidente do MJG – Movimento Justiça Grátis
Publicado em 01/07/2013
Deputado Major Olímpio pede apoio da população para assembleia geral dos Policiais, dia 04 de julho, às 10h, na Rua Galvão Bueno, 782.
O País acordou, Dilma não
02 Jul 2013
Editorial – O ESTADÃO
Já era esperado que as manifestações que sacudiram o País – e ainda continuam a fazê-lo em menor intensidade – levassem a uma queda tanto do índice de aprovação do desempenho da presidente Dilma Rousseff como dos que se mostram dispostos a votar por sua reeleição em 2014. O que surpreendeu e assustou foi o tamanho da queda, registrada na última pesquisa do Datafolha. Em apenas três semanas, a porcentagem dos que consideram seu governo ótimo ou bom despencou de 57% para 30%, Uma perda de 27 pontos – a maior registrada por aquele instituto desde que o ex-presidente Collor, em 1990, congelou a poupança – em tão pouco tempo realmente impressiona.
Aquilo que Dilma e seus aliados parecem não ter percebido é que, se nem todas as insatisfações que levaram às manifestações foram ainda identificadas, entre elas dificilmente deixarão de estar o mau desempenho da economia – com a inflação crescente assustando principalmente as camadas de baixa renda, as mais prejudicadas por ela – e as difíceis relações entre a presidente e sua vasta e heterogênea base de sustentação no Congresso. Esses dois ingredientes, que já seriam suficientes para provocar mal-estar, para não dizer crise, foram potencializados pela ira das mas.
Descontente em especial com a má qualidade dos serviços pelos quais paga caro e com a corrupção que continua a correr solta, e há muito tempo, o povo acordou e está dando seu recado de forma em geral ordeira. Já Dilma e seu governo ainda parecem entorpecidos pela ilusão de que tudo ia pelo melhor dos mundos. Embora se dizendo disposta a ouvir a voz das ruas, a presidente não deu mostras até agora de ter entendido, como deveria, o seu recado. As medidas de natureza administrativa e econômica anunciadas para aplacar a ira dos manifestantes são quase todas requentadas e pouco animadoras. O mesmo se pode dizer das destinadas a combater a corrupção, que não tocaram, nem de leve, em áreas sombrias de seu governo, que voltaram a ser ocupadas pelos correligionários dos que delas foram afastados pela faxina promovida no início de seu mandato.
É tudo isso – mais a constatação de que a presidente não está à altura do cargo – que está por trás do tombo de Dilma na apreciação do povo. E, como a queda diz respeito à eleição de 2014, na qual Dilma está abertamente empenhada, seus efeitos desorientam ainda mais a já desorientada presidente. No cenário em geral considerado mais provável da sucessão – tendo como candidatos Dilma, Marina Silva, Aécio Neves e Eduardo Campos a presidente perdeu 21 pontos em relação à última pesquisa, caindo de 51% para 30% na preferência dos ouvidos pelo Datafolha.
Assustados com o futuro, que começa a ficar incerto, seus aliados – até mesmo o PT – tomam precauções, pedem mudanças no governo e na articulação política e insinuam possíveis rompimentos. O próprio líder no PT no Senado, Wellington Dias (PT-PI), foi tão direto quanto possível para alguém em sua posição. Lembrando os exemplos dos ex-presidentes Fernando Henrique e Lula, que estavam bem colocados antes de se candidatarem à reeleição, afirmou que, “se ela (Dilma) estiver bem posicionada em 2014, será a nossa candidata. Isso é o que estamos sentindo nas reuniões do PT”. Senão… Isso explica os movimentos ainda velados de “Volta Lula”.
De imediato, Dilma tem de enfrentar o descontentamento de sua base aliada no Congresso – que já existia e cresceu com o susto das manifestações e sua queda nas pesquisas -com o desempenho dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, da encarregada da articulação política, Ideli Salvatti, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Já é notória a incapacidade das duas ministras na articulação da base parlamentar, que se soma à falta de aptidão da presidente para os entendimentos políticos.
A presidente pode se enganar mais uma vez, se achar, como dá mostras, que vai melhorar sua situação a curto prazo, agarrando-se ao plebiscito da reforma política, porque ele tem a simpatia de 68% da população. Em vez disso, deveria ouvir a advertência – não sem uma dose de ironia involuntária – de seu aliado Carlos Luppi, presidente do PDT, afastado por ela do governo: “Quando o navio naufraga, os ratos saltam”.
