CARTA ABERTA AOS DELEGADOS DE POLICIA 21

Vivenciei, até aposentar-me em 1991, três grandes movimentos de nossa classe. Nenhum, entretanto, tomou as proporções que o presente movimento já tomou, fruto de um conjunto de sentimentos que invadiu a classe, no qual se entrelaçam: inconformismo, desesperança, determinação, fibra e coragem.
Já na década de 1970 cogitou-se de greve, mas não se conseguiu mobilização suficiente, não por falta de coragem ou liderança, mas pelo apego à liturgia do cargo e à missão do Delegado de Polícia. De qualquer maneira, o Governo dialogou com a classe e, pelo menos em parte, cedeu aos nossos reclamos.
Agora a greve eclode: inédita, forte, legítima e legal, potencializada pelas lideranças emergentes, pela intercomunicação instantânea, pelas passeatas, pela mídia e até pela pressão do Governo.
Inscrevi-me no grupo e tenho, com viva emoção, acompanhado seu desenrolar, especialmente pelas mais de 8000 mensagens guardadas em meu computador. Achei que não me cabia incentivar a greve, não por discordar dela, mas porque, como aposentado, não estaria dando “a cara a tapa” como o(a)s colegas da ativa.
Fui, no dia 24 de setembro, convidado a participar de uma reunião com os Secretários de Gestão e da Segurança, presentes o Delegado Geral e mais quatro Conselheiros. Aceitei após esclarecer que não estaria representando ninguém e limitar-me-ia a ouvir. Nessa reunião, os Secretários expuseram aos presentes a proposta que o Governo entendia, financeira e politicamente, possível: 4,5% de aumento, extinção da 5ª classe, supressão ao ALE de menor valor e elaboração de projeto de lei sobre aposentadoria especial.
Vou limitar-me a sintetizar o que, ao final, eu disse aos Secretários (por não confiar na memória, anotei os pontos principais):
1. reafirmo que aqui não represento nenhuma entidade ou movimento;
2. a situação da classe é insustentável;
3. a proposta é inaceitável;
4. é falácia argumentar com a limitação da Lei de Responsabilidade Fiscal, dado que o próprio Tribunal de Contas do Estado entende que, para atender ao mandamento constitucional de revisão geral e anual dos vencimentos dos servidores públicos, não incide tal limitação;
5. já em 1983, presidi Comissão que elaborou projeto de reestruturação da Polícia Civil, que nenhum governo prestou-se a prestigiar e adotar. Como acreditar que o atual projeto vingue e nos aparte da PM? Só a extinção da 5ª classe não será suficiente;
6. a política de concessão de gratificações pontuais e não incorporáveis é errada e diversionista;
7. marginalizar os aposentados e as pensionistas dos reajustes é covardia (textual), dado não terem estes e estas capacidade de reação e de mobilização;
8. não é verdade que o Governo não dispõe de recursos para atender a classe, dado que, no final do ano passado, o superávit primário do Estado estava em R$ 17,2 bilhões ([1]);
9. assim, o limite de R$ 500 milhões anunciado como limite fixado pelos órgãos de planejamento e fazendários para custear o reajuste poderia e deveria, por decisão política do Governador, ser revisto e aumentado;
10. o problema da Polícia Civil deveria ser tratado separadamente da PM, dado não ser justo que ela se aproveite do movimento da Polícia Civil para beneficiar-se, ainda mais quando disso se utiliza para usurpar funções;
11. o Governo cometeu alguns erros crassos, jogando gasolina na fogueira: puniu o Presidente da ADPESP e o Seccional de Barretos; determinou que Diretores exerçam pressão sobre os colegas; mandou a PM fazer B.O. “Secretário: isso é a mesma coisa que xingar a mãe da gente” (textual);
12. a promessa de mandar projeto de lei restabelecendo a aposentadoria especial pouco representará para os colegas da ativa, em face da perda de 25% relativos às vantagens não incorporáveis, enquanto estas tiverem essa natureza;
13. o fato do Governo afirmar que não negocia durante a greve é relativo, pois nada impede que terceiros façam essa intermediação, dando como exemplo a OAB;
No dia 26 recebi convite para nova reunião, ocasião em que o Secretário Beraldo apresentou aos presentes praticamente a mesma proposta. Admitiu como opção a permanência do ALE 1, aproveitando essa verba para aumentar de 4,5% para 6,2% o índice do reajuste geral. Confirmou que o Governo concordara em mandar o projeto de lei sobre a aposentadoria especial e o projeto de reestruturação, no qual a 4ª Classe passaria a “virtual”, ou seja, nela seriam nomeados os Delegados que ingressassem na carreira, permanecendo durante o estágio probatório, com promoção automática à 3ª Classe, ao fim daquele período, fixando-se em 10% a diferença entre as classes.
