A Polícia Civil do Estado de São Paulo está adoecendo e morrendo aos poucos. Para oferecer um trabalho minimamente digno à população, os profissionais estão acumulando funções e trabalhando em longas e, muitas vezes, ininterruptas jornadas. E essa situação se agravou nos últimos anos, quando o deficit chegou a alarmantes 34% do efetivo. Prova maior desse processo que está matando nossos policiais é o aumento significativo do número de suicídios, que mais do que dobrou nos últimos quatro anos.
Os dados revelados pela Academia de Polícia Civil de São Paulo, durante a Palestra de Prevenção ao Suicídio proferida pelo professor Roberto Santos da Silva, são tristes e mostram que, enquanto em 2014 foram registrados 4 suicídios, em 2018 esse número saltou para 10. Durante esse período, 33 policiais tiraram a própria vida.
Nós, do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP), estamos denunciando essa situação há anos. E pouco, ou nada, foi feito para mudar essa realidade. Nossa classe continua arriscando a vida diariamente sem nenhum respaldo por parte do governo. Durante minhas visitas aos delegados de todo interior do Estado, colhemos relatos de policiais que sofrem doenças como depressão e síndrome de burnout. E, pior, há muitos casos de companheiros que, por não terem acesso a atendimento de saúde adequado, atentaram contra a própria vida.
A situação é tão grave que o suicídio está matando mais os policiais que os confrontos com criminosos, conforme revelam dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública ao SINDPESP. Em São Paulo, o número de policiais civis que tirou a própria vida é 150% maior que o índice dos que foram mortos por bandidos durante o trabalho.
Nas condições ideais, a rotina policial já é estafante. Estudos científicos feitos por institutos de pesquisa de vários países mostram que nossa profissão é a mais propensa ao suicídio. Mas quando o profissional tem que atuar sob forte pressão, com os salários mais baixos do Brasil, com uma completa falta de condições de trabalho e estrutura, muitas vezes sem equipamentos de segurança, o resultado é um aumento nos números de suicídios e afastamentos decorrentes de doenças relacionadas ao estresse.
E o pior de tudo é que o atendimento psicológico e psiquiátrico oferecido para as carreiras policiais é muito tímido. O policial está sozinho na difícil luta contra a depressão.
As péssimas condições de trabalho já levaram o Sindicato a recorrer à Organização Internacional do Trabalho (OIT) para denunciar a situação da Polícia Civil. Agora, nossa luta é para que o governo amplie o serviço de atendimento psicológico voltado para os policiais que atuam em todo o Estado. É preciso desenvolver campanhas específicas para a classe e é preciso democratizar o acesso a serviços de saúde.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos suicídios poderiam ser evitados. A palavra-chave é a prevenção. E disso a Polícia Civil está carente. É urgente que o Estado cuide daqueles que estão trabalhando à exaustão e colocando suas vidas em risco diariamente para cuidar de toda a população.
*Raquel Kobashi Gallinati é presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo
Câmara já tentou criminalizar quem paga por sexo e legalizar a cafetinagem, mas nada avançou
Ao longo dos últimos anos as casas de prostituição se espalharam pela cidade de São Paulo. Como não são nem legalizadas nem fiscalizadas, não há números oficiais. Nas últimas semanas a CBN mapeou 47 desses lugares funcionando às claras, com a conivência da Prefeitura e relato de propina para policiais. Há ainda o recrutamento de menores de idade. A Câmara dos Deputados já tentou criminalizar quem paga por sexo e legalizar a cafetinagem, mas nada avançou.
Prostíbulo visto por dentro. Imagem enviada por Whatsapp por um dos cafetões. Foto: Reprodução
POR PEDRO DURÁN (pedro.duran@cbn.com.br)
Você já pensou em ganhar oito reais para fazer um show de sexo ao vivo pela câmera do seu celular ou 15 reais para fazer sexo com alguém?
Com a vista grossa das autoridades, os prostíbulos se espalharam em São Paulo e passaram a operar em sistemas que beiram o profissionalismo. Até mesmo os menores, que tem uma portinha pequena e uma escada que leva a uma sala apertada no segundo andar, estabelecem regras rígidas e oferecem contrapartidas variadas às garotas de programa.
Descobrimos o canal de comunicação entre os cafetões e as garotas. É a última página de um jornal popular de empregos e concursos que é vendido por R$ 1,50 nas bancas da cidade. Com circulação semanal, ele tem entre 70 e 80 anúncios das casas para as prostitutas por edição, o que rende um faturamento de R$ 18 mil nessa única página. Ou seja, lucram com a prostituição, o que também é apontado como crime por especialistas.
Usamos esse canal e encontramos cafetões de casas grandes e pequenas do ABC paulista, do litoral Sul e principalmente da cidade de São Paulo. Pelo Whatsapp eles mandaram as regras de cada lugar para as prostitutas que decidirem frequentar os locais.
“Oi, tudo bem, falamos aqui da Av. Santo Amaro, tá?”