O GLOBO
Bandeira da desmilitarização ganha força
02 Jul 2013
Com a onda de protestos, tema é debatido por especialistas que propõem união das polícias Civil e Militar
Vera Araújo
Assunto presente nas manifestações Brasil afora, a desmilitarização das polícias ganhou força no Rio e está entre as principais bandeiras defendidas por diversos grupos. A ação do Batalhão de Operações Especiais da PM no Complexo da Maré – onde dez pessoas morreram na semana passada – acendeu ainda mais o debate. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, propôs a reforma nas polícias. Especialistas acreditam que, antes mesmo de uma proposta de emenda constitucional, é possível fazer mudanças, com a criação de uma academia integrada para policiais civis e militares e treinamento em direitos humanos.
O professor Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, defende a união das duas polícias, Civil e Militar, mantendo-se o que há de melhor em cada uma delas.
– O ideal seria instituir uma nova Polícia Civil integrando as duas corporações, mas conservando elementos positivos de ambas – diz Cano.
Ele é um dos que defendem uma academia única para as duas polícias, citando como exemplo o modelo do Ceará. A medida da Secretaria de Segurança de estabelecer metas fez com que as duas corporações trabalhassem juntas. Ele sugere ainda a unificação do banco de dados e do sistema de radiocomunicação.
O professor de Direito Penal e Criminologia da UFF Daniel Andrés Raizman explica que uma emenda constitucional para a desmilitarização poderia até tramitar em cerca de dois meses. Mas ele acha que, antes disso, podem ser adotadas outras providências:
– A desmilitarização seria uma boa opção, pois quanto menos violência melhor. Mas há soluções a curto prazo para reduzi-la, como o uso de câmeras nos capacetes dos policiais do Batalhão de Choque e a melhor capacitação, com cursos de direitos humanos.
Uma herança da ditadura
Uma desmilitarização em etapas, de forma a quebrar a resistência que existe dentro das polícias. É o que defende a criminóloga Elizabeth Süssekind, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Para ela, os próprios policiais não têm uma noção clara do seu papel. Elizabeth lembra que, no episódio da Maré, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que “o estado foi atacado e reagiu”.
– Não foi o estado que foi atacado. Uma parte das polícias assumiu a ideia de que existe para defender o estado ou o governo. Não é isso. Elas têm que defender direitos, o cidadão. São órgãos com que a população conta para que possa exercer seus direitos de trabalhar, ter saúde, ir e vir, de liberdade de expressão.
Gabriel Siqueira, de 24 anos, do Fórum Contra o Aumento das Passagens, explica a importância da reivindicação:
– É uma conta que pagamos desde a ditadura. A PM ainda atua de coturno, sob o regime da caserna. Um sistema atrasado.
POLÍCIA CIVIL DO ESTADO
CONSELHO DA POLÍCIA CIVIL
Comunicado
O Presidente do Conselho da Polícia Civil publica, consoante
se vê adiante, a lista provisória de nomes indicados à
promoção pelos critérios de ANTIGUIDADE e MERECIMENTO na
carreira de DELEGADO DE POLÍCIA, conforme quantitativo de
vacâncias divulgado pela Portaria C.P.C. nº. 01, de 25 de junho
de 2013, nos termos da Lei Complementar nº. 1.152, de 25 de
outubro de 2011.
I
Para 08 vacâncias existentes na Classe Especial, por Merecimento,
nos termos dos artigos 15 e 16 da Lei Complementar nº
1.152, de 25 de outubro de 2011. (NOME, R.G.):
DR. CÉLIO JOSÉ DA SILVA, 05.688.869; DR. JOSÉ LUIZ
RAMOS CAVALCANTI, 08.570.733; DR. JOSÉ WILSON SPERTO,
04.124.540; DRª. MÁRCIA MELCHERT GIUDICE, 15.275.300;
DR. MARCOS VINÍCIUS GIARETTA DÓRIA VIEIRA, 07.710.851;
DR. NIVALDO PEREIRA DE OLIVEIRA, 09.540.831; DR. PAULO
AFONSO TUCCI, 06.189.916; DR. PAULO ROBERTO RODRIGUES
JODAS, 07.887.520; DR. PAULO SÉRGIO PILZ E CAMPOS MELLO,
11.621.164 e DR. RENATO MARCOS PORTO, 09.903.737.
