Mais uma para ficar na história 23

Em 15 anos de greves de policiais, ainda não entendemos que são um fenômeno social, diz especialista

Domingo, 11 de Fevereiro de 2012, 17h04

Christian Carvalho Cruz, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff disse que ficou “estarrecida”. O governador Jaques Wagner, que não negociaria nem anistiaria “bandido”. Os grevistas, misturando ameaça com galhofa, que “ôôô, o Carnaval acabou”. Os analistas, que greve de policial é “motim”. E as manchetes, que 148 pessoas foram assassinadas na Bahia durante a paralisação (o dobro do mesmo período em 2011) e que o movimento se espraiara para o Rio de Janeiro.

No meio de tantas aspas, as do sociólogo José Vicente Tavares dos Santos são menos inflamadas mas não menos contundentes. Doutor pela Université de Paris X e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele estuda greves no sistema de segurança pública do País desde 1997. Diz que o Brasil perdeu a chance de discutir suas polícias na Constituinte de 1988 e agora paga o preço de uma crise organizacional que chega ao cúmulo de as academias ensinarem cadetes a dobrarem o lençol em vez de mediar conflitos.

Segundo Santos, faz 15 anos que as greves de agentes de segurança pública se repetem – e vão continuar se repetindo. “Pela abrangência e pela constância das paralisações, estamos diante de um fenômeno social. E o que podemos tirar de bom dessa crise é a oportunidade de retomar um debate tão crucial da vida brasileira. Afinal, queremos ter um serviço policial ou uma força policial?” A seguir, suas ideias.

Alguns analistas consideram a Polícia Militar um resquício da ditadura sem lugar numa sociedade democrática. Qual a sua opinião?

O golpe de 1964 abortou um processo que encaminhava as polícias brasileiras para serem órgãos de defesa da ordem pública e do cidadão. Nos anos 50, por exemplo, havia um batalhão no Rio de Janeiro chamado Cosme e Damião – no Rio Grande do Sul o nome era batalhão Pedro e Paulo -, cujos policiais andavam em dupla e tinham todas as funções que os ingleses depois batizaram de polícia comunitária. Mas em 1967 uma lei da ditadura transformou as polícias militares em órgãos auxiliares das Forças Armadas e militarizou o ensino policial. A PM precisa se adequar ao trabalho em uma sociedade democrática.

Quais os caminhos para isso?

O ensino policial é fundamental. Militarismo excessivo, com seus regulamentos disciplinares e rigidez hierárquica, não faz mais sentido. Há academias de polícia em que os alunos são obrigados a arrumar o lençol da cama em forma de estrela num dia, de lua no outro e assim por diante, sob o risco de serem punidos se errarem. O que isso tem a ver com o ofício de policial? Também faltam noções de direitos humanos, de investigação criminal, algo básico mas incrivelmente precário no Brasil. E mediação de conflito. No mundo todo, 70% das ocorrências atendidas pela polícia são conflitos ainda não criminais. Dependendo da abordagem, esse tipo de ocorrência pode se transformar em crime, às vezes com a participação direta do policial. É evidente que temos mais a ganhar ensinando policiais a mediar conflitos do que a arrumar o lençol. Policial deve ser educado, e não adestrado, para executar suas funções. Falo de algo sério, pois estamos desperdiçando recursos humanos e financeiros. Esse é apenas um dos aspectos da crise organizacional das polícias brasileiras.

A questão salarial é outro?

