Investigador e delegado planejavam até execução de empresário que se recusava a pagar propina; MPE denuncia 11 policiais à Justiça
Policiais civis de Mogi achacavam comerciantes
Bruno Tavares
Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelam que policiais civis de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, planejavam executar um comerciante que se recusava a pagar propina. O diálogo interceptado em junho de 2003 é entre o investigador Maurimar Batalha e o delegado Eduardo Peretti Guimarães, acusado de chefiar um esquema de achaque dentro do Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra), unidade de elite da Polícia Civil. Além deles, outras 16 pessoas – entre elas 11 policiais civis – foram denunciadas à 2ª Vara Criminal de Suzano por tomar dinheiro de proprietários de desmanches de veículos, casas de prostituição e máquinas caça-níquel.
As investigações do Grupo de Atuação Especial Regional de Combate ao Crime Organizado (Gaerco), do Ministério Público Estadual (MPE), em Guarulhos, concentraram-se de 2002 a abril de 2004. Segundo promotores, Guimarães, além de receber propina, “auxiliava criminosos na prática dos delitos, avisando, no caso de eventual outra equipe policial, que não estivesse integrada nesse esquema criminoso, comparecer nos estabelecimentos comerciais irregulares”.
Num dos grampos, um homem identificado como Anderson pede autorização ao delegado para abrir uma boate em Jundiapeba, em Mogi. “Tem que conversar aí, não tem?”, pergunta. O delegado confirma e se compromete a enviar um investigador para fazer o “acerto”.
As conversas mostram que a suposta quadrilha do Garra orientava seus “clientes” a jamais pagar propina a outros policiais. Numa interceptação de julho de 2003, Guimarães conversa com o também delegado Hélio Kajitani sobre a intromissão de outro policial no esquema de Suzano. “Não, fala assim: o negócio é o seguinte: tá pago para Suzano. Entendeu? Eu fui me informar em Suzano, não tenho que pagar para vocês porra nenhuma, entendeu?”
Os pagamentos, segundo o Gaerco, eram feitos com cheques de terceiros. Em seguida, os valores arrecadados seguiam para os irmãos Luís Roberto e Roberto Luís Faberge, donos de uma concessionária de veículos. Os dois tinham a função de lavar o dinheiro. Na quebra do sigilo bancário do delegado Guimarães, os promotores identificaram pelos menos três depósitos suspeitos – de R$ 65 mil (em 2002), R$ 79 mil (em 2003) e R$ 9.500 (em 2004). Ele é proprietário de uma casa de R$ 400 mil no litoral norte.
O advogado Paulo Roberto da Silva Passos, que defende Guimarães, condenou o “jogo de pressão inominável” do MPE contra seu cliente. Segundo ele, os grampos são de 2003. “São provas requentadas”, acusou.
O criminalista conta que, após as primeiras suspeitas contra os policiais, foram instaurados três processos distintos: um procedimento administrativo, um inquérito policial e um inquérito civil público. O primeiro, segundo Passos, foi arquivado por ordem da Delegacia-Geral da Polícia Civil. O inquérito policial também não seguiu adiante. “Nesse caso, houve anuência de uma promotora que trabalhava no Gaerco”, afirmou o advogado. “Se essas escutas existem há quase seis anos, por que só agora foram anexadas. Não há fatos novos e nem provas contra o meu cliente.”
Passos também fez questão de afastar as suspeitas sobre o patrimônio constituído pelo delegado Guimarães. Como delegado de 3ª classe, o salário dele gira em torno de R$ 4 mil. Para o Gaerco, alguns dos bens em nome dele são incompatíveis com seus rendimentos. “Ele, de fato, possui uma casa no litoral e outra num bom condomínio de Suzano”, confirmou o advogado. “O imóvel na praia foi dado pelo pai. A residência dele foi comprada com dinheiro que ele guardou. Está tudo declarado no Imposto de Renda.”
O Estado procurou os irmãos Faberge, mas nenhum deles foi localizado até as 23 horas. O investigador Maurimar Batalha também não foi encontrado para comentar as acusações.
A Secretaria da Segurança Pública informou que não teria condições ontem de detalhar qual a atual situação funcional dos policiais denunciados pelo Gaerco.
A ESCUTA
26/6/2003
20h30
Peretti: Alô?
Maurimar: Doutor, sou eu, Maurimar. Eu tô aqui, tá tudo apagado, não tem ninguém…
Peretti: Putz, esse cara tá dando bonde em nós.
Maurimar: O que o senhor quer que eu faça?
Peretti: Não tem ninguém aí?
Maurimar: Não, está tudo apagado.
Peretti: E o telefone dele?
Maurimar: O celular eu não tenho. Tô ligando na casa e ninguém atende. Tá tudo apagado. Não tem carro na garagem, não tem nada.
Peretti: Eu acho que esse cara deu chapéu, viu?
Maurimar: Chapéu não. Não tem como ele sumir daqui. Se ele deu chapéu, não passa de segunda (feira) esse cara.
Peretti: Segunda-feira nóis mata ele, esse filho da p…
Maurimar: O senhor quer que eu dê um tempo aqui; daqui a pouco volte lá? O que é que faz?
Peretti: É bom dar um tempo. Vê, faz o que quiser por aí.
Maurismar: Vou dar um rolê e daqui a pouco volto aqui.
1.º/7/2003
11h18
Anderson: E aí, doutor?
Peretti: Tudo bem?
Anderson: Deixa eu falar uma coisa pro senhor. Não sei se o senhor tá sabendo, eu estou abrindo uma boate aí em Jundiapeba.
Peretti: Não tô sabendo, não.
Anderson: É, em frente ao Estrela.
Peretti: Ah…
Anderson: E queria saber uma coisa do senhor. Tem que conversar aí, não tem?
Peretti: Isso. Quer ver? Segunda-feira… Que horas você vai estar na segunda-feira?
Anderson: Ah, provavelmente lá, né? Eu tô ajudando os caras lá…
Peretti: De dia você tá lá?
Anderson: Tô.
Peretti : À tarde?
Anderson : É.
Peretti : Eu peço pro investigador passar lá.
Fonte: O Estado de São Paulo
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Da reportagem local

Edema
O edema cerebral é desencadeado pelo aumento de líquidos no cérebro. Ele pode surgir em uma zona limitada ou em todo o cérebro. As principais causas do edema são tumores, acidente vascular cerebral, traumatismo cerebral com ruptura de um vaso, isquemia, meningite, entre outras.
O tratamento é feito com medicamentos diuréticos para obrigar o organismo a eliminar líquidos em excesso e corticóides para reduzir o inchaço do crânio. Quanto mais cedo começar o tratamento, maior é a chance de reduzir as possíveis sequelas.












Daia Oliver/R7
