OPERAÇÃO CASTELINHO – [ 12/05 ]
Laudo repercute entre líderes políticos
Marcelo Andrade
Notícia publicada na edição de 12/05/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 5 do caderno A
Emídio Marques
A divulgação do laudo do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo sobre as perícias realizadas na ação policial da Operação Castelinho repercutiu entre as lideranças políticas de Sorocaba. As opiniões são diferentes e revelam que as divergências abrangem o campo político, pois o fato ocorreu na administração do então governador e hoje secretário de Estado de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSDB). Enquanto tucanos defendem a ação, aqueles ligados à oposição chegam a caracterizar a ação policial com um massacre.
O deputado federal Antônio Carlos Pannunzio (PSDB), com base no que leu a respeito, alega que sua opinião, hoje, não difere do que disse à época da Operação. Não descarta a possibilidade de ter ocorrido reação policial desproporcionalmente maior do que a reação dos bandidos, mas salienta que é cômodo chegar a essa conclusão quando a própria vida não foi colocada em risco. Para ele, a existência de pólvora nas mãos de três dos integrantes da organização criminosa teria sido o suficiente para que os policiais disparassem. Os integrantes da facção criminosa estavam armados, eram de altíssima periculosidade e, diante disso, não seria lógico esperar que cada um disparasse sua arma para que só então a polícia atirasse.
O deputado federal Renato Amary (PSDB), que era prefeito na época, destacou que o assunto foi manchete em toda a mídia nacional, inclusive no próprio Cruzeiro do Sul, em 06 de março de 2002. Nossas opiniões foram calcadas em informações obtidas, provavelmente, das mesmas fontes da mídia e, também, pela própria mídia, onde se deu destaque à ação rápida e eficaz das Polícias contra o crime. Hoje, se apurados novos fatos sobre o caso, cabe a Justiça julgá-los, afirmou Amary.
A deputada estadual Maria Lúcia Amary (PSDB) também mantém sua linha de opinião em defesa da operação policial. Precisamos analisar a Operação Castelinho na época em que aconteceu. Em maio de 2002, São Paulo foi tomado pelo terror do PCC e a população pedia, mais do que nunca, pela segurança pública. O papel da Polícia Militar é proteger a população der crimes que afrontam o Poder Público e a sociedade em geral, ressaltou. Em relação ao laudo da perícia, ponderou: Acredito que o laudo é algo relevante e deve ser levado em conta no julgamento. No entanto, temos que ter a devida cautela e esperar o fim do processo que ainda está em tramitando e não julgarmos antes que o próprio juiz o faça.
Já o deputado estadual Raul Marcelo (Psol) foi taxativo em seu posicionamento sobre o laudo do IC. Esse fato aconteceu quando ocupava uma cadeira de vereador, sendo membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Sorocaba, portanto acompanho o caso desde o início. As informações que vieram à tona reforçam ainda mais a minha convicção de que não houve confronto, mas sim execução por parte da Polícia Militar, atacou.
O deputado estadual Hamilton Pereira (PT) tem o mesmo posicionamento. Para ele houve execução sumária e os responsáveis deveriam pagar pelos crimes que cometeram. Responsabilizou, além dos policiais, o secretário de Segurança Pública na época, Saulo de Castro, e o ex-governador Geraldo Alckmin. Em 2002, quando do acontecimento, nós havíamos dito que o Saulo tinha inaugurado uma nova forma de combater a criminalidade: a emboscada. Agora vem o depoimento da promotora e os laudos do Instituto de Criminalística que indicam execução. Espero que os envolvidos sejam julgados e paguem pelo crime, finalizou.