Por que o Ministério Público mandou para a lixeira o superfaturamento das lixeiras do DETRAN-SP ? 25

Tribunal de São Paulo manda apurar compra superfaturada de lixeiras para o Detran

Foram adquiridas 129 ao custo de R$ 296 mil. Ou seja, cada uma custou quase R$ 2.300

MATEUS COUTINHO
Prédio do Tribunal de Justiça de São Paulo (Foto: Reprodução/ Youtube)Prédio do Tribunal de Justiça de São Paulo (Foto: Reprodução/YouTube)

Tribunal de Justiça de São Paulo mandou dar seguimento a uma ação popular para apurar o superfaturamento na compra de 129 lixeiras de inox pelo Detran no valor de R$ 2.295 cada uma. A decisão acolhe um recurso do advogado Ricardo Amin Abrahão Nacle, autor da ação que pede a nulidade da compra e o ressarcimento aos cofres públicos do valor superfaturado das lixeiras. Na primeira instância, o juiz rejeitara a ação ao afirmar que o Ministério Público arquivara o inquérito civil sobre o caso e era contrário à ação.

Após o recurso ao tribunal, no entanto, o Ministério Público reabriu a investigação sobre um pregão eletrônico de 2011 para a compra de lixeiras de 20 litros para as unidades do Detran na capital paulista que custou aos contribuintes R$ 296 mil. Por meio de nota, o Detran informou que aguardará ser notificado da decisão da Justiça e que “prestará as informações necessárias”.

O crime sempre compensa: Administração dá 7 anos de vida a delegado condenado por concussão; enquanto que por perseguição ou faltas bem menos graves demite a toque de caixa 45

SP: Condenado por cobrar propina, delegado é demitido da Polícia Civil 3 anos depois

3 anos depois ( da sentença );

7 anos depois do crime conhecido

 

Luis Adorno

Do UOL, em São Paulo

06/07/201721h28

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado de SP decretou, através do Diário Oficial desta quinta-feira (6), a demissão do delegado da Polícia Civil João Achem Junior, que trabalhava no 5º DP (Distrito Policial), na Liberdade. Ele havia sido condenado pela Justiça Federal em outubro de 2014 por concussão, ou seja, cobrança de propina. Neste período, ele ficou afastado da Polícia.

Segundo a investigação, entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2012, Achem Junior, com colaboração de uma delegada da PF (Polícia Federal), de um investigador da Polícia Civil (também demitido) e de um advogado, exigiu de um outro advogado R$ 100 mil para que o nome do homem fosse extinto de uma operação da PF contra a comercialização indevida de créditos tributários. A operação sequer existia.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) em janeiro de 2013, os envolvidos usaram informações sigilosas de uma operação ainda em curso da PF para extorquir o advogado, que seria ouvido pela polícia por suposto envolvimento em delitos envolvendo a Fazenda Nacional, mas que ainda não havia previsão de prisões.

A investigação apontou que o delegado e os demais envolvidos forjaram uma versão da operação, que apontava que o advogado estava prestes a ser preso. Havia até mesmo um dossiê com dados pessoais da vítima e a menção de que havia escutas telefônicas, para que ela ficasse convencida de que, de fato, estava prestes a ir para a prisão.

O advogado, no entanto, não cedeu à pressão e fez uma denúncia ao MPF, que, em conjunto com a PF, passou a investigar os envolvidos. Escutas telefônicas, dessa vez reais, legalmente autorizadas, revelaram a expectativa do grupo em receber a propina.

João Achem Junior foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto, além de pagamento de multa. Procurada pela reportagem do UOL, a advogada do delegado demitido, Rosamaria Pardini de Sá dos Santos, não se manifestou sobre o assunto.

A reportagem questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública), sob gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), os motivos pelos quais Achem Junior foi demitido. Também perguntou se é comum a demissão de funcionários condenados por propina pela Justiça Federal demorar dois anos e oito meses.

Até a publicação desta reportagem, a SSP não se posicionou.