III
Para 15 vacâncias, 11 existentes e 04 decorrentes na 1ª
Classe, por Merecimento, nos termos do artigo 15 da Lei Complementar
nº 1.152, de 25 de outubro de 2011. (NOME, R.G.):
DR. ALFREDO GAGLIANO JÚNIOR, 08.268.453; DR. CARLOS
HENRIQUE FOGOLIN DE SOUZA, 10.612.664; DR. ETTORE
CAPALBO SOBRINHO, 13.199.389; DR. FÁBIO AUGUSTO PINTO,
11.722.222; DR. FÁBIO LAINO CAFISSO, 09.281.962; DR. FLÁ-
VIO KATINSKAS, 09.303.314; DR. FLÁVIO RUIZ GASTALDI,
10.578.231; DR. FRANCISCO JOSÉ FERREIRA DE CASTILHO,
14.600.900; DR. JOSÉ ANTONIO CARLOS DE SOUZA, 13.862.847;
DR. JOSÉ EDUARDO JORGE, 06.361.343; DRª. KELLY CRISTINA
SACCHETTO CÉSAR DE ANDRADE, 17.236.952; DR. LUÍS
AUGUSTO CASTILHO STORNI, 10.203.368; DRª. MARIA CRISTINA
MORENO QUEIROGA FRUGOLI, 17.335.129; DR. PEDRO LUIZ
DE FREITAS BANIETTI, 10.601.810; DR. SEBASTIÃO VICENTE
PICINATO, 15.644.349; DR. SYDNEY SULLY URBACH, 08.750.516
e DR. WILSON STEVAN DE MORAES, 15.247.155.
Crime multinacional
A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) expandiu a sua atuação, com especial interesse ao tráfico de entorpecentes, para mais 14 unidades da federação (13 estados e o Distrito Federal), além de São Paulo, fazendo-se também presente em países como Colômbia, Bolívia e Paraguai.
Sequer cogitada em um passado recente pela cúpula da Secretaria da Segurança Pública paulista, por minimizar a força da facção no próprio Estado de São Paulo, a expansão do PCC agora é constatada em documento sigiloso do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), sob a gestão do atual secretário, Fernando Grella Vieira.
Denominado Relint (sigla de relatório de inteligência) e obtido com exclusividade por A Tribuna, o documento é deste ano exibe uma completa radiografia da organização, com o seu atual organograma e a menção dos ocupantes dos principais postos de comando, como forma de difundir essas informações ao corpo de policiais civis e propiciar ações repressivas mais eficazes.
Segundo destaca o Relint, o “partido”, conforme os integrantes do PCC a ele se referem, está presente em São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraná , Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Pernambuco, Ceará, Piauí, Paraíba, Roraima e Distrito Federal.
No cenário internacional, o estudo da inteligência da Polícia Civil paulista detecta a estratégica infiltração na Bolívia e Colômbia, países que são fortes produtores de drogas, e também no Paraguai, país de fácil aquisição de armamento e rota de entrada de entorpecentes e armas no Brasil.
Estrutura empresarial
Sob a bandeira de combater a opressão a detentos, o PCC foi criado em 31 de agosto de 1993, por oito presos que cumpriam suas penas no Piranhão, como é conhecido pela população carcerária o anexo da Casa de Custódia de Taubaté, no Vale do Paraíba. Mas a facção se expandiu e passou a planejar e a controlar crimes, em especial o tráfico.
Com o crescimento, e o equivalente aumento da sua arrecadação em dinheiro, decorrente de mensalidades pagas pelos seus integrantes e de recursos provenientes do comércio de drogas, da locação de armas, de roubos, de sequestros e de outros crimes, o PCC passou a ter um gerenciamento que lembra uma estrutura empresarial.
Essa atuação com nuances de empresa é constatada no relatório do Dipol. O estudo da Polícia Civil detecta, atualmente, uma divisão de tarefas, por meio de dez “sintonias gerais”, para cuidar das estruturas financeira, operacional, jurídica, internacional, de controle de pessoal e de “expansão de poder” do PCC.
