Quem ofender a Polícia Militar corre risco de vida em SP, diz governador
O ex-segundo tenente da Polícia Militar, Alessandro Rodrigues de Oliveira foi condenado a 60 anos de reclusão por participação no homicídio de três jovens no crime que ficou conhecido na Baixada Santista como “Caso da Cavalaria”.
O chacina aconteceu no dia 17 de fevereiro de 1999, uma quarta-feira de Cinzas; na ocasião o oficial tinha 23 anos de idade .
Se naquela época a sociedade não estivesse tão acostumada com as rotineiras chacinas ocorridas no estado de São Paulo , certamente teria ficado muito mais indignada e chocada do que ficou com a acontecida na cidade de São Vicente, durante a primeira gestão do Dr. Márcio França , como prefeito.
Somente por insistência dos familiares das vítimas, especialmente de uma das mães que foi funcionária do Tribunal de Justiça , tendo sido colega de Fórum do atual governador ( ele foi oficial de justiça ) , para as autoridades – especialmente os delegados da Polícia Civil – comprovarem que o assassinato de três adolescentes foi obra de policiais militares que os abordaram quando da saída do clube Ilha Porchat, para depois matá-los em Praia Grande.
A sangue frio e sob o comando do oficial.
O motivo segundo testemunhas da abordagem , ao ser chamado de “neguinho” por um dos policiais, uma das vítimas teria respondido: eu sou neguinho e tu é zulu !
As testemunhas descreveram o “negão” – posteriormente identificado – com porte de jogador da NBA , dois metros de altura por dois de largura.
A tal “ofensa” ( se é que ofensa houve contra o PM ) foi o bastante para ser esmurrado na cara e já cair ensanguentado .
Conforme os autos processuais , os jovens Anderson Pereira dos Santos, de 14 anos, Thiago Passos Ferreira, de 16 anos, e Paulo Roberto da Silva, de 21 anos, foram abordados de forma violenta pelos policiais quando saíam de um baile de carnaval no Ilha Porchat Clube, em São Vicente.
Paulo Roberto da Silva – o chamado de neguinho – foi violentamente agredido no local da abordagem; o adolescente Thiago – filho da ex-funcionária do Fórum – interpelou os policiais informando que a mãe era “procuradora” ( advogada do INSS ) .
Outra afronta não tolerada pelos cavalarianos, muito zelosos do pundonor PM.
Mas para ocultar a agressão e o abuso de autoridade os policias executaram as vitimas; o que é a verdadeira desonra até os dias de hoje para toda a PM.
Tal atrocidade jamais será esquecida, muito embora outras piores – no mesmo ano – tenham sido cometidas aqui mesmo em São Vicente e ao longo de quase duas décadas muitas outras em todo o estado.
Os corpos só foram encontrados 17 dias depois em um manguezal em Praia Grande.
Antes do encontro dos corpos, os policiais não admitiam sequer a abordagem. Porém, a localização de uma mancha de sangue no chiqueirinho (compartimento de presos) da Blazer vinculou os policiais de forma irrefutável às vítimas.
Exame de DNA revelou que a amostra hematológica coletada na viatura era de Paulo Roberto.
Os quatro policiais que participaram da ação pertenciam ao Regimento de Cavalaria 9 de Junho, da capital, e estavam no litoral reforçando o policiamento da temporada. Operação Verão!
Eles foram expulsos da corporação. Não deu para a corporação aliviar, embora as regalias dadas aos quatro, especialmente ao ex-oficial filho de um Juiz de Direito. Estudou Direito , se formou e fez estágio no Romão Gomes.
O ex-soldado Humberto da Conceição participou de três júris e, no terceiro, em setembro de 2007, foi condenado a 56 anos, mesma pena que o ex-soldado Marcelo de Oliveira Christov obteve em seu segundo júri, em abril de 2006.
Já o ex-soldado Edivaldo Rubens de Assis ( o “negão” que mandava mais do que o tenente ) foi condenado a 49 anos em seu segundo julgamento, em março de 2006.
No meado de 2009 , os três já tinham sido beneficiados pelo regime semiaberto.
Todas as investigações foram realizadas por policiais civis de São Vicente e equipe do DHPP, na época chefiada pela Drª Elizabete Sato.
No ano de 2007, numa decisão inédita, a Justiça de São Paulo bateu o martelo e fixou o valor mais alto de indenização a ser paga a mãe que perdeu seu filho de 17 anos nessa desastrada operação policial.
O Tribunal de Justiça condenou o erário paulista a pagar, de uma só vez, R$ 600 mil a Silvia Regina Ferreira Giordano mãe de Thiago Passos Ferreira ; mais a pensão mensal no valor de 2/3 do salário mínimo da morte do garoto até quando ele completaria 25 anos (2007). A partir daí, o valor da pensão reduz para 1/6 até quanto a vítima completaria 65 anos.
A procuradoria do estado ajuizou ação contra os ex-PMs buscando a satisfação dos prejuízos causados à Fazenda.
Curiosidade: o ex-tenente – até recentemente – mantinha vínculos com empresa Telexfree , uma arataca que lesou centenas de policiais militares deste estado.
Também foi acusado de falsidade ideológica e de captar clientes para escritório de advocacia especializado em atender PMs.
Verdadeiramente, o nosso governador sabe o que fala quando afirma que quem ofender a Polícia Militar corre risco de vida em SP.
O crime da Cavalaria foi cometido praticamente na porta da sua casa, na Ilha Porchat; que em 1999 ainda era um local muito valorizado e aprazível .
Certamente a guarnição da Cavalaria por lá estava cuidando dos bailes de carnaval animados pelo falecido Odarcio Ducci.
Governador, farda não é pele, não tem nada de sagrada ; a farda da PM não é extensão da bandeira estadual , tanto que a PM já trocou os seus cortes e cores diversas vezes conforme a vontade e os interesses de seus comandantes alfaiates.
Mudar a farda de cem mil policiais faz riqueza circular…
Cuidado governador, quem alisa rolo de cobra morre picado!
A PM – inebriada pelas palavras que sempre quis ouvir – pode interpretar seus arroubos retóricos como orientação superior e salvo-conduto para sair matando em legítima defesa da honra.
E as urnas – ou até a própria lei – lhe responsabilizarão caso ocorra alguma ação desastrada!
( Observação: se o esclarecimento desse hediondo crime fosse depender da PM os quatro homicidas estariam impunes ; se o eventual julgamento coubesse à comarquinha mais cara do mundo seriam absolvidos ou ainda os autos dormiriam até completar 20 anos e ser declarada a prescrição, como sempre acontecia quando o julgamento de homicídios cabia aos próprios militares. )

Odárcio Ducci e Elisabeth Ferreira recepcionando na festa Mares do Sul, que agitava os verões do Ilha Porchat Clube, em São Vicente.







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habeas corpus no STJ na segunda-feira (Nirley Sena/AT)

elo crime de lavagem de dinheiro (Reprodução/Facebook)