Obviamente. Eu sou a favor de um piso nacional, mas precisamos discutir o valor. A PEC 300 (Proposta de Emenda à Constituição) toma como padrão o salário no Distrito Federal. Mas ali os salários são pagos pelo governo federal. O debate deve levar em conta a sustentabilidade dos Estados. Recursos há, afinal eles não faltam para construir estádios de futebol de bilhões de reais. Outro aspecto, ligado a este, são as condições de trabalho do policial, seja militar, civil, federal, bombeiro, não importa. Nas polícias civis os turnos são de 24 horas por 72 de descanso. Ora, ninguém se mantém atento por 24 horas sem dormir. Isso é um absurdo. Há relatos de turnos de 24 horas em pé. E isso é inumano. Algo mais básico: são raras as policiais que têm coletes à prova de bala adequados à anatomia feminina; nem todas as polícias oferecem seguro de vida aos seus agentes. Enfim, são profissionais fundamentais para a sociedade que não têm o devido reconhecimento por parte dessa mesma sociedade e dos governos. As greves refletem essa insatisfação.

Greve de profissionais autorizados a trabalhar armados é motim ou instrumento político?

Em 2012 completamos 15 anos de greves de policiais no Brasil. Elas abrangeram todas as categorias e nenhum Estado passou incólume. Foram 150 greves organizadas por policiais civis, 34 por policiais militares (incluindo bombeiros), 18 por policiais federais, 22 por guardas civis e 60 por agentes penitenciários. Nesse período somente Amapá e Amazonas tiveram uma greve cada. Na Bahia foram 14. Em São Paulo, 17. Pela abrangência e pela constância, estamos claramente diante de um fenômeno social. Há enorme dificuldade do poder público e da imprensa de reconhecer a legitimidade dessas mobilizações como luta social de uma categoria por melhores condições de vida. Essas greves mostram que as pessoas estão se sentindo desrespeitadas nos seus direitos de cidadãos e trabalhadores.

Mas na Bahia líderes grevistas incentivaram atos de vandalismo e suspeita-se que policiais encapuzados tenham invadido ônibus. Não houve excessos?

Claro que houve. Inclusive os trabalhadores devem reconhecer que fazem parte de um processo político. Sua legitimidade depende disso. Alguns métodos adotados na Bahia passaram longe da política. Por outro lado, é inútil discutir se tal partido apoiou a greve quando era de oposição e agora é contra porque está no governo. Ou se tal liderança grevista é filiada a esse ou àquele partido. É inútil porque partido brasileiro nenhum tem uma agenda de segurança pública. O máximo que conseguem fazer é apelar ao discurso repressivo de “mais polícia na rua” em época eleitoral. Trata-se de um vácuo que remonta à Constituinte de 1988. Na ocasião as forças democráticas de esquerda já não tinham propostas de segurança pública a não ser a condenação da violação aos direitos humanos praticada pelas polícias. Agora que as greves de policiais estão aí é preciso reconhecer nelas uma forma de luta social como tantas outras. Negar esse fato valendo-se de palavras como “motim”, ou tentando partidarizar a questão, é um desserviço à democracia. A crise na Bahia traz mais uma vez a oportunidade de elevar o nível da discussão sobre as nossas necessidades em termos de segurança pública. Afinal, queremos ter um serviço policial ou uma força policial? Este é o debate que se impõe.

http://m.estadao.com.br/noticias/suplementos,mais-uma-para-ficar-na-historia,834526.htm

FOGO DE PALHA: Sindicato da Polícia Civil do Rio anuncia suspensão da greve 19

O diretor jurídico do Sindicato da Polícia Civil do Rio, Francisco Chao, anunciou há pouco que a categoria suspendeu sua participação no movimento grevista dos profissionais de segurança pública, anunciado na última quinta-feira (9).  “Não estamos cancelando a greve, mas suspendendo para, na próxima quarta-feira (15), avaliar os fatos que ocorreram até agora e deliberar sobre as próximas ações”, explicou.

Dois motivos foram apontados por Chao para a decisão. Ele disse que foi procurado por policiais, que relataram o temor sobre possíveis ações de marginais com a suspensão de parte das atividades. A outra razão, segundo o diretor, seria a baixa adesão ao movimento. “As ruas estão cheias de viaturas da PM [Polícia Militar] e é difícil acreditar em movimento reivindicatório sem adesão”.

