“PEC DA PARCERIA”
Dr. Guerra,
Ao longo de mais de duas décadas na carreira, esta é a primeira postagem que aqui encaminho. Delegado de Polícia de carreira, não poderia deixar de me posicionar quanto a publicação neste blog do recente trabalho gerado pelo Ministério Público: “Carta de Angra dos Reis”.
É certo supor: questões de altíssimo interesse público, como a persecução criminal, e a tendenciosa proposição ministerial de extinção da figura do Delegado de Polícia, merecem ser debatidas em ambiente paradisíaco. Preferencialmente guarnecido com quitutes saborosos. Regados por finos e delicados coquetéis.
Entretanto, é salutar lembrar que à imensa maioria do povo brasileiro jamais se estenderão tais confortos turísticos, ou privilégios gastronômicos.
Proporções guardadas, resulta a óbvia constatação de que idênticas privações materiais desmotivadoras: de natureza estrutural, e principalmente salariais, ocorrem a todos os policiais operacionais e também aos policiais operadores do direito em nosso país, leia-se: Delegados de Polícia, que com notórias dificuldades de meios, e empenho da própria vida, atuam perante o crime, nas madrugadas dos grandes centros ou dos mais distantes rincões brasileiros.
A boa razoabilidade nos permite entender que a referida carta de pretensões nos colocou, atônitos, entre “dois Brasis”: o da realidade, e o do “faz de conta”. O mesmo mostrado na ficção dos filmes estrangeiros.
Que fique claro que este subscritor jamais ousaria rotular de pretensiosos os dignos representantes do “parquet”. Soaria atitude deselegante. Corriqueira, meio comum, num blog policial visitado por servidores vocacionados, interessados em melhorias no serviço público.
Assim como os nobres Promotores de Justiça redatores da referida carta, nossa postura é também a de procurar caminhos. Construtivamente, sem revanchismos, além de mostrar que é possível resgatar a dignidade policial, tentar criar uma via alternativa. Reaproximar os distantes “Brasis”, aqui comparados.
É o que fazemos no texto “CONSTITUIÇÃO INACABADA”, anexo em pdf, que mesmo redigido tempos atrás, se mantém atualizado e certamente pertinente, o qual rogamos, seja publicado juntamente com esta mensagem integralmente neste disputado blog.
Com o apoio das instituições envolvidas, por satisfazer interesses díspares, ele pode facilmente ser convertido em uma proposta de emenda constitucional. Que facilmente seria votada e aprovada no Congresso Nacional. Estaríamos aqui lançando alicerces de uma racional “PEC da parceria”?
Que o bom senso impere, em desfavor da criminalidade, nosso único e real inimigo. E que entre o Ministério Público e a Polícia Judiciária, instituições indispensáveis ao bom funcionamento da justiça, seja gradativamente construído um clima de paz, harmonia jurídica e necessária boa convivência profissional. Em prol da sociedade brasileira, razão evidente, maior, da existência do serviço público.
Me identifico em “alto e bom som”, nominalmente ao fim do texto encaminhado. Ainda que completamente desconhecido, orgulhosamente, sou: Delegado de Polícia, da Polícia Civil do Estado de São Paulo!
Wladimir Gomes de Souza