“Qual que é seu nome? O meu nome é Pâmela, tá? Vou estar te mandando por escrito como funciona a casa”
“Meu maior horário de movimento é após as quatro da tarde, que é a hora que os homens saem do serviço”
“Os nossos clientes são mais de média idade e velhos”
“O valor do programa de uma hora é cento e oitenta reais, cem da menina. Meia hora é noventa, cinquenta da menina, pagamento diário, tem comissão de bebidas…”
“Eu não aceito nem lingerie nem biquini. O salto é necessário, tá? É obrigatório, mas você pode colocar uma calça, um body, um top, shortinho jeans, um vestidinho, como você se sentir melhor”
“Uma maquiagem não muito agressiva, uma maquiagem leve, com batom…”
“Sabe, a casa é uma família, eu trabalho com 15 a 20 meninas”
“A gente fornece camisinha, uma toalha por semana pra garota”
“Caso você venha de metrô é só me ligar que eu busco no metrô Penha”
“E tá sem foto aqui no perfil, a gente trabalha com entrevista”
“O mais importante aqui é simpatia e educação, quanto mais simpática você for, mais dinheiro você faz, tá bom?”
Foi assim, por meio de um anúncio desses, que encontramos um cafetão chamado Marcos, que administra dois prostíbulos na Zona Sul da cidade. Conversamos com ele, como se fossemos uma jovem de 15 anos, e ele admitiu que explora adolescentes: sugeriu caprichar na maquiagem e mentir a idade.
“Tem que ver sua aparência. Se você aparentar ser bem menor que 18 anos fica complicado. Nem eu pego e nenhuma outra casa pega, entendeu? Mas nada que, dependendo aí, nada que uma maquiagem bem carregada, resolva, entendeu? Isso aí a gente dá um jeito. Mas eu tenho que ver mais ou menos como é sua fisionomia, entendeu? Igual eu te falei. […] Aliás, casa nenhuma vai falar. Vai falar que você tem quinze anos? Nem toca no assunto. Eu ainda pego dependendo da aparência da garota, se ela aparentar ter mais idade. E ter corpo também”, diz ele.
O desembargador Antonio Carlos Malheiros, consultor de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, explicou que o disfarce pra esconder a idade torna o crime ainda mais grave e que a falta de fiscalização e de ações coordenadas e a negligência da sociedade faz com que esse tipo de conduta seja comum em qualquer lugar do planeta.
“Não é só São Paulo. É Brasil inteiro e mundo inteiro também. São Paulo tem muito, mas nós percebemos isso pelo Brasil afora, América Latina e mesmo na Europa, viu?. É uma coisa realmente horrível que nos aflige mundialmente. É algo incrível, é algo horroroso de vermos nossas adolescentes sendo exploradas dessa maneira”, diz.
Se pagar propina para agentes públicos, fazer vista grossa na fiscalização ou explorar adolescentes e crianças sexualmente são práticas condenadas de Norte a Sul, a prostituição e a cafetinagem são bem mais polêmicas. Prova disso são os projetos na Câmara dos Deputados, que já tentaram criminalizar quem paga por sexo e legalizar a cafetinagem.
Em 2003, o então deputado Fernando Gabeira, que na época era do PT do Rio de Janeiro, propôs excluir os artigos 228 e 229 do Código Penal. Na prática, se fosse aprovada, a lei não mais criminalizaria os donos de prostíbulos, cafetões ou pessoas que comandam e detêm as casas de prostituição.
A ideia avançou e foi amplamente debatida, mas acabou sendo arquivada em janeiro de 2011. Dois meses depois, o deputado republicano goiano João Campos apresentou um projeto na contramão da ideia de Gabeira. O plano dele era criminalizar os clientes dos prostíbulos, com um a seis meses de cadeia para quem pagasse por serviços de natureza sexual.
O relator do projeto deu um sinal verde para ele na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara há três anos, mas até agora não foi colocado em votação pra avançar. Tá na gaveta.
Enquanto a lei não muda nem pra cá nem pra lá, o Código Penal delimita quem pode ser punido.
É crime: tirar lucro da prostituição de outras pessoas, manter um prostíbulo ou atrair prostitutas para fazerem programas. A pena vai de 1 a 14 anos de cadeia dependendo da soma dos crimes.
Mas não é crime: pagar por sexo ou oferecer serviços sexuais com o próprio corpo.
Uma lei que o desembargador Guilherme Nucci critica. Autor dos livros “Prostituição, Lenocínio e Tráfico de Pessoas” e “Crimes contra a Dignidade Sexual”, ele é um dos maiores especialistas nessa área no Brasil.
“Totalmente ultrapassada. O Brasil vive tempos mais contemporâneos e não é mais hora de se pensar em ficar punindo favorecimento de prostituição. Os países do mundo que regulamentaram a prostituição e reconheceram que isso é uma atividade como outra qualquer andam muito mais de cabeça erguida dentro de uma honestidade. Porque os Estados Unidos, por exemplo, que proibem a prostituição – inclusive individual, é crime – tá cheio de prostituição lá. É uma completa hipocrisia da socidade querer punir uma atividade que existe, as pessoas usam e a sociedade vê, mas acaba não fazendo nenhum julgamento efetivo em cima disso. Então eu defendo, sim”, diz.
Todos os episódios da ‘Série Sem Disfarce’ estão no site da CBN e no nosso aplicativo, pelo podcast CBN em Série.
A série de reportagens culminou na abertura de uma investigação pela Corregedoria da Polícia paulista, para apurar o pagamento de propinas, em um inquérito instaurado pela unidade criminal do Ministério Público e no pedido de uma CPI para apurar as denúncias na Câmara dos Vereadores.