Ficou assentado que os Conselheiros passariam essa propostas aos respectivos Delegados, ocasião em que, com palavras textuais, reafirmei: “Acho a proposta inaceitável e não serei interlocutor ou defensor dela perante os colegas”.
Há diversos motivos para ter achado e ainda achar, tal como está, inaceitável a proposta: a) percentual irrisório; b) falta de previsão para os anos seguintes; c) manutenção: c.1) da política de gratificações que não se incorporam e que inviabilizam a aposentadoria; c.2) da discriminação dos aposentados e pensionistas; c.3) da 4ª Classe; c.4) da vinculação com a PM; d) do pequeno percentual (10%) entre as classes.
O maior motivo, talvez, seja o seguinte: A aceitação pura e simples da proposta de eliminar somente a 5ª Classe, dará ao Governo, a um custo ínfimo, a alforria de não ser mais o Pior Salário Do Brasil, gravame político que muito o incomoda e que representa o grande trunfo que a classe perderá.
Enquanto essas consultas eram feitas, eis que, nesta segunda-feira, em reunião realizada na ADPESP, deliberou-se suspender a greve por 48 horas.
Li, desde então, todas as mensagens que circularam na nossa página da Internet. Essa leitura é que me fez escrever esta carta, profundamente preocupado com a situação.
Não vou entrar no mérito de ter sido oportuna ou inoportuna tal suspensão, correta ou incorreta a forma pela qual foi decidida. São ponderáveis as razões de um e outro lado. “Não custa suspender o movimento, até para passar a bola para o Governo e demonstrar que é dele o radicalismo”, dizem uns. “Parar a greve é mostrar fraqueza, ainda mais quando não foi decidida em assembléia”, afirmam outros.
A vida e a advocacia ensinaram-me a encarar o fato. O fato é que esse episódio está dividindo a classe, para gáudio do Governo. Isso, não podemos aceitar!
Embora não integre o Comando de Greve e seja um mero integrante do grupo, é em nome da união da classe que me dirijo aos colegas, não sem antes de redigi-la ter pedido inspiração aos queridos ex-presidentes e grandes líderes da nossa classe, a quem, em vida, aprendi a estimar, ouvir e respeitar: Amir Neves Ferreira da Silva, Mauricio Henrique Guimarães Pereira, Ivahir Freitas Garcia, Coriolano, Nogueira Cobra, Francisco Guimarães do Nascimento, Newton Fernandes, Jair Cesário da Silva, Antonio Ribeiro de Andrade e Guilherme Pires de Albuquerque.
Não há tempo hábil e nem condições práticas e emocionais para um imediato consenso. Suspendam, por favor, as críticas e as retaliações pessoais! Quem acha que deve prosseguir com a greve, faça-o, sem críticas dos que discordam. Quem quiser suspendê-la, que o faça e seja respeitado por isso.
Nesse ínterim, ante o fato posto, vamos ver o que o Governo faz com a bola que recebeu (a contra-proposta). É a vez dele falar!
Sobre o que vier a falar (ou não falar), a classe reunida e “re-unida” adotará, em assembléia promovida pela ADPESP, o que achar justo e, aí, todos se obrigarão quanto ao democraticamente decidido.
Se tiver restado, enquanto isso, dúvida sobre o comportamento de algum colega, ao final – e só então – o Conselho de Ética da Associação poderá ser acionado para apreciá-lo.
Por fim, uma palavra aos colegas e amigos Diretores, Seccionais e Divisionários, companheiros de antigas lutas, a quem guardo grande estima e profundo respeito e aos quais rogo indulgência por incluí-los nesta carta.
Compreendo a difícil e delicada posição de vocês. Nem sempre é possível atender aos interesses do Governo e da Classe, interesses que em regra se contrapõem. Mas é imperioso tentar. Respeitem a postura dos colegas que aderiram à greve, cujo respaldo de legalidade foi dado pelo Poder Judiciário e que, no fundo, atuam em benefício de seus próprios interesses (leia-se: vencimentos).
Sabemos nós que, no fundo, vocês concordam com os reclamos da classe, justos e antigos. Se for o caso, avoquem a ocorrência que o colega não atendeu e dêem-lhe a solução adequada. Pressionem “de leve”. Não “entreguem”. “Jogo de cintura!”.
Não permitam retaliações. Sejam paternalmente tolerantes com os mais jovens.
O Governo é frio, impessoal e ingrato. O cargo é passageiro. O poder é efêmero e enganoso. Nossa consciência é severa. A memória da classe é duradoura.
Que Deus a todos nos inspire e guarde.
São Paulo, 7 de outubro de 2008.
KFOURI.