SEM MORAL – Você com revólver na mão é um bicho feroz; sem ele anda rebolando e até muda de voz 14

 

A Associação dos Praças da Polícia Militar e Bombeiros do Estado da Bahia decidiu, na noite deste sábado,  encerrar a greve que vigorava desde o dia 31 de janeiro de 2012.  Mesmo sem uma nova proposta do governo baiano, a maioria dos PMs em greve decidiu por retomar as atividades. Pessoas ligadas à corporação disseram que uma reunião realizada entre a liderança grevista e o comando dos policiais foi decisiva pra o fim da greve.

Drª Marilda: “Não há perspectiva de ruptura com o governo, mais pelo que a polícia pode conquistar do que pelo que já nos foi dado” 61

Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo

São Paulo distribui agrados para ‘acalmar’ policiais

Reivindicações antigas das Polícias Civil e Militar foram atendidas sem alarde, como o reconhecimento como carreira jurídica para os delegados

11 de fevereiro de 2012 | 15h 31

Em silêncio, o governo de São Paulo manobrou durante o ano de 2011 para esvaziar a ameaça de greve na polícia no Estado. Reivindicações antigas das Polícias Civil e Militar foram atendidas sem alarde, como o reconhecimento como carreira jurídica para os delegados e a promoção ao posto imediato em caso de aposentadoria para os policiais militares. Outras promessas estão a caminho. E assim as principais lideranças das polícias são hoje contrárias à greve.

“Não há perspectiva de ruptura com o governo, mais pelo que a polícia pode conquistar do que pelo que já nos foi dado”, disse a delegada Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro. Marilda comandou a greve de 2008 da Polícia Civil, quando os civis e militares se enfrentaram na frente do Palácio dos Bandeirantes.

Marilda derrotou o ex-delegado-geral Domingos de Paulo Neto e se elegeu presidente da Associação de Delegados da Polícia Civil. “Demos um voto de confiança ao governador Geraldo Alckmin, que tem mantido um diálogo respeitoso com a gente.”

Entre os coronéis da Polícia Militar ninguém acredita que a onda de greves chegue a São Paulo. “Está tudo calmo. O que mais nos preocupa aqui é quem será o novo comandante”, afirmou um coronel da PM ouvido pelo Estado – o atual comandante, o coronel Alvaro Camilo, vai para a reserva em maio.

Briga

O que também preocupa os oficiais no Estado Maior da corporação: o futuro da Operação Delegada. Eles temem que uma briga política de Alckmin com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) paralise a ampliação da operação. Um temor que, segundo o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, é injustificado. “Trata-se de uma experiência vitoriosa”, afirmou.

Mais de uma centena de municípios do Estado quer seguir o exemplo de São Paulo e pagar um salário extra aos PMs para usá-los no combate ao comércio clandestino dos camelôs. Os prefeitos creem que manter mais tempo os PMs nas ruas pode reduzir em até 60% os crimes.

Como recebem quase um salário a mais pelo bico extra, a Operação Delegada também ajuda a diminuir as pressões por aumento salarial – Kassab reservou R$ 150 milhões no orçamento de 2012 para pagar PMs empregados na operação. Recentemente, o Comando-Geral enviou ao Palácio dos Bandeirantes uma lista com mais seis cidades para onde a operação pode ser expandida.

Para Ferreira Pinto, além da Operação Delegada, o aumento de 27% concedido aos policiais, a incorporação parcelada aos salários da gratificação de local de trabalho e as promoções dos policiais que ocupavam os postos mais baixos também ajudam a explicar por que “em São Paulo, a situação é de absoluta calma”.

