Quando o amor pela Cadeira é Fatal 14

A recente execução de Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral de São Paulo, não choca apenas pela brutalidade, mas pela exposição surpreendente deliberada de alguém que conhecia como poucos o submundo do crime organizado brasileiro.

Com efeito , Fontes, jurado de morte ao menos desde 2019 , por ordem expressa da alta cúpula do PCC, tinha ciência concreta das ameaças: relatórios sigilosos, cartas interceptadas e informações de inteligência reiteravam que seu nome era alvo prioritário da facção; confirmando em depoimentos próprios que havia “uma ordem para matar autoridades, e meu nome estava entre elas”.

Ainda assim , depois de aposentado  e afastado do aparato protetivo da linha de frente, instalou-se em funções públicas de relevante poder como secretário municipal da Prefeitura de Praia Grande .

Na região sensível da Baixada Santista :  “território inimigo”, para quem carrega esse histórico de enfrentamento.

Conforme as suas palavras: “estou sozinho no meio deles” !

Que me desculpem quem afirmar o contrário  , mas a Baixada Santista  não é ninho ou reduto do PCC…

Mas Praia Grande virou território de policiais corruptos com carreira na Capital; a exemplo dos que foram capturados pela Polícia Federal.   

Ora , mas já que assim considerava esta região e sabendo que “estava no meio deles” sua imprudência com a própria  proteção causa perplexidade.

Não são raros os exemplos de policiais  –  mesmo menos vistos – que redobram estratégias de autoproteção, alteram trajetórias, limitam aparições públicas e cultivam o anonimato quase obsessivamente após aposentadoria.

O caso de Fontes, no entanto, revela uma mistura de autodeclarado amor pelo trabalho , um pessoal senso de dever institucional e autoconfiança inapropriada para quem esteve durante décadas na linha de combate.

Tal postura pode ter subestimado a  existência de outros desafetos além do PCC , com capacidade logística e conhecimento institucional da segurança pública na Praia Grande.

Pelo que pode se perceber : muita vigilância eletrônica e quase nenhuma vigilância humana nas ruas.

Vale dizer: muito investimento em tecnologia e quase nenhum investimento em policiais.   

Outros, porém, podem enxergar  laços ainda mais profundos: a dificuldade de romper com a vida pública, com o prestígio e o sentimento de pertencimento ao ofício para o qual se foi moldado, quase sempre à custa do próprio anonimato e segurança.

Além de ser um homem tido como muito rico , dificilmente faltariam a alguém com o currículo de Fontes alternativas de trabalho  e subsistência mais seguras: CEO em empresas de segurança, consultor jurídico, conferencista, docente ; funções em que tantos policiais brasileiros de escalonamento máximo optam quando da aposentadoria planejada , em muitos casos , com robusto aparato de proteção pessoal e familiar.

A escolha por permanecer em terreno hostil, exposta à mira de uma facção que já provou sua capacidade de  planejamento e vingança  – servidos a frio – é de causar espanto.

Questionamos  : era amor pelo trabalho ou amor por uma cadeira  ainda mais poderosa e rentável ?

Ora , se amava tanto trabalhar poderia permanecer no cargo de delegado até completar 75 anos ; como muitos dos delegados de classe especial fazem ; alguns ex-delegado gerais  , inclusive!

A ação que o vitimou foi marcada por armamento pesado, carros queimados e estratégia de combate típico de operações paramilitares ; padrão que revela o grau de organização e a frieza dos executores.

Não foi morte inesperada: foi a execução de quem, à sua maneira, optou por desafiar ou desprezar o risco, mantendo funções e visibilidade típicas do “velho policial vocacionado do comigo não acontece”, cuja identidade, muitas vezes, se confunde trágica e inseparavelmente com o próprio ofício.

Este crime serve, assim, de alerta dramático para milhares em situações semelhantes : no Brasil, a linha entre o  desejo de dever e o sentimento de onipotência , decorrente de natural  bravura e  inteligência ,  podem ser fatais quando o adversário é uma organização  criminosa ; ainda mais se se confirmar a autoria como sendo do PCC.

O caso Fontes reitera – além do desapego –  necessidade imperiosa de planejamento defensivo, anonimato e estratégias de proteção permanente para todos aqueles que, um dia, ousaram combater não um crime comum ; mas um poder que se arvora em Estado paralelo, dotado de memória, alcance e até prazer de vingança.

Enfim, se aposentar da polícia para ir viver no meio de bandidos não foi morte anunciada , foi estupidez confessada…Ou a “vis atractiva” era inenarrável e irrecusável?  

Seja como for , não foi uma “buena ideia” merecedora de peninha!

Mais uma vingança nojenta, repulsiva e de um arbítrio nauseante do governo dos EUA 7

Os Estados Unidos  –  mais uma vez atentando contra a nossa soberania e agindo para favorecer bandidos –  impuseram penalidades da Lei Global Magnitsky contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e contra o instituto Lex, ligado à família Moraes, ampliando restrições já aplicadas ao próprio ministro desde julho de 2025.

As sanções incluem restrição de acesso ao território dos EUA, congelamento de bens nos EUA e impedimento de realização de transações financeiras em dólar com instituições bancárias americanas ou que operem no país.

Com efeito , a  punição de terceiros  –  familiares e instituições  – como retaliação por decisões judiciais é marca das práticas mais torpes e autoritárias da história.

Assistimos estarrecidos ao uso, pelo governo americano, da famigerada Lei Magnitsky para sancionar não apenas autoridades brasileiras, mas também seus cônjuges e entidades vinculadas à família, numa espécie de vingança extrajudicial digna dos regimes mais abjetos.

Punir alguém não pelo próprio delito, mas por sua ligação afetiva ou profissional com quem desagrada aos poderosos, rasga qualquer noção mínima de justiça, ataca a moral civilizatória e revela a verdadeira face do autoritarismo travestido de luta por “liberdade de expressão”.

Nada mais desproporcional  – e vil  – que transformar familiares em alvo de embargos financeiros, restrições territoriais e constrangimento público para forçar mudanças políticas ou pressionar tribunais.

Essa medida – nojenta, repulsiva e de um arbítrio nauseante  – envergonha a nação americana e avilta valores elementares da democracia.

A história deixará marcado esse episódio como página infame da política externa dos EUA, que, ao afirmar combater abusos, utiliza a força estatal para retaliar pessoas inocentes, sem qualquer laço com os pretensos atos ilegais; de se dizer: existentes apenas na mente criminosa dos governantes daquele país.

Não há defesa possível para a punição contra terceiros.

O verdadeiro povo americano  –  maior do que seus governos momentâneos – merece mais que isso.

É urgente repudiar, com todas as letras, esse tipo de sanção: uma imundície autoritária, odiosamente vingativa, que conspurca qualquer alegada superioridade moral ou institucional dos EUA no plano internacional.