Na realidade estamos mais unidos do que nunca. Mas o nó está preso na garganta…é desabafo…14 anos sem poder falar nada… 9

elvira disse…
Na realidade estamos mais unidos do que nunca. Mas o nó está preso na garganta…é desabafo…14 anos sem poder falar nada…
8 de Outubro de 2008 17:26
Anônimo disse…
COMO LEITOR ASSIDUO DO BLOG OPINO-
DEPOIS DAS DECLARAÇÕES DOS DELEGADOS DO CPC ,DEPOIS DA POSIÇÃO DA ADPESP, DEPOIS DA DESUNIÃO DO MOVIMENTO, AGUARDEM E COBREM DEPOIS :
A GREVE DOS SENHORES JÁ ERA, NA PAULISTA HAVERÁ NO MAXIMO 100 A 150 ISSO SE OS APOSENTADOS COM SAUDE COMPARECEREM , O GOVERNO VAI DAR O INDICE JÁ CONHECIDO , VAI ACABAR COM A 5 CLASSE PARA TODAS AS CARREIRAS COMO FEZ COM A PM 2 TENENTE.
A TAL GRATIFICAÇÃO NAO INCORPORADA CONTINUARA, OS APOSENTADOS FICARAM VENDO NAVIOS, O PROJETO VAI PARA A ASSEMBLEIA, DEPUTADOS DA OPOSIÇÃO FARÃO INUMERAS EMENDAS “MARAVILHOSAS” OS DEPUTADOS DA BASE DO GOVERNO DIRÃO QUE ESSAS EMENDAS DEVERIAM SER APROVADAS MAS SÃO INCONSTITUCIONAIS AI O PROJETO DO SR GOVERNADOR SERA APROVADO E MAIS UMA VEZ A POLICIA VAI FICAR DESMORALIZADA.
COMO PESSOA , SERIA O HOMEM MAIS FELIZ SE ESSA MINHA OPINIÃO ESTIVER TOTALMENTE ERRADA

DITADURA AGAIN!!!!!!!!!!! 7

Anônimo disse…
O pior é que nos tentam silenciar a pulso, violentando nossos ideais, e desprezando as demais carreiras!!!!!!!!!!!!!!!
ESTÃO BLOQUEANDO O ACESSO DO SITE NAS DELEGACIAS!!!!!!!!!!!!
É SÓ METER A BOCA QUE NO DIA SEGUINTE ELES BLOQUEIAM!!!!!!!!!!!
DITADURA AGAIN!!!!!!!!!!!
PAU NO JOSÉ XIRICO SERRA!!!!!!!!!!!!!
8 de Outubro de 2008 11:29

