Delegado Ítalo Miranda Junior é o novo Secretário Municipal de Segurança Urbana de São Paulo 44

Novo secretário quer integração da GCM e polícias

Ítalo Miranda Junior cobrou parcerias com o Estado. Outra promessa é “trabalhar” na Cracolândia

O novo Secretário Municipal de Segurança Urbana tomou posso na quinta-feira (2) / Carla Brunato/Diário SP

Por: Amanda Gomes
amanda.gomes@diariosp.com.br

O novo secretário municipal de Segurança Urbana, Ítalo Miranda Júnior, pretende realizar ações em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública para tirar do papel o que os seus antecessores cansaram de prometer: integrar as polícias Militar e Civil com a GCM (Guarda Civil Metropolitana).

O delegado da Polícia Civil assumiu o cargo na tarde de quinta-feira (2). Júnior atuou na  Polícia Civil por 38 anos e  foi delegado titular em 30 delegacias do estado. Ele estava na Seccional de Limeira antes de aceitar o convite do prefeito Fernando Haddad (PT). Ele ganhou notoriedade por conduzir o inquérito do caso do ex-cirurgião Farah Jorge Farah, condenado a 16 anos de prisão pelo esquartejamento da amante em 2003.

Ítalo acredita que sua experiência pode facilitar o contato com as polícias. “Eu agradeço o convite para esse novo desafio. Trabalhei 38 anos na Polícia Civil e quero realizar operações  conjuntas com as polícias”, afirmou.

Haddad também cobra uma maior integração entre a GCM e as forças de segurança do Estado. Uma das metas é ampliar a dinâmica da Operação Delegada, que colocam policiais de folga nas ruas, e a “Delegadinha” da  GCM, quando os guarda-civis fazem o mesmo.

“Nós temos um caminho a trilhar desde que tenhamos humildade e lealdade. Não se trata de disputar uma área tão complexa que exige tanta sobriedade”, disse o prefeito.

O secretário também ressaltou a importância de ações na região da Cracolândia, na Luz, Centro de São Paulo. Ele acredita que a internação compulsória é uma solução para os usuários de drogas do local.

“Aquelas pessoas não são criminosas, mas sim doentes.” Ítalo prometeu ainda  intensificar a segurança nos parques. A GCM vai receber ainda este ano dois mil guardas –  500 já foram nomeados.

Fonte: DIÁRIO DE SÃO PAULO 

Drauzio Varella: Acho errado internar menores em penitenciárias de adultos. 45

Maioridade penal

Folha de São Paulo

04/04/2015 

Acho errado internar menores em penitenciárias de adultos.

É evidente que um adolescente de 16 ou 17 anos capaz de assaltar à mão armada e atirar naqueles que se negarem a obedecê-lo tem consciência plena de que comete um ato abominável. Considerá-lo criança imatura para compreender a enormidade do crime praticado é paternalismo ridículo.

Também acho frouxa a legislação atual que recolhe um assassino dessa idade à Fundação Casa, para ser submetido à privação da liberdade e a medidas socioeducativas, por um período máximo de três anos.

Por coincidência, nesta semana a revista “The Economist” publicou uma matéria em que analisa a experiência americana com a prisão de menores nas penitenciárias do país.

A Constituição americana garante a cada Estado a liberdade para julgar menores da forma que considerar mais justa.

Em Nova York maiores de 16 anos são enquadrados nas leis que regem os adultos, independentemente da natureza do crime. No Mississipi, a partir dos 13 anos, os autores de crimes graves recebem condenações iguais às dos adultos; em Wisconsin, a partir dos 10 anos em casos de assassinato.

Apenas em 2005, a Suprema Corte dos Estados Unidos proibiu que menores de 18 anos fossem condenados à morte. Em 2010, foi vetada a prisão perpétua para menores que não tivessem cometido assassinatos.

De acordo com a Anistia Internacional, hoje há no país 2.500 prisioneiros condenados à prisão perpétua por crimes cometidos antes da maioridade.

Quais as consequências de leis tão severas?

Paradoxalmente, no período de 1990 a 2010, o número de menores em penitenciárias aumentou 230%, segundo o insuspeito Centers for Diseases Control and Prevention (centros de controle e prevenção de doenças, em português).