As sintonias gerais estão subordinadas a uma espécie de conselho gestor composto por sete membros, reconhecidos dentro do PCC como “sintonias gerais finais”.Estas, por sua vez, prestam contas ao líder máximo da facção, ou sintonia geral do comando, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Preso na Penitenciária II de Presidente Venceslau,supostamente de segurança máxima, Marcola é apontado no Relint como umapessoa fria,calculistaedotada de inteligência e intelectualidade superiores às dos demais líderes. Com ascendência psicológica sobre os comparsas, supervisiona as sintonias gerais finais e tem poder de veto sobre as decisões inferiores.
Jurista especializado em organizações criminosas, Wálter Fanganiello Maierovitch faz duas considerações preliminares sobre o Relint. Sobre o caráter reservado do documento, ele dispara a seguinte crítica: “É uma lástima que isso seja secreto, quando a população precisa saber a dimensão dessa rede PCC”. Em relação ao teor do relatório, adverte: “É um quadro dramático, que precisa ser enfrentado”.
Com a autoridade e o conhecimento de causa de quem já foi secretário nacional antidrogas da Presidência da República, o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e fundador e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais lembra que, em dezembro de 2000, a Convenção de Palermo (Itália) já alertava sobre a atuação das máfias e as pré-máfias, como é o caso do PCC.
“O PCC tem controle de territórios, além dos presídios, comandando bairros e morros. Quem tem esse controle também detém o controle social. É uma organização em rede, que nunca teve afetado o seu patrimônio. Combatê-lo é desfalcar a sua economia, mas o Governo faz uma política de avestruz e esconde a cabeça na terra, talvez por não ter capacidade para enfrentar o problema”, afirma Maierovitch.
O Governo paulista “é especialista em culpar as regiões de fronteiras pela entrada de drogas no País, mas não controla os insumos químicos que saem do Estado e são destinados à sua produção. A indústria química nacional não tem nenhum controle”, acrescenta o jurista. Os países andinos produtores de cocaína não possuem indústrias químicas, que existem no Brasil e se concentram mais no eixo Rio-São Paulo.
Comparando o PCC com organizações criminosas mundiais, Maierovitch o classifica de “pré-máfia”. Para alcançar o estágio de máfia, o jurista explica que a facção surgida nos presídios paulistas, mais que solidificar a sua transnacionalidade, deve lavar e reciclar capitais para investi-los em atividades formalmente legais, como faz, por exemplo, a ’Ndrangheta (máfia da Calábria, no sul da Itália, poderosa pelo seu alto faturamento).
A postura da SSP mudou, no sentido de reconhecer a exata dimensão do inimigo para realizar o enfrentamento necessário?
A SSP nunca negou a existência de organizações criminosas. As polícias Civil e Militar usam informações de inteligência para orientar as investigações e operações. Neste ano, aliás, a integração das polícias e o uso da inteligência resultaram em um recorde histórico de prisões e apreensões de drogas. De janeiro a maio, 72.074 bandidos foram presos no Estado – número 18% maior que no ano passado.
A SSP fez ou pretende fazer intercâmbios com as polícias das outras unidades da Federação e até mesmo dos países nos quais as ações do PCC se alastraram? Se fez, algum resultado concreto já foi obtido?
Estes intercâmbios já são feitos. Por meio de acordo com o Ministério da Justiça, foi criada pelo Governo do Estado a Agência de Atuação Integrada, para investigar as ações de organizações criminosas. O órgão, que funciona na sede da secretaria, tem a participação das polícias Militar, Civil, Rodoviária e Rodoviária Federal, do Ministério Público, Receita Federal e Secretaria de Administração Penitenciária. Já realizou mais de 600 prisões e apreendeu mais de 10 mil unidades de armas e explosivos, além de 8 toneladas de drogas. Há, igualmente, intercâmbios dos setores
de inteligência com polícias de outros estados.
Especialista em organizações criminosas, o jurista Wálter Maierovitch comenta que o Relint revela “quadro dramático” e acusa o Governo de São Paulo de ser “especialista em culpar as regiões de fronteiras pela entrada de drogas no País, mas não controla os insumos químicos que saem do Estado para a sua produção”. Qual a posição da SSP sobre o tema?
O controle dos insumos químicos usados na produção de drogas cabe à Polícia Federal e ao Exército, órgãos com os quais a SSP mantém parcerias e realiza operações de combate ao crime.