OS POLICIAIS CIVIS SÃO INTELIGENTES… 4

E não se deixam levar por Blog, por políticos, por comentários ou pelos sindicatos e associações.
Sabem ouvir, sabem ler e, ao final, discernir entre a verdade e a mentira.
Engana-se quem acha que a liberdade de manifestção causa prejuízos …
Liberdade de manifestação não DENIGRE…
Edifica, sempre!
O funcionário público tem o dever de conviver com as críticas; por mais severas e injustas que sejam.
E devem dar respostas com condutas honestas, jamais com desconsideração, silêncio e retaliações…
Mentiras não causam medo.

MARÍLIA E REGIÃO 3

Policiais Civis de Marilia e Região estiveram reunidos na sede da OAB-SP e descidiram pela continuidade da paralização, sem a tregua de 48 horas.
O plenário contou com cerca de cento e vinte policiais de todas as categorias.

NÃO É NADA FÁCIL LER E DIVULGAR POSIÇÕES CONTRA OS DELEGADOS…MAS A NOSSA OBRIGAÇÃO É PROVAR O CONTRÁRIO OUVINDO E RESPEITANDO OUTRAS VOZES 13

Anônimo disse…
Porra Guerra, eu até admiro seu blog e já fiz muitas postagens por aqui, mas isso está virando uma batalha entre a própria polícia civil.
Realmente sem os operacionais a polícia desanda, mas sem os Delegados ela também para.
É fácil ficar divulgando todas essas posições contra os Delegados, fomentando toda essa mágoa Difícil será manter a classe unida depois do vendaval que, acreditem, passará.
Sou Delegado e sei fazer o serviço de qualquer um na polícia, carcereiro, tira, escrião, optel…
Você também deve ser assim, e muitos outros também são.
Esses brigões tem que entender que seria um favor eles fazerem de fato o que alardeiam aos quatro ventos em seu blog.
Sobrariam aí sim os bons Delegados e isso só fortaleceria aind mais a classe.
Será que não existem escrivães bêbados, tiras drogados e corruptos em todos os cantos?
Vamos acordar porra!
_________________________________________________
VAMOS ACORDAR…
DE FATO!
NÃO NOS JUSTIFICAREMOS – JAMAIS – COM ALEGAÇÕES DO TIPO: BÊBADOS, DROGADOS E CORRUPTOS EXISTEM EM TODOS OS CANTOS.
ISSO NOS APROVEITA?
DEVEMOS CONTINUAR O ANTIGO DISCURSO : HÁ CORRUPTOS EM TODAS AS PROFISSÕES?

COMUNICADO URGENTE! 23

Face a repercussão, em toda a mídia, da atitude inconseqüente tomada pelo Dr. Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados de Policia – ADPESP, dando conta da pretensa suspensão da greve na Polícia Civil, a partir das 8hs. do dia 08/10/08, a “Representação Coletiva dos Policiais Civis de São Paulo” vem a público para, mais uma vez, esclarecer o seguinte:
a) O movimento dos policiais civis continua firme e forte.
Não houve racha e sim uma decisão infeliz e unilateral, por parte de quem não tem legitimidade para deliberar sobre a greve em andamento;
b) A greve da Policia Civil tem o amparo, de uma liminar do TRT, convalidada pelo STF, sendo portanto legal, além de justa e necessária;
c) A “Representação Coletiva” mantém a decisão de só receber qualquer proposta que tenha cunho oficial e possa ser regularmente debatida, pela base da Categoria, que tem suficiente maturidade para decidir sobre os caminhos que deve trilhar;
d) Como prova da coesão do movimento grevista dos policiais civis, será realizada uma grande concentração, no dia 10/10/2008 (sexta-feira), a partir das 13:00 hs, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, para consolidar nossa determinação em defesa da dignidade da função policial e da segurança pública verdadeiramente voltada para população de São Paulo.
São Paulo, 7 de outubro de 2008 Pela “Representação Coletiva dos Policiais Civis”João Batista Rebouças da Silva Neto
Presidente do SIPESP
Jarim Lopes Roseira
Pelo Sindicato dos Policias Civis de Mogi das Cruzes e Região

