No Senado, um novo ataque à liberdade 5

No Senado, um novo ataque à liberdade
23 Nov 2014

Opinião

A PEC da proibição das pesquisas se insere numa rotina, a da campanha subliminar pela restauração da censura prévia, sob diferentes formatos e a qualquer pretexto

Está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) proibindo a divulgação de pesquisas eleitorais nos 15 dias que antecedem o primeiro e o segundo turnos de votação. Políticos interessados e defensores da iniciativa argumentam com a suposta necessidade de “proteção” do eleitor, contra o “desperdício” de voto em candidatos eventualmente mal situados nas sondagens.

Inexiste dúvida quanto ao confronto dessa iniciativa com os princípios fundamentais da Constituição, no caso, a liberdade de acesso à informação e a liberdade de expressão.

É matéria vencida: em 2006, a pretexto de um ajuste nas regras eleitorais, o Congresso aprovou proposta similar. Ela foi derrubada — por unanimidade, lembre-se —, no Supremo Tribunal Federal. A Corte decidiu que tal mudança não tem cabimento porque corrói um dos pilares do regime democrático: o direito de acesso do cidadão à informação — como registrou apropriadamente o então relator do caso, ministro Ricardo Lewandowski.

Ficou estabelecido que se tratava de iniciativa em ofensa direta ao Artigo 5º da Constituição, onde estão abrigadas garantias e direitos fundamentais dos brasileiros — ou seja, a essência do regime democrático.

O Legislativo não deve permitir que artifícios do gênero conduzam o país a patamar digno de uma fictícia República de Sucupira, nascida da imaginação brilhante do dramaturgo Dias Gomes. Afinal, como registrou o ministro Lewandowski, em 2006, “vedar-se a divulgação de pesquisas a pretexto de que estas poderiam influir, de um modo ou de outro, na disposição dos eleitores, afigura-se tão impróprio como proibir-se a divulgação de previsões meteorológicas, prognósticos econômicos ou boletins de trânsito antes das eleições”.

Essencialmente, mais uma vez coloca-se em jogo a liberdade. Notável é que parcela relevante daqueles que se têm manifestado perturbados pelo regime vigente de liberdade, nos últimos anos, é composta por agentes públicos, com ou sem mandato. É o que explica, por exemplo, o persistente questionamento da liberdade de imprensa em foros judiciais, inclusive os de pequenas causas. São majoritariamente agentes públicos que não aceitam a submissão à informação e à crítica pública.

A PEC da proibição das pesquisas se insere nessa rotina — a da campanha subliminar pela restauração da censura prévia, sob diferentes formatos e a qualquer pretexto. O objetivo é sempre o mesmo: atentado à liberdade.

Melhor faria o Congresso se, além de repudiar preliminarmente a iniciativa, voltasse suas energias para reforçar as garantias e direitos previstos no Artigo 5º da Constituição, restringindo de saída ofensivas de agentes públicos contra os consagrados princípios do regime democrático.

Um Comentário

  1. EM 64 FORAM OS MILITARES QUE NOS LIVRARAM DESSA CORJA, E AGORA? QUEM PODERÁ NOS SALVAR?QUEM PENSA QUE O GOLPE VAI SER DADO ESTÁ ENGANADO. O GOLPE JÁ ESTA SENDO IMPLEMENTADO SENHORES.

    Curtir

  2. Pesquisas eleitorais são aspectos até relevantes, porém ainda coadjutórios.

    Melhor faria o Senado, a classe política e a sociedade em geral se protestassem por apurações transparentes das eleições.

    O que temos hoje é um processo eleitoral tristemente “kafkiano”, em que ninguém sabe como é realmente feita a apuração dos votos.

    As autoridades, afinal, limitam-se a, de repente, não mais que de repente, anunciar o nome de quem venceu. E, ponto final. Sem questionamentos.

    Temos de confiar, cegamente, sem o menor laivo de questionamento, no que diz o Ministro Toffoli acerca da alegada “lisura” das eleições, como se o próprio Ministro Toffoli não tivesse relações pessoais inegáveis com os atuais donos do Poder e como se não tivéssemos, no Brasil, uma lamentável história recente prenhe de fraudes eleitorais, que se estende desde a República Velha até os dias de hoje, passando pelo escândalo Proconsult do início dos anos 80…

    Curtir

  3. SE BANCO, A PREVIDÊNCIA,PAGINAS DE INTERNET, SÃO VIOLADAS, NÃO É POSSÍVEL QUE O POVÃO ACREDITE QUE URNA É INVIOLÁVEL. É SER MUITO POLIANA.

    Curtir

  4. Nossa isso pra mim é novidade!!Será que é verdade??Só ele sabe disso!!Com 30 anos de Policia é a primeira vez que vejo isso!!