#4 – ‘Sem Disfarce’: Para ter alvará, prostíbulos dizem que são até oficina mecânica
Para obter algum tipo de licença na prefeitura de São Paulo, os cafetões e cafetinas mentem sobre a finalidade do lugar que administram. Manter uma casa de prostituição é crime previsto no código penal, por isso eles dizem que são bares, restaurantes, hotéis, sauna e até loja de material de construção e oficina mecânica. Quase metade dos 47 estabelecimentos mapeados pela CBN nem sequer tem licença de funcionamento. Isso é o que mostra o quarto episódio da série ‘Sem Disfarce’. A prefeitura disse que vai vistoriar todos eles.
Prostíbulo sem licença de funcionamento exibe cartaz com show erótico na fachada. Foto: Reprodução/Google Street View
POR PEDRO DURÁN (pedro.duran@cbn.com.br)
A profissão de ‘prostituta’ tem um código próprio no Ministério do Trabalho pra recolher impostos. Também pode ser chamada de ‘garota de programa’, ‘meretriz’, ‘messalina’, ‘mulher da vida’ ou ‘trabalhadora do sexo’. E no caso de homens, ‘michê’.
Mas explorar os lucros desse tipo de profissional é crime – desde a década de 1940. Há um crime específico pra quem mantém um prostíbulo. São dois a cinco anos de prisão e multa.
É justamente por isso que os cafetões e cafetinas usam mentiras pra conseguir licenças de funcionamento, como se tivessem outros estabelecimentos.
Entre os locais mapeados pela CBN, encontramos de tudo. 21 dos 47 locais não tem sequer licença de funcionamento, especialmente os que ficam em bairros da Zona Oeste de São Paulo, como Lapa, Pinheiros e Pompeia.
13 deles se passam por bares, especialmente nos bairros de Santana, na Zona Norte, e Santo Amaro, na Zona Sul.
Um diz que é restaurante, outros quatro têm alvará pra comércio de alimentos. Três têm licença pra hospedagem, como se os quartos fossem para hóspedes. No mapeamento da CBN encontramos ainda um lugar com licença pra comércio diversificado, outro que diz que é uma loja de materiais de construção, um que tem licença pra sauna e banho e até um prostíbulo que se passa por oficina mecânica.
Foi em cima dessas infrações administrativas que a delegada Rosmary Correa, que foi subprefeita do bairro de Santana, na Zona Norte, montou uma operação em 2017 com apoio da Polícia Militar.
“Para o delegado poder realmente fazer um flagrante de exploração de lenocínio e tudo mais, você tinha que bater e abrir os quatros e entrar. E eu acompanhei todas essas diligências junto com eles. Essa experiência foi de ver lugares horríveis, lugares, vamos dizer, sem nenhum tipo de limpeza, sujeira mesmo e umas pessoas que se prestavam a ir para esses lugares”, conta.
Na prática, um estabelecimento sem licença leva autos de infração e multa e tem 30 dias pra se regularizar com normas de segurança e higiene. Se não se adequar em 90 dias, o lugar pode ser interditado. Se a licença de funcionamento é diferente da atividade do comércio de fato, ela é imediatamente cassada. Como não existe licença pra prostíbulo, o imóvel pode ser emparedado com blocos ou tubos de concreto. A prefeitura de São Paulo diz que vai fiscalizar todos os locais mapeados pela CBN.
Especialista no assunto, o desembargador Guilherme Nucci explica que além de cometerem crimes por manter o prostíbulo, os cafetões acabam fomentando uma rede com os anúncios dos lugares.
“As pessoas têm lucrado permitido a propaganda em revista, anúncio em jornal, internet, sites que vivem disso. Sites eróticos que vendem a prostituição cobram. E são pessoas que favorecem a prostituição. Então se formos levar isso aí literalmente, todo esse pessoal que lucra em torno da prostituição estaria incurso no Código Penal. Qualquer pessoa que ganhasse um níquel da prostituição alheia seria criminoso”, diz.
No capítulo de amanhã da série Sem Disfarce, as estratégias das autoridades para desmontar o mercado da prostituição em São Paulo
#5 – ‘Sem Disfarce’: MP e Corregedoria da Polícia abrem inquérito para investigar prostíbulos; vereadores querem CPI
A corregedoria da Polícia de São Paulo abriu uma investigação para apurar as denúncias do pagamento de propina a policiais para liberar o funcionamento de prostíbulos na capital paulista. A unidade criminal do Ministério Público também abriu um inquérito. Na Câmara Municipal, um pedido de CPI foi protocolado. O quinto episódio da série ‘Sem Disfarce’ mostra que não é de hoje que as autoridades tentam desmontar a rede de prostituição paulistana, mas ela acaba voltando com o tempo.
Gerente de prostíbulo marca consumação de cliente em comanda. Foto: Pedro Durán/CBN
POR PEDRO DURÁN (pedro.duran@cbn.com.br)
A série de reportagens da CBN teve como consequência duas frentes de investigação abertas. E uma terceira encaminhada.
Na unidade criminal do Ministério Público, o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro mandou instaurar um inquérito para que a Polícia Civil de São Paulo apure como a rede de prostíbulos continua em atividade com a conivência e até propina para autoridades públicas.
“Pra que a própria Polícia Civil agora, debruçada sobre esses elementos que estão nos autos possa aprofundar essa investigação, para que as pessoas identificadas nessas circunstâncias possam posteriormente ser responsabilizadas pela Justiça Criminal”, diz.
Como a reportagem colheu relatos que dão conta do pagamento de propina para policiais civis, a Corregedoria da Polícia também abriu um inquérito. O caso está nas mãos do Delegado de Polícia Evandro Lopes Salgado.