Quando foi confirmado pelo governador Alckmin como secretário – Ferreira Pinto estava no cargo desde março de 2009, ainda na gestão de José Serra (PSDB) –, uma de suas maiores preocupações era desarmar a bomba das reivindicações salarias das duas polícias. Serra chegou a ser vaiado na formatura de novos alunos oficiais na Academia da PM e enfrentou uma das maiores crises de seu governo na greve da Polícia Civil de 2008. Por enquanto, as concessões conseguiram evitar nova paralisação.

 http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,sao-paulo-distribui-agrados-para-acalmar-policiais,834501,0.htm

O Sindicato dos Policiais Civis de Santos começou a distribuir cartilhas em delegacias da região, incentivando o início de uma operação padrão. 31

11/02/2012 13:01

Policiais civis votam a favor de greve nacional

Representantes sindicais paulistas estiveram em reunião com policiais de todo o país em Brasília

Plinio Delphino pliniod@diariosp.com.br

Entidades de classe da Polícia Civil de todos os estados do Brasil reuniram-se nesta sexta-feira em Brasília e, por unanimidade, votaram por um indicativo de greve nacional. Representantes de 40 entidades definiram o dia 16 de março como data para as assembleias nos estados.

“Se nessa data forem ratificadas as intenções de iniciar a  greve em todo o país, então, em 16 de abril, haverá a paralisação geral”, afirmou o presidente da Cobrapo (Confederação Brasileira de Trabalhadores da Polícia Civil), Jânio Bispo Grandra

Em São Paulo, o Sindicato dos Investigadores de Polícia do estado convocará as entidades de classe paulistas para discutir os rumos das reivindicações no próximo dia 28.

Segundo o presidente do sindicato, João Rebouças, o salário dos investigadores e escrivães do estado é um dos piores do Brasil. “Eles nos exigem curso de nível superior e nos pagam igual ou menos do que os cargos cuja exigência é apenas de nível médio”, ressaltou.

Jânio Gandra confirmou que São Paulo tem um dos piores salários- base do Brasil.

Na pauta da discussão das entidades em Brasília foram aprovados os seguintes temas: carreira única, direito de greve, aprovação da PL 554 sobre aposentadoria, piso nacional regido pela PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 300/446 entre outros.

Santos/

O Sindicato dos Policiais Civis de Santos começou a distribuir cartilhas em delegacias da região, incentivando o início de uma operação padrão.

“Nós pedimos que os policiais façam apenas os trabalhos relativos às suas funções e não fiquem quebrando galho. Assim, a população vai perceber as nossas dificuldades”, disse o vice-presidente do sindicato, Márcio de Almeida Pino.

Salário paulista está longe dos piores, diz SSP

A  Secretaria da Segurança Pública de São Paulo refutou a informação dos sindicalistas de que os policiais do estado ganham os piores salários do país.

De acordo com tabela de cargos e salários da Secretaria de Gestão Pública, um  investigador de 3 classe (em início de carreira) ganha salário base de R$ 891,15, mais R$ 891,15 pelo Regime Especial de Trabalho Policial.

Se ele trabalhar em cidades com mais de 500 mil habitantes, receberá o ALE 2 (Auxílio Localidade), no valor de R$ 975, mais  R$ 497,60 de adicional de insalubridade.  Somando tudo, o policial terá no final do mês R$ 3.254,90.

A reclamação do Sindicato dos Investigadores é a de que o ALE e o adicional de insalubridade são gratificações, que não entram no cálculo da aposentadoria.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública,  o orçamento da pasta para 2012 é de R$ 14 bilhões. Em 2011, o orçamento era de R$ 12,1 bilhões, dos quais 10,2 bilhões foram destinados  com folha de pagamento pessoal.

O restante foi distribuído em custeio de despesas de  manutenção e investimento em equipamentos e tecnologia.