A probabilidade de um adolescente condenado a cumprir pena com os adultos voltar a delinquir é cerca de 35% maior do que aqueles que são julgados pelas leis específicas para infratores jovens.

Do ponto de vista pessoal, não tenho a menor simpatia por criminosos de qualquer idade, mas frequento cadeias como médico há 26 anos.

Não é preciso ser grande criminalista para saber que é mais fácil recuperar para o convívio social infratores mais jovens. Marginais de longas carreiras têm a vida tão estruturada no mundo do crime que eles dificilmente se adaptam ao convívio com a sociedade que os rejeita.

Para agravar-lhes a desesperança, passaram tantos anos enjaulados em condições desumanas nos presídios brasileiros que o aprisionamento só serviu para castigá-los e torná-los ainda mais revoltados e antissociais.

Trancar adolescentes em celas apinhadas de criminosos profissionais pode atender aos desejos de vingança da população assaltada por eles nas esquinas, mas é uma temeridade.

Se houvesse prisão perpétua ou pena de morte no Brasil, como defendem os radicais, poderíamos ficar livres deles para sempre.

Não sendo esse o caso, dia mais, dia menos, eles voltarão às ruas. Estarão recuperados, dispostos a respeitar seus concidadãos, ou mais agressivos?

Um rapaz de 16 anos chega numa penitenciária de homens mais velhos com medo de ser estuprado, abusado e de perder a vida nas mãos dos desafetos. Será presa fácil das facções que dominam os presídios. Contará com a proteção do grupo e com as vantagens da cesta básica para a mãe e o transporte gratuito para a família visitá-lo nas cadeias espalhadas pelo interior.

Quando for libertado, entretanto, será forçado a pagar uma mensalidade de cerca de R$ 700, cobrada a pretexto de retribuir aos irmãos presos a ajuda que recebeu enquanto esteve na mesma situação. Para saldar essa dívida eterna, não poderá mais abandonar a vida no crime, a menos que arrisque perdê-la.

Se a sociedade julga suave a condenação máxima de três anos na Fundação Casa, no caso de menores de idade autores de crimes hediondos, nada impede a criação de leis que lhes imponham penas mais longas.

Mas que sejam cumpridas em presídios especiais, distantes da convivência com marginais perigosos.

Violência urbana é doença contagiosa que precisa ser tratada com racionalidade técnica, baseada em evidências. Adotar medidas drásticas ao sabor das emoções quase sempre provoca efeitos opostos aos desejados.

drauzio varella

Médico cancerologista, dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer. Um dos pioneiros no tratamento da Aids no Brasil e do trabalho em prisões. Escreve aos sábados, a cada duas

Major Olimpio: Reaja, Brasil 16

majorolimpio

OPINIÃO – Folha de São Paulo

A maioridade penal deveria ocorrer, na verdade, a partir dos 12 anos de idade, momento em que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) diferencia a criança do adolescente e passa a impor ao adolescente seis medidas punitivas.

Essas medidas, no entanto, têm se mostrado inócuas, não intimidando a prática de crimes bárbaros por jovens perigosíssimos com licença legal para matar, estuprar e traficar drogas. Infelizmente, além de não proteger, o ECA serviu de salvo-conduto para “coitadinhos vítimas da sociedade”.

Por não ter argumento que convença a sociedade, defensores de bandidos juvenis se escoraram na tese da redução ser inconstitucional, por ferir cláusula pétrea da Constituição –”não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir […] IV- os direitos e garantias individuais”.

É evidente que o disposto no artigo 228 da Constituição não se enquadra como cláusula pétrea. É, sim, política criminal. Não existe direito pétreo à inimputabilidade. Observe que o artigo 60 impede que seja abolido, e não modificado. A inimputabilidade não será abolida, será, portanto, modificada.

A redução de crimes envolve uma série de medidas, mas é indiscutível que a redução constitucional será um fator que inibirá o crime. Dizer que apenas 1% dos homicídios no Brasil são praticados por menores, significa que de 54 mil vítimas por ano, temos 540 vítimas por indivíduos que não podem ser punidos por não compreenderem que matar uma pessoa é errado.