O duelo pra fechar as portas de prostíbulos em São Paulo não vem de agora… Há 12 anos, o então prefeito Gilberto Kassab interditou alguns prostíbulos na cidade. Anos depois, em 2012, pelo menos cinco deles voltaram a abrir repaginados.
Na gestão de João Doria como prefeito, em 2017, outros 12 foram lacrados ou interditados. Agora, a CBN mostra que a poucos metros de onde eles funcionavam, há hoje cinco prostíbulos em operação.
Com base no mapeamento dos 47 prostíbulos feito pela CBN, o vereador Adilson Amadeu, do PTB, coletou assinatura de outros 31 vereadores e protocolou um pedido de CPI na Câmara Municipal.
“Nós já temos um primeiro passo que a imprensa ofereceu de 47 prostíbulos, que funcionam num sistema grande aqui na capital. Quando falar 47, eu acredito que em uma semana nós vamos levantar mais 200. Vai muito na unha que você vai trabalhar levando todos os órgãos junto. Pessoal de subprefeitura que lá deu a liberdade de eles estarem com as portas abertas trabalhando, Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Metropolitana. Aí sim você vai combater o crime”, diz.
A Câmara Municipal de São Paulo tem duas CPIs em atividade e pode instalar até cinco. Os líderes partidários devem avaliar a sugestão de Amadeu na próxima terça.
Ação foi deflagrada após investigações sobre esquema criminoso; drogas estavam em um carro
Qua, 11/09/2019 – 18h43 | Do Portal do Governo
Policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) apreenderam 161 quilos de cocaína nesta quarta-feira (11), em Guarujá, litoral paulista. Os entorpecentes foram encontrados em um carro. Um homem foi preso.
Equipes da 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat) investigavam um esquema que utilizava um veículo do modelo SUV GM Spin para transportar drogas e armas na região do Guarujá.
Com base nessas informações, os policiais localizaram o automóvel na avenida Santos Dumont, em Vicente de Carvalho.
Os policiais interceptaram o carro e, dentro dele, foi encontrada a carga de cocaína. Os entorpecentes foram apreendidos e encaminhados à perícia. O condutor foi preso e autuado por tráfico de drogas e associação ao tráfico.
A ADPESP apresentou ao governador do estado um ofício com proposta estruturada para a recomposição salarial da Polícia Civil. No documento, a Associação esclarece que, excetuando-se o Distrito Federal, os delegados de Polícia em Mato Grosso possuem o maior salário do país, onde o vencimento inicial é de R$ 22.006,01 e o delegado em classe Especial recebe R$ 33.540,59.
Para contribuir com o compromisso assumido por João Doria – de colocar a Polícia Civil paulista entre as mais bem pagas do país –, a ADPESP propõe um plano escalonado de reajuste, ofertando o modelo remuneratório de subsídio. Ainda no documento, a Associação reforça o apelo para que os aposentados não sejam deixados de lado. “Não é razoável esquecer aqueles que, por mais de três décadas, se dedicaram à Polícia Civil e à sociedade”, defendeu Rodrigo Lacordia, tesoureiro da ADPESP.
Integrantes das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica são reconhecidos por destaque em ocorrências e bom desempenho das funções
Qua, 11/09/2019 – 13h44 | Do Portal do Governo
O Governador João Doria homenageou nesta quarta-feira (11) 10 policiais militares, 13 civis e dois técnico-científicos, da Capital e das regiões de São José dos Campos, Campinas, Bauru e Sorocaba, com o certificado “Policial Nota 10”. Em sua oitava edição, a iniciativa, criada pela Secretaria da Segurança Pública, tem como objetivo reconhecer e estimular o bom trabalho policial em todo o Estado de São Paulo.
“Obrigado por fazerem as suas funções com denodo e paixão. Por isso vocês escolheram a atividade policial como carreira. É esta paixão, presteza, capacidade e coragem que faz de que cada um de vocês um herói para suas famílias, seus amigos, Governo e população de São Paulo”, disse Doria. A solenidade aconteceu no Palácio dos Bandeirantes, na zona Oeste da Capital paulista.
“Aqui conhecemos e cumprimentamos aquelas pessoas que se destacaram pelas polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, pois são eles que fazem a diferença. É um momento de muita satisfação e alegria”, afirmou o Secretário da Segurança Pública, General João Camilo Pires de Campos.
Os casos que geraram destaques aos profissionais foram de prisões relacionadas à tentativa de homicídio, latrocínio e extorsão mediante sequestro, salvamento de bebê e ações que resultaram em apreensões de armas, drogas e veículos. Policiais também foram reconhecidos pelo bom desempenho das funções.
Polícia Militar
Representando a Polícia Militar, uma das equipes homenageadas é formada pelo cabo Rogério Soares e pelo soldado Rafael Sanchez, do 15º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), que se sobressaíram após a prisão de quatro suspeitos envolvidos em um latrocínio, ocorrido no dia 11 de agosto. Na ocasião, o primeiro criminoso foi preso e indicou os comparsas, detidos pela mesma equipe na sequência.
No dia 12 de agosto aconteceu o atendimento que gerou destaque à cabo Suzana Conde de Oliveira e ao soldado Fábio Henrique Pereira Lustosa da Silva, do 9º BPM/M. Eles estavam em serviço na Base Comunitária de Segurança Oscar da Silva, na Vila Guilherme, zona norte da Capital, quando foram chamados pelos pais de uma bebê de 1 ano e um mês de idade, que estava engasgada.