A PALAVRA TRAIÇÃO É FORTE E INJUSTA, PRINCIPALMENTE PORQUE CONTINUAMOS NA BRIGA PELO MESMO IDEAL 35

SENHORES POLICIAIS CIVIS OPERACIONAIS, ACHO QUE ESTÁ HAVENDO UMA INVERSÃO DE VALORES NESSES COMENTÁRIOS A RESPEITO DE SUPOSTA TRAIÇÃO POR PARTE DOS DELEGADOS.

A IMPRESSÃO QUE SE TEM É QUE APENAS VOCÈS É QUE ESTÃO COM SALÁRIOS RUINS E OS DELEGADOS NÃO. NA REALIDADE, O PIOR SALARIO DO BRASIL É NOSSO E NÃO DOS OPERACIONAIS. VOCES PEGARAM “CARONA” NESSA FRASE CONSTRUIDA PELO SINDICATO DOS DELEGADOS.

ULTIMAMENTE TIVERAM 66% DE DEFASAGEM SALARIAL E NÓS DELEGADOS 96%, AMARGANDO A ULTIMA COLOCACAO NO RANKING SALARIAL.

PAREM DE CRITICAR. FALO POR MIM E PELOS DELEGADOS QUE CONHEÇO.

NINGÚEM ESTÁ TRAINDO NINGUEM. COMO VOCÈS, ESTAMOS MOBILIZADOS A PARAR NOVAMENTE CASO O GOVERNO NÃO CONCORDE COM NOSSA PROPOSTA.

ALIAS, TAL PROPOSTA É PARA TODAS AS CARREIRAS E NÃO APENAS DE DELEGADOS.

TENHAM CONSCIENCIA DE QUE ESSA GREVE SÓ CHEGOU ATÉ AQUI EM RAZÃO DO DELEGADO DE POLICIA TER ASSUMIDO O MOVIMENTO GREVISTA, JÁ QUE QUEM TEM O PODER DE DECISÃO É A AUTORIDADE POLICIAL.

NÃO SE ESQUEÇAM, ESTAMOS DO MESMO LADO E MESMO DIANTE DESSE RECUO MOMENTANEO DA ADPESP, A PALAVRA TRAIÇÃO É FORTE E INJUSTA, PRINCIPALMENTE PORQUE CONTINUAMOS NA BRIGA PELO MESMO IDEAL.

ACHO QUE ESSE MOMENTO É PARA REFLETIR QUE CHEGOU A HORA DOS OPERACIONAIS ASSUMIREM DE VEZ A GREVE. SE O DELEGADO MANDAR FAZER O B.O, MANDAR FAZER ESCOLTA, EXPEDIR O.S, DIGAM A ELE: ESTOU EM GREVE: É SEU DIREITO ESTAR EM GREVE, MAS ASSUMAM TAL POSIÇÃO.

( comentário de Dr. Paulo)

A greve da Policia Civil inicia-se na data de hoje… 22

Senhores,
acreditem a greve da Policia Civil inicia-se na data de hoje, realmente a Associação dos Delegados foi quem parou a Policia com o consentimento do Conselho, fazer “greve” com a permissão de Delegado é muito facil.. fazer “greve” com o consentimento do superior( Secc., Diretores,etc) é bom demais, agora fazer greve correndo o risco, bem senhores…, é para trabalhador que vive de salário, não para covardes…
8 de Outubro de 2008 14:13

