500 anos de corrupção…( Se roubar é costume da terra, queremos o nosso! ) 12

santiago2500 anos de corrupção
22 Nov 2014

Foco na corrupção passada tenta inocular-nos o soro da letargia, normalizando o escândalo em curso
Demétrio Magnoli

De repente, como um raio no céu claro, o governo foi tomado por extraordinário interesse pela corrupção – no passado. Na Austrália, Dilma Rousseff ensaiou “listar uma quantidade imensa de escândalos no Brasil que não foram investigados”. A historiadora amadora, porém, só fingia falar sobre o passado: “Talvez esses escândalos que não foram investigados sejam responsáveis pelo que aconteceu na Petrobras”. Ah, sim!, trata-se, então, do presente.

Governantes deveriam exercitar a prudência ao especular sobre corrupção em governos anteriores. Se têm conhecimento de denúncias fundamentadas, a lei os obriga a deflagrar uma investigação policial e judiciária. Se não o fazem, a fim de manipular halos de suspeita em seu benefício político, incorrem no crime de prevaricação. Os áulicos, por outro lado, não sendo autoridades, podem especular alegremente. Nesses dias de Lava Jato, é fácil identificá-los por seus frêmitos de indignação moral com a corrupção pregressa.

O passado que preferem é o recente: o governo FHC. Do nada, adoradores do estatismo começaram a honrar a memória do incauto Paulo Francis privatista de 1996, submetido a processo intimidador depois de afirmar que “os diretores da Petrobras” constituíam “a maior quadrilha que já atuou no Brasil”. Mas, num tour de force, os neo-historiadores da corrupção já se aventuram em tempos anteriores, reavivando a memória da ditadura militar, que converteu em potências a Odebrecht, a Camargo Corrêa, a Mendes Júnior e a Queiroz Galvão, além de servir de berço para a OAS e a UTC. Logo, sua ira santa nos conduzirá ao estouro da bolha do Encilhamento, sob Deodoro da Fonseca, e às aquisições de escravos traficados ilegalmente por Paulino José de Souza, então ministro do Exterior, no Segundo Reinado.

O foco nos “500 anos de corrupção” não se destina a recordar que a corrupção nasceu antes de 2003, pois o óbvio dispensa explicação. A finalidade é entorpecer-nos, normalizando o escândalo em curso. Eles almejam dissolver a corrupção investigada na corrupção falada e o presente singular (a colonização partidária da Petrobras) no genérico histórico (a captura do poder público por interesses privados). Somos assim, sempre fomos, sussurram, inoculando-nos o soro da letargia, enquanto o ministro da Justiça critica a “politização” do escândalo (não a da Petrobras!). A corrupção mora na índole do povo brasileiro: “Cada um de nós tem um dedão na lama”, assegura um célebre empresário, enquanto a presidente antecipa que pretende violar a lei sobre declaração de inidoneidade (“A gente não vai colocar um carimbo na empresa”).

Não há lei que puna a corrupção da linguagem. Nos tempos bons, o lulopetismo anuncia-se como o Ato Inaugural: “Nunca antes na história deste país”. Nos tempos ruins, exibe-se como vítima da Tradição: “Nunca foi diferente na história deste país”. Mas a contradição sempre tem o potencial para se superar como dialética. Na Austrália, Dilma se esqueceu do tão recente “mensalão” para rotular o “petrolão” como o “primeiro escândalo da nossa história que é investigado”. Os áulicos já a seguem (afinal, é para isso que existem), saudando o Ano Zero da guerra à corrupção.

“Dilma agora lidera a todos nós”, anuncia o empresário dos dedos sujos de lama – que, casualmente, tem como maior cliente a estatal Correios. A narrativa do Ano Zero descortina possibilidades ilimitadas. Dilma “não sabia de nada”? Esqueça. Nos 12 anos em que dirigiu a Petrobras diretamente (como presidente do Conselho de Administração) ou indiretamente (como ministra e presidente da República), os partidos da “base aliada” privatizaram a estatal, desviando dezenas de bilhões de reais. Não é que a Líder dos Imundos “não sabia”. Sabia – mas, sábia, deixou a operação se alastrar para, no Ano Zero, pegar todos os bandidos juntos. Ah, bom!

Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.

Um Comentário

  1. É preciso mesmo privatizar essas companhias, bancos etc. O caso da Petrobras é um excelente exemplo para privatizar.

    Ao Estado apenas as funções de Estado.

    E, mesmo assim, ainda há as “licitações” para dar prejuízo ao povo.

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  2. Pois é, tem que privatizar tudo, como fizeram aqui no TUCANISTÃO, com Banespa, Nossa Caixa, Rodovias, CPFL, e até com a ÁGUA.

    Deve ser por isso que aqui no TUCANISTÃO não existe corrupção, os políticos são todos honestíssimos, não é preciso instaurar CPIs, o MP dá o maior sossêgo ao Judiciário, que por sua vêz, utiliza-se da folga para reivindicar mais tempo de férias forenses, auxílio educação, moradia, ar condicionado e estagiárias gostosas.

    Também está sobrando dinheiro público após a privataria e os nobres Tucanalhas estão investindo como nunca em Educação ( nunca na história desse estado os professores ganharam tão bem ), na Saúde ( sobram médicos e enfermeiras nos postos de atendimento do estado e todos estão recebendo salários de primeiro mundo ) e principalmente na Segurança Pública, onde os índices da criminalidade desabaram, são comparáveis aos da Suiça e já são melhores que os da Dinamarca, tudo devido aos altíssimos investimentos nas polícias estaduais, onde os PMs ganham muito bem e não precisam trabalhar nos antigos bicos, gozando do merecido descanso em seus horários de folga ao lado dos familiares. Os Policiais Civis, foram reconhecidos financeiramente pelo trabalho importante e a responsabilidade que carregam nas costas, sendo remunerados à altura e tendo seus direitos ( Aposentadoria especial – correção pela URV – promoção por tempo de serviço ) consagrados e respeitados pelo governo/patrão.

    TUCANISTÃO – UM EXEMPLO DE PAZ E HONESTIDADE PARA O MUNDO.

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  3. PRIVATARIA É NO TUCANISTÃO,
    Vocês são burros, despreparados ou é SÓ má fé mesmo?
    O PT está fazendo a mesma coisa, mas agora sem usar a palavra tão em moda (e DESEJADA pela população de outrora!): privatização. O povo, em 1994/1998, queria que tudo fosse privatizado. E continua querendo que tudo NÃO seja feito pelo Estado, embora tenha de ser de graça… Por isso, agora usa-se o termo “concessão”. Esse é o termo técnico para a atividade de privatização. Ou vocês, militantes, não sabem dessa coincidência?
    Em serviço público não há privatização; há só a transferência da EXECUÇÃO de um serviço público para um PARTICULAR. Mas o dono do serviço continua sendo o Poder Público. Se ele quiser retomar, ele retoma.
    Quer exemplos de “privatização” PTista? O SUS, na parte da municipalidade, na cidade de São Paulo… Tudo feito por O.S… E todas as O.S vinculadas a Universidades… E quase todas as Universidades dirigidas por “esquerdistas” PTistas…

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  4. Eu digo que o Brasil esta mudando, nos últimos 10 anos. O pior é que o Estado pujante, com a politica de 20 anos, vem sendo alcançado, vide link abaixo. Em breve quando iguais teremos a maiores taxas e imposto mais altos do Brasil, ai iremos no gabar de quê?

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  5. http://tijolaco.com.br/blog/?p=23276

    Corrupção, como já disse é inerente ao sistema capitalista. Corruptos e Corruptores. O pior que qualquer coisa fora disso, principalmente uma investida pífia no campo social é Comunismo, Socialismo e agora mais recente Cubanização, Venezuelização e Bolivarismo.

    Quem quer se vender ai, quem quer dinheiro!!!!

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