Os soldados Bruno Dimitre Teles Alves e Maria Fernanda da Silva, que trabalham na 2ª Companhia do 13º BPM/M, se destacaram pela prisão do autor de uma extorsão mediante sequestro, no dia 14 de julho, na Cracolândia, no centro da Capital. Além de deter o autor do crime, eles libertaram a vítima.
A última ocorrência da PM que gerou destaque na Capital aconteceu no dia 20 de julho e foi atendida pelos cabos Wudson Willians Piton e Eduardo Fernando Anunciação e pelo soldado Marcos Antonio da Silva, da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam), do 2º Batalhão de Policiamento de Choque (BPChq). Os militares detiveram um homem que tinha acabado de tentar contra a vida do cunhado e apreenderam uma pistola.
Integrante da PM atuando no Interior do Estado, o soldado Renato Ventura de Almeida, do 27º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), também foi homenageado. Ele estava de folga quando ajudou um idoso a recuperar os sinais vitais em um mercado na cidade de Dois Córregos. O caso aconteceu no dia 15 de agosto e ganhou grande repercussão nas redes sociais.
Polícia Civil
O primeiro trio da Polícia Civil condecorado foi formado pelo delegado Antônio Monteiro de Araripe Sucupira Neto, escrivão Clayton Teixeira de Oliveira e investigador David de Oliveira Rocha, integrantes do 2° Distrito Policial (Bom Retiro). Eles foram reconhecidos pela investigação que resultou na prisão de um homem e interceptação de uma carreta que transportava 452 quilos de maconha, seis fuzis AR15 e cerca de sete mil munições de diversos calibres.
A segunda equipe da PC homenageada foi da 2° Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O delegado Ítalo Zaccaro Neto, o escrivão Marcos Faria e o investigador João Eduardo Diogo prenderam, no dia 16 de julho, uma quadrilha especializada em roubos a carros-fortes.
O delegado Horácio Martins de Oliveira Campos, o investigador Jorge Aparecido Lopes Cesário e o agente policial André Luiz Gonçalves de Oliveira, integrantes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Taubaté, foram agraciados pelo esclarecimento de uma explosão na prefeitura da cidade. O fato aconteceu dentro do banheiro masculino, no dia 5 de junho, e o autor foi preso.
Outra dupla agraciada foi formada pelos investigadores Rodrigo Antônio de Oliveira Ventura e Dalcir Froldi Júnior. Os policiais foram reconhecidos pela descoberta de um barracão usado para o cultivo de maconha, na cidade de Salto. Na ação, três pessoas foram presas e 3.775 plantas da droga recolhidas. Também foram apreendidos um carro, uma moto e celulares.
O delegado Thiago Daniel de Almeida Fogaça e o investigador Vinicius Batista Siqueira, integrantes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itapeva, se destacaram pela atuação na Operação Caminho da Roça, deflagrada no dia 9 de agosto, nas cidades de Taguaí, Lenções Paulista e Macatuba. Foram cumpridos 22 mandados de buscas e sete de prisão. Também foram apreendidas 64 munições, uma arma e 11 veículos. Um trator furtado foi recuperado.
Polícia Científica
Na ocasião, dois policiais técnico-científicos também foram agraciados. A perita criminal Jéssica Caineli Chanes, da Equipe de Perícias Criminalísticas Oeste, foi reconhecida pelo bom desempenho de suas funções na coleta de vestígios de impressões dígito-papilares. Além disso, ela ainda representa sua unidade, que é referência neste tipo de trabalho e também em coletas de amostras de DNA para o banco de perfis genéticos.
Outro perito criminal homenageado foi Victor Cominato Theodoro, integrante do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa. O policial foi condecorado pelo trabalho realizado no levantamento de vestígios de DNA em locais de crime, em especial pelo atendimento à ocorrência de tentativa de furto ao cofre de um grande banco na zona sul, em 2017
Glenn: vazamento sobre David Miranda é retaliação óbvia e patética à Vaza Jato
Em vídeo, jornalista do Intercept diz que Globo e Antagonista não fazem “jornalismo”, mas “parceria” com a Lava Jato, e por isso publicam vazamentos ilegais do Ministério Público sobre o deputado federal David Miranda, tentando prejudicar a imagem do parlamentar, que é seu marido, e a dele próprio. “Eles querem que você esqueça o caso de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz e pensem que meu marido e eu temos uma reputação suja usando uma tática covarde, que são os vazamentos ilegais”. Assista
247 – O jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept, publicou um vídeo nas redes sociais criticando duramente a Globo e o site O Antagonista por publicar vazamentos do Coaf envolvendo seu nome e o de seu marido, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ). Para Greenwald, trata-se da “retaliação mais óbvia, mais patética, mais falsa até agora em resposta às nossas reportagens da Vaza Jato”.
“É muito irônico, para começar. Porque um tema principal da nossa reportagem desde o começo é o fato de que o Ministério Público abusa o tempo todo vazando ilegamente informações de investigações para destruir reputações usando veículos da mídia como Antagonista e Globo, que não são jornalísticos, são parceiros [da Lava Jato]”, diz ele no vídeo.