A diretoria da Polícia Civil na região de Santos disse que novos coletes à prova de balas estão sendo providenciados, e que o governo autorizou concursos para a seleção de mil investigadores e 900 escrivães para a região.

http://www.diariosp.com.br/noticia/detalhe/12922/Policiais+civis+votam+a+favor+de+greve+nacional

Em síntese: o povo é vagabundo; o governo formado por ladrões mentirosos que “priorizam” COPA, CORINTHIANS, FONTE NOVA, MARACANÃ e acertos com construtoras 3

Sábado, 11 de fevereiro de 2012, 13h33

A terceira guerra

Fernando Borges/Terra

Exército ocupa as ruas de Salvador para garantir segurança durante a greve dos policiais militares

Exército ocupa as ruas de Salvador para garantir segurança durante a greve dos policiais militares

João Carlos Teixeira Gomes Do Rio de Janeiro

 

A imprensa carioca está qualificando a disputa entre policiais e governo na Bahia de “guerra”. Temos, então, a terceira guerra baiana: a primeira contra os holandeses; a segunda, contra os portugueses, cuja expulsão consolidou a independência do Brasil. De quebra, tivemos o bombardeio de Salvador no início do século XX. Não é, pois, uma terra pacífica.

Quanto a mim, vejo na reivindicação dos policiais um movimento de desespero contra salários aviltantes. De sã consciência, porém, ninguém pode apoiar vandalismo ou o uso das armas que deveriam defender a sociedade sendo utilizadas contra ela. Nem a omissão policial diante da criminalidade desafiadora. Além disso, há a questão da ilegalidade de greves por corporações militares. Dá para imaginar que, no caso de uma invasão estrangeira, os militares cruzassem os braços, exigindo aumento salarial? Sei que usei um argumento excessivo, mas, de qualquer sorte, ilustrativo. O comando grevista também não pode ignorar o que aconteceu no Brasil de Jango pouco antes do golpe de 64, quando a insubordinação militar ajudou a levar o país às trevas da ditadura. São exemplos duros, o clima hoje é outro, mas as exceções se constroem por acúmulos. De erros, evidentemente.

Se a Lei restringe as greves e, sentindo-se indefesa, a sociedade não apóia o movimento, tais fatos, no entanto, não devem levar o governo a fugir às negociações. O jornal “O Globo” vem condenando duramente o movimento e publicando matérias desfavoráveis à Bahia, amparado na sua linha ideológica, que é a de ver corporativismo em qualquer reivindicação de classe. Essa pressão não deve desviar o governo do bom senso, na condução de entendimentos.

Não é preciso lembrar que a sociedade, se é certo que deseja os policiais engajados na sua segurança, também não aceita passivamente o argumento de que no Brasil os governos não têm dinheiro para pagar, com decência, não só a policiais, mas também a médicos e professores, pois sabe que se desperdiça em investimentos supérfluos o que se suprime em custeio de pessoal. Embora tenhamos, de modo geral, um povo acomodado, também é certo que ninguém se ilude com o argumento da falta de dinheiro, num país que assume o desafio soberbo de sediar e financiar duas iniciativas custosas: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Nem os paises mais ricos do mundo cometeriam, em série, tal imprudência.

Não é possível admitir que o governo desconheça a indagação que milhões de brasileiros fazem, pelo país afora: se não há dinheiro para o essencial, como pode sobrar para a construção de tantos estádios de futebol, muitos dos quais tendo passado por reformas recentes, como o Maracanã? No Rio, além do Maracanã pronto em 2007 para os jogos Pan Americanos, o governo levantou ainda o caríssimo estádio do Engenhão, tão ocioso que foi entregue a um clube para administrar.

Outras perguntas pertinentes: como o poder público se dispõe em SP a ajudar a construção do estádio do Corinthians para a Copa, numa cidade dotada do excelente Morumbi? Por que implodir o velho estádio da Fonte Nova, cuja arquibancada antiga nem terremoto derrubaria, toda ela, desde a fundação, assentada num morro? A mesma pergunta percorre o Brasil inteiro, em cujas cidades principais faraônicos estádios estão sendo erguidos, para uns poucos jogos de uns poucos dias.  Exigências da Fifa? Mas que obrigação tinha o Brasil de assumir esses gigantescos eventos esportivos e, pior ainda, em sucessão?