    Curtir

  5. FONTE: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/478112-PLENARIO-PODE-VOTAR-APOSENTADORIA-INTEGRAL-POR-INVALIDEZ-A-SERVIDOR-PUBLICO.html

    24/11/2014 – 08h44
    Plenário pode votar aposentadoria integral por invalidez a servidor público

    Pauta também inclui, entre outras propostas, o aumento dos repasses federais para o Fundo de Participação dos Municípios; e o orçamento impositivo das emendas parlamentares.
    Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
    Ordem do Dia
    Deputados poderão votar novo texto para a PEC 170, evitando o pagamento de retroativos aos aposentados.

    A Proposta de Emenda à Constituição 170/12, que concede aposentadoria integral por invalidez ao servidor público, independentemente do motivo dessa invalidez, é o destaque desta última semana de novembro no Plenário da Câmara dos Deputados. De autoria da deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), a PEC vale para os servidores civis da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

    O governo vai propor um novo texto para ir a voto que deixa claro o não pagamento de retroativos, permitindo a correção das aposentadorias já existentes a partir da publicação da futura emenda constitucional.

    Essa matéria será analisada em sessão extraordinária após a sessão do Congresso, marcada para as 15 horas desta terça-feira (25), destinada à votação de vetos presidenciais e da mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 para alterar o cálculo do superavit primário (PLN 36/14).

    O PLN 36 é prioridade do governo e ainda precisa ser votado na Comissão Mista de Orçamento, que tem reuniões marcadas a partir de hoje à noite e amanhã pela manhã e pela tarde para aprovar a mudança no superavit.

    As reuniões da Comissão de Orçamento poderão adiar as votações no Plenário da Câmara e do Senado, já que não pode haver votação na comissão ao mesmo tempo em que os Plenários estejam funcionando.

    Fundo de municípios
    Em outra sessão extraordinária marcada para terça-feira, os deputados podem votar, em segundo turno, a PEC 426/14, do Senado, que aumenta em um ponto percentual os repasses de impostos federais ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

    Esse aumento será dividido em duas vezes. Em julho de 2015, passa a vigorar metade do novo repasse e, em julho de 2016, a outra metade será acrescida.

    Na pauta está ainda a PEC 358/13, do Senado, que institui o orçamento impositivo, obrigando a execução das emendas individuais ao orçamento da União até o limite de 1,2% da receita corrente líquida (RCL) realizada no ano anterior. Para 2015, isso significaria R$ 9,69 bilhões em emendas, pois a RCL estimada no projeto de lei orçamentária é de R$ 808,06 bilhões.

    Pauta trancada
    Na quarta-feira (26), o Plenário terá sessão extraordinária às 9 horas para votar a PEC 170/12 se ela não tiver sido votada na terça-feira. À tarde, os deputados farão sessão ordinária, cuja pauta está trancada pela Medida Provisória 655/14, que concede crédito extraordinário de R$ 5,4 bilhões ao Ministério da Educação para cobrir despesas com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

    Outra matéria que tranca os trabalhos na sessão ordinária é o PL 7735/14, do Poder Executivo, que simplifica as regras para pesquisa e exploração do patrimônio genético de plantas e animais nativos e para o uso dos conhecimentos indígenas ou tradicionais sobre eles.

    Atualmente, o acesso é regulado pela Medida Provisória 2.186-16/01, e cabe ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) dar autorização prévia para o início das pesquisas por meio de processo que leva tempo e exige grande documentação do pesquisador.

    À noite, podem voltar à pauta as propostas de emenda à Constituição 426/14 e 358/13.

    Confira a íntegra da pauta do Plenário.
    Íntegra da proposta:

    * PEC-170/2012
    * PEC-358/2013
    * PL-7735/2014
    * PEC-426/2014
    * MPV-655/2014
    * PLN-36/2014

    Reportagem – Eduardo Piovesan
    Edição – Pierre Triboli

    A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara Notícias’

    * Comentar
    * Enviar opinião para os deputados
    * Imprimir

    Comentários
    geilma | 22/11/2014 – 12h27
    O que vai dar de servidor fraudando a propria invalidez nao esta no gibi. brasil o pais de todos…de todos os corruptos.
    pedro souza | 22/11/2014 – 10h48
    Tem de voltar a integralidade pra todos!
    Carlos Pereira da Costa | 21/11/2014 – 20h27
    Excelências, venho solicitar de Vossas Excelências, a urgência de se votar a PEC 555/2006 por ser uma medida de justiça social e de cunho humanitário da classe dos já sacrificados servidores públicos do Brasil. O Governo dá isenções tributárias de toda a sorte para empresas e empresários, para estrangeiros, financiando com dinheiro do tesouro nacional, obras em outros países, enquanto os servidores públicos aposentados aqui no Brasil, são espoliados em seus míseros e parcos proventos que , ao fim de muitos anos de contribuição, serem descontados para aposentadoria no CÉU. Peço urgência.
    Ver todos os comentários

    Curtir

Deixar mensagem para Escriludida Cancelar resposta