#3 – ‘Sem Disfarce’: Para atrair prostitutas, cafetões oferecem de carona e brindes a moradia e café da manhã
Embora seja ilegal, a cafetinagem alcançou um nível que beira o profissionalismo na cidade de São Paulo. Para atrair garotas, os prostíbulos oferecem wi-fi, moradia, carona, toalhas, chapelaria, comissões em bebidas, brindes, bônus e até café da manhã. Por outro lado, obrigam o uso de salto alto, determinam horário mínimo para permanência, proíbem faltas, tabelam os valores dos programas com um percentual pro cafetão e vetam alguns tipos de roupa. No terceiro episódio da série Sem Disfarce, você vai descobrir que o canal de comunicação entre cafetões e garotas é a última página de anúncios de um jornal popular de empregos.
DURAÇÃO: 00:04:36
Foto enviada por cafetão mostra café da manhã que é ‘cortesia’ para prostitutas. Reprodução/WhatsApp
Um sino na porta acionado pelo ‘laçador’ ou uma das cafetinas avisa: tem cliente na casa.
Enfileiradas, as prostitutas se apresentam, com um beijo no rosto e o nome falso.
Mas para chegar até ali, elas foram recrutadas num processo que tem um caminho institucionalizado: os anúncios ficam na última página de um jornal popular de empregos, que custa R$ 1,50 nas bancas paulistanas.
O menor anúncio, de 20 palavras, custa R$ 235. Para não escrever vagas para ‘prostitutas’, o jornal aconselha usar ‘garotas’, ‘moças’, ‘massagistas’, ‘dançarias’ ou ‘atendentes’ e orienta citar os ganhos semanais.
Fizemos este caminho para chegar até os cafetões e cafetinas que, pelo whatsapp, nos mandaram detalhes de como seria o trabalho em mensagens como estas daqui.
“Oi, tudo bem, falamos aqui da Av. Santo Amaro, tá?”
“Qual que é seu nome? O meu nome é Pâmela, tá? Vou estar te mandando por escrito como funciona a casa”
“Meu maior horário de movimento é após as quatro da tarde, que é a hora que os homens saem do serviço”
“Os nossos clientes são mais de média idade e velhos”
“O valor do programa de uma hora é cento e oitenta reais, cem da menina. Meia hora é noventa, cinquenta da menina, pagamento diário, tem comissão de bebidas…”
“Eu não aceito nem lingerie nem biquini. O salto é necessário, tá? É obrigatório, mas você pode colocar uma calça, um body, um top, shortinho jeans, um vestidinho, como você se sentir melhor”
“Uma maquiagem não muito agressiva, uma maquiagem leve, com batom…”
“Sabe, a casa é uma família, eu trabalho com 15 a 20 meninas”
“A gente fornece camisinha, uma toalha por semana pra garota”
“Caso você venha de metrô é só me ligar que eu busco no metrô Penha”
“E tá sem foto aqui no perfil, a gente trabalha com entrevista”
“O mais importante aqui é simpatia e educação, quanto mais simpática você for, mais dinheiro você faz, tá bom?”
Para atrair as garotas de programa, as casas de prostituição oferecem wi-fi, moradia, carona de estações de metrô até o local, toalhas, chapelaria pra guardar os objetos pessoais, comissões para cada bebida que o cliente comprar, brindes e bônus em dinheiro e até refeições, como café da manhã.
Em um vídeo enviado por um dos cafetões, uma prostituta soma os ganhos no fim da noite.
De tão profissional, a abordagem já tem mensagens padronizadas no whatsapp, com vários emojis, fotos e vídeos dos locais, flyers e programações com shows de sexo ao vivo ou strip.
Em um prostíbulo inaugurado há cerca de um mês no bairro de Pinheiro, os donos foram além e no local onde fica o pole dance instalaram um chuveiro. A laçadora que fica na porta pra atrair os clientes contou como funciona.
Laçadora: Elas tomam banho lá ao vivo.
Repórter: Tomam banho ao vivo?
Laçadora: Sim. Tem cliente que gosta de transar ali mesmo.
Repórter: No chuveiro?
Laçadora: É, ali mesmo.
Repórter: Na frente de todo mundo?
Laçadora: Na frente de todo mundo, tô acostumada a ver. E acho que o cartão de visitas de Pinheiros é isso.
Repórter: São os cabarés.
Laçadora: É.
Em outro prostíbulo da zona Sul, o luminoso nada discreto na porta anuncia: ‘lindas garotas’. Lá dentro, um homem que se apresenta como gerente conta que eles fazem festas temáticas enquanto enche bexigas coloridas numa máquina.
“Hoje eu vou fazer uma [festa] tropical. Com todas as caipirinhas… Faço várias, vários temas. Já fiz festa das primas, festa à fantasia, o arraial fiz o mês inteiro…”, diz.
Em alguns lugares há churrasco e até open bar, mesa de sinuca, estacionamento grátis e DJ. Pra conquistar mais clientes, alguns prostíbulos distribuem folhetos o que, de quebra, fere a Lei Cidade Limpa, que impede panfletagem na cidade.
Além da exploração do lucro no sexo, os cafetões ainda submetem as prostitutas à regras rígidas: impõe um código de vestimenta, com roupas de festa e salto alto obrigatório, fazem tabelas com o percentual que elas ganharão do programa – o que varia entre 50% e 80% – proíbem faltas e determinam a permanência mínima entre seis e oito horas.
Entre os frequentadores, os prostíbulos recebem dois apelidos. Quando funcionam à luz do dia, são chamados de ‘privê’. Quando operam à noite, com festas, ‘boate’. O apelido não muda os crimes que são cometidos lá dentro.