Falta dinheiro ao poder público? E que dizer do que está acontecendo no Rio e em São Paulo (não são exemplos isolados), onde juizes “receberam verbas entre 400 mil e 1,5 milhão (sic!) relativas a reajustes e auxílio-moradia”, além de numerosos magistrados terem obtido “pagamentos antecipados, sem que constassem em seus contracheques”, segundo noticiou “O Globo”?

Enfim, ninguém desconhece neste país o que os governos despendem com assembléias legislativas, câmaras de vereadores, órgãos do Judiciário, verbas orçamentárias, mordomias, cartões de crédito, em suma, uma cornucópia sem fundo do dinheiro do contribuinte, que sustenta com folga a orgia do desperdício.

João Carlos Teixeira Gomes é escritor, jornalista e membro da Academia de Letras da Bahia. É autor de “Gregório de Mattos, o Boca de Brasa”, “Glauber Rocha, esse vulcão”, “Memórias das Trevas” e “Assassinos da Liberdade”.

 

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

Criminalizar a luta dos policiais e bombeiros é apostar na crise e no caos!” 24

Força Sindical emite nota oficial sobre as greves policiais

Força Sindical  emitiu nota, no fim da tarde desta sexta-feira (10), criticando a postura dos governo nacional e dos estados da Bahia e do Rio de Janeiro.

Para o sindicato, a hora é de negociação. Criminalizar a luta dos policiais e bombeiros é apostar na crise e no caos!”
Leia abaixo, na íntegra, a nota:
São Paulo, 10 de fevereiro de 2012.
A hora é de negociação. Criminalizar a luta dos policiais e bombeiros é apostar na crise e no caos!
O posicionamento do governo federal e dos governos dos Estados da Bahia e do Rio de Janeiro, frente às greves e às reivindicações dos policiais militares, civis e bombeiros efetivamente não colabora com a solução deste grave problema nacional, que é o descaso já histórico com que estes e vários outros entes da Federação dedicam às condições de vida e trabalho dos servidores das forças de segurança e dos bombeiros.
Criminalizar as mobilizações, prender lideranças e instrumentalizar estatísticas e os meios de comunicação para tentar colocar a população contra os servidores que lutam pelos seus direitos é o caminho mais rápido para complicar ainda mais a situação que já é crítica, pois como todos sabemos, as corporações são unidas e reagem ampliando a solidariedade, inclusive a Estados e categorias antes alheias ao movimento.
Assim sendo, a Força Sindical demanda imediata retomada das negociações com as lideranças representativas dos policiais militares, civis e bombeiros, e o atendimento de suas justas reivindicações, além da imediata libertação e anistia dos presos.
Conclamamos o Congresso Nacional a acelerar a tramitação e aprovação da PEC 300, instrumento fundamental para recuperar os salários destas corporações e garantir a paz social pela via da promoção das carreiras dos servidores da segurança pública.
Paulo Pereira da Silva
Presidente da Força Sindical

Em assembleia, PMs da Bahia decidem manter greve: “a PM parou, o Carnaval acabou”. 11

Em uma segunda assembleia realizada nesta sexta-feira (10), policiais grevistas da Bahia decidiram pela manutenção da greve iniciada no último dia 31 de janeiro. Segundo os organizadores, cerca de 2.000 PMs participaram da reunião realizada a portas fechadas no ginásio de esportes do Sindicato de Bancários, no centro de Salvador.

Eles fecharam o local aos gritos de “a PM parou, o Carnaval acabou”.

Faça o que eu mando, não faça o que eu faço… Da revolta de Canudos á Revolta dos Coturnos…Contornos Políticos 10

Enviado em 10/02/2012 as 18:11 – MATHEUS

Faça o que eu mando, não faça o que eu faço.

