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Governo investiga delegados da Lava-Jato por apoio a Aécio
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14 Nov 2014
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Policiais postaram na Internet, durante campanha, propaganda a favor do tucanoBRASÍLIA
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou que a Polícia Federal (PF) abra investigação para apurar suposto desvio de conduta de delegados que estão à frente da Operação Lava-Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras, com pagamento de propina a políticos. Na fase final da campanha eleitoral, os delegados usaram a internet para elogiar o senador Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, e atacar a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, segundo informou o jornal “O Estado de S. Paulo”. Alguns delegados teriam até ajudado a divulgar a candidatura de Aécio. A propaganda reproduz reportagem sobre parte da delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Os depoimentos da delação estão sob segredo de Justiça.
Procuradores apoiam delegados investigadosEntre os delegados a serem investigados estão Márcio Anselmo, ex-coordenador da Lava-Jato, e Erica Mialik Marena, atual coordenadora da operação. Estão ainda nessa lista o delegado Igor Romário de Paula, da Divisão de Combate ao Crime Organizado e Maurício Grillo, chefe da Delegacia de Crimes Fazendários. – Todos os cidadãos têm liberdade de manifestação, não importa se favoráveis ou contra o governo. Mas, da mesma forma, quem preside uma investigação deve agir com imparcialidade. Tem o dever de não endossar vazamentos indevidos nem orientar investigações a partir de seus pontos de vistas pessoais – disse Cardozo. Na investigação, a Corregedoria Geral da PF deverá apurar se houve crime ou deslize ético na conduta dos delegados. Segundo o ministro, se for comprovada alguma ilegalidade ou quebra de princípios éticos, os policiais serão punidos. Cardozo não especificou as punições previstas em casos assim. Porém, no ministério, há o entendimento de que a demissão é uma delas. – Nós jamais podemos admitir partidarização de nenhuma investigação, sejam investigações que ataquem adversários do governo, sejam investigações de partidos vinculados ao governo – disse Cardozo. O ministro não informou se os delegados serão afastados da Lava-Jato. Segundo “O Estado de S. Paulo”, alguns delegados usaram o Facebook para compartilhar peça de campanha de Aécio, que reproduzia trechos de reportagem sobre depoimento em que Youssef teria dito que Dilma e Lula sabiam das fraudes na Petrobras. “Esse é o cara!!!!!”, teria escrito Igor de Paula, diante de uma montagem de Aécio cercado de mulheres. “Alguém segura essa anta, por favor”, escreveu Márcio Anselmo, ao comentar um texto intitulado “Lula compara o PT a Jesus Cristo”. O ex-coordenador da Lava-Jato também reagiu a uma outra notícia em que Lula diz que Aécio não era homem de respeito. “O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula, Aécio realmente não deve ser”. Maurício Grillo escreveu “Acorda!”, ao comentar um texto com o título “Lula e Dilma sabiam de tudo”. “Dispara venda de frauda em Brasília”, escreveu Erica Marena, ao comentar depoimento de Youssef. Integrantes da direção da PF acreditam, no entanto, que os delegados não cometeram crime, mas alguns deles podem acabar sendo enquadrados por infração administrativa. Os procuradores da força-tarefa da Lava-Jato divulgaram nota em apoio aos delegados. Para os procuradores, não haveria problema algum na atuação dos policiais. “Em nosso país, expressar opinião privada, mesmo que em forma de gracejos, sobre assuntos políticos é constitucionalmente permitido, em nada afetando o conteúdo e a lisura dos procedimentos processuais em andamento”, afirmam os procuradores. |
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Arquivo diário: 14/11/2014
Delegados da PF elegem sua lista tríplice para diretor-geral 15
Redação
12 novembro 2014 | 04:00
Pela primeira vez na história da instituição, delegados apontam três nomes como sugestão à Presidência da República, que tem prerrogativa de fazer a escolha
Por Fausto Macedo
Os delegados de Polícia Federal elegeram sua lista tríplice para escolha do futuro diretor-geral da corporação. A classe elegeu os delegados Roberto Troncon, superintendente regional da PF em São Paulo, Sérgio Fontes, diretor de gestão de pessoal e ex-diretor da Academia Nacional de Polícia, e Sérgio Menezes, superintendente regional da PF em Minas.
A lista, que tem caráter de sugestão, será levada ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e à Presidência da República. O atual diretor-geral da PF é o delegado Leandro Daiello. Ainda não está decidido se ele vai permanecer no topo da corporação no segundo governo Dilma Rousseff (PT).