“Comprometer-se com o Índio, o mais pobre, desprezado e explorado, é assumir firme a sua caminhada, confiante num futuro certo e que já se vai tornando presente, nas pequenas lutas e vitórias… Vale arriscar-se!”
No dia 28 de abril de 1985, Irmã Cleusa Rody Coelho , missionária agostiniana recoleta foi brutalmemte assassinada às margens do rio Paciá, na hoje demarcada Terra Indígena Caititu, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas. Saiba aqui um pouco dessa história, como muitas outras em Lábrea que deixaram uma sensação de impunidade:
“….O ano de 1982 foi um ano difícil para os índigenas Apurinãs ,Paumaris e demais etnias do Purus. Após décadas e décadas de massacres e vendo os recursos naturais espoliados de suas terras , eles finalmente contando com o grande apoio de entidades missionárias como o CIMI estavam prestes a ver suas terras demarcadas pelo Governo. A região onde Cleusa foi assassinada, hoje Terra Indígena sempre foi muito rica em castanhais despertando a cobiça de políticos e coronéis locais altamente preconceituosos contra os índios. Diante disso, em Lábrea, a Assembléia da Prelazia decide assumir a questão indígena como prioridade. Começavam os ataques contra os índios, invasões de suas terras, mortes, doenças os latifundiários roubavam terras com a colaboração das autoridades locais. Nesse ano Irmã Cleusa pediu para deixar as atividades no colégio e dedicar-se à causa indígena. Neste ambiente, um filho do cacique Apurinã Agostinho foi assassinado por um soldado da PM. Os Apurinãs mataram um filho desse soldado. Cleusa conseguiu que os Apurinãs se mudassem para Japiím, no rio Passiá, a mais de 30 km. de Lábrea, para evitar enfrentamentos. E nasceu uma grande amizade e respeito mútuo entre Cleusa e Agostinho, cacique Apurinã.
Contexto do assassinato:
Raimundo Podivem e Edivar, índios, acompanhados de Damásio, não índio, se esconderam do cacique Agostinho nos limites da aldeia Japiím. A entrada destes três personagens nesta região era a ruptura do acordo pelo qual nenhum branco poderia entrar nestas terras sem autorização. Acordo que havia propiciado a paz entre os Apurinãs e a polícia militar. Quando Agostinho soube do feito, pediu à Funai que lhe permitisse confiscar a colheita dos que tinham entrado sem permissão em sua área. É-lhe concedida a petição. Agostinho confiscou a colheita de castanha de Damásio, mas permitiu que os dois Apurinãs levassem o que tinham colhido. Além disso, deu permissão a Raimundo Podivem para voltar a recolher castanha em Japiím, pois ele era Apurinã, sempre que não fosse em companhia de Edivar e Damásio. Mas Raimundo Podivem entendeu que Agostinho não lhe tinha tratado bem e se sentiu relegado pelo cacique. Ao amanhecer da quarta-feira, 24 de abril Raimundo Podivem mata a tiros de escopeta Arnaldo (17 anos, filho de Agostinho) e Maria, a mãe do rapaz. Outros moradores da casa conseguiram fugir e puderam avisar a Agostinho. Este, ao voltar à sua casa viu a sua mulher e seu filho acabados a tiros. Os sepultou. Ao entardecer da sexta-feira 26 de abril, Cleusa recebia a noticia do assassinato de Maria e Arnaldo. As religiosas que moravam com Cleusa afirmaram tê-la visto assustada e muito nervosa nesta ocasião. No sábado pela manhã, Cleusa comunicou sua decisão de ir a Japiím para levar consolo ao cacique Agostinho e evitar mais mortes. As religiosas expressaram a inoportunidade desta viagem e os perigos que poderia enfrentar.
“Navegando para a morte”
Ao chegar a Japiím, Cleusa encontrou a aldeia deserta com duas novas sepulturas. Na manhã seguinte, apareceu o cacique Agostinho com os seus. Tinham se escondido na selva. Cleusa lhe recomendou permanecer na aldeia e manter a calma, porque ela iria a Lábrea para denunciar os fatos às autoridades. Cleusa e Raimundo Paulo iniciaram sua volta a Lábrea descendo o Passiá quase ao mesmo tempo em que Raimundo Podivem começava a subir o rio em sua procura. Já no dia anterior os tinha ameaçado de morte na presença de algumas testemunhas. Até que as canoas se encontraram. Raimundo Podivem era Apurinã. Um ano antes, Cleusa o tinha encontrado muito doente na aldeia indígena Arapaçú. Cleusa o levou a Lábrea e o cuidou até que se recuperasse. Cleusa o reconheceu na outra canoa e lhe fez um sinal para conversar. Mas Raimundo Podivem disparou um tiro em Raimundo Paulo. A bala lhe atingiu na região lombar. — Joga-te na água, meu filho, tu tens filhos para cuidar, gritou Cleusa a Raimundo Paulo.