Da revolta de Canudos á Revolta dos Coturnos

Contornos Políticos

Inicialmente, parabenizamos todas as categorias profissionais, independentemente de exercerem serviços essenciais ou não, que se socorrem da greve como o último recurso para reconhecimento da necessária valorização salarial, entre as quais, os integrantes das corporações policiais.

A Presidenta é contra, mas chegou a pegar em armas contra o Exército Brasileiro e agora vai pedir penico, criando a esdrúxula situação de colocar o Exército Brasileiro contra sua força auxiliar e reserva, constituída pelas Polícias Militares dos Estados Membros da Federação. Não falaram para ela que os integrantes da Força de Segurança Nacional são policiais e bombeiros militares dos Estados Membros e que os grevistas são seus amigos de farda que estão reivindicando melhores salários. Exército é treinado para a guerra e não para a manutenção da ordem pública.

O “Antonio Conselheiro” da “Revolta dos Coturnos” e líder do movimento grevista na Bahia é filiado ao PSDB, partido do José Serra que colocou a PM de São Paulo em confronto com a Polícia Civil em greve por melhores salários no ano de 2008.

O Governador da Bahia se referiu aos policiais em greve chamando os de bandidos e o do Rio de Janeiro, chamando os bombeiros de “vândalos”. Bombeiro foi, é, e sempre será, o herói de todas as pessoas e não apenas das crianças.

Autoridades governamentais comemorando os relevantes serviços prestados pela Rede Globo na editoração da conversação telefônica entre lideranças do movimento grevista, passando à opinião pública a idéia de que o movimento grevista se destinava a praticar atos de vandalismo para pressionar os governos estaduais a conceder o aumento nas vésperas do carnaval. Sabe como é né, o carro chefe da publicidade nacional e internacional e da arrecadação dos dois estados é o Carnaval, com exclusividade de transmissão das festividades carnavalescas pela REDE GLOBO, É dando que se recebe.  Entende?

Em breve teremos a adesão das corporações policiais de outros Estados e do Distrito Federal, entre os quais Minas Gerais. Carnaval nas cidades históricas mineiras sem policiamento. Para o Pelourinho vamos falar para o Jaques Wagner passar na reserva de armas, se armar e fazer o patrulhamento a pé para milhões de fuliões e na Sapucaí vamos contar com a segurança individual do  Sérgio Cabral auxiliado pelo monitoramento por câmeras da Rede Globo.

Parabéns aos grevistas por  mais essa virada de página da história deste país que se diz REDEMOCRATIZADO pelos principais protagonistas da repressão imposta neste momento aos policiais brasileiros.

A DITADURA ERA MESMO BRANDA: Governador do Rio institui rito sumário para julgar policiais e bombeiros…Sérgio Cabral publica decreto que encurta prazos para julgamento de militares pelo conselho disciplinar. Texto endurece regras criadas em 1978 13

O governo do estado do Rio divulgou nota informando que foi alterada a legislação que estabelece prazos para julgamento de policiais militares e bombeiros. Com isso, encurta-se o prazo para julgar e punir todos os que cometem infrações. O alvo, obviamente, são os grevistas que desde a 0h desta sexta-feira fazem paralisações em batalhões e quartéis de bombeiros em todo o estado.
A adesão à greve é parcial, e não foram chamados os reforços das Forças Armadas (14 mil homens do Exército) e da Força Nacional de Segurança (300 homens). Com a medida, o governo do estado emite um sinal de que os policiais e bombeiros que aderirem à greve poderão ser rapidamente condenados e até expulsos de suas corporações.
A nota divulgada pelo estado informa que, em “edição extraordinária do Diário Oficial”, o decreto 43.462 modifica o decreto 2.155, de 13 de outubro de 1978. O decreto regula o Conselho de Disciplina da PM e dos bombeiros do Rio – órgão que julga infrações administrativamente e tem poder de exonerar os servidores.
O decreto de 1978 instituía prazo de 30 dias para conclusão dos trabalhos do conselho. O texto publicado hoje reduz este prazo à metade: 15 dias. O prazo para originalmente estabelecido para a decisão era de 20 dias e caiu para 5. Foram encurtados os tempos de recurso e seus julgamentos, de 20 para 7 dias.