É falacioso afirmar que reduzindo a maioridade penal, estamos infringindo a Convenção sobre os Direitos da Criança, da ONU, que estabelece ser criança todo o ser humano com menos de 18 anos.

Segundo o artigo 37 da convenção, “nenhuma criança será submetida a tortura nem a outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. Não será imposta pena de morte nem a prisão perpétua sem a possibilidade de livramento por delitos cometidos por menores de 18 anos”. Ou seja, a convenção permite a aplicação de pena a menor de 18 anos que cometa crime.

Alegar que a redução ferirá o Pacto de São José da Costa Rica, também é falacioso, pois o único dispositivo que trata de matéria criminal em relação a menores diz: “Os menores, quando puderem ser processados, devem ser separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado, com a maior rapidez possível, para seu tratamento”.

Com relação à vontade da população, temos certeza de que é necessário reduzir a maioridade penal. Pesquisa da CNT de 2013 revela que 92,7% dos brasileiros são a favor da redução, enquanto o Datafolha registrou que 93% dos paulistanos aprovam a redução.

Interessante é que os intransigentes defensores da manutenção da impunidade para menores criminosos são adoradores do regime ditatorial de Cuba. Esquecem-se, no entanto, de que segundo a lei penal cubana “a responsabilidade penal só é elegível à pessoa que tenha 16 anos de idade completos no momento em que o ato passível de punição foi cometido”. Por que aqui não pode ser assim também?

Uma comissão especial analisará o mérito em 40 sessões e em três meses o plenário da Câmara poderá votar a matéria. Serão necessários 308 votos em dois turnos. Teremos perto de 400. Depois, seguirá para o Senado onde serão necessários 49 dos 81 senadores aprovando em duas votações. Teremos, no mínimo, 60 votos favoráveis.

Os brasileiros podem ficar tranquilos, pois não há possibilidade de veto presidencial depois da aprovação no Congresso. Por se tratar de emenda à Constituição entrará em execução sem ação do Executivo.

OLIMPIO GOMES, 53, o Major Olimpio, é deputado federal pelo PDT-SP e oficial da reserva da Polícia Militar de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/04/1612244-major-olimpio-reaja-brasil.shtml

Sobre civilidade: A dor mais inalcançável é a da perda de um filho 22

PS – Que as redes sociais expõem o pior do ser humano, isso é uma obviedade. Mas causou especial repulsa nesta sexta (3) ver uma legião de cretinos diminuindo a morte do filho de Lu e Geraldo Alckmin, ao comparar um acidente com o inaceitável assassinato do garoto Eduardo numa “favela pacificada”. A dor mais inalcançável é a da perda de um filho. No Alemão ou no Bandeirantes.

Igor Gielow – Folha de São Paulo

Seccional do crime – Policiais civis de elite integram o PCC, conforme investigação do GAECO 43

Oito policiais são presos por suspeita de ligação com PCC

Suspeitos integravam organização comandada pelo grupo criminoso no tráfico de drogas em São Sebastião e São Paulo

Policiais são presos em São Sebastião por suspeita de envolvimento com o PCC
Policiais são presos em São Sebastião por suspeita de integrarem organização comandada pelo PCC no tráfico de drogas(TV GLOBO/TV Vanguarda/Reprodução)

Oito policiais civis de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, foram presos na terça-feira por suspeita de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação foi conduzida pelo núcleo Vale do Paraíba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Os policiais são suspeitos de integrar uma organização criminosa que atuava no tráfico de drogas em São Sebastião e na Zona Leste da capital paulista, comandada pelo PCC.

Dos oito detidos, sete eram da Delegacia de investigações Gerais (DIG) e um do 1º Distrito Policial de São Sebastião. Um nono policial da DIG que está com prisão decretada não foi encontrado. Também foram presas três pessoas em São Sebastião, três na Zona Leste e uma em Santo André, no ABC paulista. Essa última, uma mulher, desviava produtos do hospital em que trabalha para a organização fazer o refino de drogas.

Ao todo, foram expedidos 31 mandatos de prisão temporária e 15 de busca e apreensão. Na operação, foram confiscados 18.000 reais em dinheiro vivo, 4 quilos de maconha, uma arma de fogo e medicamentos e insumos usados no processo de fabricação de drogas.

(VEJA)