O pleito, o primeiro na história da categoria, foi conduzido pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), pelos sindicatos dos delegados em todo o País e pela Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol). Votaram 790 delegados, dos cerca de 2,1 mil associados. O voto foi facultativo.
A escolha do chefe da PF é prerrogativa exclusiva da Presidência da República. Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, o governo editou a Medida Provisória 657, que os delegados batizaram “MP da Autonomia”. O texto impõe que o topo da instituição será ocupado exclusivamente por delegado de carreira da PF.
A MP já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e, nesta terça-feira, 11, pelo Senado, mas sofre pesada resistência dos procuradores da República e de agentes, escrivães e peritos da própria PF. Os procuradores avisam que podem ir ao Supremo Tribunal Federal contra a medida.
A MP não alterou a competência para a indicação do diretor-geral, ato que continua sendo de atribuição apenas do Palácio do Planalto.
“A lista tríplice é uma sugestão”, assinala o presidente da ADPF, Marcos Leôncio Sousa Ribeiro, artífice das principais conquistas obtidas nos anos recentes pelos delegados de Polícia Federal.
As entidades dos delegados criaram um site exclusivo para o processo de votação. “Estamos colocando como uma sugestão, uma contribuição para auxiliar a Presidência da República no aperfeiçoamento do processo de escolha da direção-geral da Polícia Federal como uma polícia verdadeiramente republicana como deseja a sociedade brasileira”, declarou Marcos Leôncio Sousa Ribeiro.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) concluíram na última sexta feira, 7, o processo eleitoral que definiu os três nomes de delegados federais de classe especial que irão compor a lista tríplice para escolha do próximo diretor geral da PF.
O processo de formação da lista foi dividido em duas fases, ambas com votação direta e secreta, por uma comissão eleitoral composta por representantes da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal e da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal.
Agora, os nomes serão entregues ao ministro da Justiça e à Presidência da República, “em data e forma a ser acordada”. Antes, a lista será levada ao atual diretor-geral. As entidades vão pedir o apoio de Leandro Daiello.
“A medida pretende trazer uma maior justiça e legitimidade na escolha do próximo diretor-geral da Polícia Federal”, informam as entidades dos delegados da PF.
CONHEÇA O PERFIL DOS TRÊS DELEGADOS INDICADOS PARA O CARGO DE DIRETOR GERAL DA POLÍCIA FEDERAL
1) ROBERTO TRONCON FILHO é graduado bacharel em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto. Ingressou na Polícia Federal como Delegado em 1995. Em 2007 atuou como Diretor de Combate ao Crime Organizado e desde 2011 é Superintendente Regional da Polícia Federal em São Paulo. Troncon também já foi chefe do Setor de Operações da Delegacia de Repressão a Drogas, chefe das Delegacias de Repressão a Drogas, de Repressão a Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro em São Paulo e chefe da Delegacia Especial no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
2) SÉRGIO BARBOZA MENEZES graduou-se em Direito pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduado em Direito Penal e Direito Processual Penal pela Universidade Cândido Mendes. Especializado em Gestão de Segurança Pública pela ANP (Academia Nacional de Polícia), Sérgio ingressou na Polícia Federal como delegado em 1996. Três anos depois foi Chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada e de Chefe da Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários na Superintendência do Rio Grande do Norte. Em 2000 se tornou Chefe da Seção de Coordenação de Ensino na ANP. O delegado exerceu a função de Chefe de Divisão e de Chefe do Serviço de Manutenção em Brasília/DF. Em 2006 foi Chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul. Atuou como Superintendente nos estado do Espírito Santo e atualmente é o dirigente regional da Superintendência de Minas Gerais.
3) SÉRGIO LÚCIO MAR DOS SANTOS FONTES foi advogado civil, criminal e trabalhista por dois anos e atuou como Chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes no Amazonas de 1996 a 2002. Foi Delegado Regional Executivo e Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado no Amazonas. Atuou como professor da Academia Nacional de Polícia e Superintendente nos Estados de Rondônia, e Amazonas. Antes de se tornar diretor de Gestão de Pessoal, foi diretor da Academia Nacional de Polícia (ANP). Sérgio Fontes também fez cursos como SWAT TEAM (Programa de Assistência Anti-Terrorista do Departamento de Estado dos EUA) e Gerência de Segurança Pública no International Law Enforcement Academy Roswell pelo Departamento de Estado do EUA.

