Entenda por que a PF investiga Tuma Júnior
O secretário nacional de Justiça é investigado por supostas ligações com a máfia chinesa
Foto por Agência Brasil
O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, é investigado pela Polícia Federal por suas relações com Li Kwok Kwen, também chamado de Paulo Li e apontado como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo.
O caso veio à tona na semana passada, com uma série de reportagens publicadas pelo jornal o Estado de S. Paulo que trazem trechos de ligações telefônicas e e-mails interceptados durante seis meses pela Polícia Federal.
Em sua defesa, Tuma Júnior disse que não cometeu irregularidades e informou, em programa da TV Bandeirantes, que vai tirar férias do cargo por “alguns dias” para tentar se defender.
– Eu fui alvo de uma investigação. Ninguém está acima da lei, mas não fui indiciado, não fui denunciado, e o inquérito foi arquivado. […] Não cometi nenhum ilícito, nenhuma irregularidade.
Os procedimentos deram origem à operação Wei Jin, deflagrada em setembro de 2009 e que resultou na prisão 14 pessoas, entre elas Li, acusado de comandar um esquema de contrabando de telefones celulares falsificados e importados da China.
Foi a partir das investigações sobre os negócios de Paulo Li que a PF chegou a suas ligações com Tuma Júnior.
Entenda o caso e saiba quais são as principais suspeitas:
Encomendas – Em algumas ligações, o secretário de Justiça aparece como “cliente” de Li. Ele pergunta ao chinês sobre mercadorias que estaria interessado em adquirir, como aparelhos celulares, computadores, videogame, câmera fotográfica e malas de viagem.
Estrangeiros – O inquérito da PF aponta também que Li conseguia agilizar processos em tramitação junto ao Departamento de Estrangeiros, subordinado diretamente ao secretário, além de intermediar a emissão de vistos permanentes para chineses em situação ilegal no Brasil.
Anistia – Após a aprovação da lei que regularizou a situação de imigrantes que viviam irregularmente no Brasil, em julho, o chinês relatou a Tuma Júnior a existência de um mercado ilegal que agenciava processos de anistia para estrangeiros, algo que segundo a PF ele próprio fazia.
Liberação de contrabando – Tuma Júnior é suspeito de ter usado seu cargo para liberar mercadorias apreendidas que pertenciam ao chinês Fang Ze, suposto integrante da rede de negócios de Paulo Li.
Dólares – O secretário foi gravado em um telefonema tentando reverter um flagrante no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, quando agentes da PF apreenderam US$ 160 mil que estariam sendo levados ilegalmente para os Emirados Árabes.
Lobby a favor de “genro” – Diálogos interceptados pela PF revelam que Tuma Júnior também buscou obter a aprovação do namorado de sua filha em um concurso público da Polícia Civil de São Paulo.
Investigação e explicação – Na última terça-feira (11), a Polícia Federal divulgou nota na qual confirma que a que a Corregedoria Regional em São Paulo emitiu um parecer favorável à instauração de um inquérito policial específico para investigar o secretário por suposta prática de crime contra a Administração Pública. O nome de Tuma Júnior surgiu em quatro operações da PF: Persona, Trovão, Wei Jin e Linha Cruzada.
Antes, na segunda-feira (10), a Comissão de Ética da Presidência da República cobrou explicações sobre o envolvimento do secretário com a máfia chinesa. Ele terá um prazo de cinco dias para se explicar.
Quem é – Tuma Júnior é filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP) e delegado da Polícia Civil. Ele foi deputado estadual entre 2003 e 2007, quando ocupou o cargo de corregedor parlamentar e foi presidente das comissões de Segurança Pública e de Defesa dos Direitos do Consumidor.
Sua nomeação para a Secretaria Nacional de Justiça ocorreu em 2007. Desde abril, Tuma Júnior preside ainda o Conselho Nacional de Combate à Pirataria. Além disso, é conselheiro vitalício do Corinthians e foi diretor do clube.