O bom exemplo dos delegados…SERÁ? 2

Quarta-Feira, 08 de Outubro de 2008
O bom exemplo dos delegados
Depois de 20 dias em greve, uma das categorias da Polícia Civil de São Paulo, a dos delegados, aceitou a proposta de trégua do governo, voltou ao trabalho e decidiu discutir suas reivindicações com as Secretarias da Segurança Pública e de Gestão Pública.
“Isso era o melhor para a instituição e para a classe”, disse o líder da categoria, Sérgio Marques Roque.
Trabalhando na área de inteligência, antes da greve, ele foi um dos primeiros delegados a serem afastados de suas funções.
A decisão do presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, que deu o prazo de 48 horas para que o governo retome as negociações salariais, enfraquece as demais categorias, principalmente as dos escrivães, investigadores e funcionários técnico-científicos, bem como as entidades que representam os policiais aposentados.
Apesar de chamados de “traidores” pelos investigadores, os delegados decidiram recuar depois que algumas categorias radicalizaram o movimento paredista, aproveitando as eleições municipais para convertê-lo numa campanha política contra o governador José Serra.
“Achamos importante não fazer greve pela greve”, afirmou Roque.
Quando os trabalhos da Polícia Civil foram suspensos, os grevistas alegavam que estavam sem receber aumento real há mais de 14 anos e divulgaram um documento informando que 90% dos policiais hoje são obrigados a exercer outra profissão para completar a renda.
Escrivães, funcionários técnico-científicos e delegados pleiteavam 15% de reajuste, em 2008, mais 12%, no próximo ano, e outros 12%, em 2010.
Os delegados também defendiam o direito de escolher o delegado-geral pelo voto direto.
Em nota oficial, o governo paulista disse que essa pretensão não tinha fundamento, afirmou que concedeu aumento de 23,43% a todas as categorias policiais, no ano passado, prometeu apresentar um plano de reestruturação de carreiras e ofereceu um aumento de 4,2% no salário-base.
Segundo a Secretaria de Gestão Pública, se a reivindicação dos integrantes da Polícia Civil fosse atendida, a folha de pagamento do funcionalismo paulista, que é de R$ 7 bilhões, sofreria um acréscimo de R$ 3 bilhões.
Na tréplica, os grevistas divulgaram cópia de um relatório no qual os técnicos da Secretaria da Fazenda afirmam que os policiais civis ganham bem menos do que os policiais militares e descontam mais para o Instituto da Previdência do Estado de São Paulo (Ipesp), uma vez que o órgão não recolhe contribuição previdenciária de 5% sobre as gratificações, benefícios e demais vantagens que são pagas aos integrantes da Polícia Militar.
Com a reabertura das negociações, os delegados e o governo cederam.
Os delegados agora estão pedindo o restabelecimento da aposentadoria especial, por causa do risco da profissão; o fim das 4ª e 5ª classes, com a promoção dos delegados para a 3ª classe; e um reajuste de 15% no salário-base deste ano, deixando para discutir em outra oportunidade os aumentos pleiteados para 2009 e 2010.
Por seu lado, as Secretarias de Gestão Pública e da Segurança Pública ofereceram um reajuste de 6,2% a todos os policiais civis e propuseram a conversão das 4ª e 5ª classes em estágio probatório, além de manter a promessa de um novo plano de carreira.
Foi essa contraproposta que levou os delegados a reabrir as negociações.
Os líderes dos delegados acham que, agora, é possível chegar a um acordo com o governo.
Essa não é, contudo, a posição dos escrivães, dos investigadores, dos funcionários técnico-científicos e das associações de aposentados da Polícia Civil.
Os líderes dessas categorias decidiram manter a greve iniciada em 16 de setembro.
“A greve continua”, diz o presidente do Sindicato dos Escrivães, com apoio do presidente do Sindicato dos Investigadores.
A Polícia Civil de São Paulo não está entre as mais bem pagas do País.
Mas os policiais não podem negar à população os serviços a que ela tem direito, para pressionar o governo a atender a suas reivindicações.
Os delegados tiveram o bom senso de perceber esse fato.
Esse é o exemplo a ser seguido pelos demais grevistas.