PT, até a estrela dessa sua bandeira foi roubada!…PT, até o vermelho dessa sua bandeira é roubado! 59

Dilma que vergonha, você como excelente articuladora coloca seus ventríloquos  para acusar grevistas de formação de quadrilha, de organização criminosa;  negando-se  defender  pequeno aumento para os profissionais de polícia,   em detrimento de toda a população brasileira.
Lula,  você transformou o PT em legenda de aluguel…
PT  até o vermelho  de sua bandeira é roubado!

A organização completa 32 anos 7

Em tratamento contra o câncer, ex-presidente não irá à festa de seu partido

O PT comemora seus 32 anos nesta sexta-feira com uma festa em Brasília para cerca de 1.500 militantes. No entanto, o mais ilustre dos integrantes do partido que comanda o país há nove anos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não irá participar da celebração. Lula, que está na fase final do tratamento contra o câncer de laringe que descobriu em outubro, tem evitado sair de casa e não poderá viajar à capital federal. Em ano eleitoral, a festa do PT terá ares de conferência, na qual serão definidas as estratégias para a disputa municipal de outubro. Logo pela manhã, prefeitos, deputados estaduais e vereadores da sigla vão discutir o tema e concluir o conteúdo do curso de formação para pré-candidatos, que terá início em março. Os inscritos terão aulas online para aprender o “modo petista de governar e de atuação parlamentar” e como criar um programa de governo. À tarde, uma mesa de debates será encabeçada pela presidente Dilma Rousseff, os ministros petistas do governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (RS). O ex-ministro da Educação e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo partido, Fernando Haddad, estará presente, mas não terá lugar cativo na mesa principal.

Coronel Paulo Ricardo Paúl foi preso por determinação do governo Sérgio Cabral 13

CORONEL PAÚL – PRISÃO.

Comunicamos que o Coronel Paúl, organizador do espaço democrático Blog do Coronel Paúl,  foi preso.
Juntos Somos Fortes!
Conteúdo:
A Polícia Militar informa que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de onze integrantes da corporação por conclamar e incitar a greve, dos quais dez mandados já foram cumpridos nesta sexta-feira.  Coronel PM Paulo Ricardo Paul, da reserva

Coronel PM Adalberto de Souza Rabello, da Reserva

Major Helio Silva de Oliveira, da reserva

Sargento PM Carlos Antonio de Oliveira Aquino

Cabo João Carlos Soares Gurgel

Cabo Alonsimar de Oliveira Pessanha (ainda não cumprido)

Cabo Wagner Jardim Hamude

Cabo Nilton Alves Neto

Cabo Vivian Sanchez Gonçalves

Cabo Wagner Luiz da Fonseca e Silva

Cabo Pablo Rafael Marques dos Santos

•        14 policiais militares serão submetidos a processo administrativo disciplinar, dentre eles quatro policiais militares que tiveram suas prisões preventivas decretadas.

•        7 policiais militares foram autuados em flagrante por crime de desobediência.

•        129 policiais militares do 28º BPM (Volta Redonda) serão indiciados em Inquérito Policial Militar (IPM) por cometimento de crime militar.

•        Não são verídicas as informações de que cerca de 200 policiais militares foram presos administrativamente no 10º BPM (Barra do Piraí), ao se recusarem a sair em patrulhamento.

•        A Polícia Militar reitera o estado de normalidade em relação ao policiamento em todo Rio de Janeiro. Todos os serviços de rotina estão sendo prestados pela corporação.