Raimundo Paulo, ferido, dormiu na selva. Conseguiu chegar a Lábrea às quatro da tarde da segunda-feira. Refugiou-se na polícia. O agostiniano recoleto Jesús Moraza (hoje bispo de Lábrea) e a missionária agostiniana recoleta Josefina Casa Grande o visitaram e ele lhes contou o que sabia. Iniciaram-se horas e dias de desconforto e aflição. Em todos existia a Esperança de encontrá-la com vida. Raimundo Paulo somente sabia que tinha sido levada rio acima por Raimundo Podivem. Moraza saiu em busca da missionária. No dia 3 de maio foi localizado o corpo. Conta Jesús Moraza: “Me avisaram de que alguns urubus voavam por cima em círculo, portanto saí da canoa e entrei na selva, em direção às aves. Aproximadamente a cinqüenta metros descobri o corpo, parcialmente submerso. (…) Os que me acompanhavam, com medo, decidiram que voltássemos para buscar mais ajuda”.
No dia 4 de maio uma expedição (Moraza, o chefe da polícia militar com três soldados, um médico, um índio e o guia) volta onde estava o pelo corpo. Às sete da noite chegavam ao hospital de Lábrea, onde se realizou a autopsia: costelas quebradas; crânio e coluna fraturados; braço direito parcialmente separado do corpo; bala de escopeta no tórax e nas costas. A mão direita não foi encontrada. Às nove horas, Cleusa foi enterrada, devido ao adiantado estado de decomposição. “
Biografia da Irmã Cleusa:
Irmã Cleusa nasceu em 12 de novembro de 1933, em Cachoeiro de Itapemirim, Estado do Espírito Santo. Quando terminou o curso normal, deixando um futuro promissor, decidiu ingressar na vida religiosa, na Congregação das Irmãs Missionárias Agostinianas Recoletas. Irmã Cleusa foi coordenadora regional do Conselho Indigenista Missionário CIMI, em Lábrea, antes disso trabalhou em pastorais dos menores, dos presidiários e dos pobres. Numa carta à delegada geral do Brasil, Cleusa escreveu: “Cristo é o ofendido, o marginalizado perseguido na pessoa do Menor, novamente exposto à fome e a outros danos piores. Temos de construir Fraternidade, é necessário, mas a justiça tem de estar na base de toda convivência humana”.
Fica o exemplo de seu senso de justiça e determinação por lutar pelos mais fracos. Com todo o nosso respeito e sentimentos aos familiares – equipe VAZOS DO PURUS
Na bronca pelo seu ridículo salário líquido de apenas R$ 23,8 mil, o promotor de justiça Leonardo Azeredo dos Santos cobrou aumento de vantagens em plena sessão da Câmara de Procuradores do MPMG, conforme matéria do Jornal Nacional.
“O senhor me desculpe o desabafo, eu estou fazendo a minha parte. Eu estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou passando a gastar R$ 8 [mil], para poder viver com os meus R$ 24 mil”, disse ao chefão.
E mais: “não tenho origem humilde” nem “acostumado com tanta limitação”, com esse “miserê”.
“Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil?
O que é que de fato vamos fazer para melhorar a nossa remuneração?
Ou nós vamos ficar quietos?
Eu não sei se vou receber a mais, se vai ter algum recálculo dos atrasados que possa me salvar, salvar a minha pele.
Eu, de qualquer forma, já estou baixando meu padrão de vida bruscamente, mas eu vou sobreviver.”
Estou perdendo o patrimônio que levei 28 anos pra conquistar, pois pago por mês R$ 5.000,00 de condomínio e IPTU.
Desse jeito, o Brasil tem solução?”
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O cara aí recebe conforme o teto estabelecido pela Constituição Federal, ou seja, ganha mensalmente cerca de TRINTA E QUATRO MIL REAIS …
Mas, verdadeiramente, nem sequer merece DEZ MIL…
Darei o conselho que ouvi durante 23 anos como delegado de polícia : como você é tão capaz pede pra sair e seja feliz lá fora!
O VELHO!! “ENVELHECER MUITO CEDO, SER EXPERIENTE MUITO TARDE!!!!
Sente que o tempo passou, vê que o passado é bem mais longo que o futuro, porém ama mais este do que aquele, esforça-se para ter um bom futuro, como um adolescente.
Vê o cabelo rarear e de tanto olhar, convence-se que sua cabeça não é tão feia. Porém começa a esquecer os fatos, os nomes, uma parte do passado, alguns conhecidos mas não esquece os mortos, politica de boa vizinhança!
Seus olhos , já não enxergam muito, mas veem a vida detidamente, tendo a impressão de que fatos se repetem no seu dia a dia.
Escuta mal, escuta ruídos que não existem , mas ignora a campainha do telefone. Os ouvidos cansaram? Talvez mas escuta os ruídos que atinjam seus sentimentos.
Sua boca ,já, não conta com todos os dentes, natureza sábia, seu estomago não suporta grandes quantidades de comida! O intestino tem hora marcada, passou o horário, será punido até segunda ordem.
Seus braços e pernas perderam o vigor, não têm o respaldo da coluna vertebral.
Seu sistema nervoso depende muito do seu convívio e do seu intestino.
Seus pés são um gráfico da sua vida.
E o sexo? AAAHH! O sexo, pois pasmem jovens os velhos adoram o sexo, o problema é quantidade , não pode haver exigência desmedida e o velho não deve se preparar adredemente! Há de se apresentar para a contenda com a fantasia, os sonhos, a memória e o coração aquecidos! A parceira deverá fazer o mesmo! As dificuldades e os sonhos são mútuos! A aparência é secundária, os beijos são preponderantes! Por fim “LE GRAND FINALE”, sua alma encosta no céu, o sono se apodera de seu corpo, e com alegria sonha que voltou a ser jovem!!!!!