Edição do dia 09/04/2011:
09/04/2011 15h15 – Atualizado em 09/04/2011 15h15
Polícia de São Paulo muda estratégia para reprimir o tráfico de drogas
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Os produtores da TV Globo William Santos e Robinson Cerântula passaram 20 dias na região e gravaram imagens que mostram como agem os dependentes e os traficantes.
Glória Vanique São Paulo, SP
A feira de drogas começa às sete da noite e invade a madrugada. O comércio acontece livremente no centro da maior cidade do Brasil. Os traficantes disputam cada carro.
A luz que ilumina a calçada vem dos isqueiros, que passam de mão em mão, e acendem os cachimbos de crack.
No meio da rua suja, tomada por lixo que os carroceiros pegam dos escritórios, homens, mulheres e adolescentes se misturam no consumo de drogas.
A polícia grava tudo. Essa é a nova estratégia para identificar os traficantes. Só nessa rua são sete.
Até agora a polícia prendia assim que conseguia o flagrante, mas os traficantes jogavam a droga fora e logo eram soltos. Com tudo documentado, os policiais vão usar as imagens como prova nos processos para tentar limpar de vez as ruas.
Nessa semana 50 policiais cercaram a rua onde estavam 300 pessoas. Dos sete traficantes identificados, seis foram presos. “Foram quatro mulheres, um homem e um adolescente. Nós temos interesse em mais dois, que são habituais, e vamos pegá-los”, garante Kleber Altale, delegado da seccional – Centro.
09/04/2011 13h32 – Atualizado em 09/04/2011 14h34
Polícia vai usar imagens para tentar identificar traficantes na Cracolândia
Ação gravada teve cinco pessoas presas na Rua dos Gusmões.
Polícia vai agora focar as ruas Guaianases e Helvétia.
Do G1 SP
Quem trabalha na Rua dos Gusmões, na região da Cracolândia, Centro de São Paulo, encontrou o local um pouco diferente neste sábado (9). O movimento era só dos clientes das lojas. Traficantes e usuários não desapareceram da noite para o dia, mas mudaram de endereço. A 300 metros do local, na Rua Helvétia, a concentração de pessoas chamava a atenção.
Cracolândia é como ficou conhecida uma região da Luz há pelo menos duas décadas. São cerca de 25 quarteirões que vão da Avenida Rio Branco até a Rua Mauá e Avenida Cásper Líbero e da Avenida Duque de Caxias e até a Avenida Ipiranga. Toda essa área se transformou em um reduto do tráfico e consumo de drogas a céu aberto.
Durante 30 dias, policiais fizeram uma investigação para identificar e prender os traficantes da região. Na Rua dos Gusmões, um dos principais pontos da Cracolândia, o movimento começava sempre depois das 19h.
Foram feitos vários flagrantes. Os traficantes agiam livremente, no meio dos usuários. Na noite da última quinta-feira, os policiais decidiram agir. A operação terminou com um adolescente apreendido e cinco pessoas presas por tráfico de drogas. A polícia diz que as investigações prosseguem na Cracolândia e agora tem mais dois alvos: a Rua Guaianases e a Rua Helvétia, mas também pede ajuda para os usuários.
“Essa é apenas uma parcela que a Polícia Civil está fazendo de sua sua parte para tentar, juntamente com os poderes públicos municipais, estaduais e a própria sociedade civil organizada, melhorar a vida dos habitantes dessa região”, afirma o delegado Kleber Altale.
Setenta pedras de crack e R$ 2 mil foram recolhidos. Nas operações anteriores, os policiais prendiam os traficantes, mas eles jogavam a droga fora, se livravam do flagrante e logo conseguiam sair da prisão. Agora, a polícia diz que as gravações feitas vão ajudar a comprovar o flagrante. As imagens vão ser enviadas para a Justiça.
A Prefeitura de São Paulo diz que reforçou o atendimento de saúde na região da Luz. Construiu três UBSs, duas AMAs e dois Centros de Atenção Psicossocial.
Desde 2009, os agentes de saúde abordaram mais de 136 mil pessoas na Cracolândia e 8.600 pessoas foram encaminhadas para tratamento. Sobre o processo de revitailização, a Prefeitura diz que o projeto urbanístico deve ficar pronto ainda neste semestre. A previsão é que, em cinco anos, a área esteja totalmente recuperada.










